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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Opinião - Tigana - A Lâmina na Alma e A Voz da Vingança

Ficha Técnica:
Autor: Guy Gavriel Kay
Título Original: Tigana, #1.1 e #1.2
Páginas: 320 e 320
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896376055 e 9789896376260
Tradutor: Carlos Daniel S. Vieira e Ana Cristina Rodrigues
Adaptação: Jorge Candeias

Sinopse:
Tigana - A Lâmina na Alma
Tigana é uma obra rara e encantadora onde mito e magia se tornam reais e entram nas nossas vidas. Esta é a história de uma nação oprimida que luta para ser livre depois de cair nas mãos de conquistadores implacáveis. É a história de um povo tão amaldiçoado pelas negras feitiçarias do rei Brandin que o próprio nome da sua bela terra não pode ser lembrado ou pronunciado.
Mas anos após a devastação da sua capital, um pequeno grupo de sobreviventes, liderado pelo príncipe Alessan, inicia uma cruzada perigosa para destronar os reis despóticos que governam a Península da Palma, numa tentativa recuperar um nome banido: Tigana.
Num mundo ricamente detalhado, onde impera a violência das paixões, este épico sublime sobre um povo determinado em alcançar os seus sonhos mudou para sempre as fronteiras da fantasia.


Tigana - A Voz da Vingança
O príncipe Alessan e os seus companheiros puseram em marcha um plano perigoso para unir a Península de Palma contra os reis despóticos Brandin de Ygrath e Alberico de Barbadior, numa tentativa de recuperar Tigana, a sua terra natal amaldiçoada. Brandin é um rei maquiavélico e arrogante, mas encontrou em Dianora alguém à sua altura e está cativo da sua beleza e charme. Alberico está cada vez mais consumido pela ambição, cego a todas as ciladas em seu redor. Entretanto, o nosso grupo de heróis viaja pela Península, em busca de alianças e trunfos decisivos que podem mudar a maré da batalha a seu favor. Alessan está mais moralmente dividido que nunca, Devin já não é o rapaz ingénuo que era, Catriana apenas deseja redenção e Baerd descobre uma nova magia na Península. Conseguirá Tigana vingar a memória dos seus mortos? Ninguém consegue prever o fim nem as perdas que irão sofrer. Sacrifícios serão feitos, segredos antigos serão revelados e, para uns vencerem, outros terão forçosamente de tombar.

Opinião:
Deste autor li o ano passado Os Leões de Al-Rassan, livro esse que adorei. Assim sendo foi com grande expectativa que parti para a leitura deste Tigana, do qual já tinha ouvido falar maravilhas. Para meu grande desgosto não gostei nem de perto tanto deste livro como gostei do anterior. Posso desde já dizer que gostei muito mais da segunda metade do livro do que da primeira. Eventualmente porque durante a primeira parte nos são apresentados os personagens e a sua demanda, bem como explicado o mundo que nos é apresentado. A segunda parte tem mais acção e é aqui que realmente algo acontece, e por isso mesmo a leitura também se torna mais célere.

Gostei bastante dos personagens que nos são apresentados, todos eles bastante complexos. Nenhum é apenas bom ou mau. Os heróis cometem assassínios e outros semelhantes sem qualquer escrúpulos de modo a conseguirem atingir os seus objectivos. Já supostamente um dos vilões é alguém capaz do amor mais profundo que se poderia imaginar numa pessoa. Assim sendo é difícil não sentir-mos empatia por Brandin, ao mesmo tempo que nos sentimos algo revoltados com as atitudes de Alessan e Baerd. A única personagem que sem dúvidas é mesmo odiosa e sem nada de bom é Alberico. O homenzinho era mesmo asqueroso, com toda a sua ganância e necessidade de poder.

O mundo onde se passa a acção está bastante bem construído e fundamentado. Tem as suas próprias lendas e ritos e tudo se encaixa perfeitamente. Gostei bastante de ir descobrindo aos poucos as várias características dos territórios de Palma, bem como o tipo de pessoas que a habitam.

Contudo a mais valia da história é sem dúvida os seus personagens. Não existe um únicos que não tenha vários tons de cinzento, que lute com os seus demónios e as suas escolhas, que combata todos os dias com aquilo que a razão e o coração lhe dizem. A personagem mais notória neste aspecto é sem dúvida Dianora, que por um lado quer libertar Tigana, mas por outro descobriu em Brandin um homem extremamente inteligente e carinhoso por quem acaba por se apaixonar. Deve ser algo terrível, os sentimentos com que Dianora lida a todos os momentos...

Infelizmente, o desenrolar da história teve pontos menos bons. Principalmente o clímax, que achei ter sido alcançado de repente e ser resolvido ainda mais rapidamente. Gostaria de algo mais trabalhado e com mais suspense.Algo mais demorado a realizar, tal como a demanda a que Alessan se sujeitou. Por fim não posso deixar de falar do final. A sério? Era preciso mais desgraça? Depois de tudo o que aconteceu o autor tinha mesmo que colocar aquele final? Acho que era desnecessário depois de toda a tristeza que já existia. Já havia um final agridoce, não era preciso mais tragédia.

Assim sendo foi um livro que se por um lado me satisfez, por outro me deixou algo desiludida.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Opinião - Os Leões de Al-Rassan

Ficha Técnica:
Autor: Guy Gavriel Kay
Título Original: The Lions of Al-Rassan
Páginas: 548
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896370510
Tradutor: João Henrique Pinto

Sinopse:
Imagine uma Península Ibérica de fantasia, durante o período sangrento e apaixonante da Reconquista, onde realidade e fantasia se entrelaçam numa história poderosa e comovente.

Inspirado na História da Península Ibérica, Os Leões de Al-Rassan é uma épica e comovente história sobre amor, lealdades divididas e aquilo que acontece aos homens e mulheres quando crenças apaixonadas conspiram para refazer – ou destruir – o mundo. Lar de três culturas muito diferentes, Al-Rassan é uma terra de beleza sedutora e história violenta. A paz entre Jaddites, Asharites e Kindath é precária e frágil, mas é precisamente a sombra que separa os povos que acaba por unir três personagens extraordinárias: o orgulhoso Ammar ibn Khairan – poeta, diplomata e soldado, o corajoso Rodrigo Belmonte – famoso líder militar, e a bela e sensual Jehane bet Ishak – física brilhante. Três figuras cuja vida se irá cruzar devido a uma série de eventos marcantes que levam Al-Rassan ao limiar da guerra.

Opinião:
Os Leões de Al-Rassan foi um daqueles livros que esteve encostado durante imenso tempo e que se não fosse uma certa pessoa quase me ter "espancado" iria continuar encostado durante não sei bem quanto mais tempo. E uma vez mais o facto de andar a procrastinar determinada leitura foi um dos maiores erros que cometi.

Os Leões de Al-Rassan são baseados na história da Península Ibérica e por isso para quem conhecer esta parte da história o "entrar" na narrativa é capaz de ter sido bem mais pacífico que o meu. História não é de todo o meu forte e a verdade é que o autor também não faz grande introdução ou contextualiza com pormenor a história que nos vai contar. Assim sendo ao início senti-me um bocado à deriva sem saber quem era quem e a que religião correspondiam. Finalmente lá consegui ler algures que os Jaddites correspondem aos Cristãos, os Asharites aos Muçulmanos e os Kindath aos Judeus. Depois deste esclarecimento tudo se tornou muito mais fácil para mim.

A história é-nos contada de vários pontos de vista, todos eles bastante interessantes. Tanto tendo em conta as personagens que no-los contam como os próprios acontecimentos em si. Se a verdade é que os personagens principais são Rodrigo Belmonte, Ammar ibn Khairan e Jehana bet Ishak, também é verdade que todos os outros personagens que vamos conhecendo e que são considerados como secundários foram bastante bem trabalhados pelo autor. Todos eles sendo principais ou não são personagens bastante interessantes, carismáticas, pessoas que tentam fazer o melhor que podem com aquilo que a vida lhes apresenta naquele momento.

Sem dúvidas que a mais valia do autor são as personagens que cria e o ambiente que as rodeia. As descrições feitas pelo autor levam a que tudo pareça tão real e as próprias personagens têm dúvidas e medos tão semelhantes aos nossos que é impossível não nos relacionar-mos com elas. Poderia descrever os pontos fortes de cada uma das personagens, mas seria uma perda de tempo tendo em conta todas as suas nuances e genialidade.

Outro aspecto que adorei na maneira do autor contar a história, e ao mesmo tempo me deu vontade de o esganar, é o facto de o autor estar constantemente a tentar conduzir os nossos pensamentos por determinado caminho, e conseguir, para depois nos tirar o tapete de debaixo dos pés quando nos apercebemos que determinados acontecimentos que atribuíamos a determinada personagem afinal não lhe pertencem de todo. Só não chorei baba e ranho muitas das vezes porque me encontrava nos transportes públicos e não dava muito jeito. Até ao final do livro o autor mantém esta maneira de contar acontecimentos. E quanto digo até ao final é mesmo até ao prólogo onde mais uma vez ele nos conta determinados acontecimentos fazendo-nos pensar que já percebemos tudo para depois nos apercebermos que afinal fomos tomados por parvos...

A única coisa de que senti falta foi de Ammar. Gostava de ter visto mais dele, da sua maneira de estar. Quanto ao Rodrigo e à Jehane sinto que fiquei a saber o que devia, a compreendê-los. Que vi praticamente todas as nuances das suas personalidades. O mesmo não aconteceu com o Ammar. Achei que ainda haveria ali muito para descobrir para perceber. De certo modo ele pareceu-me um personagem um pouco mais complexo, possivelmente por causa do seu passado e gostava de ter visto mais de perto o que esse passado fez com ele.

Aguardo agora ansiosamente para ler o que ainda tenho cá por causa deste autor, porque ele conquistou-me de forma definitiva.