domingo, 31 de janeiro de 2016

sábado, 30 de janeiro de 2016

Opinião - A Linguagem das Irmãs

Ficha Técnica:
Autor: Amy Hatvany
Título Original: The Language of Sisters
Páginas: 304
Editor: TopSeller
ISBN: 9789898800268
Tradutor: Andreia Mendonça

Sinopse:
Há dez anos, Nicole Hunter tomou a difícil decisão de abandonar o seu lar problemático em Seattle. Deixou para trás a sua querida irmã Jenny, possuidora de um distúrbio neurológico que a colocara dependente de uma cadeira de rodas e lhe retirara a capacidade da fala. Após uma década em São Francisco, Nicole tenta convencer-se de que tudo está bem, mas nem a sua vida sentimental nem a profissional são as que ambicionava.
Quando um violento e trágico acontecimento envolve a sua irmã, Nicole é forçada a regressar à casa de infância onde deixou memórias impossíveis de resolver e perdoar. Ali acabará por tomar a decisão mais acertada da sua vida: cuidar da irmã e resolver os conflitos com a mãe e as memórias dolorosas deixadas pelo pai. Só assim conseguirá redimir-se da culpa que a acompanha e tornar-se a irmã que gostaria de ter sido. Uma história tocante, autêntica e libertadora, sobre as escolhas que é necessário fazer na vida, sobre o poder da amizade e sobre a importância dos laços familiares.

Opinião:
Este livro conta a história de Nicole e da sua relação com a sua irmã deficiente Jenny. Basicamente quando a mãe de ambas decidiu colocar Jenny num lar Nicole ficou magoada e decidiu sair de casa, até porque não conseguia estar junto do pai que tratava mal a irmã. Após 10 longos anos Nicole acaba por voltar a ouvir a voz da irmã no seu coração e percebe que é hora de voltar a casa.

Sendo Jenny incapaz de comunicar devido às suas incapacidades as irmãs acabaram por desenvolver a sua própria maneira de falarem, sendo que Nicole sente e ouve no coração aquilo que Jenny lhe quer dizer. É interessante ver como Nicole se debate contra o facto de ter abandonado a irmã e como tenta ajudá-la e apoiá-la incondicionalmente. É através da sua relação com a irmã e do modo como Jenny lida com a vida que Nicole percebe o quão triste e desolada a sua vida é actualmente. Apesar de tudo o que aconteceu Jenny continua a ter uma alegria imensa pela vida e pelos outros. Sempre com um sorriso na cara e pronta a dar e receber amor. É a partir daqui que Nicole começa a perceber que não é feliz com a vida que tem e que quer mais para si do que simples segurança e estabilidade.

O livro é interessante porque aborda algumas situações como a discriminação da sociedade para com as pessoas que apresentam algum tipo de deficiência, ou como estas pessoas acabam por ser abusadas porque não têm como se defender. Ao mesmo tempo mostra também como é fácil julgar-mos e pensar-mos mal dos outros à cabeça em vez de tentarmos perceber o que realmente se passa. Ao mesmo tempo o livro mostra-nos o que é o amor incondicional entre duas irmãs e como o amor perdoa tudo.

Apesar de ter achado a temática do livro interessante não achei que os personagens fossem especialmente marcantes. Apesar de os perceber e de sentir alguma empatia para com eles a verdade é que não consegui criar laços estreitos com nenhuma delas. Não consigo apontar propriamente o dedo ao motivo, mas senti que faltava algo ao livro. Talvez no desenvolvimento e caracterização dos personagens ou talvez nos momentos de tensão e emocionais. Fiquei também algo desiludida por tudo girar mais à volta de Nicole, gostava de ter visto mais de Jenny. Da sua maneira de estar e lidar com a doença e com tudo o que aconteceu.

É um livro interessante, mas que não é nada de extraordinário. Um livro para descontrair e passar um bocado agradável.

(Livro lido em parceria com o Segredo dos Livros)

Opinião - Sonhos de Deuses e Monstros

Ficha Técnica:
Autor: Laini Taylor
Título Original: Dreams of Gods & Monsters
Série: Entre Mundos, #3
Páginas: 496
Editor: Porto Editora
ISBN: 9789720047663
Tradutor: Elsa T. S. Vieira

Sinopse:
Dois mundos estão à beira de uma guerra cruel. Através de um assombroso ardil, Karou assumiu o controlo da rebelião das quimeras e tem a intenção de as desviar do caminho da vingança extrema. O futuro depende dela.
Quando o brutal imperador serafim traz o seu exército para o mundo humano, Karou e Akiva estão finalmente juntos - se não no amor, ao menos numa aliança provisória contra um inimigo comum. É uma versão alterada do seu antigo sonho, mas ambos começam a ter esperança de que será possível forjar um destino alternativo para os seus povos e, talvez, para si próprios.
Porém, com ameaças ainda maiores a desenharem-se, serão Karou e Akiva fortes o suficiente para se erguerem entre anjos e demónios?

Das cavernas dos Kirin às ruas de Roma, humanos, quimeras e serafins lutam, amam e morrem num cenário épico que transcende o bem e o mal, nesta impressionante conclusão da trilogia bestseller Entre Mundos.

Opinião:
O primeiro mês do ano chegou e não podia deixar de o começar, sem antes retirar um papelinho do meu frasco de desafios literários. A sorte ditou que, durante este mês de Janeiro, teria de ler "O último livro de uma série/trilogia" e Sonhos de Deuses e Monstros foi a minha escolha.

Já estava, há algum tempo, com vontade de encerrar este capítulo e saber como esta história de Quimeras e Serafins iria terminar. 

A narrativa começa com uma nova personagem, muito interessante e misteriosa: Eliza, uma mulher das ciências, humana, que é uma verdadeira caixinha de surpresas e que veio, sem dúvida, dar um toque especial à conclusão desta trilogia. Para além deste início diferente, que não esperava, a história começa a desenrolar-se no ponto em que o livro anterior a deixou: Jael desce à Terra com os Domínios, o exército de Serafins que comanda, e Karou está prestes a regressar a Eretz com as Quimeras revenantes, sob o comando do Lobo Branco, agora Ziri, para se juntar aos Ilegítimos de Akiva e formarem uma aliança contra a ameaça iminente.

Gostei muito desta leitura! Não esperava que fosse tão agradável quanto foi, tendo em conta a dificuldade que tive em ser agarrada pelos livros anteriores, que só me captavam verdadeiro interesse tardiamente, leia-se para lá da sua metade. Felizmente, com este Sonhos de Deuses e Monstros, tal não se verificou. Talvez, em parte, devido a Eliza, esta nova personagem que tanto me intrigou e que foi fácil de gostar. A autora fez um bom trabalho ao introduzi-la na trama, aguçando a nossa curiosidade e concluiu, encaixando-a muito bem, qual peça de um puzzle, num dos grandes mistérios desta história.

Adorei, finalmente, saber a história dos Caídos, que estava mortinha por conhecer desde o primeiro livro! Posso dizer que me senti compensada e que valeu a pena a espera, pois isto, bem como o desvendar dos enigmas dos Stelianos, foi para mim o ponto alto do livro. Só tenho pena que não tenha sido um assunto mais desenvolvido. A autora tinha tanto por onde pegar, depois destas revelações... Podia ter levado a história tão mais além, mas não o fez, o que foi uma pena... 
Também o treino de Akiva e a tarefa especial de Karou, podiam ter sido mais explorados, especialmente por serem momentos por nós já aguardados... 

Em vez de tudo isto, temos um final em aberto, em que antevemos o que irá, provavelmente, acontecer. Não desgostei, mas estes foram, sem dúvida, os pontos fracos da obra, junto com o "drama adolescente" que me pareceu mais presente e desnecessário e que fiz por ignorar. 
Ao menos pude regozijar-me com o destino de Ziri, um personagem pelo qual nutro um carinho especial, que mesmo não sendo de todo surpreendente, mereceu-o a 100%.  

Resumindo e concluindo, apesar dos seus pontos negativos (ou menos positivos), Sonhos de Deuses e Monstros foi um livro que gostei muito de ler e me cativou, que deu à trilogia Entre Mundos uma conclusão satisfatória, apesar de imperfeita.











Opinião livro 1A Quimera de Praga (Entre Mundos, #1)
Opinião livro 2Dias de Sangue e Glória (Entre Mundos, #2)
Opinião livro 2.5Night of Cake & Puppets (Daughter of Smoke & Bone, #2.5)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Opinião - Shut Out

Ficha Técnica:
Autor: Kody Keplinger
Páginas: 289
Editor: Poppy
ASIN: B004QZ9PPG

Sinopse:
Most high school sports teams have rivalries with other schools. At Hamilton High, it's a civil war: the football team versus the soccer team. And for her part, Lissa is sick of it. Her quarterback boyfriend, Randy, is always ditching her to go pick a fight with the soccer team or to prank their locker room. And on three separate occasions Randy's car has been egged while he and Lissa were inside, making out. She is done competing with a bunch of sweaty boys for her own boyfriend's attention.

Lissa decides to end the rivalry once and for all: She and the other players' girlfriends go on a hookup strike. The boys won't get any action from them until the football and soccer teams make peace. What they don't count on is a new sort of rivalry: an impossible girls-against-boys showdown that hinges on who will cave to their libidos first. And Lissa never sees her own sexual tension with the leader of the boys, Cash Sterling, coming.

Opinião:
Se o primeiro livro que li desta autor não tivesse sido o The Duff acho que nunca mais tinha lido mais nada dela. Sem sombra de dúvida que para mim o The Duff foi até agora o melhor livro da autora. Depois disso já li o A Midsummer's Nightmare e o Lying Out Lod e apesar de ter gostado e me ter divertido muito achei que ficavam um pouco aquém do primeiro livro. Este era um dos livros que me faltavam ler da autora e sendo que era o primeiro já estava mais que na altura. Posso dizer que se tivesse começado por este possivelmente não teria lido mais nada da autora.

Este livro passa-se na mesma zona que os outros três e apesar de não haver uma ligação perceptível essa ligação é feita no livro mais recente da autora. 

Tal como indicado na sinopse este livro conta a história de Lissa e de como esta e as outras namoradas dos jogadores de futebol e futebol americano decidem fazer uma greve de sexo enquanto a rivalidade entre as duas equipas não terminar. Isto porque esta rivalidade acaba por interferir nas relações amorosas dos vários casais, sejam de que equipa for. Estando as raparigas fartas de serem sempre colocadas em segundo lugar acabam por se juntar a Lissa na sua ideia de uma greve de sexo, afinal que melhor maneira de estar no controlo do que retirar aos rapazes aquilo que eles mais desejam?

Gostei da ideia e da maior parte da atitude das diferentes personagens. Infelizmente as personagens em si não me cativaram propriamente. Principalmente as principais. Ou seja, não me consegui relacionar com Lissa ao longo de toda a narrativa. Percebo que ela seja uma control freak por causa do que lhe aconteceu e o porquê de às vezes exagerar em determinadas atitudes. Mas não me consegui relacionar com as suas atitudes, a sua maneira de estar. A autora não me conseguiu ligar à personagem, fazendo-me sentir que compreendia a um nível instintivo as suas atitudes, sendo que precisava de ponderar bastante para conseguir perceber e aceitar as suas atitudes. Já o Cash é sem dúvida um amor de rapaz, bastante querido e compreensivo e que parece bastante devoto à Lissa, contudo não o conseguir achar propriamente marcante ou com uma personalidade que o distinguisse de todos os outros personagens na narrativa. Dos personagens apresentados aquele de que mais gostei foi sem dúvida a Chloe, com a sua mente aberta e a sua maneira de encarar o sexo.

Sim, porque este livro acaba por ser uma crítica à maneira como a sociedade vê o sexo praticado pelas mulheres. Se gostamos de sexo somos uma depravadas, se fazemos sexo com mais que um homem já somos umas porcas, contudo se não nos queremos envolver sexualmente é porque somos umas púdicas. Contudo um homem não sofre este tipo de preconceitos e pode fazer aquilo que quer que normalmente terá sempre a aprovação de toda a gente. A greve que as raparigas fazem leva a que abordem este tema durante as suas reuniões e foi interessante ver as difernetes perspectivas de cada uma, principalmente a maneira como a Chloe vê o sexo e a maneira como a Lissa o vê.

Tenho sinceramente pena de não ter conseguido ligar-me tanto aos personagens como gostava. O tema do livro é interessante, e já se nota a voz que a autora vem a desenvolver nos próximos livros bem como o humor que é tão característico em muitas das suas personagens e que adoro. Contudo não posso deixar de sentir que falta bastante essência ao livro e aos personagens o que levou a que não conseguisse gostar tanto do livro como queria sendo que ficou bastante aquém das minhas expectativas. 

Aguardo agora pelo próximo, chamado Run, cuja premissa parece ser bastante interessante. Entretanto espero ler o último livro que me falta da autora, Me and the Swift Boys.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Opinião - Lying Out Loud

Ficha Técnica:
Autor: Kody Keplinger
Páginas: 309
Editor:Scholastic
ASIN:B00OBOAIVW

Sinopse:
Sonny Ardmore is an excellent liar. She lies about her dad being in prison. She lies about her mom kicking her out. And she lies about sneaking into her best friend's house every night because she has nowhere else to go.

Amy Rush might be the only person Sonny shares everything with - secrets, clothes, even a nemesis named Ryder Cross.

Ryder's the new kid at Hamilton High and everything Sonny and Amy can't stand - a prep-school snob. But Ryder has a weakness: Amy. So when Ryder emails Amy asking her out, the friends see it as a prank opportunity not to be missed.

But without meaning to, Sonny ends up talking to Ryder all night online. And to her horror, she realizes that she might actually 'like' him. Only there's one small catch: he thinks he's been talking to Amy. So Sonny comes up with an elaborate scheme to help Ryder realize that she's the girl he's really wanted all along. Can Sonny lie her way to the truth, or will all her lies end up costing her both Ryder and Amy?

Opinião:
Foi finalmente neste livro que vi as minhas suspeitas confirmadas de que tanto os livros The Duff como o A Midsummer's Nightmare se passavam no mesmo sítio. Para uma pessoa mais atenta isto seria óbvio, mas como eu sou péssima com nomes de cidades e esse tipo de coisas a mim passou-me um pouco ao lado. Foi engraçado ver como neste livro temos um pequeno vislumbre de todos os outros personagens. Assim sendo parece que é desta vez que vou ter que ler o Shut Out, visto a acção se passar na mesma terriola.

Este livro foca-se maioritariamente em Sonny, que por sinal é a melhor amiga de Amy, a irmã de Wesley. Sonny e Amy são basicamente inseparáveis desde que eram crianças. Sonny é alguém cheio de vida, que não tem problemas em tomar atitudes mais arrojadas e por isso serve de contraponto perfeito a Amy que continua a ser uma rapariga extremamente envergonhada e silenciosa.

A situação de Sonny com a sua contraparte amorosa é bastante semelhante à de Bianca. Sonny conhece Ryder, e desenvolver para com ele uma enorme aversão, sendo que está constantemente a tentar implicar com ele e deitá-lo abaixo. Contudo, ao contrário do que acontece com Bianca, Sonny é um pouco mais instável na sua personalidade. E por tanto este é um dos pontos fracos do livro, na minha opinião. Quando a Sonny está cara-a-cara com o Ryder, a sua personalidade é expansiva e é um prazer lê-la. Mas quando eles estão a trocar mensagens a sua personalidade perder o fogo e ela torna-se toda melosa. Não é que eu não goste de cenas melosas, acho simplesmente que estes extremos tornam a personagem pouco real e por isso não me consegui relacionar tão bem com ela.

Outra coisa que me fez torcer o nariz ao livro foi o facto de Sonny ser uma mentirosa nata. Daquelas em que toda a gente acredita por mais disparatada que seja a mentira. Não gosto muito de gente mentirosa. E não gostei de como a Sonny usa esta sua faceta. Após algumas descobertas consegui passar a perceber o porquê de ela assim ser, mas a autora não foi capaz de me fazer aceitá-lo por completo e perdoá-la. Houve mentiras desnecessárias, mentiras por demais elaboradas sem necessidade. O facto de Sonny repetir por diversas vezes os mesmos erros não me fez sentir confiante na sua promessa de que realmente possa mudar. Se bem que no final vemos um esforço a verdade é que esse esforço não se coaduna com aquilo que vemos dela desde o início do livro.

Gostava tanto, mas tanto de ter tido um pouco mais de Bianca e Wesley. Eles são simplesmente fenomenais juntos e têm personalidades fantásticas. Infelizmente não foi possível ver muito deles visto não serem o foco da história. Contudo o Wesley teve os seus momentos, principalmente nas suas interacções com a Sonny. Nomeadamente quando a tentava fazer perceber que ela era família apesar de não ser do mesmo sangue. Foi preciso mais que o Wesley lho dizer para ela acreditar, mas no final ela percebeu que não está sozinha, que existem pessoas que gostam dela e para as quais não precisa de mentir.

Um livro que ficou aquém das minhas expectativas, visto ter gostado tanto dos outros dois livros que li da autora. Contudo tenho esperança que um próximo livro a ler dela seja melhor do que este e que me volte a presentear com personagens consistentes e cheias de fogo.

Opinião - O Papa e Mussolini

Ficha Técnica:
Autor: David I. Kertzer
Título Original: The Pope and Mussolini
Páginas: 549
Editor: Individual
ISBN: 9789898730176
Tradutor: Carla Ribeiro

Sinopse:
O Papa e Mussolini conta a história de dois homens chegados ao poder em 1922 e que, em conjunto, mudaram o rumo da história do século vinte. Não poderiam ser mais diferentes. Um era erudito e devoto, o outro violento e profano. No entanto, Pio XI e "O Duce" tinham muito em comum. Partilhavam uma desconfiança pela democracia e um ódio visceral pelo Comunismo. Kertzer mostra como Pio XI teve um papel fundamental na viabilização da ditadura de Mussolini e na sua manutenção no poder. Em troca do apoio do Vaticano, Mussolini restabeleceu muitos dos privilégios perdidos pela Igreja e cedeu às exigências do Papa, no sentido de fazer cumprir os preceitos da moral Católica pela polícia.

Opinião:
O Papa e Mussolini é um livro de não ficção histórica bem escrito, que envolveu uma profunda pesquisa através da busca e análise de inúmeros documentos, durante um período de sete anos, que claramente se reflecte em todo o detalhe da narrativa apresentada pelo autor. 
É uma obra meticulosa e bem elaborada, dividida em três partes, focando-se cada uma em momentos chave, como por exemplo o relacionamento com Hitler e o papel de Itália na Segunda Guerra Mundial; com mapas de Roma e da Cidade do Vaticano; uma lista de personagens que pode ser muito útil ao leitor, já que nos são apresentadas muitas figuras históricas, o que pode tornar complicada, por vezes, a tarefa de saber exactamente qual o seu papel; e ainda uma vasta quantidade de notas, que apesar de relatarem, muitas delas, factos interessantes, são tão frequentes que tornam a leitura mais morosa (apesar de não serem fundamentais para o entendimento da obra). 

Posto isto, é fácil entender que nos encontramos na presença de um livro cuja leitura não foi feita para ser apressada e fluída, mas sim para ser feita aos poucos, com calma e atenção.

Confesso-me uma leiga no que a esta matéria diz respeito: a História de Itália do século XX, o Papado no geral e Mussolini. Por isso foi para mim muito interessante observar a relação entre o Papa Pio XI e o ditador italiano, que apesar de se terem encontrado apenas uma vez, estabeleceram entre si, através de alguns intermediários, uma relação de simbiose: Mussolini dava regalias à Igreja e acedida a pedidos, como por exemplo, banir certos livros considerados impróprios pelo Papa, e em contrapartida este último dava ao ditador o apoio da igreja e do Vaticano ao regime fascista.
Foi sem dúvida uma forte aliança que teve um grande peso a nível Histórico, ou não teria ela durado tantos anos, apesar das desavenças e desacordos, pois apesar de algumas semelhanças, estamos na presença de duas figuras Históricas de grande importância e poder, bem distintas uma da outra e com os seus interesses.

Mas este livro não nos relata apenas a vida política/histórica/religiosa das várias personalidades abordadas, conta-nos também a sua vida pessoal e familiar, a existência de amantes, os escândalos abafados de pederastia na igreja, entre outros, o que enriqueceu bastante a obra.

Em suma, apesar de narrativas históricas de estilo biográfico não serem o meu género literário, O Papa e Mussolini, é uma verdadeira lição de História, um livro muito interessante e rico, acessível a quem quer que queira saber mais sobre este período e personalidades e que fará as delícias dos amantes da não ficção histórica. 

(Livro gentilmente cedido para opinião pela Individual Editora)


domingo, 24 de janeiro de 2016

Opinião - Patagónia Express

Ficha Técnica:
Autor: Luis Sepúlveda
Título Original: Patagonia Express
Páginas: 160
Editor: Asa
ISBN: 9724117820
Tradutor: Cristina Rodriguez e Artur Guerra

Sinopse:
Homenagem a um comboio que já não existe, mas que continua a viajar na memória dos homens e das mulheres da Patagónia, estes "apontamentos de viagem" — como lhes chama Luis Sepúlveda — vêm uma vez mais comprovar a qualidade literária já evidenciada em livros como O Velho que Lia Romances de Amor, Nome de Toureiro ou Mundo do Fim do Mundo.
Desde os seus primeiros passos na militância política, que o levaram à prisão e depois ao exílio em diferentes países da América do Sul, até ao reencontro feliz, anos depois, com a Patagónia e a Terra do Fogo, é uma longa viagem (e uma longa memória) aquela que Luis Sepúlveda nos propõe neste seu novo livro.
Ao longo dele, confrontamo-nos com uma extensa galeria de personagens inesquecíveis e com um conjunto de histórias magníficas, daquelas que só um grande escritor é capaz de arrancar dos labirintos da vida.

Opinião:
Nunca tinha lido nada de Luis Sepúlveda e talvez por isso não conhecesse a sua história. Ao mesmo tempo não sou muito boa com história seja de que tipo for o que me levou a fazer alguma pesquisa para tentar perceber o percurso do autor. Acabei por ficar um pouco na mesma visto que as histórias que connosco são partilhadas não têm propriamente um encadeamento.

O livro está dividido em quatro partes:
Apontamentos de uma viagem a lado nenhum;
Apontamentos de uma viagem de ida;
Apontamentos de uma viagem de regresso;
Apontamentos de chegada.

Penso que a finalidade seja a de dar ao leitor uma ideia de que voltamos sempre ao local de onde partimos.

Através dos títulos é fácil de perceber que em cada parte encontramos acontecimentos que se deram em cada um dos trajectos. As histórias contadas pelo autor são histórias em que reina o medo e a incerteza, mas que ao mesmo tempo transmitem uma leviandade e uma aceitação para com os acontecimentos que faz o leitor sentir-se humilde. O autor consegue descrever os acontecimentos mais tristes e doentios com uma leveza encantadora apesar do sentimento transmitido o que não deixa o leitor indiferente.

A própria escrita do autor é encantatória. Foi difícil não me sentir embalada pelos acontecimentos e pela maneira como o autor os conta. Fica uma grande vontade de conhecer mais da obra deste autor e também do seu trajecto pessoal pelo mundo.

Sunday's Quotes (126)

“I've been hearing a lot about standing in front of trains. You know I certainly would if it came down to it; I just think it would be better for all of us if we didn't have to.”― Eric Lindstrom, Not If I See You First

sábado, 23 de janeiro de 2016

Resultado: Passatempo "The Wolf Wilder - A Encantadora de Lobos" de Katherine Rundell - Individual Editora

Olá a todos :)

Terminou então mais um passatempo, realizado aqui no blog, onde estavam a sorteio três exemplares do livro "The Wolf Wilder - A Encantadora de Lobos" de Katherine Rundell, gentilmente cedido pela Individual Editora.


Antes de anunciar os vencedores, gostaria de agradecer, em meu nome e no da Joana, todas as participações recebidas.

Sem mais demoras os sortudos são:


Muitos parabéns Sílvia Afonso, Bárbara Costa e Sílvia Caseiro! Já foi enviado um e-mail a solicitar os dados para o envio dos livros. Caso desejem, também podem ver o resultado aqui, no post do passatempo.

Se não ganharam desta vez, não desanimem! Surgirão mais passatempos, onde poderão tentar, novamente, a vossa sorte.

Boas leituras :)

Opinião - Not If I See You First

Ficha Técnica:
Autor: Eric Lindstrom
Páginas: 320
Editor: Poppy
ASIN: B00W22ILHI

Sinopse:
Parker Grant is a junior in high school who loves to run, has great friends, and isn't afraid to speak her mind - especially when it comes to how stupid some people can be around a blind person like her. The only topic to avoid is how Parker feels about the boy who broke her heart in the eight grade...who has just transferred to her school. And as long as she can keep giving herself gold stars for every day she hasn't cried since her dad's death three months go, she'll be just fine. Right?

Not If I See You First is an exploration of the blindness that comes with being a teenager (visually impaired or not). Combining a fiercely engaging voice with a true heart, this story sheds light of those feelings of insecurity that exist in both new relationships and the oldest friends.

Opinião:
Not If I See You First é um livro que tinha tudo para resultar mas que em alguns aspectos deixou um pouco a desejar e por isso não o achei tão bom quanto gostaria.

Basicamente o livro conta um pouco a história de Parker, uma jovem perdeu aos 7 anos a visão e a mãe e mais recentemente o pai. Tenho que ser sincera e admitir que adorei  a personalidade de Parker bem como da maior parte dos personagens. Como a própria Parker diz, ela pode ser cega, mas isso não a torna dependente de outras pessoas, nem uma incapaz. A Parker é bastante inependente e desenrascada. Além disso tem uma personalidade com que não é fácil lidar, ela diz o que pensa sem ter receio de magoar quem quer que seja. É completamente mordaz e não exisste filtro entre os seus pensamentos e a sua boca.

Mas não foi só a Parker e a sua personalidade que me encantou, a maneira como a autora nos mostra de que modo a Parker e quem a rodeia lidam com a cegueira dá ao leitor uma perspectiva diferente. Ao mesmo tempo as regras da Parker dão uma perspectiva do que será ou não correcto fazer junto de uma pessoa que não consegue ver.

Quanto aos personagens secundários, gostei de praticamente todos. A Sara que é uma constante e o pilar da Parker, a Faith que apesar de distante está lá sempre que é preciso, a Molly que é alguém bastante atento e perspicaz, o Scott que é um querido e que faz tudo para fazer a Parker feliz mesmo que isso signifique manter-se afastado, e a Sheila que se mostra no final como alguém que afinal não é tão cabra como parecia.

Outras coisas que gostei, os diálogos que a Parker tem com o pai e os seus dilemas pessoais. Sendo uma história acerca de uma jovem é óbvio que toda a gente tem as emoções à flor da pele e toda a gente gosta de dramas. Contudo a autora conseguiu tornar esses dramas credíveis e razoáveis e nada irritantes, levando a que por vezes eu própria ficasse com uma lágrima no canto do olho. Além disso a Parker tem uma ideia bastante semelhante à minha do que é a amizade e isso fez-me sentir mais próxima dela.

Coisas que não gostei, o facto de ter levado tanto tempo à Parker a perceber o erro que cometeu à dois anos e meio atrás. Para alguém tão inteligente foi um pouco lenta a perceber o significado das coisas. O facto de ao início o Jason ser um rapaz cinco estrelas que não trata a Parker de forma diferente e de um momento para o outro começa a tratá-la de um modo diferente do inicial, tanto que até parece uma pessoa diferente. Fez-me ter receio que a autora fosse estragar mais algum personagem ao mesmo tempo que me deixou irritada por parecer que ela o estava a fazer só para ter uma desculpa para a Parker se afastar dele.

Fazendo um apanhado geral seria de esperar que tivesse adorado o livro, mas houve algo que não fez click e não sei explicar o quê. De qualquer modo tenciono continuar a seguir esta autora, principalmente se tiverem temas interessantes como este, além de que acredito que os próximos livros serão melhores.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Opinião - The Girl With The Silver Eyes

Ficha Técnica:
Autor: Willo Davis Roberts
Páginas: 192
Editor: Aladdin
ISBN: 1442421703

Sinopse:
Katie Welker is used to being alone. She would rather read a book than deal with other people. Other people don't have silver eyes. Other people can't make things happen just by thinking about them!

But these special powers make Katie unusual, and it's hard to make friends when you're unusual. Katie knows that she's different but she's never done anything to hurt anyone so why is everyone afraid of her? Maybe there are other kids out there who have the same silver eyes . . . and the same talents . . . and maybe they'll be willing to help her.

Opinião:
Este livro foi lido para Key Word Reading Challenge.

Katie é uma menina de quase 10 anos bastante peculiar. Além de ter uma mente bastante adulta para a sua tenra idade tem também olhos prateados e a capacidade de deslocar objectos sem lhes tocar. Gostei bastante da personalidade de Katie e da maneira como esta conta a história. Se por um lado é verdade que ela prega partidas a pessoas desagradáveis a verdade é que a sensação com que o leitor fica é que ela não o faz propriamente por maldade. Ela é simplesmente alguém prático que faz o que faz com um propósito, um desígnio e não só porque sim. Ao mesmo tempo Katie continua a ter as suas ideias e acções típicas de uma miúda de quase 10 anos, o que poderia parecer estranho, mas não parece pois a autora consegue enquadrar bastante bem ambas as facetas.

Devido a determinadas características suas a maior parte das pessoas tem receio de Katie ou sente-se incomodada com a sua presença. Ao longo da história ficamos a saber o porquê das suas peculiaridades. Contudo o foco central do livro prende-se com a tentativa de Katie descobrir mais pessoas como ela na tentativa de não se sentir tão sozinha e isolada.

Quanto aos personagens secundários, não achei que tivessem especial relevância, exceptuando a Sra. M. Gostei da sua mente aberta e do modo como trata Katie. É impossível o leitor não sentir orgulho nesta Sra. e na sua maneira de ver as coisas.

Este foi um livro que adorei desde o início e que a autora conseguiu basicamente arruinar na recta final. Se é verdade que a voz da Katie e a sua percepção do mundo encanta o leitor, também é verdade que no final do livro a autora conseguiu arruinar esta voz com o desfecho demasiado rápido e desengonçado que criou para a história. O final dá a sensação que foi apressado e todo o suspense que vai sendo criado é completamente arruinado pelo final que a autora nos apresenta.

Assim sendo este é um livro que se por um lado recomendo, por outro não. Não me arrependo de o ter lido porque adorei a maior parte dele, mas sinto-me defraudada por aquele final.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Opinião - Genesis

Ficha Técnica:
Autor: Karin Slaughter
Série: Will Trent, #3
Páginas: 562
Editor: Cornerstone Digital
ASIN: B0031RSAEC

Sinopse:
Three and a half years ago former Grant County medical examiner Sara Linton moved to Atlanta hoping to leave her tragic past behind her. Now working as a doctor in Atlanta's Grady Hospital she is starting to piece her life together. But when a severely wounded young woman is brought in to the emergency room, she finds herself drawn back into a world of violence and terror. The woman has been hit by a car but, naked and brutalised, it's clear that she has been the prey of a twisted mind.

When Special Agent Will Trent of the Criminal Investigation Team returns to the scene of the accident, he stumbles on a torture chamber buried deep beneath the earth. And this hidden house of horror reveals a ghastly truth - Sara's patient is just the first victim of a sick, sadistic killer. Wrestling the case away from the local police chief, Will and his partner Faith Mitchell find themselves at the centre of a grisly murder hunt. And Sara, Will and Faith - each with their own wounds and their own secrets - are all that stand between a madman and his next crime...

Opinião:
Este livro foi lido para o Monthly Motif Reading Challenge.

Karin Slaughter é uma das autoras de policiais que não dispenso seguir. Assim sendo vou-me mantendo a par do que vai saindo cá por Portugal e vou seguindo a série em inglês ao mesmo tempo. Vito o livro Génesis já ter sido editado por cá achei que seria uma excelente escolha para o desafio deste mês e a verdade é que não saí nada desapontada.

Mais uma vez seguimos Will Trent e a sua colega Faith enquanto investigam um crime. E podem crer que este crime é bastante doentio. Alguém anda a raptar mulheres de sucesso e com mau feitio prendendo-as e torturando-as de várias maneiras. Tanto as torturas como os sítios onde as vítimas são mantidas são completamente arrepiantes!

Mas não só de coisas assustadoras é feita a história, uma nova personagem é introduzida na trama, a Sara, e estou ansiosa para ver como é que ela vai contribuir nos próximos livros. Achei-a bastante bem caracterizada e interessante. Uma personagem que carregar uma inegável dor e tristeza na forma do marido falecido. Gostei bastante de a ver desabrochar enquanto ajudava Will e Faith a apanhar o assassino. E espero sinceramente que ela venha a substituir a Angie, porque o Will merece alguém que goste realmente dele, alguém bondoso e que o compreenda.

A Faith está a passar por alguns momentos complicados, e apesar de para o final parecer estar a endireitar-se a verdade é que espero ver algumas recaída durante os próximos livros. Acredito que a luta dela não vá ser fácil. Mostrar-se capaz de continuar a exercer as suas funções tendo em conta aquilo que lhe está a acontecer vai ser um desafio, mas acredito que com a ajuda de Will e Amanda as coisas corram pelo melhor.

Quanto ao caso, minha nossa. Tanto os suspeitos como as testemunhas são deveras estranhos. Mas nada comparado com o perpetuador. Não estava nada à espera nada apontava para ele e quando se descobre quem é não pude fazer mais nada a não ser ficar abismada com o quão doentio ele era, ao mesmo tempo que fiquei parva com o quão cegas as pessoas podem ser para aquilo que é certo e errado. Principalmente quando se ama alguém.

Ao mesmo tempo este livro aborda o fanatismo religioso e como ele pode controlar uma pessoa. De como a religião pode ser deturpada para encaixar naquilo que queremos e praticarmos as maiores atrocidades sem receio de retaliação.

E se por um lado Will é normalmente alguém bastante calmo e pacífico, neste livro vimos um lado mais selvagem dele. Afinal existem determinados acontecimentos que o fazem reviver o passo e que funcionam como o gatilho para que este perca o controlo. Espero que tal não volte a acontecer porque o Will é bom e tem resultados ao ser calmo e ao ser diferente dos outros policiais e detectives.

Assim sendo aguardo ansiosamente pelo próximo caso e pelo desenvolvimento destes personagens que adoro.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Opinião - O Bobo

Ficha Técnica:
Autor: Christopher Moore
Título Original: Foll
Páginas: 350
Editor: Gailivro
ISBN: 9789895576807
Tradutor: Leonor Bizarro Marques

Sinopse:
Homem de infinita graça, Pocket foi o bobo acarinhado de Lear durante anos; desde a época em que as filhas adultas do rei - a egoísta e ardilosa Goneril, a sádica Regan, (mas sexy a ponto de despertar fantasias eróticas), e a doce e leal Cordélia - eram apenas raparigas. Naturalmente que Pocket fica do lado do seu velho e tonto amo, quando Lear - insidiosamente encorajado por Edmund, o bastardo (em todos os sentidos possíveis e imaginários) - exige que as filhas lhe jurem o seu amor e devoção perante um grupo de convidados. É óbvio que Goneril e Regan ficam radiantes por poder lamber o rabo ao pai, enquanto Cordélia acha o pedido um tanto… bom… um tanto estúpido e a sua rude honestidade acaba por lhe custar a parcela do reino, que seria sua por direito, ainda acabando por ser expulsa ao pontapé. Agora, Pocket terá de recorrer a manobras bastante sofisticadas - lançar feitiços, instigar assassínios e provocar uma ou duas guerras (a treta do costume) - para conseguir que Cordelia volte a cair nas boas graças do Pai Lear, frustrando as manobras demoníacas das perversas irmãs e salvando de repetidos espancamentos o aprendiz de bobo, Drool, seu amigo gigantesco, desmesuradamente lerdo e invariavelmente lascivo … sem se esquecer de fornicar com todas as jovens apetecíveis… que pelo caminho se disponham a tal. Pocket pode ser um Bobo… mas não é um idiota.

Opinião:
Mas porque raio é que eu tinha este livro à tanto tempo em casa por ler? Porque é que não peguei nele mais cedo para me poder deliciar?

Confesso que não conhecia a história do Rei Lear. Ao começar a ler O Bobo decidi investigar para ficar com uma ideia da história e poder fazer comparações entre a história de Moore e o original. Se bem que a base é a mesma existem algumas diferenças, principalmente no final.

Só posso dizer que adorei cada momento passado a ler este livro. Todas as personagens são fascinantes, desde o Bobo com a sua inteligência e perspicácia e vontade de recuperar a sua Cordélia, a Drool, o aprendiz bastante lerdo de Bobo que tem um fascínio bastante elevado por sexo, às irmãs Goneril e Regan que são simplesmente diabólicas, a Lear, Edmund e afins. Todas as personagens são bastante cativantes.

Contudo o que mais encanta é sem dúvida vermos como o Bobo manipula todos à sua volta. Como o autor ironiza os acontecimentos, por exemplo o facto de existir um fantasma, porque há sempre um fantasma. Acho que para perceber o humor do autor só mesmo lendo o livro. É verdade que este tipo de humor não é para toda a gente. É um humor um pouco grosseiro, nada requintado, e apesar de não ser o meu tipo de humor a verdade é que não sei porquê me lembrou um pouco a maneira de escrever de Pratchett, por deturpar aquilo que se espera de uma determinada história e dos seus personagens. Fica então a consideração que este não é um livro que toda a gente vá gostar ou conseguir apreciar. Acho que só mesmo experimentando.

De qualquer modo, gostei bastante de como os acontecimentos se desenvolveram, pela componente fantástica e apatetada que foi incorporada com as bruxas e os feitiços e o fantasma que fala sempre em verso.

Fiquei curiosa para ler mais obras deste autor, caso tenha oportunidade irei fazê-lo e espero gostar tanto como gostei deste livro.

Sunday's Quotes (125)

“Love needs room to grow. Like a rose. Or a tumor.”― Christopher Moore, Fool

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Opinião - Vanish, Hidden e Breathless

Ficha Técnica:
Autor: Sophie Jordan
Série: Firelight, #2, #3 e #3.5
Páginas: 309, 272 e 79
Editor: HarperCollins
ASIN: B004S333OK, B007HB81YC e B0090RVAIA

Sinopse:
Vanish
An Impossible Romance.
Bitter Rivalries.
Deadly Choices.

To save the life of the boy she loves, Jacinda did the unthinkable: She betrayed the most closely guarded secret of her kind. Now she must return to the protection of her pride knowing she might never see Will again—and worse, that because his mind has been shaded, Will’s memories of that fateful night and why she had to flee are gone.

Back home, Jacinda is greeted with hostility and must work to prove her loyalty for both her sake and her family’s. Among the few who will even talk to her are Cassian, the pride’s heir apparent who has always wanted her, and her sister, Tamra, who has been forever changed by a twist of fate. Jacinda knows that she should forget Will and move on—that if he managed to remember and keep his promise to find her, it would only endanger them both. Yet she clings to the hope that someday they will be together again. When the chance arrives to follow her heart, will she risk everything for love?

In bestselling author Sophie Jordan’s dramatic follow-up to Firelight, forbidden love burns brighter than ever.


Hidden
Jacinda was supposed to bond with Cassian, the "prince" of their pride. But she resisted long before she fell in love with Will—a human and, worse, a hunter. When she ran away with Will, it ended in disaster, with Cassian's sister, Miram, captured. Weighed down by guilt, Jacinda knows she must rescue her to set things right. Yet to do so she will have to venture deep into the heart of enemy territory.

The only way Jacinda can reach Miram is by posing as a prisoner herself, though once she assumes that disguise, things quickly spiral out of her control. As she learns more about her captors, she realizes that even if Will and Cassian can carry out their part of the plan, there's no guarantee they'll all make it out alive. But what Jacinda never could have foreseen is that escaping would be only the beginning....

Loyalties are tested and sacrifices made in the explosive conclusion to Sophie Jordan's Firelight trilogy.


Breathless
For Az, it's supposed to be a fun summer vacation with her family. Nothing complicated. Just a quick trip to test the waters as she prepares for a year on her own. That all changes when she rescues a drowning girl and meets Tate—the most gorgeous human boy she's ever seen. Tate throws her heart, her plans, and her life into upheaval, but the closer she gets to him, the harder it is to hide the secret of what she is.With no hope for a future together, the last thing that can ever happen... is love.

This stand-alone novella is perfect for those new to the Firelight series as well as veteran fans.

Opinião:
Já foi à algum tempo que li o primeiro livro desta trilogia e entretanto nunca mais lhe peguei. Assim sendo este ano ela foi uma das escolhidas para o Finishing the Series Reading Challenge. Quando comecei a ler o segundo livro não me lembrava de grande coisa do primeiro. E sinceramente continuo a não me lembrar. Existem algumas coisas que deduzo através do comentários dos personagens, mas não tenho ideia de o ter lido. Isto mostra o quão impressionada eu fiquei na altura com o livro, ou não.

Basicamente nestes dois livros, Vanish e Hidden, assistimos à indecisão da Jacinda entre escolher o Wil ou o Cassian. Claro que continua a existir o problema dos caçadores e do Enkro que faz experiências com os dacri aprisionados, contudo isso parece ficar para segundo plano. O grande foco aqui são as indecisões da Jacinda e a sua necessidade de fazer o que acha que está certo estando constantemente a arriscar-se para salvar os outros de um modo que não parece ao leitor nada altruísta.

Pelo meu discurso acima dá para perceber que não considero a Jacinda nada de extraordinário. Sim, é verdade que tem personalidade em relação a todos os outros Draki que são apresentados e que não é de todo submissa, contudo não consegui perceber o porquê de andar toda a gente de roda dela, se calhar porque não me lembro do que aconteceu no primeiro livro. Talvez por não me lembrar do que acontece no primeiro livro sinto que a relação entre o Wil e a Jacinda não é nada de especial. Sim, ele é muito querido para ela e ela fica toda empolgada quando o vê, contudo não sinto que haja uma ligação, não houve momentos em que senti-se que houve uma conexão entre estes dois personagens para que possam gostar tanto um do outro. Isto acontece mais vezes entre a Jacinda e o Cassian, esses dois sim, têm imensos momentos de partilha e ligação durante os dois livros e por isso acho que faria mais sentido uma relação mais estável com o Cassian. Apesar de que se dependesse de mim eu não escolheria nenhum dos dois.

A única personagem que gostei de ver desenvolver-se foi a Tamra, que finalmente acordou e é algo maravilhoso e poderoso. Gostei de a ver evoluir de alguém assustado para alguém com uma vontade de ferro e que faz aquilo que quer, que toma decisões por si. A relação da Tamra com um outro personagem foi também a única que me pareceu real. Deu facilmente para sentir a ligação instantânea entre ela e o Degan. E fiquei contente que as coisas resultassem pelo melhor para os dois.

Quanto ao conto, Breathless, este é acerca da Az. Existe alguma dúvida quanto à colocação temporal deste conto na série, se se passa antes do Firelight ou depois do Hidden. Por um lado há determinadas coisas que a Az diz que remetem para a Tamra quando o seu draki estava morto, por outro lado não estou a ver que fosse possível os draki irem num tour durante um ano antes dos acontecimentos de Hidden.

Independentemente disso, achei o conto um pouco nhe. A Az perde muitas das características que apresenta nos livros, nomeadamente o seu humor e temperamento. Aqui parece uma tolinha que não consegue dar dois passos sem se esbardalhar. Gostei mais do pulso que ela mostra nos livros. Tudo bem que lidar com humanos será algo assustador para ela. Mas de certa forma parece que a sua personalidade se modifica, o que não considero propriamente bom.

Quanto ao personagem masculino, ele é giro e simpático, mas não consigo perceber o interesse dele na Az. A rapariga é um poço de contradições no que toca ao desgraçado do rapaz. Quanto muito percebo o porquê de a Az gostar dele ou ter interesse nele, ao fim e ao cabo ele olha para ela e interessa-se por ela o que normalmente não acontece, mas mesmo assim...


Em jeito de resumo, tanto os livros como o conto foram bastante mornos. Servem perfeitamente para passar o tempo e se se deseja uma história simples e de rápida leitura. Para quem quer algo mais exigente não aconselho de todo.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Opinião - Night of Cake & Puppets

Ficha Técnica:
Autor: Laini Taylor
Série: Daughter of Smoke & Bone, #2.5
Páginas: 100
Editor: Little, Brown Books for Young Readers
ISBN: 9780316369855

Sinopse:
In Night of Cake & Puppets, Taylor brings to life a night only hinted at in the Daughter of Smoke & Bone trilogy — the magical first date of fan-favorites Zuzana and Mik. Told in alternating perspectives, it’s the perfect love story for fans of the series and new readers alike. 

Petite though she may be, Zuzana is not known for timidity. Her best friend, Karou, calls her “rabid fairy,” her “voodoo eyes” are said to freeze blood, and even her older brother fears her wrath. But when it comes to the simple matter of talking to Mik, or “Violin Boy,” her courage deserts her. Now, enough is enough. Zuzana is determined to meet him, and she has a fistful of magic and a plan. 

It’s a wonderfully elaborate treasure hunt of a plan that will take Mik all over Prague on a cold winter’s night before finally leading him to the treasure: herself! Violin Boy’s not going to know what hit him.

Opinião:
Night of Cake & Puppets é uma novella, complementar da série Daughter of Smoke & Bone, conhecida cá em Portugal como Entre Mundos. Tem como foco duas personagens secundárias da trilogia, Zuzana e Mik, e conta ao pormenor um momento bem conhecido e mencionado nos livros anteriores: o dia em que estes começaram a namorar.

Deste lado, confesso-me surpreendida por ter gostado tanto desta leitura, pois ao contrário de muita gente, quiçá da maioria, nunca achei grande piada a estes dois personagens, nomeadamente de Zuzana, que tenho achado inclusivamente um pouco parvinha. Até à data, era para mim, o elemento que gritava: "disparate/cenas adolescentes que me irritam".
No entanto, gostei muito de ler esta pequena história, e gostei igualmente de acompanhar o primeiro dia romântico dos ditos personagens.

A descrição da zona antiga da cidade de Praga deixa-me sempre rendida. Tal como no primeiro livro da trilogia, recordei e visualizei tão bem certos locais descritos, o que, invariavelmente, adiciona um toque extra de prazer à leitura. Junte-se ainda uma noite fria de Fevereiro a nevar e temos o cenário perfeito.

Gostei imenso do estratagema criado por Zuzana para atrair Mik até ela. Deu-se a um grande trabalho a criar aquela caça ao tesouro, com um mapa, pistas, frases ocultas e momentos mágicos, graças aos Scuppys de Karou.

Em suma, Night of Cake & Puppets, revelou-se uma história divertida e amorosa, que me surpreendeu pela positiva e aumentou a vontade de pegar no último livro da trilogia, Sonhos de Deuses e Monstros.












Opinião livro 1A Quimera de Praga (Entre Mundos, #1)
Opinião livro 2Dias de Sangue e Glória (Entre Mundos, #2)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Opinião - The Host

Ficha Técnica:
Autor: Stephenie Meyer
Páginas: 652
Editor: Sphere
ISBN: 0751550973

Sinopse:
Melanie Stryder refuses to fade away.

Our World has been invaded by an unseen enemy. Humans become hosts for these invaders, their minds taken over while their bodies remain intact and continue their lives apparently unchanged. Most of humanity has succumbed.

When Melanie, one of the few remaining "wild" humans, is captured, she is certain it is her end. Wanderer, the invading "soul" who has been given Melanie's body, was warned about the challenges of living inside a human: the overwhelming emotions, the glut of senses, the too-vivid memories. But there was one difficulty Wanderer didn't expect: the former tenant of her body refusing to relinquish possession of her mind.

Opinião: 
Algumas das opiniões que li dizem que The Host além de ser bastante diferente da Saga Twilight é também melhor. Assim sendo decidi experimentar.

Essencialmente a história passa-se em torno de Wanda e Melanie. Wanda faz parte de uma raça extraterrestre que invade a Terra com o intuito de tomar posse dos humanos para que estes possam aprender a viver em harmonia com o planeta e entre si. Um dos extraterrestres que é colocado dentro de um ser humano é a Wanda, que por sinal é colocada dentro da Melanie.

A Melanie tem uma personalidade bastante forte, assim sendo quando a Wanda é colocada dentro dela ambas ficam a coabitar o corpo da Melanie. Apesar de a Wanda ter um controlo superior, pelo menos a nível físico, a verdade é que a Melanie tem mais poder a nível psicológico. Ou seja, a Melanie é capaz de esconder informação à Wanda, enquanto esta tem mais dificuldade em fazê-lo. Ao mesmo tempo as emoções da Melanie e os seu pensamentos invadem aquilo que é suposto ser a Wanda transformando-a e alterando a sua maneira de ver os humanos e o seu mundo.

Esta é sem dúvida a melhor qualidade do livro. A dualidade Wanda/Melanie, a tentativa de descobrir onde começa uma e termina a outra. Quem são realmente e quais os sentimentos que pertencem a uma ou a outra. O mundo que a autora criou também é interessante, bem como a espécie a que pertence a Wanda e como é que as suas vidas funcionam.

Não existe muita interacção com outros seres, mas o pouco que vemos dá para perceber que todos eles são bastante pacíficos e que pretendem ajudar, apesar de não terem a noção que aquilo que estão a fazer é errado. Custa ver a Wanda a ser constantemente mal tratada e escorraçada sem ter propriamente culpa daquilo que aconteceu. As únicas pessoas que a aceitam incondicionalmente é o Jeb e o Jamie. E como eu adorei o Jeb! Com o seu ar brincalhão e o seu coração enorme capaz de ver para além do óbvio. O Jeb é uma pessoa extremamente perspicaz que desde cedo se apercebe do que realmente se passa com Wanda/Melanie.

Para não variar existe um triângulo amoroso, a Wanda não sabe se realmente gosta do Jared ou do Ian. Ao menos esta indecisão tem a duração de um livro e não de três ou quatro. O que não é nada mau. Ao início é fácil torcer para que a Wanda goste do Jared, mas a nossa percepção do quão complicado isto é vai aumentando ao longo do livro. Além disso o Jared demora muito mais tempo a aceitar a Wanda do que o Ian, não sendo tão difícil quanto isso perceber porquê. Mas chega a um ponto em que começamos a querer ver a Wanda com alguém que goste dela por aquilo que ela é interiormente e não por aquilo que ela é fisicamente.

No final as coisas melhoram e bastante, e são feitas descobertas fascinantes que dão um ar de esperança para o futuro dos personagens. Gostei bastante do livro, mais do que estava à espera. Assim sendo recomendo.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Mini-Opinião - Honeymoon form Hell IV, V e IV

Ficha Técnica:
Autor: R. L. Mathewson
Páginas: 104
Editor: Smashwords
ISBN: 9781311725110

Sinopse:
This is how it all started, Robert Bradford set the tone for all the men in his family to come and he did it the only way that he knew how, but driving Elizabeth crazy and making sure that she would never forget how much he loved her.

Opinião:
Este foi o conto que mais gostei até agora. Bastante fiel às personalidades dos personagens e cheio de desventuras. A primeira lua de mel da família Bradford foi em dúvida uma lua de mel infernal. Além de termos um Bradford quase "a morrer" temos também outras situações caricatas com Elizabeth. Não posso deixar de referir que temos direito a ver os gémeos Bradford com pouco mais de um ano e eles lembraram-me de imediato os filhos de Trevor. Completamente geniais e maquiavélicos. Tendo em conta que a autora usa e Darrin e Marybeth para nos contar a história tenho curiosidade para saber o que vai acontecer com estes dois visto que não vão desistir da sua lua de mel. Mas será que esta gente não aprende?
Ficha Técnica:
Autor: R. L. Mathewson
Páginas: ?
Editor: Smashwords
ISBN: 9781310172670

Sinopse:
She's finally his after months of being stuck in the hospital recovering from one of the dumbest moment's of his life, Jodi was his and he was going to make sure that she stayed that way, which of course meant a trip Vegas, some help from his family and breaking a few laws. Danny didn't care what he had to do, as long as he got to keep his Tinkerbelle.

Opinião:
Esta deve ter sido a primeira vez que um Bradford não insistiu em ir de lua de mel. Muito pelo contrario. Esta foi a primeira vez que um Bradford tomou todas as precuações necessárias de modo a ter a certeza que determinados acontecimentos não poderiam ser interpretados como uma lua de mel. Contudo não foi apenas este aspecto que tornou a história diferente. A nossa protagonista feminina sem dúvidas que marca pontos com toda a sua loucura quando toma medicação. No entanto uma vez mais a autora surpreende pois consegue fazer com que  a Tink fique sedada, com nada mais nada menos do que uma aspirina. Simplesmente hilariante. Não só o twist como também todas as peripécias que daí advêm. É notório que a autora está a melhorar as suas histórias.
Ficha Técnica:
Autor: R. L. Mathewson
Páginas: 78
Editor: Smashwords
ASIN: B017FPYMLK

Sinopse:
Finally, after all these years Marybeth was finally his and he was going to do whatever it took to keep her, even if that meant risking it all.

Along with their Honeymoon from Hell has been added "What Really Happened.." the story of how Darrin and Marybeth finally came together. They will be released in Chronicle form on the website in the next few weeks, but are published as a collection in this novelette

Opinião:
E uma vez mais a autora surpreende no que é para já a última história da série. Aqui temos um Darrin apostado em ir de lua de mel, e por isso mesmo faz milhentos planos diferentes de forma a conseguir despistar os seus familiares Bradford. Gostei de como a Marybeth alinha com ele, mas como depois começa a ficar assustada. Uma vez mais houve um twist na história do qual não estava à espera. Normalmente as luas de mel correm mal, mas esta tem ar de ir correr bem por causa de um pequeno pormenor do qual ninguém se parece recordar a não ser Darrin. No final temos ainda direito a um outro conto da autora relativo a estes dois personagens. Conto esse que inicialmente estava a ser publicado no blog e ao qual falta o último capítulo que irá ser disponibilizado no final do próximo livro. Fico curiosa para saber como esta conto acaba.

Opinião - Honeymoon from Hell I, II & III

Ficha Técnica:
Autor: R. L. Mathewson
Páginas: ?
Editor: Smashwords
ISBN: 9781311915870, 9781310879555, 9781311506122

Sinopse:
Part I
Jason loves Haley more than anything and after finally deciding that she was his, he decides that it's time that he makes sure that she's his forever............

Which may or not involve kidnapping her across state lines, holding her hostage and calling for back up.


Part II
After years of searching the perfect woman, Trevor finally has her and he'll do absolutely anything to make sure that she knows just how much he loves her.

Anything.....

PartIII
For years, Connor has gone out of his way to make Rory miserable, but now that he finally had her, in his arms where she belonged, he was determined to keep her there.

Opinião:
Nestas três pequenas novelas ficamos a saber como é que foram as luas de mel de Jason e Haley, Trevor e Zoe e Rory e Connor, respectivamente. Enquanto que nas duas primeiras os casais vão de lua de mel independentemente dos avisos, na terceira o casal não tem qualquer tipo de hipótese visto que é aprisionado em casa durante o tempo que a família Bradford conta ser suficiente para ultrapassarem a ideia de irem de lua de mel.

Das três novelas a que gostei mais foi, provavelmente a terceira. Num segundo lugar virá a segunda e em último a primeira. Contudo no geral não achei as novelas nada de extraordinário. Isto porque senti que as personalidades dos personagens se encontravam algo "diluídas". Principalmente os rapazes Bradford não pareciam eles mesmos. Não que não tenham existido loucuras pelo meio, mas faltava ali qualquer coisa para que fosse possível o clique e o leitor ficasse com vontade de rir face à abordagem que os Bradford têm perante as mais diversas situações. A primeira novela foi aquela em que mais senti esta diferença a nível da personalidade do Bradford ou da maneira como eram descritas as situações. Na segunda novela já não me fez tanta confusão porque a descrição das situações ia um pouco mais de acordo com aquilo a que o leitor já se encontra habituado. A terceira novela foi sem dúvida a melhor. Faltava pouco para sentir a autora ao nível dos seus livros da série Neighbor from Hell.

Ainda se poderia pensar que esta situação fosse devido ao facto de as novelas serem mais pequenas, mas tal não me convence visto que a autora tem imensos contos que me encheram completamente as medidas tal como aconteceu com os livros. Espero sinceramente que as próximas novelas sejam melhores.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Sunday's Quotes (124)

“The truth isn't easily pinned to a page. In the bathtub of history the truth is harder to hold than the soap and much more difficult to find.”― Terry Pratchett, Sourcery

Mini-Opinião - The Urban Fantasy Anthology

Ficha Técnica:
Editor: Peter S. Beagle
Páginas: 28; 24; 17
Editor: Tachyon Publications
ASIN: B005FY4U70

Sinopse:
THE PRIVATE EYE TURNED ZOMBIE DETECTIVE
THE HIT MAN HIRED BY AN ANGEL
THE VAMPIRE AT A KILLER RAVE
THE WEREWOLF IN LOVE

Welcome to the Streets.

Where vampires party hard and fey musicians charm your soul away. Where an angel hires a hitman and the Devil hitches a ride. Where a private Jane finds the only thing worse than a zombie: a zombie salesman, and a teenage girl discovers the antidote to puberty: lycanthropy. Where a would-be innkeeper buys herself a haunted house and a witch sets out to rescue an undercover cop. Where a centaur prowls a post-apocalyptic landscape and a tapestry-bound unicorn is finally set free.

In these twenty provocative tales you'll discover the hot-blooded paranormal romances of Patricia Briggs and Carrie Vaughn, the stylish urban noir of Neil Gaiman and Holly Black, and the eloquently retold myths of Emma Bull and Charles de Lint.

Don't stay out too late...

Opinião:
Deste livro de contos apenas li três. O do Neil gaiman, porque adoro o autor, e o de Patricia Briggs e Holly Black porque são duas autoras que conheço e gosto.

Quanto ao conto de Gaiman, The Goldfish Pool and Other Stories, este é algo estranho. Estranho na medida em que ao longo de todo o conto parece que estamos a ler algo desfasado da realidade. Toda a história parece ter um ar etéreo, como se as situações que ocorrem fossem quase sonhadas. O personagem principal vê-se rodeado de pessoas que parece não saberem o que querem, estando constantemente a adulterar as suas ideias e a sua arte.

Relativamente a Brigs, o conto chama-se Seeing Eye e insere-se no mundo Mercy Thompson, dando-nos a conhecer um pouco mais de duas personagens que, pelo menos eu, já conhecia. Estes dois personagens aparecem na série Alpha e Omega. Gostei de ficar a conhecer como é que ambos se conheceram, ver a sua relação a desenvolver-se e perceber um pouco melhor sobrem que e o que é Moira. Um pouco mais da história das bruxas é-nos apresentada neste conto.





Como gosto bastante de Briggs, não podia ter deixado de gostar deste conto. É uma escrita e mundo familiares onde é fácil sentirmo-nos reconfortados.

Para finalizar, o conto e Holly Black, The Coldest Girl in Coldtown.Este foi o conto que mais deixou a desejar. Gostei da premissa, gostei da personagem principal, gostei do mundo apresentado, contudo o modo como estes factores se entrelaçam e a linha narrativa não me entusiasmaram por aí além. Creio que o conto peca essencialmente por ser um conto. Uma história mais longa teria tido um melhor aproveitamento e desenvolvimento levando a uma história mais coerente e capaz. E sim, eu sei que existe o livro, mas este não tem como personagem central a Matilda e passa-se algum tempo depois deste conto.

Fica o desejo de que haja tempo para ler os restantes contos e ficar a conhecer novos autores.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Opinião Fractured - Fraturada

Ficha Técnica:
Autor: Teri Terry
Título Original: Fractured
Série: Slated, #2
Páginas: 360
Editor: Individual (Lápis Azul)
ISBN: 9789899512436
Tradutor: Carla Ribeiro

Sinopse:
Dois meses depois de ter sido Reiniciada, Kyla não devia ter recordações da sua vida anterior. Mas, e apesar de ser verdade que ela sempre foi diferente, um acontecimento traumático trouxe-lhe de volta algumas memórias. Agora, Kyla está dividida entre a pessoa que se lembra de ser e a que tem de ser. E se lembrar já é muito perigoso, as coisas complicam-se ao descobrir que há uma figura central do seu passado que entrou mais uma vez na sua vida. Dividida entre escolhas impossíveis, Kyla precisa de descobrir quem realmente é - não o que foi ou o que querem que seja, mas a sua verdadeira natureza. Mas o preço da descoberta pode ser demasiado alto.

Opinião:
Este segundo volume da série Slated começa precisamente no ponto em que o primeiro volume terminou: Ben foi levado por Lordens após remover o seu Levo com a ajuda de Kyla, e esta, devido ao evento traumático com Wayne, não só desbloqueou memórias como o seu Levo deixou de funcionar e ter qualquer efeito nela.

Kyla, a nossa personagem principal, começa, então, a ter diversas recordações da sua vida anterior ao Reinicio. Mas não exactamente como Lucy: como Rain, uma rapariga com um treino muito especial, bastante familiarizada com Nico. Pois é, Nico, aquela personagem intrigante, introduzida no livro anterior como professor de biologia, tem grande destaque neste Fraturada. Contudo, apesar de tantas revelações, continua um personagem misterioso, que nunca abre muito o jogo e nos faz colocar questão atrás de questão.

No que respeita a outras personagens já conhecidas, Tori reaparece, surpreendendo-nos, com uma fuga aos Lordens; a Drª Lisander traz-nos belas surpresas, acabando por revelar algo sobre si. Fez-me pensar, inclusivamente, que poderá vir a ter um papel fundamental num futuro próximo; o pai adoptivo de Kyla acaba por se revelar e a mãe volta a causar alguns momentos de dúvida, apesar de pouco convincentes. No que toca a Ben, são-nos fornecidas informações chocantes, que certamente darão muito que falar no próximo e derradeiro volume.

Mas Teri Terry também nos apresenta novas personagens neste segundo livro da série, como Cam e Katran. O primeiro apresenta-se como um novo e simpático vizinho, um rapaz não Reiniciado, que desde o início se tenta aproximar da nossa protagonista. Já Katran, é um dos rebeldes e gostei imenso dele: da sua personalidade forte e de trato pouco fácil, mas no fundo de bom coração.

Falando um pouco da trama em si, esta sofreu um grande avanço. É-nos explicado porque é que o Reinicio de Kyla falhou, revelando tratar-se tudo de um plano bem elaborado e temos uma visão mais ampla da parte dos rebeldes do grupo RU Livre e um cheirinho da parte dos Lordens, que certamente terá mais destaque em Shattered - Estilhaçada, ainda por publicar por cá.
Gostei bastante de todo este desenvolvimento, que me surpreendeu agradavelmente, apesar de alguns momentos previsíveis. Foi muito interessante e intrigante a importância dada a uma dada peça de xadrez, e saber toda a sua história e o que representa foi uma mais valia para a narrativa. 

Kyla também foi uma personagem que sofreu um bom desenvolvimento e crescimento. Gostei de ver a sua evolução, que com o avançar da história vai ficando com as ideias mais claras e com uma maior capacidade de pensar por ela própria sem se deixar influenciar tanto. 

E o final... Esse fez-me ter vontade de passar de imediato para o terceiro e último livro da trilogia. Como uma só frase teve o poder fazer antever grandes acontecimentos...

Posto isto, é com expectativas algo elevadas que aguardo pela publicação de Shattered - Estilhaçada, um livro que promete e parece ter tudo para dar uma boa conclusão à trilogia.  

(Livro gentilmente cedido para opinião pela Individual Editora)