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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Opinião - Letras Escarlates

Ficha Técnica:
Autor: Anne Bishop
Título Original: Written in Red
Série: Os Outros
Páginas: 495
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896377397
Tradutor: Luís Santos

Sinopse:
Ninguém tem a capacidade de criar novos mundos como Anne Bishop, autora bestseller do The New York Times. Nesta nova série somos transportados para um mundo habitado pelos Outros, seres sobrenaturais que dominam a Terra e cujas presas prediletas são os humanos. 

Meg é uma profetisa de sangue. Sempre que a sua pele é cortada, ela tem uma visão do futuro – um dom que mais lhe parece uma maldição. O Controlador de Meg mantém-na aprisionada de forma a ter acesso total às suas visões. Quando finalmente ela consegue escapar, o único sítio seguro para se esconder é no Pátio de Lakeside – uma zona controlada pelos Outros.

O metamorfo Simon Wolfgard sente alguma relutância em contratar a estranha que lhe pede trabalho. Sente que ela esconde algo e, para além disso, ela não lhe cheira a uma presa humana. Algo no seu íntimo leva-o a contratá-la, mas ao descobrir quem a jovem realmente é e que o governo a procura, ele terá de tomar uma decisão. Será que proteger Meg é mais importante do que evitar o confronto que se avizinha entre humanos e Outros?

Opinião:
Que saudades tão grandes de ler Bishop! Nem sei porque raio não li este livro mal ele saiu, mas o facto é que fui arrastando a sua leitura até agora há uns mesinhos atrás. E que boa leitura foi! Anne Bishop nunca me desilude e como muitos sabem, é uma das minhas escritoras favoritas.

Neste Letras Escarlates, a autora apresenta-nos uma nova série, Os Outros, desta feita dentro do estilo fantasia urbana. Aqui conhecemos Meg, uma humana com capacidades especiais, uma cassandra sangue ou profetisa de sangue, alguém que através de cortes precisos na pele, é capaz de tecer profecias. Esta jovem, era tida como propriedade de um homem, denominado de Controlador, alguém que possui um complexo onde mantém cativas profetisas de sangue de modo a vender profecias a potenciais interessados.

Este primeiro volume começa com uma Meg em fuga, que vai parar ao Pátio de Lakeside, local onde "a lei humana não se aplica", território dos Terra Indigene - os Outros.
Os Outros são, nada mais nada menos, que seres metamorfos. Temos os Corvos, curiosos, fascinados por coisas brilhantes, os sentinelas da comunidade; as poderosas Elementais e seus corceis, os Póneis; Ursos robustos, como Henry Beargard; Sanguinati ou vampiros, como o cativante Vlad; Lobos perspicazes e poderosos, como o fascinante Simon Wolfgard; entre outros. 

Neste universo criado por Bishop - Namid - temos por um lado os Terra Indigene, seres que controlam todos os recursos naturais, donos das zonas selvagens, e por outro lado os humanos, possuidores de engenho e tecnologia que os Outros não conseguem produzir. Entre estas duas facções existe, desde tempos imemoriais, uma relação de paz precária, limitando-se ambas as partes a tolerar a existência da outra, apenas por interesse. Uma é vista como alimento e a outra é vista com medo acompanhado de desprezo.
Por isso, existem os Pátios, zonas Terra Indigene dentro de cidades humanas, criadas para os Outros vigiarem os seres humanos  e interagirem com estes.

Foi interessante observar como a chegada de Meg ao Pátio de Lakeside, foi o ponto de viragem para  o início de uma melhoria no relacionamento entre Humanos e Outros. Graças a ela, polícias como Monty e Kowalski, começaram também a servir de intermediários no que toca a problemas que envolvam humanos e Outros.
Contudo, a forma como Meg conquistou estes últimos, a pouco e pouco, foi adorável: dando goluseimas aos ariscos póneis das Elementais; entregando as encomendas, quase esquecidas, do avô Erebus, líder temido dos Sanguinati (que me fez tanto lembar Saetan das Jóias Negras *.*); o tirar o lobacho Sam ao seu longo torpor após ter perdido a sua mãe... Até as Elementais, como Inverno, respeitadas e temidas pelos outros Terra Indigene, se renderam aos seus encantos e travaram amizade com esta humana especial, que não cheira a preza.

Achei linda a amizade entre Meg e Sam. E claro, aquela faísca entre ela e Simon... Adoro ver como este poderoso Lobo, líder do pátio, fica sem saber como se comportar ao pé dela, e é assoberbado por um instinto protector que não compreende.
E Tess? A misteriosa Terra Indigene, que muda o cabelo de cor e seu grau de enrolamento consoante o seu humor, e que ninguém sabe a que espécie pertence? Parece-me que podemos contar com uma revelação e pêras no próximo volume...

Letras Escarlates foi um livro que me deu imenso gosto ler. Encontrei tudo aquilo que contava numa história contada por Bishop: um mundo fantástico, com seres sobrenaturais, personagens bem construídas e cativantes, momentos enternecedores, de acção, mistério, e grande humor, que me fizeram soltar boas gargalhadas. Convenhamos, só o facto de haverem nomes de lojas como "Trincadela" e "Ler e Uivar por Mais" nos fazem soltar um risinho... Típico de Bishop!
Siga o próximo volume!



quinta-feira, 18 de julho de 2013

Opinião - A Casa de Gaian

 
Ficha Técnica:
Autor: Anne Bishop
Título Original: The House of Gaian
Páginas: 431
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896374662
Tradutor: Luís Coimbra

Sinopse:
Começou como uma caça às bruxas, mas o plano do Inquisidor-Mor para eliminar todos os vestígios de poder feminino que há no mundo prevêem agora a aniquilação dos barões de Sylvalan que se lhe opõem… e a destruição do berço de toda a magia: a Serra da Mãe. Humanos e feiticeiras formam uma aliança difícil com os Fae para fazerem frente a esse inimigo terrível. No entanto, mesmo unidos, não têm força suficiente para resistirem aos exércitos mobilizados pela Inquisição. Procuram por isso o apoio do último aliado ao qual podem recorrer: a Casa de Gaian. As feiticeiras que vivem isoladas na Serra da Mãe têm poder suficiente para criarem um mundo… ou para o destruírem.

O antigo lema das bruxas: «Não fareis o mal», arrisca-se a ser esquecido por força de uma necessidade mais premente: a necessidade de sobreviverem.

Opinião:
E uma vez mais Bishop faz aquilo que melhor sabe, deixar uma pessoa completamente enredada nas suas histórias.

Em A Casa de Gaian vemos o tão aguardado desfecho. Tudo aponta para uma guerra iminente entre os Mantos Negros e os seus seguidores e a restante população deste mundo que Bishop tão sabiamente criou, e quando falo em população refiro-me a todos os seres que habitam este mundo. E sim, a história é emocionante e os acontecimentos deixam-nos agarrados ao livro, mas o mais importante continua a ser o carisma das personagens, as personalidades, as suas acções relativamente àquilo que lhes vai acontecendo ao longo do caminho.

Este é um livro que agarra do início ao fim. Com uma aura um pouco mais obscura que os seus antecessores é-nos dado a conhecer em profundidade o verdadeiro ser das mais diversas personagens e aquilo que realmente significam os seus títulos. Ashk foi tudo aquilo que se podia esperar dela e mais. O seu poder, a sua agressividade, a sua preocupação com os humanos e ao mesmo tempo o seu respeito pelas Filhas da Casa de Gaian tornam-na numa personagem extremamente forte e completa. E Morag, a personagem preferida da maior parte das pessoas, foi uma das mais difíceis de seguir pela sua inconstância, a preocupação com ela acaba por se tornar tão real que parece que estamos frente a uma "pessoa de carne e osso". Ainda das antigas personagens foi fantástico rever Liam e Breanna. As suas picardias e tiradas trazem um sorriso ao nosso rosto sem que nos apercebamos de tal coisa. E se houve alguém que nos conseguiu surpreender no fim foi Diana. Apesar de tudo fiquei triste por não poder ver mais de Neall e Ari.

Adorei conhecer todas as novas personagens que nos surgem neste última capítulo de uma história única. Todas tão cuidadas e bem construídas como se a autora as tivesse vindo a desenvolver desde o início da história. Gwenn, a baronesa que diz e faz o que quer, Selena, a nova caçadora, Rhyann, o Senhor do selkies, e algumas mais tornaram a história mais completa e equilibrada. Além de que finalmente passarmos a conhecer as habitantes da Serra da Mãe e o significado de se ser uma dá uma outra profundidade à história.

 Além de todas as personagens maravilhosas criadas por Bishop, não se pode deixar de lado a sua escrita que faz com que nos embrenhemos completamente na história e que faz com que aquele mundo que imaginemos se torne o nosso mundo. Posso dizer que ri e chorei em determinados momentos e com determinadas personagens. E quando um autor consegue fazer isso a um leitor tem sem sombra de dúvida um dom para criar.

Infelizmente, como normalmente não há bela sem senão, houve determinadas alturas em que sentia que determinadas situações eram apressadas e podiam ter sido trabalhadas de uma outra maneira. E em alguns casos senti também que a autora estava a ser um pouco óbvia.

Se ainda restam dúvidas sobre se esta trilogia vale ou não a pena, só tenho uma coisa dizer: É Bishop.