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domingo, 24 de junho de 2018

Opinião - Mansfield Park

Ficha Técnica:
Autor: Jane Austen
Páginas: 432
Editor: 019282757X
ISBN: 019282757X

Sinopse:
'there certainly are not so many men of large fortune in the world, as there are pretty women to deserve them'

Mansfield Park is a study of three families--the Bertrams, the Crawfords, and the Prices--with the isolated figure of the heroine, Fanny Price, at its centre. Fanny's quiet passivity, her steadfast loyalty and love for the son of the family who regard her as the poor relation, and who have taken her under their roof, are among the qualities whose true worth is not appreciated until they are tried against the brilliant and witty Mary and Henry Crawford, the unfortunate consequences of whose influence are felt by everyone. Jane Austen uses Fanny's emotional involvement with the people around her to explore the social and moral values by which she and they try to order their lives.

First published in 1814, the text of this edition is taken from R.W. Chapman's Oxford edition, edited by James Kinsley, with a new bibliography and introductory essay by Marilyn Butler.

Opinião:
Mais um clássico para a colecção. Mansfield Park conta-nos a história de Fanny, uma personagem da qual gostei bastante.

Numa história onde toda a gente pensa apenas em si própria e no seu bem estar, Fanny é uma lufada de ar fresco. A maior parte dos personagens tenta destacar-se enxovalhando as pessoas que o rodeiam, ou tentando manipular as acções dos outros para ser proveito. Há também aquelas que simplesmente não têm interesse em nada e que não conseguem ver para além do seu umbigo. São tão passivas que até faz confusão.

A Fanny não é nada disto. Pode parecer uma pessoa bastante simples na sua maneira de estar, mas é uma pessoa extremamente genuína, o que faz com que se destaque no meio de toda a gente. A Fanny preocupa-se realmente com as pessoas que a acolheram e das quais aprendeu a gostar. Mesmo para aquelas que a tratam "mal", a Fanny é sempre bem educada e respeitadora e nem sequer se autoriza a pensar mal delas. Das poucas vezes que isso acontece ela castiga-se bastante e fica a sentir-se mal com isso. Ao mesmo tempo a Fanny é alguém extremamente correcto, que não se deixa influenciar pelos outros. Se há algo com que não concorda não deixa que mudem a sua opinião e mantém-se fiel a si própria independentemente daquilo que lhe possam dizer. Além disso é bastante observadora e apercebe-se de várias coisas que os outros negligenciam.

A autora apresenta-nos ainda um contraste gritante entre a vida em Mansfield Park e a vida noutros locais. Enquanto que em Mansfield Park tudo é ordem, tudo tem beleza, no local onde nasceu reina o caos e a escuridão. As descrições que a autora nos apresenta de ambos os locais são bastante vividas o que nos faz apreciar cada vez mais Mansfield Park, tal como Fanny acaba por apreciar. É nessa altura que ela realmente percebe onde se sente em casa e que tipo de vida quer para si.

Através da sua perseverança Fanny acaba por conseguir aquilo que quer. Acaba por ter o respeito dos seus pares que há muito era devido. Consegue o seu final feliz sem que tenha tido necessidade de ser algo mais do que ela mesma.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Peek-a Book (Joana) - Sensibilidade e Bom Senso




Ficha Técnica:
Autor: Jane Austen
Título Original: Sense and Sensibility
Páginas: 360
Editor: Presença
ISBN: 9789722355445
Tradutor: João Martins

Sinopse:
Sensibilidade e Bom Senso apresenta-nos os retratos subtis das irmãs Dashwood, com temperamentos contrastantes mas igualmente encantadores. Elinor é regida pelo bom senso, pela razão, e esconde cuidadosamente as suas emoções. Marianne é dominada pela paixão, pela sensibilidade, e expõe-se sem reservas aos sentimentos mais intensos. Quando ambas se apaixonam e vivem o arrebatamento e a dor do amor, compreendem que é no ponto de equilíbrio entre a sensibilidade e o bom senso que poderão encontrar a felicidade pessoal. Através deste paralelo, a autora oferece-nos uma análise poderosa da forma como a vida das mulheres era moldada na sociedade das classes média e alta na Inglaterra do século XVIII, numa comédia de costumes iluminada pela ironia e o humor.

Opinião:
Este livro foi uma autêntica guerra para ler. Durante o mês passado andei num completo slump literário, o que significa que não tinha vontade de pegar no que quer que fosse e quando conseguia pegar lia meia dúzia de páginas e desistia. Ainda por cima comecei por ler o livro em inglês e senti-me completamente perdida. Estou mais que habituada a ler em inglês, já li vários livros da Jane Austen em inglês, mas desta vez dava por mim a ter que ler três e quatro vezes a mesma passagem até a conseguir perceber e interiorizar. 

Finalmente desisti simplesmente do livro e decidi dar-me tempo para me elevar do maldito slump. Quando achei que a coisa estava a melhorar decidi optar por ler o livro na versão portuguesa e a partir daí as coisas começaram a melhorar consideravelmente. Não considero que tenha sido um dos melhores livros que li dela, mas penso que isso se deva principalmente ao meu estado de espírito. Achei que a linguagem empregue e as construções frásicas eram mais complexas que os livros anteriores que li dela. Isso, aliado ao slump levou a que perdesse interesse na história porque parecia que a mesma não fluía.

De resto, achei que a história e os personagens são do tipo a que a autora já nos habituou. No geral, e tirando o Ema, os personagens desta autora são bastante cativantes e interessantes, a história em si incorpora várias críticas à sociedade e não deixam de existir momentos hilários ao longo da narrativa.

As personagens principais, Elinor e Marianne, são completamente diferentes na sua maneira de estar na vida e na maneira como lidam com as diferentes situações. Elinor é uma pessoa recatada e que presa o intelecto acima de tudo. Alguém que não se deixa governar pelos seus sentimentos e que apresenta sempre uma fachada de decoro. Ao mesmo tempo é bastante inteligente e acha que é sua obrigação carregar todos os males dentro de si sem causar preocupações aos demais. Já Marianne é completamente o oposto. Se está feliz ri, se está triste chora. Todas as emoções são vividas ao extremo com ela, sem que esteja preocupada com ser recatada ou com o decoro. Para Marianne o mais importante são as emoções e alimenta-se delas como se não houvesse amanhã.

É então assim que observamos a diferente maneira com que estas irmãs lidam com os seus romances e as suas desventuras. Apesar de ser uma pessoa um pouco mais parecida com Marianne em certos aspectos, fui muito mais tocada pela dor de Elinor. Havia alturas em que pensava: "vai dar porcaria e é bem feita para não seres tontinha Marianne."

Não posso deixar de referir os personagens secundários, principalmente o bem disposto John Middleton, que só se sente bem rodeado de gente e a tentar ajudar os outros, e a Mrs. Jennings, que está sempre a tentar descobrir o que se passa, e sempre a coscuvilhar e a colocar hipóteses que rapidamente descarta, ao mesmo tempo que adora deixar as pessoas desconfortáveis com as suas observações. Contudo quando algo de mal realmente acontece tenta ajudar o mais que pode e preocupa-se realmente com as pessoas com quem se dá.

No geral as restantes personagens são bastante fúteis, mesquinhas, desprovidas de carácter, completamente manipuladoras ou completamente manipuladas. Não se aproveita quase ninguém daquela grande quantidade de gente. Mas o mais engraçado é que todos eles se adoram e de certo modo desdenham as irmãs Dashwood. Parece que desde sempre ser uma pessoa em condições não é um grande atractivo.

Apesar de ter gostado do livro, pensei vir a gostar mais. Existem outras obras da autora que me deixaram muito mais cativada. Contudo para quem gosta deste tipo de romances será um a não perder.

sábado, 16 de abril de 2016

Peek-a Book (Rita) - Orgulho e Preconceito




Ficha Técnica:
Autor: Jane Austen
Título Original: Pride and Prejudice
Páginas: 359
Editor: Civilização Editora
ISBN: 9789722635899
Tradutor: José da Natividade Gaspar

Sinopse:
Uma clássica história de amor e mal-entendidos que se desenrola em finais do século XVIII e retrata de forma acutilante o mundo da pequena burguesia inglesa desse tempo. Um mundo espartilhado por preconceitos de classe, interesses mesquinhos e vaidades sociais, mas que, no romance, acabam por ceder lugar a valores mais nobres: o amor.

As cinco irmãs Bennet, Elizabeth, Jane, Lydia, Mary e Kitty, foram criadas por uma mãe cujo único objetivo na vida é encontrar maridos que assegurem o futuro das filhas. Mas Elizabeth, inteligente e sagaz, está decidida a ter uma vida diferente da que lhe foi destinada. Quando Mr. Bingley, um jovem solteiro rico, se muda para uma mansão vizinha, as Bennet entram em alvoroço…

Opinião:
Antes de começar a tecer a minha opinião, fica o meu agradecimento à Joana pela escolha tão acertada que fez, ao seleccionar este livro para eu ler. Até parece que adivinhou que me andava a apetecer pegar num clássico!

Passando ao livro em si, devo dizer me apaixonei: pelas personagens, pela história, pela escrita da autora. Os diálogos são deliciosos, de tão inteligentes e quando tocados pela ironia tornam-se qualquer coisa de extraordinário.
Adorei assistir a esta, tão bem tecida, crítica à sociedade da época, onde o valor de cada um se mede pela quantidade de libras ganhas anualmente, pelas propriedades possuídas e posição na sociedade. Uma época em que os mais abastados, dentro dos já abastados, se encontravam habituados a ser bajulados e a ser vistos como superiores e jamais a serem contrariados. Uma época onde o mais importante era fazer bons casamentos e discutir que filha de quem tinha melhor partido. Uma época repleta de vaidades, ostentação e máscaras, já que a sinceridade no meio desta elite era algo pouco observado, no meio de tantas falsas delicadezas e amabilidades.

E é então, no meio de tudo isto, que temos uma personagem como Elizabeth. Uma jovem mulher que não se deixa enganar pelas aparências, educada, inteligente e espirituosa. Capaz de elaborar as suas próprias ideias e opiniões sobre o que a rodeia, não se deixando levar por outrem, mesmo que, por vezes, alguns mal entendidos a façam tecer conclusões pouco certas. No entanto, são precisamente todos esses mal entendidos que dão corpo a esta belíssima narrativa e nos transportam para tão cativante história de amor.
Mr. Darcy é sem dúvida um personagem apaixonante, que sofre uma grande transformação com o decorrer dos capítulos e cujas acções, especialmente mais para o final do livro, me roubaram tantos sorrisos. É um personagem que nos mostra como o amor tem o poder de nos mudar e tornar pessoas melhores; que deita por terra orgulhos e que não liga a preconceitos.

Orgulho e Preconceito foi uma leitura maravilhosa e que me deu imenso prazer. É uma história intemporal, que marca e que guardarei em mim com especial carinho. Orgulho e Preconceito foi a primeira obra de Jane Austen que li e um bom prenúncio para todas as outras que quero vir a ler.



terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Opinião - Northanger Abbey

Ficha Técnica:
Autor: Jane Austen
Páginas: 256
Editor: Headline Review
ISBN: 0755331443

Sinopse:
Catherine Morland should know better. She's the very ideal of a nice, normal girl. But Catherine is cursed with an overactive imagination. She is also obsessed with lurid Gothic novels, where terrible things happen to the heroine. Which gets her into all sorts of trouble...

When Catherine visits Bath and meets funny, sharp Henry Tilney, she's instantly taken with him. But when she is invited to the Tilneys' home, the sinister Northanger Abbey, fantasy starts to get in the way of reality. Will she learn to separate out the two?

With its loveable,impressionable heroine ans its themes of growing upand learning to live in the real world, Northanger Abbey remains one of Jane Austen's most irresistible and up-to-date novels.

Opinião:
Nothanger Abbey não é o primeiro livro que leio da autora, pelo contrário. Antes deste já li pelo menos mais três e posso dizer que achei este o mais diferente. Não por a temática abordada ser diferente, mas pela maneira como a autora a aborda.

Esta continua a ser uma história acerca de uma rapariga de boas famílias que, neste caso, viaja até Bath e lá encontra o rapaz que virá a ser o seu companheiro. Um dos motivos que torna esta história diferente é o facto de que a personagem principal não tem propriamente características de destaque na sua personalidade. Não é propriamente inteligente, ou dona de uma grande sagacidade, ou de uma personalidade pautada pela bondade. A verdade é que esta é a personagem mais básica que alguém poderia encontrar e isso só por si é algo bastante incomum. 

Outro ponto que torna o livro tão interessante é que este é uma sátira aos romances góticos que na altura tanto se liam. Neste caso a personagem principal é dona de grande imaginação e deixa-se influencia por aquilo que lê, quando na realidade o que acontece nas novelas góticas dificilmente irá acontecer na realidade.

Mas o que sem sombra de dúvida mais me agradou foi o facto de a autora falar directamente com o leitor durante toda a narrativa. A autora dirige-se ao leitor com explicações e desde o início que o seu discurso é extremamente irónico e sarcástico. Não é que nos livros anteriores tal não acontecesse, mas era um humor mais requintado e aqui dá um tom gozão à história.

Não posso deixar de referir as personagens secundárias. A que mais se distingue é sem dúvidas Isabella, com a sua personalidade traiçoeira e interesseira que facilmente é percebida pelo leitor, mas que a nossa personagem principal leva algum tempo a perceber devido ao facto de ser tão inocente. Inocência essa que vai sendo perdida ao longo da história. Outro ponto a favor da Catherine é o facto de ser uma possa com valores e com um sentido de honra apurado. Gostei bastante destas suas características.

Mais um livro de que gostei bastante. É continuar a ler a autora, pois acredito que dificilmente sairei desapontada.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Opinião - Persuasão

Ficha Técnica:
Autor: Jane Austen
Título Original: Persuasion
Páginas: 256
Editor: Presença
ISBN: 9789722321136
Tradutor: Fernanda Pinto Rodrigues

Sinopse:
É em Persuasão, o último romance acabado de Jane Austen, que encontramos a sua heroína mais notável – Anne Elliot. Naquela que é a sua obra mais amadurecida, que descreve uma órbita de afastamento nítida em relação ao tom predominantemente satírico dos seus anteriores romances, Austen trata o carácter e os afectos da protagonista de uma forma que, sem perder totalmente de vista a ironia, é, sem sombra de dúvida, muito mais terna, e anuncia já uma percepção mais aberta e dinâmica da personalidade e comportamentos humanos. Uma história de amor, desenvolvida com profundidade e subtileza, proporciona o campo ideal para um estudo reflectido, que sustenta na sua linha de horizonte o complexo relacionamento entre os dois sexos, e no qual homem e mulher surgem como seres moralmente análogos.

Opinião:
Depois da desilusão que foi o Ema dou graças por ter pegado no Persuasão. Fez-me acreditar novamente em Jane Austen e nas suas capacidades fascinantes para contar uma história.

Deste vez ficamos a conhecer Anna Elliot. Alguém pacato, que não gosta de confusões. Que tem o maior coração, tenta ajudar toda a gente e tem imensa paciência. Sendo que de certa forma tem tendência para colocar o bem estar dos outros à frente do seu. É impossível ficar indiferente a esta personagem e ao seu intelecto. Dona de bastantes conhecimentos e inteligência é normalmente relegada para segundo plano e ignorada devido aos seus modos mais calmos. Adorei estar na cabeça de Anna e ver como ela analisa e processa tudo aquilo que a rodeia. Nomeadamente as interacções de Wentworth com a própria e com os outros.

Como não podia deixar os personagens que fazem parte da família de Anna são uns idiotas. Gastam mais do que aquilo que tê, não dão valor à Anna e às suas opiniões, só querem saber do estatuto e na opinião do leitor estão sempre a fazer figuras de parvos por mais que tivessem o comportamento típico das pessoas daquela época.

Relativamente ao título, andei a fazer alguma pesquisa acerca do mesmo e compreendo perfeitamente o porquê do irmão de Jane Austen ter escolhido este título. Afinal foi a Persuasão de Lady Russell que levou a que Anne renegasse o Capitão Wentworth quando eram mais jovens. Mesmo hoje em dia a maior parte dos personagens pretende persuadir Anna a fazer o que eles querem ou o que acham que é melhor para ela sem dar a devida atenção aos seus sentimentos.

Este é sem dúvida um romance com uma maturidade diferente daquela que verifiquei em Orgulho e Preconceito em que apesar de tudo a história parece ter um ambiente mais leve e situações mais irónicas e caricatas.



sábado, 17 de outubro de 2015

Opinião - Ema

Ficha Técnica:
Autor: Jane Austen
Título Original: Emma
Páginas: 504
Editor: Europa-América
ISBN: 9789721061729
Tradutor: José Parreira Alves

Sinopse:
Ema é uma herdeira rica, inteligente e bela. Optimista, consciente da sua superioridade, segura de si mesma, fiel respeitadora das «conveniências» — enfim, o tipo finito da «verdadeira senhora» —, passa o tempo a combinar casamentos «convenientes» entre amigos e protegidos.

Um dia, sem arranjos prévios, ela própria é pedida em casamento pelo Sr. Knightley. Ema não assume um compromisso, mas não o desencoraja, debatendo-se com um drama interior: o pretendente é amado por uma das suas melhores amigas, a qual Ema deseja ver feliz e «convenientemente» casada. Porém, no seu íntimo tem um sentimento de aversão ao casamento de Harriet com Knightley e não pelas questões de conveniência que tanto respeita: é que ela própria ama Knightley.

Ema cede finalmente a um amor que tem razões mais fortes que a própria razão.

Opinião:
Depois da perfeição que foi Orgulho e Preconceito este livro foi um verdadeiro balde de água fria! Como é possível a mesma autora conseguir despertar sentimentos tão fortes em mim com uma narrativa para logo a seguir não conseguir despertar nenhuns?

Acredito que a autora tentou de certa forma retratar a comunidade daquela época, talvez de uma forma até algo exagerada, ou talvez não... Não posso afiançar porque não sou propriamente entendida na matéria. Mas não me admirava nada que no geral as pessoas fossem como Ema. Apenas interessadas no estatuto. Com a mania de que as suas decisões são mais correctas e que por isso têm o direito e o dever de controlar e gerir a vida das outras pessoas.

Se por um lado não fui capaz de gostar e me familiarizar com nenhum personagem, a verdade é que também não fiquei a detestar nenhum deles. E de certa forma dou graças por isso, algumas pessoas que conheço simplesmente não gostaram de Ema. A mim esta foi uma personagem que não me aqueceu nem arrefeceu. Quanto aos restantes personagens, são todos farinha do mesmo saco e um pouco irritantes com a mania da importância ou com o facto de acharem que por não terem nascido em berço de ouro são apenas ralé.

Quanto a história em si, esta não existe. É-nos simplesmente apresentado o dia-a-dia de alguém com estatuto e de que forma pensa e gere a sua vida e a dos que o rodeiam. Para mais, Ema é diferente das personagens a que estamos habituadas pelo simples facto de não estar interessada em casamento ou em romance, estando a toda a hora a fugir deles até que há um momento em que se faz luz na sua cabecinha.

Foi um livro difícil de ler. Só bem depois de ter lido mais de metade do livro é que ganhei embalo e foi porque estiver a ler horas seguidas. Se continuasse a lê-lo aos poucos acho que nem para o ano o acabava. Foi sem dúvida um livro que preferia ter deixado para o final quando já tivesse o meu gosto pela autora mais consolidado.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Opinião - Orgulho e Preconceito

Ficha Técnica:
Autor: Jane Austen
Título Original: Pride and Prejudice
Páginas: 359
Editor: Civilização Editora
ISBN: 9789722635899
Tradutor: José da Natividade Gaspar

Sinopse:
Uma clássica história de amor e mal-entendidos que se desenrola em finais do século XVIII e retrata de forma acutilante o mundo da pequena burguesia inglesa desse tempo. Um mundo espartilhado por preconceitos de classe, interesses mesquinhos e vaidades sociais, mas que, no romance, acabam por ceder lugar a valores mais nobres: o amor.

As cinco irmãs Bennet, Elizabeth, Jane, Lydia, Mary e Kitty, foram criadas por uma mãe cujo único objetivo na vida é encontrar maridos que assegurem o futuro das filhas. Mas Elizabeth, inteligente e sagaz, está decidida a ter uma vida diferente da que lhe foi destinada. Quando Mr. Bingley, um jovem solteiro rico, se muda para uma mansão vizinha, as Bennet entram em alvoroço…

Opinião:
Uau! Que mais posso dizer a não ser simplesmente uau? Depois de algumas relações atribuladas com os clássicos não sabia muito bem o que esperar deste livro ainda para mais depois de não ter achado muita piada às adaptações que vi... mas UAU! Adorei cada segundo que passei a ler a história das irmãs Bennet e do preconceituoso Mr. Darcy.

É difícil para mim falar deste livr, mas vou tentar ser minimamente coerente. É difícil de não gostar de um único aspecto deste livro. Tanto a história que conta, como o ambiente, como as personagens, tudo deixar o leitor completamente agarrado do início ao fim da narrativa. Sem sombra de dúvidas que o que mais vida dá à narrativa é a Lizzy. Uma rapariga, inteligente, sem papas na língua e que sabe o que quer. É alguém que diz o que pensa, mas sempre com charme e de uma maneira acutilante que deixa o destino das suas tiradas irónicas completamente sem palavras. Cada vez que me deparava com uma fala dela já sabia que ia adorar o que aí vinha. Ela tem uma maneira única de falar, a sua ironia é algo fenomenal e foi impossível não me apaixonar por ela. No entanto ninguém fica para trás nesta narrativa. Apesar de haver personagens relegadas para um segundo plano, a autora não deixa de lhes imbuir personalidade, levando-nos a amar cada uma das personagens tanto pelas suas virtudes como pelos seus defeitos.

A Jane é uma das irmãs pela qual também me apaixonei. Dotada de uma sensibilidade extraordinária é alguém completamente altruísta, com a capacidade de se manter calma nas situações mais complicadas. Alguém que só vê o bem nas pessoas. Poderia ser uma personagem fraca, no entanto não o é. Sendo o pilar da Lizzy em muitas situações. Não posso deixar de referir os pais das Bennet, o Sr Bennet é alguém digno de registo, muito pacato e metido no seu canto, é sempre uma delícia vê-lo a desafiar a Sra. Bennet e a colocá-la completamente histérica. Nunca vi ninguém como esta mulher! Completamente paranóica e obcecada com casar as filhas é alguém digno de dó, mas que ao mesmo tempo não deixa de nos arrancar sorrisos pelas suas reacções hiper em relação a quase tudo.

Já os personagens masculinos apresentados não são muitos, mas são igualmente cativantes, desde o chato do primo com a mania das peneiras, até ao Mr Darcy que não sabe fazer mais nada a não ser preconceituoso. Ainda bem que a autora soube como o transformar de uma pessoa completamente estóica em alguém capaz de se transformar por amor. É notório o modo como ele começa a mudar consoante vai passando mais tempo com a Lizzy e como as suas opiniões têm valor. Ele desenvolve-se de uma pessoa arrogante para alguém capaz de apreciar as pessoas pelo que são em vez de por aquilo que têm.

Esta é uma história de amor e aceitação, de desentendimentos e contratempos. É uma história intemporal que irá por certo tocar qualquer leitor que se digne a lê-la. A autora não poderia ter arranjado um melhor título para descrever a história que nos conta, mas acima de tudo, a autora fez um excelente trabalho a mostrar-nos que orgulho e preconceito não significam nada, quando realmente se ama.