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domingo, 26 de fevereiro de 2017

Opinião - Outras Terras e O Povo das Crianças Divinas

Ficha Técnica:
Autor: David Anthony Durham
Título Original: The Other Lands
Série: Acacia, #3 e #4 aka #2
Páginas: 336 e 336
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896374822 e 9789896375379
Tradutor: Maria Correia

Sinopse:
Outras Terras:
Um rei assassinado pelo seu mais antigo inimigo.
Um império dominado por um povo austero e intolerante.
Quatro príncipes exilados determinados a cumprir um destino.
Recuperar o trono de Acácia poderá ter consequências devastadoras.

A luta apocalíptica contra os Mein terminou. Uma vitoriosa Corinn Akaran reina no Império Acaciano do Mundo Conhecido. Apoiada no seu conhecimento de artes mágicas do livro A Canção de Elenet, ela reina com mão de ferro. E reconstruir um império desgastado pela guerra não é fácil. Das misteriosas Outras Terras, chegam à corte notícias inquietantes, e Corinn envia o seu irmão, Dariel, como emissário pelos mares tempestuosos das Encostas Cinzentas.

Ao chegar àquele distante continente, este antigo pirata é apanhado numa rede de velhas rivalidades, ressentimentos, intrigas e uma crescente deslealdade. A sua chegada provoca um tal tumulto que o Mundo.

Conhecido é de novo ameaçado pela possibilidade de invasão — algo que tornaria os anteriores perigos numa brincadeira de crianças. Sem aparentes obstáculos, um novo ciclo de acontecimentos que irá arruinar e remodelar o mundo está prestes a começar…


O Povo das Crianças Divinas
Um império com perigosos aliados e demasiados inimigos. Quatro príncipes determinados a cumprir um destino. Uma rede de intrigas que atravessa gerações. Manter o trono de Acácia poderá revelar-se uma tarefa fatal.

Corinn Akaran é a senhora suprema do Império Acaciano do Mundo Conhecido, e o poder parece suavizá-la, até mesmo fazê-la ceder aos jogos do amor. Mas, por todo o lado fervilha a traição e multiplicam-se as conspirações para a derrubar: dos seus alegados aliados numrek até às intrigas em torno da filha de Aliver, Shen, enquanto, do outro lado do mundo, um exército gigantesco se prepara para marchar sobre o Mundo Conhecido e a Liga dos Navios continua a jogar em dois perigosos tabuleiros, disposta a jurar servir qualquer senhor, desde que esse senhor sirva os seus próprios interesses.

Corinn nem pode contar com a sua própria família: a irmã Mena esconde-lhe segredos e Dariel, prisioneiro das Crianças Divinas, vai enfrentar uma aventura - novamente contra a Liga dos Navios - que o transformará no corpo e no espírito. Mas Corinn aprendeu a lutar, e não vai hesitar em chamar a si todos os aliados que conseguir, até mesmo aqueles que ninguém imaginava que um dia pudessem voltar.

Opinião:
Não me lembro se já tinha dito isto ou não. Mas eu detesto a Corinn. Muito a sério. É a personagem que eu mais detesto em toda a saga. Se bem que para o final do quarto livro, em português, tenha começado a não a odiar tanto a verdade é que continuo a não a suportar. Nem os vilões da história, que basicamente são a Liga e o povo "irmão" dos numrek, me conseguem fazê-los detestá-los tanto.

Não haja dúvida que gostei de ficar a saber mais acerca do que existe para lá do Mundo Conhecido. Quais e como são os povos, as suas características, o porquê de necessitarem tão desesperadamente da Quota. Não haja dúvida que algumas coisas começam a fazer sentido. Mas aquilo que foi  feito às crianças? Damn, é preciso ser-se completamente distorcido e amoral. 

Gostei mais deste(s) livro(s) que do(s) anterior(es). Achei que a história está melhor escrita e não haja dúvida que ao chegarmos ao fim da narrativa precisamos de um novo livro para ligar todas as pontas soltas e trazer um final definitivo a tanta confusão.

Este é um livro intermédio, e tal como se podia esperar as peças vão-se alinhando para o final. A Corinn continua a governar o reino com mão de ferro, usando e abusando de todos sem pensar neles como pessoas ou família, mas simplesmente como peões. Assim sendo envia Dariel com a Liga para o lado desconhecido do Mundo, o que vai dar asneira. Ao mesmo tempo envia Meena matar as aberrações que apareceram devido aos Santoth. No primeiro caso a coisa apesar de dar para o torto acaba por ajudar Dariel a libertar-se das amarguras que o consumiam, já Meena acaba por se sentir cada vez mais morta por dentro, até que encontra Elia, o que vem mudar a sua vida. A única coisa que não gostei foi o facto de que estava a ler acerca da maneira como a Meena e a Elia se tornam parceiras e estava sempre a pensar em Daenerys... Foi um bocado irritante.

Existem novas peças a serem introduzidas na narrativa, como Shen. Que sinceramente me pareceu um pouco caída do céu e ainda estou para tentar perceber qual é realmente o seu intuito. Espero que seja realmente uma criança inteligente e sábia como parece e não um novo joguete nas mãos de alguém. Já existem demasiados joguetes nesta narrativa. A não ser Corinn parece que mais ninguém tem vontade própria.

O que realmente mais gostei no livro foi ver as peças a alinharem-se para o grande final e começar a perceber o que é que realmente aí vem. Ao mesmo tempo adorei ficar a conhecer um pouco mais deste mundo e o que está para lá do mundo conhecido de Acácia. Enquanto que no primeiro livro apenas tínhamos especulações aqui os conhecimentos tornam-se reais e são muito mais interessantes do que aquilo que se poderia esperar. Os auldek são um povo bastante requintado em determinados aspectos, sendo que noutros são completamente assustadores. Espero poder vir a ver mais da sua maneira de ser.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Opinião - Inverno de Sombras

Ficha Técnica:
Autor: L. C. Lavado
Páginas: 590
Editor: Marcador
ISBN: 9789898470867

Sinopse:
“Todos ficam sujos de sangue e há sempre alguém que morre.”
Este é o lema de Danton.

Filho de dois poderosos feiticeiros, inimigos de séculos, a existência de Danton é apenas mais um golpe de guerra entre os pais. Criado e aperfeiçoado por Amauri e Goulart, é temido por todos, incluindo os próprios.

Em Lisboa, uma misteriosa Caixa detém um poder que a família Santa-Bárbara guarda há gerações.
Isadora é a última descendente de uma linhagem de Paladinos, herdeira solitária de um império cultural e um legado que desconhece. Ela e o tio, Garrett, são tudo o que resta para proteger este grande segredo.

Mas Danton está decidido que é chegada a hora do poder da Caixa lhe pertencer, e as vidas dos Santa-Bárbara vão alterar-se para sempre.

Feitiçaria, magia, segredos e uma história de amor inesquecível, percorrem alguns dos lugares mais conhecidos de Lisboa e a zona mais sinistra de Paris.
O passado colide com o presente e tudo acontece… mas não como todos esperam.

Pela escritora revelação da fantasia urbana portuguesa.
Uma história cativante que vai fazer as delícias dos leitores mais exigentes.

Opinião:
Ouvi falar bastante bem deste livro, e sendo escrito por uma autora portuguesa, mais tarde ou mais cedo sabia que o teria que ler.

No geral é um livro bastante bom. Nota-se que é um primeiro livro, mas nota-se também um grande potencial na autora, potencial esse que sendo trabalhado iria tornar os seus futuros livros ainda melhores e mais coesos.

Houve vários aspectos que gostei no livro e outros que me deixaram um pouco desiludida, como de certo modo seria de esperar. Contudo o balanço final foi positivo. Gostei bastante dos personagens e das suas personalidades. Principalmente Isadora, vê-se um grande crescimento desta personagem a nível de personalidade. Enquanto que ao início a Isadora é uma pessoa bastante calma e distanciada da vida, ao longo do livro vemos como ela se vai abrindo mais para os outros, como começa a viver mais os seus sentimentos e deixa de se proteger atrás de paredes e paredes. A sua evolução foi natural ao longo da narrativa e em nenhum momento senti que estava a lidar com uma personagem completamente diferente da inicial.

Já o Danton é apresentado como alguém intratável, mas existe sempre ali uma sombra de dúvida sobre o que realmente se está a passar, e a verdade é que essas dúvidas acabam por se tornar certeiras quando nos apercebemos do tipo de pessoa que ele realmente é. Já a Andrea, a melhor amiga da Isadora é alguém que desde o início até ao fim sabe o que quer, pelo menos na maior parte das situações, está sempre no controlo e não tem qualquer tipo de problema em mostrar o que sente ou dizer o que pensa.

As restantes personagens são também bem pensadas e construídas. Muitas delas ficamos a conhecer melhor através de flashbacks que por sinal funcionaram bastante bem e deram uma dimensão muito maior à história. História essa que teve início à mais tempo do que se poderia imaginar. Não só a autora fez um bom trabalho a incorporar os flashbacks, como também fez um óptimo trabalho com os dois clímax que deu ao livro. Já me tinha acontecido anteriormente apanhar uma situação destas que resultou pessimamente e me tirou metade do gozo à leitura. Neste caso a autora optou por "dividir" a história em livro um e livro dois e colocou um clímax em cada uma das partes. Sendo que no final da primeira ficamos mesmo a sentir que chegamos ao fim da primeira parte da história.

Não posso deixar de falar das cenas de sexo que existem, quando a primeira apareceu fiquei algo receosa como seria descrita, mas acho que foi bastante bem trabalhada. Não pareceu em nada descabida, pelo contrário, pareceu-me bastante natural tendo em conta os personagens que eram. Os diálogos estão também bastante naturais e o mundo criado pela autora está bem estruturado e é interessante.

Quanto aos pontos menos positivos, têm essencialmente a ver com determinados assuntos que foram abordados, mas que me recorde nunca chegaram a ser devidamente esclarecidos. Nomeadamente o que é efectivamente a Isadora, tudo bem que percebemos que há ali algo, mas nunca nos chegam a dizer efectivamente o que esse algo é. Ao mesmo tempo há aqui toda uma história à volta da chave e da sua relação com a família da Isadora que teve uma explicação um pouco atabalhoada. Para finalizar, a situação da transferência das memórias do Danton. Pela explicação inicial pareceu-me que automaticamente ele iria ficar sem as ditas memórias, mas depois pareceu simplesmente que tanto ele como a Isadora passaram a partilhá-las. Eventualmente também podia estar meio a dormir quando terminei o livro e me ter escapado alguma coisa. Mas se escapou é porque eventualmente não estaria muito claro.

Assim sendo só tenho a concluir que foi um livro inicial do qual gostei bastante. Soube que eventualmente poderia ter vindo a existir um livro sobre a Andrea e o Claude que não chegou a acontecer e que não sei se alguma vez virá. Se vier é com toda a certeza que o lerei e com a esperança de que as arestas que faltaram limar neste livro se encontrei limadas.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Opinião - As Aventuras de Tom Sawyer

Ficha Técnica:
Autor: Mark Twain
Título Original: The Adventures of Tom Sawyer
Páginas: 312
Editor: Bertrand Editora
ISBN: 9789722521581
Tradutor: Luísa Derout e Eugénio Batista de Castro

Sinopse:
Tom Sawyer, o rapazinho travesso criado por Mark Twain, tem marcado o imaginário infantil dos últimos 150 anos. Rebelde mas de bom coração, Tom é o pesadelo da sua tia Polly, com quem vive. Acompanhado pelo amigo Huckleberry Finn, um rapazinho abandonado que vive nos matos, Tom vive aventuras incríveis que nos fazem sonhar com a liberdade junto da natureza. Sob a forma de romance juvenil, As Aventuras de Tom Sawyer constitui, na realidade, uma fábula da América urbana e industrial que na época de Twain ameaçava o sonho de liberdade junto da natureza.

Opinião:
Este é um daqueles livro que deveria ter lido quando era bem mais nova. Não é que não o tenha apreciado, mas tal como muitas vezes acontece a verdade é que existem determinados aspectos da história que já não me cativam tendo em conta a minha idade e percurso enquanto leitora e que tenho a certeza que talvez à 15 anos atrás me iriam deixar encantada.

O Tom é um personagem bastante peculiar. Um rapazinho bastante traquinas e com uma imaginação bastante fértil que está constantemente a dar dores de barriga à tia Polly. O Tom está sempre a meter-se em sarilhos, mas em contra partida também é bastante bom em sair deles. É um rapaz cheio de recursos que nunca se deixa abater apesar das circunstâncias.

Esta é ainda uma história cheia de lições e de comentários irónicos pela parte do autor. Contudo muitos deles perderam a graça para mim. Isso não significa que não consiga perceber a mestria com que a história foi contada. Não é por achar que ela não se adapta a mim que deixo de saber reconhecer um bom livro.

Gostei de ficar a conhecer os amigos do Tom, principalmente o Huckleberry Finn. Tenho alguma curiosidade para saber as suas aventuras, apesar de achar que vou acabar por ficar com a mesma sensação que tenho actualmente em relação Às Aventuras de Tom Sawyer. Outro aspecto de que gostei bastante é da maneira como o autor retrata e mostra como era a vida naquela época nos sítios mais rurais. De certo modo a vida era tão mais simples e as crianças sabiam o que era realmente ser-se criança, sabiam utilizar a imaginação. Às vezes fico um pouco decepcionada quando olho à minha volta e reparo no quanto hoje em dia as coisas estão diferentes.

Acho que um dia ainda hei-de convencer a minha irmã mais nova a ler este livro para ficar com uma ideia do que ela acha e se realmente a nossa idade influência a nossa satisfação com o livro.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Peek-a Book (Joana) - Sensibilidade e Bom Senso




Ficha Técnica:
Autor: Jane Austen
Título Original: Sense and Sensibility
Páginas: 360
Editor: Presença
ISBN: 9789722355445
Tradutor: João Martins

Sinopse:
Sensibilidade e Bom Senso apresenta-nos os retratos subtis das irmãs Dashwood, com temperamentos contrastantes mas igualmente encantadores. Elinor é regida pelo bom senso, pela razão, e esconde cuidadosamente as suas emoções. Marianne é dominada pela paixão, pela sensibilidade, e expõe-se sem reservas aos sentimentos mais intensos. Quando ambas se apaixonam e vivem o arrebatamento e a dor do amor, compreendem que é no ponto de equilíbrio entre a sensibilidade e o bom senso que poderão encontrar a felicidade pessoal. Através deste paralelo, a autora oferece-nos uma análise poderosa da forma como a vida das mulheres era moldada na sociedade das classes média e alta na Inglaterra do século XVIII, numa comédia de costumes iluminada pela ironia e o humor.

Opinião:
Este livro foi uma autêntica guerra para ler. Durante o mês passado andei num completo slump literário, o que significa que não tinha vontade de pegar no que quer que fosse e quando conseguia pegar lia meia dúzia de páginas e desistia. Ainda por cima comecei por ler o livro em inglês e senti-me completamente perdida. Estou mais que habituada a ler em inglês, já li vários livros da Jane Austen em inglês, mas desta vez dava por mim a ter que ler três e quatro vezes a mesma passagem até a conseguir perceber e interiorizar. 

Finalmente desisti simplesmente do livro e decidi dar-me tempo para me elevar do maldito slump. Quando achei que a coisa estava a melhorar decidi optar por ler o livro na versão portuguesa e a partir daí as coisas começaram a melhorar consideravelmente. Não considero que tenha sido um dos melhores livros que li dela, mas penso que isso se deva principalmente ao meu estado de espírito. Achei que a linguagem empregue e as construções frásicas eram mais complexas que os livros anteriores que li dela. Isso, aliado ao slump levou a que perdesse interesse na história porque parecia que a mesma não fluía.

De resto, achei que a história e os personagens são do tipo a que a autora já nos habituou. No geral, e tirando o Ema, os personagens desta autora são bastante cativantes e interessantes, a história em si incorpora várias críticas à sociedade e não deixam de existir momentos hilários ao longo da narrativa.

As personagens principais, Elinor e Marianne, são completamente diferentes na sua maneira de estar na vida e na maneira como lidam com as diferentes situações. Elinor é uma pessoa recatada e que presa o intelecto acima de tudo. Alguém que não se deixa governar pelos seus sentimentos e que apresenta sempre uma fachada de decoro. Ao mesmo tempo é bastante inteligente e acha que é sua obrigação carregar todos os males dentro de si sem causar preocupações aos demais. Já Marianne é completamente o oposto. Se está feliz ri, se está triste chora. Todas as emoções são vividas ao extremo com ela, sem que esteja preocupada com ser recatada ou com o decoro. Para Marianne o mais importante são as emoções e alimenta-se delas como se não houvesse amanhã.

É então assim que observamos a diferente maneira com que estas irmãs lidam com os seus romances e as suas desventuras. Apesar de ser uma pessoa um pouco mais parecida com Marianne em certos aspectos, fui muito mais tocada pela dor de Elinor. Havia alturas em que pensava: "vai dar porcaria e é bem feita para não seres tontinha Marianne."

Não posso deixar de referir os personagens secundários, principalmente o bem disposto John Middleton, que só se sente bem rodeado de gente e a tentar ajudar os outros, e a Mrs. Jennings, que está sempre a tentar descobrir o que se passa, e sempre a coscuvilhar e a colocar hipóteses que rapidamente descarta, ao mesmo tempo que adora deixar as pessoas desconfortáveis com as suas observações. Contudo quando algo de mal realmente acontece tenta ajudar o mais que pode e preocupa-se realmente com as pessoas com quem se dá.

No geral as restantes personagens são bastante fúteis, mesquinhas, desprovidas de carácter, completamente manipuladoras ou completamente manipuladas. Não se aproveita quase ninguém daquela grande quantidade de gente. Mas o mais engraçado é que todos eles se adoram e de certo modo desdenham as irmãs Dashwood. Parece que desde sempre ser uma pessoa em condições não é um grande atractivo.

Apesar de ter gostado do livro, pensei vir a gostar mais. Existem outras obras da autora que me deixaram muito mais cativada. Contudo para quem gosta deste tipo de romances será um a não perder.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Opinião - As Crónicas de Bane

Ficha Técnica:
Autor: Cassandra Clare, Sarah Rees Brennan e Maureen Johnson
Título Original: The Bane Chronicles
Páginas: 412
Editor: Planeta
ISBN: 9789896577148
Tradutor: ?

Sinopse:
Neste livro de contos, são narradas várias aventuras do feiticeiro Magnus Bane, das séries best-seller de Cassandra Clare. Para Magnus Bane seria impossível contar todas as suas aventuras.Ninguém acreditaria... Onze histórias que revelam alguns dos seus segredos que de certeza não gostaria que fossem divulgados. Entre o misterioso Perú e Resgates na Revolução Francesa, os fãs terão oportunidade de saber pormenores da vida do enigmático feiticeiro.

Passado em diversos países e períodos históricos, Magnus Bane com a sua personalidade sedutora, estilo exuberante e inteligência resolve problemas e interage com Clary, Tessa, Will e Alec, de Caçadores de Sombras e As Origens.

Cassandra Clare, Maureen Johnson e Sarah Rees Brennan juntaram-se para escrever dez contos inesquecíveis.

Opinião:
Confesso que a vontade que tinha de ler este livro era algo baixa. Lembrava-me que o ano passado tinha lido o primeiro conto e que não tinha achado nada de especial. Pelo contrário, tinha ficado mesmo desapontada e decepcionada. Logo a vontade de pegar no livro era nula. Contudo lá quis o destino que eu pegasse no livro, e acabei por até ser surpreendida.

Gostei muito mais do que aquilo que estava à espera. Os contos mostram-nos momentos muito específicos da vida de Bane, momentos esse que vão sendo aludidos ao longo das séries já nossas conhecidas. Assim sendo foi com imenso gosto que fiquei a conhecer como é que determinados acontecimentos se desenrolaram. Como é que os pais do Will Herondale se conheceram, como é que a Jocelyn conheceu o Bane e até como é que foi o primeiro encontro do Alex com o Bane. Adorei ficar a conhecer estes momentos tão especiais. Ainda por cima contados pelo ponto de vista do Bane, o que implica sempre comentários e comportamentos escandalosos.

As histórias são contadas de forma cronológica e na maior parte dos casos mostram-nos situações para as quais já sabemos os desfechos. Houve apenas uma que me deixou curiosa para saber como é que o imbróglio se iria resolver visto que não me recordo de alguma vez ter lido alguma referência à situação, e neste caso estou a falar de James, o filho do Will e da Tessa. De resto não há muito mais a dizer.

Acho que é uma boa adição ao mundo criado por Clare visto que nos ajuda a clarificar e nos mostra momentos chave nas vidas dos personagens, momentos esses que não tínhamos tido a oportunidade de acompanhar. Ao início andei um bocadinho confusa com os nomes e a tentar fazer as ligações porque sou péssima com este tipo de coisas, mas depois passou. Conto agora ler o outro livro de contos cuja personagem principal é o Simon e depois partir para o Lady Midnight.

sábado, 15 de outubro de 2016

Opinião - A Queda de Artur

Ficha Técnica:
Autor: J.R.R. Tolkien
Título Original: The Fall of Arthur
Páginas: 246
Editor: Europa-América
ISBN: 9789721061958
Tradutor: Rita Guerra

Sinopse:
A Queda de Artur, a única incursão de J. R. R. Tolkien nas lendas do rei Artur da Bretanha, pode muito bem ser vista como a sua mais delicada e hábil aventura na métrica aliterativa do inglês antigo, tendo concedido à sua interpretação inovadora das antigas narrativas uma sensação penetrante da natureza grave e determinista de tudo o que é contado: da expedição ultramarina de Artur até às distantes terras pagãs, da fuga de Guinevere de Camelot, do regresso de Artur à Bretanha e da grande batalha naval, no retrato do traidor Mordred, nas dúvidas atormentadas de Lancelot no seu castelo francês. Infelizmente, A Queda de Artur foi um dos seus vários poemas longos inacabados. Há evidências que terá começado a escrevê-lo no início dos anos 30 do século passado e estaria num estado suficientemente avançado para que o enviasse a um amigo perspicaz, que o leu com grande entusiasmo no final de 1934, e o incentivou a concluí-lo com urgência: «Tem mesmo de o terminar!» Contudo, foi em vão. Tolkien abandonou-o, em data desconhecida, ainda que alguns indícios apontem para 1937, o ano de publicação de O Hobbit e das primeiras incursões em O Senhor dos Anéis. Anos mais tarde, numa carta de 1955, disse que «esperava terminar um longo poema sobre A Queda de Artur, mas esse dia nunca chegou.

Associadas ao texto do poema, existem, contudo, várias páginas manuscritas; uma grande quantidade de rascunhos e experiências em verso, nas quais a estranha evolução da estrutura do poema é revelada, juntamente com sinopses narrativas e notas deveras significativas, ainda que desesperantes. Nestas últimas, é possível discernir associações claras, ainda que misteriosas, do fim de Artur com O Silmarillion e a amarga conclusão do amor de Lancelot e Guinevere, que nunca chegou a ser escrito.

Opinião:
Não estava à espera que mais de 50% do livro fossem explicações acerca do poema e contextualizações. Estava à espera de algo ligeiramente mais longo, como o livro anterior. E ainda por cima o poema ainda se torna mais pequeno quando pensamos que o número de páginas tem que ser dividido por dois porque temos a versão inglesa do poema e a versão portuguesa.

Como seria de esperar li a versão inglesa do poema, até porque as versões traduzidas nunca transmitem a verdadeira beleza de um poema. Confesso que ao início foi um pouco difícil entrar na cadência, no ritmo, mas com o decorrer das páginas isso deixou de ser um problema e passei a saborear realmente o poema que me era apresentado. Não posso deixar de confessar que houve alturas em que tive que ler determinadas passagens com bastante atenção e alguma repetição de modo a ter a certeza que compreendia perfeitamente aquilo que me estava a ser transmitido. Mas se gostei do poema? Gostei sim. E tenho pena que não haja mais partes da história contadas por Tolkien.

A segundo parte do livro é basicamente um estudo do poema, em que são comparadas as diferentes versões para os mesmos segmentos, e em que é analisado ao detalhe a que obras é que Tolkien foi buscar as ideias para construir um poema único, com passagens e detalhes retirados de diferentes obras. Esta parte para mim já não foi tão interessante ou esclarecedora porque a lenda Arturiana não é propriamente a minha praia e por isso perdi-me um pouco com tantas referências.

Acho que esta parte é mais apropriada para um estudioso do tema ou das obras de Tolkien. Eu sou uma simples leitora que gosta de consumir Tolkien pelo simples prazer de saber que estarei bem entregue.

Um livro que possivelmente não encherá as medidas a qualquer pessoa.

domingo, 25 de setembro de 2016

Opinião - A Corte do Ar

Ficha Técnica:
Autor: Stephen Hunt
Título Original: The Court of Air
Série: Jackelian, #1
Páginas: 507
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896372934
Tradutor: Alberto Simões

Sinopse:
Quando a órfã Molly Templar testemunha um assassinato brutal no bordel onde foi colocada como aprendiz, o seu primeiro instinto é o de correr de volta para o orfanato onde cresceu. Ao chegar e encontrar todos os amigos mortos, apercebe-se de que era ela o verdadeiro alvo do ataque... pois o sangue de Molly contém um segredo que a torna um alvo a abater para os inimigos do Estado.

Oliver Brooks levava uma existência tranquila na casa do tio, mas quando é acusado da morte do seu único familiar é forçado a fugir para salvar a vida, acompanhado por um misterioso agente da Corte do Ar. Perseguido pelo país, Oliver vê-se na companhia de ladrões, foras-da-lei e espiões, e aprende mais sobre o segredo que destruiu a sua vida.

É então que Molly e Oliver são confrontados com uma ameaça à própria civilização por um poder antigo que se julgava derrotado há milénios. Os seus inimigos são implacáveis e numerosos, mas os dois órfãos terão a ajuda de um formidável grupo de amigos nesta aventura cheia de acção, drama e intriga.

Opinião:
E mais um desapontamento. Lembro-me que na altura em que este livro foi editado em Portugal toda a gente falava bastante bem dele, o que levou a que tivesse uma grande curiosidade acerca do mesmo. Infelizmente ainda não se tinha proporcionado a leitura do mesmo, o que acabou por acontecer este mês. Só posso dizer que fiquei bastante desiludida.

A história é interessante, o mundo é interessante, o problema? Os personagens são muito pouco desenvolvidos, não houve um único que tenha tido pena de ter morrido, e apesar de o mundo onde se passa a história ser interessante, para mim não passou de uma grande amálgama.

Há magia a dar com um pau neste mundo, mas ela é explicada? Não. O leitor cai completamente de pára-quedas no meio deste mundo que achei extremamente complexo, cheio de diferentes raças e diferentes estatutos sociais, e em momento algum o autor se digna a explicar para que é que cada um serve, de onde vem e para onde vai. O pouco que consegui perceber foi por ir fazendo ilações com a pouca ou nenhuma informação que o autor vai dando. Detestei este facto porque senti que se houvessem pequenas explicações sobre este mundo e a sua história teria gostado muito mais do livro e ele teria feito muito mais sentido. A realidade é que não existe qualquer tipo de profundidade durante toda a história, e isto inclui os personagens principais e também os secundários.

Sim, até os personagens deixaram bastante a desejar. A Molly até é engraçada e tem uma personalidade interessante, o tipo de personalidade que por norma adoro. Contudo ela não tem profundidade, parece muito mecanizada, não há nuances, não há propriamente sentimento naquilo que faz, e isso fez-me sentir completamente desapegada. O mesmo se passa com o Oliver, eu até gostava dele na maior parte do livro, mas depois de ele se encontrar com o Reverendo a sua personalidade sofre uma alteração drástica, que faria sentido, se nos fosse explicado o modo como determinado objecto funciona e influência uma pessoa, o que mais uma vez não acontece. Simplesmente sabemos que aquele objecto influência as pessoas e que lhes muda a personalidade. Mas o Oliver nem parece aperceber-se disso e isso é um bocado estranho. Quanto aos personagens secundários, os meus preferidos foram os vaporomens. Contudo até eles foram consideravelmente fracos.

Enfim... Como dá para ver fiquei bastante desapontada. É verdade que tenho o 2º livro para ler e que o irei ler, não sei bem quando mas vou. Tenho esperança que as coisas melhorem e que como já sei um pouco deste mundo que consiga absorver mais informação que consolide aquilo que já sei actualmente.

domingo, 4 de setembro de 2016

Peek-a Book (Joana) - Jonathan Strange and Mr. Norrell






Ficha Técnica:
Autor: Susanna Clarke
Páginas: 1006
Editor: Bloomsbury Publishing PLC
ISBN: 1596910534

Sinopse:
Susanna Clarke's brilliant first novel is an utterly compelling epic tale of nineteenth-century England and the two very different magicians who, as teacher and pupil and then as rivals, emerge to change its history. Sold in 21 languages, with a major motion picture from New Line on the way, "Jonathan Strange & Mr Norrell "is a tour de force that has captured the imagination of readers worldwide.

Opinião:
Começar este livro foi uma guerra. Como eu e a Rita temos gostos muito parecidos e a opinião dela ao livro não foi propriamente positiva a vontade que eu tinha de pegar no livro era quase nula. Tinha receio de que começando a lê-lo não fosse gostar e que por isso se fosse arrastando ao longo do tempo, ainda por cima o livro é enorme! Como tinha outros livros para ler para os desafios andei a ler esses e este foi ficando para trás. Como o "prazo" para o desafio do Peek-a Book estava a terminar lá peguei nele muito contra a vontade. Tenho que confessar que não deveria ter esperado tanto tempo.

A realidade é que contra tudo aquilo que esperava a verdade é que gostei bastante do livro. Foi um alívio quando comecei a ler e percebi que gostava realmente da história e dos personagens. Tanto o Mr. Norrell como o Jonatha Strange têm personalidades bastante interessantes e particulares, e bastante diferentes também. Assim sendo é engraçado ver como ambos têm abordagens tão diferentes à mesma situação e como ambos têm uma aproximação diferente à pratica de magia.

Enquanto o Norrell vê a magia como algo que deve ser controlado e tornado civilizado, já o Strange acha que se deve voltar às origens e recuperar a magia e certo modo selvagem que era praticada pelo Raven King. Gostei bastante destes dois personagens e da maneira como lidam um com o outro. Gostei bastante da maneira como a autora apresentou ambos os personagens e como acabou por os unir. Gostei do facto de a autora nos apresentar acontecimentos históricos através de uma nova luz, e de ter tido a capacidade de fazer com que a prática de magia parecesse tão natural e adequada aos acontecimentos que fazem parte da nossa história.

Gostei bastante dos personagens secundários apresentados, principalmente do Childermass. Um personagem extremamente misterioso e inteligente, que faz o leitor pensar constantemente o que é que ele anda a tramar, o que é que ele sabe o que é que ele vai fazer. Também Vinculus é um poço de mistério, e só mesmo no final é que conseguimos perceber o quão importante ele é.

Não posso deixar também de referir que adorei a linguagem do livro. É uma linguagem mais antiga e rebuscada, as construções frásicas têm aquela construção que lembra protocolo. Existem palavras que são escritas de maneiras diferentes e adorei identificar estas diferenças. Há também que referir que por todas estas características a nível de escrita o livro não é lido de forma célere. É um livro que tem que ser lido devagar, porque deixa o leitor mais cansado psicologicamente. De certo modo lembra-me um pouco Hobb, eu sei que não tem nada a ver, mas Hobb é uma autora que adoro e que contudo parece que levo sempre uma eternidade a ler os livros dela. Não consigo ler mais que um determinado tempo sem precisar de fazer uma pausa.

Algo que me sinto na obrigação de focar é que não li as notas do livro. Depois de ter debatido este facto com a Rita, chegamos à conclusão que eventualmente esse terá sido um motivo para eu ter gostado tanto do livro. Pelo que percebi as notas por vezes são longas e acabam por quebrar o ritmo da leitura levando a que o leitor perca o interesse. Não sei se isto é um facto ou não, mas foi a sensação com que fiquei. Sim, houve ali uma altura ou outra em que senti que uma explicação era necessária, mas é para isso que serve a internet.

Resumindo, foi um livro que gostei bastante e que me deixou a sentir mal comigo mesma por ter andado tanto tempo a procrastinar. Li por aí algures que a autora estaria a pensar ou teria começado a escrever um segundo livro. Pelo que percebi foi realmente editado um segundo livro onde Jonathan Strange aparece, mas não faço ideia se dá seguimento aos acontecimentos deste livro. Será ler para ver.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Opinião - Ampulheta

Ficha Técnica:
Autor: Claudia Gray
Título Original: Hourglass
Série: Evernight, #3
Páginas: ?
Editor: Planeta
ISBN: 9789896572754
Tradutor: Carlos Pereira

Sinopse:
Depois de fugirem da Academia Evernight, a escola de vampiros onde se conheceram, Bianca e Lucas refugiam-se com os Cruz Negra, um grupo de elite de caçadores de vampiros.

Bianca obriga-se a esconder a sua herança sobrenatural ou correr risco de vida.

Mas quando os Cruz Negra capturam o seu amigo Balthasar, todos os segredos começam a ser revelados.

Em breve, Bianca e Lucas orquestram a sua fuga com Balthazar, mas são perseguidos não só pelos Cruz Negra como pelos perigosos e poderosos chefes de Evernight. No entanto, por muito longe que consigam ir, Bianca não pode escapar do seu destino.

Bianca sempre acreditou que o seu amor por Lucas poderia sobreviver a qualquer coisa, mas poderá de facto resistir ao que está para vir?

Opinião:
Já lá vão uns anitos desde que li o livro anterior a este. Contudo o desafio deste mês foi a oportunidade perfeita para pegar nele visto que assim não fosse tão cedo não ia ser lido. A verdade é que quando me apercebi que a editora não ia editar o último livro fiquei pior que estragada e simplesmente perdi o interesse em terminar a série. Neste momento visto que finalmente peguei no terceiro livro já me sinto mais entusiasmada para acabar a série o que deverá estar para breve.

Este livro começa, basicamente, onde terminou o anterior. Bianca e Lucas encontram-se a residir com a Cruz Negra depois de estar ter deixado Evernight em chamas. As coisas aos poucos começam a tornar-se mais complicadas para o casal visto Bianca começar a ter alguns problemas, nomeadamente a dificuldade em alimentar-se e afins leva a que ambos acabem por ser descobertos e tenham que fugir.

Bianca sempre teve uma vida relativamente protegida. Ao mesmo tempo é alguém extremamente pacato, algo inocente e que tenta sempre ajudar toda a gente. Isso não quer dizer que ao mesmo tempo não possa ter uma vontade de ferro. Foi interessante ver como ela cumpre praticamente todos os objectivos a que se propõe. Mas gratificante ainda foi ver como apesar de ela saber o que lhe iria acontecer ir para a frente com a decisão que tomou. Claro que depois as coisas não são bem como ela estava à espera, e acaba por fazer alguns disparates e tomar decisões precipitadas, mas a sua força de vontade é simplesmente algo a ter em conta. Além disso poderia tornar-se numa daquelas personagens algo taralhocas e sem personalidade, o que não acontece.

Quanto a Lucas, se por um lado este já tinha aceitado completamente aquilo que Bianca é, a verdade é que vemos um crescimento nele, em que as os actos de bondade para com os vampiros começam a ser mais naturais e a sua maneira de pensar acaba por ser mais limpa. Sem que haja sempre aquela situação de ter que se lembrar que nem todos os vampiros são maus.

A apontar dos personagens secundários tenho a Dana, que é simplesmente fantástica, e a Raquel, que é uma parvinha que engole tudo aquilo que lhe dizem, mas principalmente a sua personalidade falsa decepcionou-me profundamente.

Houve alguns desenvolvimentos relativamente à situação dos fantasmas. Começa-se a perceber qual a importância que Bianca tem para estas e o porquê de elas andarem sempre de volta dela. Contudo acredito que ainda haja muito mais para descobrir, até porque algumas atitudes de determinados personagens estavam envoltas em mistério. Sendo que estas acções incluíam Bianca será normal que possam também estar relacionadas com o porquê de a Bianca ser tão importante para os fantasmas.

Chegando ao último capítulo fica tudo novamente de pernas para o ar. Achei que a autora precipitou um pouco os acontecimentos. Deveria ter dado mais tempo para a Bianca se ambientar ao que lhe aconteceu, aprender um pouco mais o que é e não tomar decisões racionais e um bocado disparatadas. Contudo ficou a curiosidade para saber como é que o Lucas e a Bianca irão conseguir dar a volta à situação em que se encontram. De notar que apesar de a história ter muito romance e um pouco do famoso "Não consigo viver sem ti" a autora não chega ao ponto do enjoo, o que considero ser uma mais valia.

sábado, 7 de maio de 2016

Opinião - Forças do Mercado

Ficha Técnica:
Autor: Richard Morgan
Título Original: Market Forces
Páginas: 448
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896371920
Tradutor: Ana Mendes Lopes

Sinopse:
Uma visão negra, violenta e profundamente pessimista do futuro próximo. Quase que conseguimos ouvir Michael Moore a dizer “eu bem vos avisei”.

Richard Morgan convida-nos a mergulhar num futuro tão horrendo quão certo de estar já ao virar da esquina. Com o povo definitivamente afastado dos centros de decisão e as grandes corporações a controlar o mundo, a globalização é brutal e não há separação entre as salas de reunião e o sangue nas ruas. Chris Faulkner é um executivo em ascensão no negócio dos Investimentos em Conflitos, onde as decisões são tomadas com duelos até à morte. A acção dá-se nas auto-estradas (vazias pois a populaça não tem dinheiro para gasolina), e os executivos, ao volante de carros artilhados, tentam atirar os rivais para fora da estrada. No início, Faulkner prefere deixar os adversários no hospital e não na morgue, mas cedo terá de repensar a sua filosofia. Agora que chegou ao topo da cadeia alimentar, a ambição só é comparável à crueldade. E com o seu casamento a ruir, a consciência a pesar e os amigos a reduzirem-se, o nosso herói parece destinado a transformar-se num monstro ou num corpo mutilado.

Opinião:
Este era um daqueles livros que estava na estante à eternidades. Já anteriormente era para o ter começado, mas na altura um outro livro acabou por me despertar o interesse e este acabou por voltar para o seu lugar na estante. Contudo finalmente peguei nele e desta vez foi de vez.

Confesso que não foi um livro que li rapidamente. Este acontecimento poderá estar relacionado com um ou vários dos motivos que se seguem: O facto de quase só ler ao fim-de-semana porque durante a semana o pouco tempo livre que tenho é para ver séries; o facto de a escrita do autor e a própria história serem mais complexas e daí levar mais tempo a interiorizar cada nuance; ou o facto de que simplesmente não escolhi a altura mais indicada para ler o livro.

Apesar de a história principal ser narrada em torno de Faulkner a verdade é que os narradores são vários, cada um trazendo uma nova perspectiva, um novo ponto de vista para os acontecimentos e desenvolvimentos que estão a ocorrer com o personagem principal. Neste mundo futurista as decisões são efectuadas através de corridas, em que ganha a empresa que no final da corrida tenha pelo menos um dos seus pilotos vivos. Ou seja, ou apareces com sangue nas rodas e o cartão de plástico na mão, ou mais vale não apareceres de todo.

Tenho que confessar que o que mais me agradou e agarrou no livro foi também aquilo que mais me assustou. A capacidade que o ser humano tem para se deixar corromper pela maldade, a sua capacidade para aceitar o que é errado e transformá-lo em algo banal, são aspectos bastante assustadores e representados na personagem de Faulkner. Achei que o autor representou maravilhosamente o modo como Faulkner vai perdendo os seus princípios, como vai sedendo à pressão e passa a aceitar a morte de outro humano como algo aceitável e até inevitável. O modo como no final se acaba por desligar de tudo e todos e fazer o que é necessário para sair por cima. Foi assustador ver tanta desumanidade, tanto desrespeito pela vida num único livro. Neste caso não só na pessoa de Faulkner, mas na maioria daquelas que aparecem. A realidade é que as pessoas que vivem nesta situação já não sabem viver de outro modo e quando se deparam com uma saída não a conseguem agarrar.

Um livro que recomendo pelo modo como é capaz de mexer com as sensibilidades do leitor.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Opinião - Êxtase

Ficha Técnica:
Autor: J. R. Ward
Título Original: Rapture
Série: Fallen Angels, #4
Páginas: 468
Editor: Quinta Essência
ISBN: 9789897260773
Tradutor: Filipa Aguiar

Sinopse:
Mels Carmichael, jornalista do Caldwell Courier Journal, apanha o maior choque da sua vida quando um homem se atravessa à frente do seu carro junto ao cemitério local. Depois do acidente, a amnésia dele é o tipo de mistério que ela gosta de solucionar, mas em breve descobre que o passado é demasiado misterioso... e que está a apaixonar-se pelo estranho. Enquanto as sombras oscilam entre a realidade e o outro mundo, e a memória do seu amante começa a voltar, os dois aprendem que nada está realmente morto e enterrado. Em especial quando se está preso numa guerra entre anjos e demónios. Com a alma em jogo, e o coração de Mels em risco, o que irá ser preciso para salvar ambos?

Opinião:
Já li o livro anterior à pelo menos um ano, o que significa que algumas coisa já se encontravam meio apagadas da minha memória. Com a ajuda da autora lá fui conseguindo lembrar-me onde é que o Matthias entrava e qual o seu papel. Houve algumas referências que me escaparam, mas não é nada a que já não esteja habituada.

Uma vez mais Jim Heron tem que tentar influenciar uma alma a fazer a escolha correta. E desta vez a questão pode ser ligeiramente mais complicada visto que essa alma já teve uma oportunidade e deu cabo dela. O que é que a impede de voltar a cair nos mesmos erros? Afinal de contas dificilmente uma pessoa consegue mudar de completamente maquiavélica para boa só porque sim.

O casal da narrativa é então Mels e Matthias. Ela é uma jornalista e ele é um assassino sem escrúpulos que perdeu a memória quando regressou à terra. Tanto ela como ele passam por períodos de descoberta em que ficam a perceber-se melhor a si mesmos. Através da sua relação com Matthias, Mels acaba por perceber que a morte do pai ainda a afecta e que de certa forma a fez pôr a sua vida em standby. Já Matthias acaba por se aperceber que uma pessoa tem sempre a capacidade para fazer o que está certo, independentemente daquilo que fomos ou daquilo que os nosso instintos nos dizem. A decisão de que caminho tomar é sempre nossa, e podemos optar por fazer aquilo que é certo ou aquilo que é fácil.

Foi fácil gostar de Mels, ela é uma rapariga cheia de genica, que sabe tomar conta de si própria e que não deixa que lhe passem a perna. Ao mesmo tempo é extremamente inteligente e quando agarra não larga mais o osso. Matthias foi um personagem um pouco mais dúbio, não me lembro muito dele do livro anterior em que apareceu, e a verdade é que as coisas que são reveladas neste livro não me fizeram propriamente sentir repugnada com as suas acções. Acho que aqui me ficou a faltar a sensação de que ele lutou pela sua redenção.

Claro que as coisas para o Jim e o Aidan não estão nada fáceis. A morte do Eddie ainda os afecta bastante e é difícil viver sem a voz da razão. Contudo ambos estão a aprender a lidar com a sua ausência. Principalmente Aidan começa a mostrar qual a sua verdadeira fibra, e gostei de ver que ele é capaz de fazer sacrifícios e pensar racionalmente. Só espero que aquilo que ele fez não tenho implicações permanentes. Já o Jim está cada vez mais num buraco sem fundo. A sua obsessão com a Sissy é bastante irritante e a maneira como ele deixa que a Devina o afecte está a passar de moda. Ao mesmo tempo é notório que cada vez menos a Devina tem papel de má. A sensação com que fico é que o vilão aqui é a própria alma a ser salva e a obsessão do Jim. A Devina está ali apenas como uma desculpa para os empurrões nas devidas direcções. Além de que é sempre interessante ver as sessões de terapia que a Devina tem. Apesar de toda a sua maldade ela tem também problemas, problemas esses que acredito serem desmoralizantes, principalmente para um demónio...

Tirando o facto de existirem vários momentos em que achei que a autora se andava a arrastar, este até foi um livro que me agradou. Faltam apenas dois para acabar a série e saber que lado vai ganhar.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Opinião - Ventos do Norte e Presságios de Inverno

Ficha Técnica:
Autor: David Anthony Durham
Título Original: The War With the Mein
Série: Acacia, #1
Páginas: 339 e 341
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896373238 e 9789896373955
Tradutor: Maria Correia

Sinopse:
Ventos do Norte:
Um assassino enviado das regiões geladas do norte numa missão.
Um império poderoso cercado pelo seu mais antigo inimigo.
Quatro príncipes exilados, determinados a cumprir um destino.
Prepara-te, leitor, para entrar no mundo deslumbrante de Acácia.

Leodan Akaran, rei soberano do Mundo Conhecido, herdou o trono em aparente paz e prosperidade, conquistadas há gerações pelos seus antepassados. Viúvo, com uma inteligência superior, governa os destinos do reino a partir da ilha idílica de Acácia. O amor profundo que tem pelos seus quatro filhos, obriga-o a ocultar-lhes a realidade sombria do tráfico de droga e de vidas humanas, dos quais depende toda a riqueza do Império. Leodan sonha terminar com esse comércio vil, mas existem forças poderosas que se lhe opõem. Então, um terrível assassino enviado pelo povo dos Mein, exilado há muito numa fortaleza no norte gelado, ataca Leodan no coração de Acácia, enquanto o exército Mein empreende vários ataques por todo o império. Leodan, consegue tempo para colocar em prática um plano secreto que há muito preparara. Haverá esperança para o povo de Acácia? Poderão os seus filhos ser a chave para a redenção?



Presságios de Inverno:
Um rei assassinado pelo seu mais antigo inimigo.
Um império dominado por um povo austero e intolerante.
Quatro príncipes exilados determinados a cumprir um destino.
Recuperar o trono de Acácia poderá ter consequências devastadoras.

Há muito que o Reino de Acácia deixou de ser governado em paz a partir de uma ilha Idílica por um rei pacificador e pela dinastia Akaran. O cruel assassinato do rei trouxe muitas mudanças e grande sofrimento. Com a conquista do Trono do Mundo Conhecido por parte de Hanish Mein, os filhos de Leodan Akaran são forçados a refugiarem-se em zonas longínquas que desconhecem. Sem tempo para fazer o luto pelo seu pai, os jovens príncipes são separados e jogados à sua sorte num mundo cada vez mais hostil. E é entre piratas, deuses lendários, povos guerreiros e espíritos de feiticeiros que encontram a sua força e a sua verdadeira essência. Entretanto, Hanish continua empenhado na sua missão de libertar os seus antepassados e finalmente entregar-lhes a paz depois da morte. Mas para isso, os Tunishnevre precisam de derramar o sangue dos príncipes herdeiros…
Conseguirá Hanish capturar os filhos do falecido rei Akaran? Voltarão a cruzar-se os caminhos dos quatro irmãos? Estará o coração de Corinn corrompido e rendido à paixão por Hanish ou dormirá com o inimigo apenas para planear a reconquista do Trono de Acácia? E se, de olhos postos na vitória, os herdeiros de Akaran voltarem a sofrer o mais duro dos golpes?

Opinião:
Decidi escrever a opinião dos dois livros em conjunto porque no original trata-se de apenas um. O primeiro livro faz-nos a introdução do mundo em que a acção de se passa. Ao mesmo tempo apresenta-nos os personagens principais enquanto o Rei Leodan é vivo, e os acontecimentos que levam à sua morte e ao separar dos seus filhos. A segunda parte passa-se essencialmente 9 anos depois da morte do Rei Leodan e mostra-nos aquilo em que os personagens se tornaram e o seu reencontro que dá início à tentativa de recuperar o poder em Acácia.

A história é contada do ponto de vista de vários personagens o que é benéfico pois ajuda-nos a ter um melhor entendimento daquilo que cada um é e da maneira como evolui ao longo do tempo. Achei que a maior parte dos personagens estava bem construído e caracterizado, sendo que cada um deles tem várias nuances, não sendo intrinsecamente bom ou mau. Isto aplica-se essencialmente a Hanish, que supostamente é o vilão. É ele que maquina a queda de Acácia e que acaba por ocupar o trono em lugar dos Akaran. Tudo isto porque os Tunishnevre pretendem voltar a caminhar sobre a terra. De certa forma é triste ver como uma pessoa tão capaz e inteligente acaba por se moldado pelas crenças e pelos desejos dos outros. As dúvidas com que ele se depara ao longo da narrativa fizeram-me sentir triste porque senti que era um personagem que tinha tanto para dar. Até ao último momento acreditei que ainda houvesse redenção para ele.

Sem dúvida que grande parte do foco acaba por ser direccionado para os filhos de Leodan, Aliver, Corinn, Mena e Dariel. De todos eles não posso deixar de dizer que a minha personagem preferida foi Mena. Desde criança que mostra uma sabedoria extrema e aquilo porque passou levou a que fosse temperada como aço. O seu percurso não foi um dos mais fáceis porque a realidade é que cresceu rodeada de desconhecidos, sem ninguém que a conhecesse ou que tivesse como função tomar conta dela. A sua personalidade e aquilo em que se transforma é simplesmente extremamente cativante no meu ponto de vista. Aliver e Dariel são outros dois personagens de que gostei. Apesar de completamente diferentes Dariel tem uma adoração enorme pelo irmão mais velho e é fácil perceber que o amor entre ambos é bastante forte. Enquanto Alive cresceu para ser um guerreiro e um líder nato, Dariel tem uma postura mais descontraída, mas que ao mesmo tempo inspira confianças e lealdade.

A única personagem de quem não consegui gostar foi Corinn. Achei-a simplesmente calculista, vingativa e alguém que apenas pensa no que é bom para si. Ignorou e desdenhou completamente daquilo que os irmãos queriam para Acácia. Apesar daquilo porque passou achei-a de uma frieza extrema, e as ideias que tem para o futuro são algo assustadoras.

Existem outros personagens secundários aos quais me afeiçoei pela sua bravura e pelo seu bom coração. Muitos deles não chegaram ilesos ao final do livro e houve até alguns que achei a morte desnecessária. 

Para finalizar posso dizer que o primeiro livro é mais parado e dá uma sensação de introdução, enquanto que o segundo livro tem muito mais acção. Ver como as jogadas de cada personagem influenciam o resultado final foi interessante, mas não achei que existisse assim tanta intriga como fui levada a crer.

Se por um lado tenho curiosidade por saber o que vai acontecer depois, por outro lado acho que este final funcionaria perfeitamente e não ficaria insatisfeita se não soubesse o que vem a seguir.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Opinião - The Sending

Ficha Técnica:
Autor: Isobelle Carmody
Série: The Obernewtyn Chronicles, #6
Páginas: 755
Editor: Penguin Group
ISBN: 9780143567479

Sinopse:
The time has come at last for Elspeth Gordie to leave the Land on her quest to find and stop the computermachine Sentinel from unleashing the deadly Balance of Terror arsenal. But before she can embark on her journey, she must find a lost key. And although she has long prepared for this day, nothing is as she anticipated.

Elspeth's search will take her where she never thought to go, and bestow upon her stranger companions athan any she ever imagined. It will lead her far from her destination to those she believed lost forever.

And it will test her, as she has never been tested before...

Opinião:
Quatro anos e meio? Só passaram quatro anos e meio? Parece quase impossível. Diria que muito mais tempo se tinha passado desde que li pela última vez Carmody. Tudo isto porque estava a seguir a edição Americana da série. Basicamente o 6º livro Australiano foi lançado em 2011, o que corresponde ao 7º e 8º Americano, mas na realidade nunca chegou a ser editado em paperback na América. Claro que depois de muita espera e confusão e desapontamento acabei por perceber o que se passava, quando isso aconteceu já o interesse tinha esmorecido um pouco e depois a edição Australiana do paperback custa tanto ou mais que um hardback, o que me levou a adiar constantemente a compra (ainda bem que entretanto o Bookdepository já envia livros da Austrália). O ano passado lá acabei por arranjar coragem para o comprar (Obrigada Rita *.*) e por isso aqui estou eu para dar a minha opinião.

Sou sincera, não me lembro de muito pormenores do que aconteceu nos livros anteriores. Na realidade recordo-me melhor do que aconteceu nos primeiros livros da série do que nos últimos, o que não deixa de ser um bocado frustrante porque a maior parte dos acontecimentos referenciados ao longo da narrativa são relativamente recentes o me fez sentir um pouco perdida. Houve várias alturas em que tinha uma vaga memória dos acontecimentos e personagens e apenas após várias referências é que conseguia criar uma imagem mais sólida daquilo que a autora pretendia que o leitor recordasse. Confesso que fiz também várias pesquisas na internet para me ajudar, principalmente nas alturas em que quase dava em maluca (bem dita internet).

Isto tudo para dizer que não consigo contextualizar o momento em que o livro começa. Só sei que neste momento a Elspeth se encontra em Obernewtyn depois de uma série de peripécias, e que a maior parte dos personagens que conhecemos se encontram divididos pelos vários locais nos quais a narrativa já decorreu. Apesar de a Dragon continuar desaparecida as coisas a situação parece ser minimamente estável após as revoltas que existiram. Existem novos chefes "tribais" que são mais tolerantes e íntegros e começa a existir uma aceitação das pessoas normais pelos Misfits. Ao mesmo tempo a própria Elspeth sente-se mais segura no caminho que tem que percorrer e na sua relação com o Rushton.

O livro segue a um passo lento, e por isso a viagem final da Elspeth só começa mais tarde no livro, ou seja, dá para perceber que a autora anda ali um pouco a encher chouriços e a arrastar a narrativa, contudo isso não me irritou tanto como poderia acontecer porque a escrita da autora e as descrições que faz são suficientemente cativantes para contrariar o aborrecimento que poderia sentir. Além disso existem uma série de outros mistérios que vão aparecendo e que vão sendo apresentados e que deixam o leitor curioso. Nomeadamente existe um certo ser que durante a jornada de Elspeth alguns companheiros irão morrer e eu não posso deixar de me perguntar quem é que não vai sobreviver a esta viagem atribulada.

Várias pessoas acabam por se juntar a Elspeth durante a sua viagem. Algumas delas eu já esperava que acompanhassem, outras foram uma surpresa pois ou não estava à espera ou já não me lembrava que elas existissem. Os últimos companheiros a juntar-se a Elspeth na sua caminhada são algo inesperados e pergunto-me que papel mais hão-de ter além de guias. São seres peculiares e interessantes.

Houve uma ou outra coisa na narrativa que me chateou um pouco, apesar de o enrolanço não ter sido uma delas, a verdade é que houve alturas em que os acontecimentos pareciam algo forçados. O aparecimento da Dragon poderia ter sido mais composto. Achei tudo muito fácil de se resolver. Sempre que havia uma dúvida ou algo semelhante surgia uma resposta do nada através de uma visão no momento ou de uma visão anterior que não fazia sentido. Achei que basicamente todas as escolhas que os personagens poderiam ter efectuado lhes foram negadas visto que já tinham sido previstas e toda a gente já as conhecia. Onde raio está o livre arbítrio? 

Para finalizar não posso deixar de referir as vezes em que me senti comovida. Depois de tudo pelo que a Elspeth e o Rushton passaram mereciam ter tido um pouco mais de tempo. A dor da Elspeth é palpável e foram muitas as vezes que me comovi com a dor dela. Com a dor de abandonar todos aqueles que nos eram queridos e seguir numa viagem sem retorno e sem saber o que será o futuro.

Aguardo ansiosamente a oportunidade de ler o último livro, para saber como é que a história irá terminar.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Opinião - A Quinta dos Animais

Ficha Técnica:
Autor: Geroge Orwell
Título Original: Animal Farm: A Fairy Story
Páginas: 160
Editor: Antígona
ISBN: 9789726081975
Tradutor: Paulo Faria

Sinopse:
Esta nova tradução de Animal Farm recupera o título original, contrariamente às edições anteriores, que adoptaram os títulos panfletários O Porco Triunfante e - o mais conhecido - O Triunfo dos Porcos.

À primeira vista, este livro situa-se na linhagem dos contos de Esopo, de La Fontaine e de outros que nos encantaram a infância. Tal como os seus predecessores, Orwell escreveu uma fábula, uma história personificada por animais. Mas há nesta fábula algo de inquietante. Classicamente, atribuir aos animais os defeitos e os ridículos dos humanos, se servia para censurar a sociedade, servia igualmente para nos tranquilizar, pois ficavam colocados à distância, "no tempo em que os animais falavam", os vícios de todos nós e as sua funestas consequências. Em A Quinta dos Animais o enredo inverte-se. É a fábula merecida por uma época - a nossa época - em que são os homens e as mulheres a comportar-se como animais.

Opinião:
A Quinta dos Animais pretende ser uma representação do governo de Estaline. Sou sincera quando digo que esta representação em si me passa um pouco ao lado. História nunca foi o meu forte e por isso todos acontecimentos que se pode considerar serem de grande escala me passam algo ao lado. Eu sei, shame on me. De qualquer modo o livro tem pelo menos dois prefácios, uma nota do tradutor e pelo menos dois textos que em si ajudam a contextualizar a obra bem como as intenções do autor. Se por um lado considero que estes textos me ajudaram a perceber de onde é que veio o desejo de escrever esta fábula e as convicções de Orwell, por outro não precisava de nada disto para perceber a verdade que Orwell nos tenta mostrar.

Basicamente é-nos apresentada uma fábula em que os animais que vivem na quinta fartos de serem maltratados pelo homem e a após serem incitados pelo sonho de um porco sábio decidem rebelar-se contra os humanos. Assim sendo expulsam-nos da quinta e decidem que doravante serão os animais a tomar conta da quinta. São estabelecidas uma série de regras que todos os animais deverão cumprir. Como por exemplo a igualdade entre todos os animais. Claro que ao início é tudo muito bonito, mas aos poucos as coisas começam a mudar e é isso que se torna assustador.

Os porcos tomam conta de tudo e passam a dominar e escravizar os outros animais tal como o Sr. Reis o fazia. E é assustador ver como os animais o aceitam pois com certeza que antigamente as condições eram piores, pelos menos é o que os porcos dizem, pois eles têm sempre razão. Afinal são mais inteligentes. É realmente perturbador ver como os acontecimentos que vão ocorrendo na quinta podem ser tão facilmente transpostos para o dia-a-dia da humanidade. Como é fácil deixarmo-nos enganar por aquilo que acreditamos ser uma realidade melhor, sem nunca colocar nada em questão. Como é fácil esquecer como as coisas eram anteriormente e acreditar que as coisas anteriormente eram piores só porque nos dizem que neste momento estamos bem. Quando o ser humano se vê numa situação complicada, quão fácil é para um tirano depor um tirano e fazer-nos acreditar que a sua tirania é melhor. Tirania é tirania, não existe melhor ou pior.

Esta é uma fábula que todos devíamos ler. Por aquilo que representa, pelo quão bem escrita é. A Quinta dos Animais é um livro que se mantém actual a todos os níveis que interessa.

quarta-feira, 16 de março de 2016

Opinião - A Cidade do Fogo Celestial

Ficha Técnica:
Autor: Cassandra Clare
Série: Caçadores de Sombras, #6
Título Original: City of Heavenly Fire
Páginas: 576
Editor: Planeta
ISBN: 9789896575687
Tradutor: Mário Dias Correia

Sinopse:
Na deslumbrante e muito esperada conclusão da série Caçadores de Sombras, Clary e os amigos enfrentam a mais terrível expressão do Mal que alguma vez tiveram de combater: o irmão de Clary. Sebastian Morgenstern está ao ataque e volta Caçador de Sombras contra Caçador de Sombras. Com a ajuda da Taça Infernal, transforma Nefelins em criaturas saídas de um pesadelo, separando famílias e amantes enquanto engrossa as fileiras dos seus Ensombrados. Acossados, os Caçadores de Sombras refugiam-se em Idris… mas nem os poderes demoníacos de Alicante conseguem manter Sebastian à distância. E com os Nefelins encurralados em Idris, quem protegerá o mundo contra os demónios? Quando é desmascarada uma das maiores traições de toda a história dos Caçadores de Sombras, Clary, Jace, Isabelle, Simon e Alec são obrigados a fugir – ainda que a sua viagem os leve até ao coração dos reinos demoníacos, onde nunca nenhum Caçador de Sombras fora e de onde nenhum ser humano alguma vez regressara. Haverá amor sacrificado e vidas perdidas na terrível batalha pelo futuro do mundo neste empolgante final da clássica série de fantasia urbana Caçadores de Sombras.

Opinião:
E aqui estamos nós, ao fim de seis livros, a ver-mos a derrota definitiva dos vilões (ou não, só a próxima série o dirá).

E tal como desejado este livro é melhor que o anterior. A acção já se centra um pouco mais em tentar salvar o mundo e não propriamente na relação Jace e Clary. Se bem que mais para o final voltamos àquela situação onde eles arriscam tudo para salvar os amigos e já que ali estão aproveitam para salvar o mundo. Continuo a dizer que para mim isso não funciona e devia ser exactamente ao contrário.

Para não variar o pessoal da Clave são uns tapadinhos com a mania que são muito inteligentes e que sabem como é que o Sebastian pensa e o que vai fazer. Claro que acaba por lhes sair o tiro pela culatra e se não fossem os personagens já nossos conhecidos a coisa tinha corrido mesmo muito mal.

Neste livro Simon, Izy e Maia continuam a crescer e a desenvolver-se e a tomar diferentes contornos. Gostei da maior parte das coisas que a autora fez com eles, tirando o facto de o Simon ser sempre o desgraçado que tem que se sacrificar e o facto de a Maia estar tão apaixonada no livro anterior e de repente já não estar. Ainda por cima a coisa foi tão mal explicada que não tem ponta por onde se lhe pegue...

No final da série dos Instrumentos Mortais vemos uma Tessa e um Jem a reencontrarem-se e a finalmente ficarem juntos. E finalmente neste livro descobri como é que tal foi possível. Adorei ver a ligação que ambos têm para com a família Herondale e a família Carstairs, ao mesmo tempo que fiquei toda contente com a referência que é feita ao fantasma que salva toda a gente no instituto de Londres.

Contudo a maior surpresa foi sem dúvida a Emma. Adorei esta miúda. Cheia de energia, de força de vontade, coragem para dar e vender e um coração que sente mais do que aquilo que se poderia pensar. Adorei cada cena contada do ponto de vista dela e estou bastante curiosa para ver no que ela se tornou no livro que aí vem. Vejo nela as características que mais gosto e isso faz-me ter expectativas bastante elevadas para o próximo livro. Ao mesmo tempo tenho curiosidade em saber o que aconteceu aos seus pais, e espero que essa temática seja abordada no livro que aí vem.

Para finalizar não posso deixar de referenciar Sebastian. Se no livro anterior era fácil de ver a suas necessidade e desejo em ser aceite, neste livro essa faceta ainda é maior. O final deixou-me bastante triste pelo que poderia ter sido. Ao fim e ao cabo, o Sebastian não tinha propriamente culpa daquilo que era e só no final é que se apercebe disso e se tenta redimir.

Um livro que é um bom final para a história que a autora pretendia contar.

sábado, 5 de março de 2016

Opinião - Lord of Chaos

Ficha Técnica:
Autor: Robert Jordan
Série: Wheel of Time, #06
Páginas: 1011
Editor: Thor
ASIN: 0812513754

Sinopse:
n this sequel to the phenomenalNew York Times bestseller The Fires of Heaven, we plunge again into Robert Jordan's extraordinarily rich, totally unforgettable world: On the slopes of Shayol Ghul, the Myrddraal swords are forged, and the sky is not the sky of this world; In Salidar the White Tower in exile prepares an embassy to Caemlyn, where Rand Al'Thor, the Dragon Reborn, holds the throne--and where an unexpected visitor may change the world.... In Emond's Field, Perrin Goldeneyes, Lord of the Two Rivers, feels the pull of ta'veren to ta'veren and prepares to march.... Morgase of Caemlyn finds a most unexpected, and quite unwelcome, ally....And south lies Illian, where Sammael holds sway....

Opinião:
27. 27 dias foi o tempo que levei a ler este livro. Não me recordo de ter levado mais que uma semana  a ler livros deste tamanho desde à bastante tempo para cá. 27 dias. Neste momento ainda fico em choque de cada vez que me lembro de quanto tempo levei para conseguir terminar este livro. E o que mais me assusta é o facto de me lembrar perfeitamente que adorei os anteriores.

Antes de mais não posso deixar de confessar que um dos maiores problemas que tive com esta leitura foi o facto de ter lido o livro anterior à cerca de 6 anos atrás. Não me recordava de praticamente nada da história nem dos personagens e as suas relações. Neste momento existem algumas relações e personagens das quais já me lembro, mas no geral ainda se encontra tudo muito vago. E isto dito após 1011pág. Lembro-me de como as coisas funcionam para as personagens principais (após muita pesquisa), mas existem muitas personagens secundárias que contribuem para a história e das quais não tenho recordações do que estão lá a fazer. Ao mesmo tempo tenho grandes problemas com os Forsaken. São mais que as mães e estou sempre a perder-lhes o fio à meada. Principalmente porque sou péssima com nomes...

Tudo o descrito anteriormente serviu para que me custasse a entrar na história. Podemos ainda aí adicionar longas páginas de nada com coisa nenhuma. Com isto quero dizer que apenas nas últimas 400pág do livro é que aconteceu algo de interessante e relevante que me fez ficar agarrada à história e curiosa por saber o que vai acontecer a seguir. Outra coisa que me cansou solenemente foi as inúmeras descrições. Não que tenha problemas com descrições visto que estas são importantes, mas o autor passa a vida a descrever as mesmas características acerca dos diferentes personagens e chega a uma altura em que isso satura.

Para finalizar não consigo engolir a ideia de que três mulheres estão apaixonadas pela Rand e que ele as ame às três da mesma maneira... Tudo bem que ele é Ta'veren, mas acho a situação um bocado irreal e uma grandessíssima parvoeira da parte do autor. De qualquer modo tento não pensar muito nisso. Mais um ponto que me ia esquecendo, achei a maneira como o autor escolheu para contar a história um pouco estranha e insatisfatória. Há alturas em que aparecem imensos capítulos sobre determinados personagens e o que lhes está a acontecer para de repente deixarem de fazer parte da narrativa e serem completamente esquecidos.

De qualquer modo o livro não foi só coisas más. No geral não me impressionou e provavelmente não leria mais nada do autor se não tivesse os livros cá por casa, mas não posso negar de que realmente gostei das últimas 400pág e que adoro a Nynaeve e a Egwene. O Mat também não está nada mal, bem como a Siuan. Senti alguma falta da Moiraine, mas espero que ela apareça brevemente. Custa-me a acreditar que ela esteja realmente morta.

Eventualmente não vou voltar a pegar em Jordan tão cedo. Conto ler pelo menos mais um livro dele este ano, mas não deverá ser assim tão cedo. Só espero que as coisas melhorem.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Opinião - Northanger Abbey

Ficha Técnica:
Autor: Jane Austen
Páginas: 256
Editor: Headline Review
ISBN: 0755331443

Sinopse:
Catherine Morland should know better. She's the very ideal of a nice, normal girl. But Catherine is cursed with an overactive imagination. She is also obsessed with lurid Gothic novels, where terrible things happen to the heroine. Which gets her into all sorts of trouble...

When Catherine visits Bath and meets funny, sharp Henry Tilney, she's instantly taken with him. But when she is invited to the Tilneys' home, the sinister Northanger Abbey, fantasy starts to get in the way of reality. Will she learn to separate out the two?

With its loveable,impressionable heroine ans its themes of growing upand learning to live in the real world, Northanger Abbey remains one of Jane Austen's most irresistible and up-to-date novels.

Opinião:
Nothanger Abbey não é o primeiro livro que leio da autora, pelo contrário. Antes deste já li pelo menos mais três e posso dizer que achei este o mais diferente. Não por a temática abordada ser diferente, mas pela maneira como a autora a aborda.

Esta continua a ser uma história acerca de uma rapariga de boas famílias que, neste caso, viaja até Bath e lá encontra o rapaz que virá a ser o seu companheiro. Um dos motivos que torna esta história diferente é o facto de que a personagem principal não tem propriamente características de destaque na sua personalidade. Não é propriamente inteligente, ou dona de uma grande sagacidade, ou de uma personalidade pautada pela bondade. A verdade é que esta é a personagem mais básica que alguém poderia encontrar e isso só por si é algo bastante incomum. 

Outro ponto que torna o livro tão interessante é que este é uma sátira aos romances góticos que na altura tanto se liam. Neste caso a personagem principal é dona de grande imaginação e deixa-se influencia por aquilo que lê, quando na realidade o que acontece nas novelas góticas dificilmente irá acontecer na realidade.

Mas o que sem sombra de dúvida mais me agradou foi o facto de a autora falar directamente com o leitor durante toda a narrativa. A autora dirige-se ao leitor com explicações e desde o início que o seu discurso é extremamente irónico e sarcástico. Não é que nos livros anteriores tal não acontecesse, mas era um humor mais requintado e aqui dá um tom gozão à história.

Não posso deixar de referir as personagens secundárias. A que mais se distingue é sem dúvidas Isabella, com a sua personalidade traiçoeira e interesseira que facilmente é percebida pelo leitor, mas que a nossa personagem principal leva algum tempo a perceber devido ao facto de ser tão inocente. Inocência essa que vai sendo perdida ao longo da história. Outro ponto a favor da Catherine é o facto de ser uma possa com valores e com um sentido de honra apurado. Gostei bastante destas suas características.

Mais um livro de que gostei bastante. É continuar a ler a autora, pois acredito que dificilmente sairei desapontada.