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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Opinião - Will e Will

Ficha Técnica:
Autor: John Green
Título Original: Will Grayson, Will Grayson
Páginas: 308
Editor: Asa
ISBN: 9789892328553
Tradutor: ?

Sinopse:
Evanston não fica muito longe de Naperville nos subúrbios de Chicago, mas os jovens Will Grayson e Will Grayson bem que podiam viver em planetas diferentes. Quando o destino os leva à mesma encruzilhada, os Will Graysons veem as suas vidas a sobreporem-se e a seguirem novas e inesperadas direções. Com um empurrão de amigos novos e velhos - incluindo o enorme e enormemente fabuloso Tiny Cooper, jogador ofensivo na equipa de futebol americano da escola e autor de musicais - Will e Will embarcam nas suas respetivas aventuras românticas e na produção épica do musical mais extraordinário da história.

Opinião:
Começo a pensar que a minha relação com este autor só pode ser de amor/ódio. Se por um lado adorei A Culpa Não é das Estrelas e o Teorema Katherine, por outro detestei À Procura de Alaska e Will e Will foi pelo mesmo caminho.

Tenho sérios problemas com livros com adolescentes totós, que se comportam como se tivessem 5 anos e não sabem aquilo que querem da vida. Enquanto que a história até é engraçada, e os temas até interessantes (o facto de se ser aceite ou não pela sociedade, o modo como a maneira como ela nos vê nos influência e uma série de situações mais) a concepção da mesma não me agradou de todo. Os personagens parecem exagerados ao limite, com tudo o que sentem a ser levado aos extremos, todas as suas acções parecem exageradas e cheias de fatalidades. Durante toda a história não houve uma única personagem com quem me conseguisse relacionar e sentisse ser interessante. E não falo enquanto adulta. Sinceramente não consigo ver o meu eu de 16 anos a gostar muito destes personagens visto que com essa idade já não tinha paciência para aturar a maior parte dos meus colegas.

Os Wills que nos são apresentados são bastante diferentes, mas ambos têm os seus problemas. Um deles vive com a política do não vou dizer nada, não me quero chatear, vou fazer o que me dizem porque não estou para fazer o que me apetece e ter que me chatear.  O outro vive uma vida de depressão em que só se pensa em matar e acha que ninguém o entende e que tudo e todos estão contra ele. Sei que existem adolescentes assim e até adultos que se sentem desta maneira. E por norma tenho pena deles e gostava de os poder ajudar. Mas neste caso o autor só me conseguiu mesmo dar vontade de os esganar. Se houve um personagem ainda mais ou menos aceitável foi Tiny, que acaba por ser o catalisador para as mudanças observadas em ambos os Will. de qualquer modo também o achei um personagem mediocre.

Para concluir só posso dizer que vou ter que começar a ter muito cuidado quando decidir ler alguma coisa de John Green de modo a garantir que não leio mais nada da sua vertente detestável e para poder passar a ler apenas aqueles livros dele que se assemelham mais aos que gostei. O livro é interessante e provavelmente irá a agradar a quem não se importe de lidar com protagonistas irritantes.

(Livro lido em parceria com o Segredo dos Livros)

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Opinião - O Teorema Katherine

Ficha Técnica:
Autor: John Green
Título Original: An Abudance of Katherines
Páginas: 272
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789892326337
Tradutor: Margarida Malcato

Sinopse:
Dezanove foram as vezes que Colin se apaixonou.
Das dezanove vezes a rapariga chamava-se Katherine.
Não Katie ou Kat, Kittie ou Cathy, e especialmente não Catherine, mas KATHERINE.
E das dezanove vezes, levou com os pés.

Desde que tinha idade suficiente para se sentir atraído por uma rapariga, Colin, ex-menino prodígio, talvez génio matemático, talvez não, doido por anagramas, saiu com dezanove Katherines. E todas o deixaram. Então ele decide inventar um teorema que prevê o resultado de qualquer relacionamento amoroso. E evitar, se possível, ter o coração novamente destroçado. Tudo isso no curso de um verão glorioso passado com o seu amigo Hassan a descobrir novos lugares, pessoas estranhas de todas as idades e raparigas especiais que têm a grande vantagem de não se chamarem Katherine.


Opinião:
Depois de ter lido A Culpa é das Estrelas tinha imenso receio de ler este livro, pois já tinha ouvido imensa gente dizer que estava num patamar bastante a baixo ou que não tinha gostado do mesmo. A única coisa que posso dizer é que este livro foi uma agradável supresa.

O protagonista é bastante peculiar, bem como o seu melhor amigo. E toda a ideia do Teorema está bastante bem desenvolvida levando a que o livro não se torne maçador com as descrições matemáticas que vão sendo apresentadas.

Uma vez mais John Green apresenta-nos um livro sobre o que é ser adolescente e enfrentar desafios, mas ao mesmo tempo apresenta-nos também situações e sensações que enquanto adultos ainda sentimos. O principal impulsionador do teorema é sem dúvida o facto de todas as Katherines o deixarem, mas ao mesmo tempo este teorema vem também da necessidade de Colin se querer sentir especial, se querer deixar uma marca no mundo. Além disso toda a gente sempre lhe disse que ele era um prodígio, mas ser um prodígio não é ser um génio, e os prodígios não deixam a sua marca no mundo. Tal como todos nós Colin quer sentir que é especial e que no futuro vai deixar uma marca no mundo que não será esquecida.

É interessante ver também como o autor aborda a capacidade da memória e o facto de o tempo alterar as nossas percepções. De como às vezes acreditamos tanto em algo que ele transforma-se numa memória apesar de as coisas não terem acontecido assim. Às vezes focamo-nos tanto nas coisas que de mal nos acontecem que esquecemos ou alteramos as memórias das coisas boas.

Adorei o melhor amigo do Colin. Este é alguém que puxa pelo amigo para a normalidade, mas que no entanto o apoia. Na maior parte das vezes o discurso dele é cheio de formas depreciativas, mas nota-se que ele realmente gosta do amigo e se preocupa com ele.

Além disso adorei a linguagem. Cada vez que lia um fugging ou um fugger não conseguia fazer mais nada a não ser sorrir. Além disso estas expressões estão tão bem enquadradas na narrativa que eu não consigo imaginar-me vê-las substituídas por outra palavra qualquer.

O Teorema Katherine é sem dúvidas um livro que é muito mais do que aquilo que aparenta. Recomendo vivamente.

(Livro lido em parceria com o Segredo dos Livros)