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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Opinião - O Restaurante no Fim do Universo

Ficha Técnica:
Autor: Douglas Adams
Título Original: The Restaurant at the End of the Universe
Páginas: 224
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789728839796
Tradutor: Renato Carreira

Sinopse:
"A primeira tentação para o leitor mais desprevenido que se cruze com “O Restaurante no Fim do Universo”, julgando tratar-se de um apetitoso livro de culinária pejado de receitas do outro mundo, será entrar em pânico [...]

Eu compreendo: é provável que nunca antes ou depois deste livro, o caro leitor se tenha cruzado com tal torrente de ideias, conceitos, lições de vida e piadas, concentrada em tão poucas páginas. Um começo, para evitar grandes ataques de stress, será ler o primeiro volume desta trilogia em cinco livros: “À Boleia Pela Galáxia”.

Mas mesmo assim, não ficará livre de uma valente overdose de ideias brilhantes, quando exposto a “O Restaurante no Fim do Universo”, o livro que o seu autor, Douglas Adams, considerava o mais conseguido de toda a saga. A média de estrondosas ideias por página é, em qualquer livro de Adams, avassaladora... mas este bate todos os recordes.” Excerto da Introdução, por Nuno Markl

Opinião:
O que posso eu acrescentar nesta opinião que não tenha dito na anterior? Basicamente nada. É difícil desde já falar sobre do que trata a história, ao fim e ao cabo esta não é uma história normal com princípio meio e fim. Os personagens na maior parte das vezes não têm objectivos definidos e deixam-se ir simplesmente consoante aquilo que lhes vai acontecendo.

Todos os personagens que nos são apresentados continuam iguais a si mesmos. Cada um foi capaz de me encantar sobre maneira ao longo da narrativa com os seus contributos, sejam eles pensamentos profundos ou conclusões disparatadas. Pois a verdade é que tudo aquilo que o autor introduz na narrativa tem um motivo de ser. Todas as questões que o autor aborda são interessantes e ele fá-lo com grande mestria, de uma forma irónica que nos leva a ponderar acerca das diversas situações, mas sem que elas nos "perturbem" a narrativa interessante e nos deixem com um humor mais soturno. 

Sem sombra de dúvidas que a minha parte preferida é quando conhecemos o homem que governa o Universo. O diálogo entre este e o Zaphod é completamente absurdo. Ao mesmo tempo é algo digno de ser lido, que faz todo o sentido e nos faz pensar acerca do que é a realidade e do modo como a percebemos.

A única coisa que posso dizer é que este livro merece ser lido. Por todo o seu conteúdo ele é simplesmente algo único. Ver o modo como o autor entrelaça determinados acontecimentos, alguns com ligação para o livro anterior, é algo digno de ser lido. Só posso dizer que tenho muita pena que os restantes livros não tenham sido publicados em Portugal. Este autor merecia mais.

domingo, 27 de abril de 2014

Opinião - À Boleia pela Galáxia

Ficha Técnica:
Autor: Douglas Adams
Título Original: The Hitchhiker's Guide to the Galaxy
Páginas: 191
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789728839130
Tradutor: António Vilaça

Sinopse:
Segundos antes da Terra ser destruída para dar lugar a uma auto-estrada inter-galáctica, o jovem Arthur Dent é salvo pelo seu amigo Ford Prefect, um alienígena disfarçado de actor desempregado. Juntos, viajam pelo espaço na companhia do presidente da galáxia (ex-hippie, com 2 cabeças e 3 braços), Marvin (robot paranóico com depressão aguda), e Veet Voojagig (antigo estudante obcecado com todas as canetas que comprou ao longo dos anos). Onde estão essas canetas? Porque nascemos? Porque morremos? Porque passamos tanto tempo entre as duas coisas a usar relógios digitais? Se quer obter estas respostas, estique o polegar e apanhe uma boleia pela galáxia.

Opinião:
Neste momento sinto-me a pessoa mais idiota por nunca ter lido Douglas Adams. Como é que eu pude ignorar durante tanto tempo um autor que é simplesmente genial?

Cada momento desta leitura foi uma aventura alucinante. Cada um dos seus personagens é completamente excêntrico, com personalidades surreais, os acontecimentos descritos pelo autor são inacreditáveis, e no entanto tudo se conjuga na perfeição dando um sentido surpreendente à narrativa. O melhor do livro são simplesmente os diálogos. Completamente surreais e desconexos dão respostas a determinadas questões que nos colocamos todos os dias, respostas essas que não são nada daquilo que estamos à espera, mas que do ponto de vista da narrativa fazem todo o sentido. Adorei o humor do autor. Foi algo que me cativou desde o início. O humor está presente no diálogo de todas as personagens, no entanto este humor adequa-se perfeitamente ao personagem com que estamos a lidar de momento.

Os personagens são simplesmente geniais. Arthur, um simples terráqueo que se vê catapultado para uma galáxia da qual não tinha conhecimento aquando da exterminação do seu planeta é a personagem de certo modo mais "normal" que temos ao longo da narrativa, fazendo o contraponto perfeito para as restantes. Ford Perfect é um viajante intergaláctico que se viu preso na Terra durante mais de 15 anos, o que quase o levou à loucura. É um personagem um pouco obcecado pela "rectidão". Temos ainda direito a conhecer Marvin, um robô completamente depressivo e destrutivo que consegue deixar qualquer um desmoralizado. As situações que surgem devido aos seus eternos monólogos deprimentes são deveras engraçadas. Falta-me apenas falar do presidente Zaphod, um personagem bastante inteligente e bastante estúpido ao mesmo tempo. Isto pode parecer algo contraditório, mas garanto-vos que na narrativa do autor não o é. É simplesmente um facto de que torna o personagem tão interessante.

Basicamente tudo no livro está bem conseguido e cativa o leitor, desde aos cenários apresentados, à acção que se desenrola, a maneira como se desenrola e os personagens criados pelo autor. No final ficou uma grande vontade de seguir para o próximo livro e uma grande tristeza pelo próximo ser o último traduzido para português.