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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Opinião - A Voz

Ficha Técnica:
Autor: Juliet Marillier
Título Original: The Caller
Páginas: 456
Editor: Planeta
ISBN: 9789896575212
Tradutor: Catarina F. Almeida

Sinopse:
A surpreendente conclusão da trilogia que começou com Shadowfell, cheia de romance, intriga e magia.
Há um ano, Neryn nada tinha a não ser um Dom Iluminado que mal compreendia e o sonho vago de que a mítica base rebelde de Shadowfell pudesse ser real. Agora, é a arma secreta dos Rebeldes e a sua grande esperança de fazerem vingar essa revolta secreta contra o rei Keldec, que terá lugar no dia do Solstício de Verão. O destino de Alban está nas suas mãos. Entretanto, Flint, o homem por quem se apaixonou, está no limite das suas forças enquanto espião na corte do rei e acumulam-se as suspeitas da sua traição.
Em jogo, está a liberdade do povo de Alban, a possibilidade de os Boa Gente saírem dos esconderijos e a oportunidade de Flint e Neryn se unirem finalmente.


Opinião:
E com A Voz chegamos ao fim de mais uma trilogia de uma autora que é adorada por muitos. Neste livro Neryn viaja em busca dos dois últimos guardiões em falta de modo a poder finalizar o seu treino e tornar-se uma voz competente. Flint passa por enormes desafios, e o perigo de vir a ceder à pressão é constante.

Dos três livros que li este foi o que mais gostei. É um livro que nos deixa com as emoções à flor da pele por tudo e por nada. Não há um único de momento de descanso emocional para o leitor. Desde o momento em que Neryn deixa Shadowfell para procurar a Dama Branca sentimo-nos sempre à beira do precipício, sem saber muito bem o que poderá acontecer a seguir, mas estando sempre à espera do pior. A autora não nos poupa as emoções e não faz tensões de fazer milagres ou salvar personagens só porque se nos tornaram queridos.

Relativamente a novos personagens apresentados, a verdade é que não os há muitos. Mas os poucos que há estão bem construídos e são necessários ao desenrolar da história. Gostei muito de como a autora nos apresentou a Dama Branca. A ideia de ser criada pela junção de diversos seres e a descrição que a autora faz deixam-nos com uma imagem fascinante na nossa mente. E aqui vou dizer que adorei o Pipper, vocês vão perceber porquê.

Este pode ser um livro YA, mas não deixa de ser muito mais que isso. É um livro que nos ensina o valor da esperança, do amor, da confiança. Um livro que nos ensina que tendo fé em nós e nos outros tudo é possível, se acreditarmos e lutarmos por aquilo em que acreditamos não há nada que não se consiga alcançar. É um livro que nos ensina que não devemos julgar e ter medo do que é diferente, mas sim tentar-mos compreender as diferenças e aceitá-las.

Uma trilogia que recomendo de uma autora incontornável. Venha daí Blackthorn and Grim.

domingo, 27 de julho de 2014

Opinião - Príncipe Mecânico

Ficha Técnica:
Autor: Cassandra Clare
Título Original: Clockwork Prince
Páginas: 368
Editor: Planeta
ISBN: 9789896573546
Tradutor: Alice Rocha

Sinopse:
No submundo mágico da Londres vitoriana, Tessa Gray encontrou por fim a segurança com os Caçadores de Sombras. Mas esta torna-se efémera quando forças desonestas na Clave se revelam para destruir a sua protectora, Charlotte, e substituí-la como chefe do Instituto. Se Charlotte perder a sua posição, Tessa será posta na rua - e presa fácil para o misterioso Magister, que deseja usar os poderes de Tessa para os seus fins obscuros.

Com a ajuda do bonito e autodestrutivo Will e do devotado e dedicado Jem, Tessa descobre que a guerra do Magister contra os Caçadores de Sombras é pessoal. Ele culpa-os de uma tragédia íntima que lhe destruiu a vida. Para desvendar os segredos do passado, o trio viaja através das névoas do Yorkshire para uma mansão que contém horrores indizíveis, dos bairros-de-lata de Londres para um salão de baile encantado, onde Tessa descobre que a verdade sobre a sua paternidade é mais sinistra do que alguma vez imaginou. Quando encontra um demónio mecânico com um aviso de Will, apercebe-se que o Magister sabe de todos os seus movimentos… e que um deles os traiu.

Tessa descobre que o seu coração está cada vez mais atraído por Jem, apesar do seu anseio por Will e dos sombrios estados de alma que continuam a abalar a sua confi ança. Mas algo está a mudar em Will… a parede que construiu à sua volta desmorona-se. Conseguirá o Magister libertar Will dos seus segredos e dar a Tessa as respostas sobre quem é e para que nasceu? A verdade leva os amigos para o perigo, e Tessa descobre que quando o amor e mentiras se misturam podem corromper até o coração mais puro.


Opinião:
Quando li o primeiro livro desta trilogia senti-me algo desapontada. Ainda tinha muito presente a trilogia original dos Caçadores de Sombras e tudo me parecia algo insípido. Na verdade tudo me parecia bastante semelhante. Uma alminha que não sabe o que é e que vem a descobri-lo porque acontece algo com um familiar (Clary/Tessa), dois rapazinhos com personalidades bastante diferentes que estão perdidos de amores pela protagonista (Jace/Will e Jem/Simon), e uma ou outra personagem super irritante (Jess/Isabelle). Mas não foram só as personagens que me irritaram, o enredo também me pareceu muito semelhante ao anterior, o que me fez achar o livro mediano.

Neste livro consegui distanciar-me de alguns destes problemas. Já consigo ver os protagonistas pelo que são. Prefiro pensar que no caso do Will a má disposição e o azar corre na família Herondale, quanto ao Jem e à Tessa tento simplesmente não pensar muito nos seus correspondentes do futuro. Esta táctica tem estado a resultar, até porque posso dizer que gostei um pouco mais do livro do que o anterior.

Gostei de ver como a Tessa vai evoluindo, bem como outras personagens secundárias (Sophie), e também a relação da Tessa com o Jem. Esta passou de uma amizade para amor. Se bem que o amor que a Tessa sente pelo Jem seja diferente do que sente pelo Will. a trilogia ainda não chegou ao fim, e ainda podem acontecer reviravoltas neste triângulo amoroso, mas preferia que a Tessa ficasse com o Will. Afinal a minha onda é mais Bad Boys. Acho-os mais desafiantes e cativantes. 

A forma como a autora vai-nos transmitindo pequenas informações acerca dos planos do Mortimer, ou do que é a Tessa deixa o leitor preso à história e ávido por saber mais. Gostei de saber mais acerca do passado do Will. Ver como e porque se tornou como é "hoje em dia". Adorei ver uma vez mais o Magnus em acção. Aquele Warlock é simplesmente algo do outro mundo. Cada vez que ele entra em cena é difícil não ficar com um sorriso na cara.

Falta apenas um livro para o final da trilogia e estou bastante curiosa para saber qual o plano real do Mortimer, qual a necessidade que ele tem da Tessa e o que vai acontecer ao Jem. A verdade é que ele está cada vez pior, e a autora aproveita isso para nos fazer pensar em determinadas situações e questões que se colocam quando estamos prestes a perder um ente querido.

Um livro que me agradou mais do que o anterior. Espero sinceramente que o próximo seja ainda melhor. 

(Livro lido em parceria com o Segredo dos Livros)

terça-feira, 15 de julho de 2014

Opinião - Só em Sonhos

Ficha Técnica:
Autor: Sherrilyn Kenyon
Título Original: Dream Chaser
Páginas: 256
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789897101021
Tradutor: Rita Guerra

Sinopse:
Xypher tem apenas um mês na Terra para se redimir através de uma boa ação ou será condenado à tortura no Tártaro para toda a eternidade. Mas a redenção pouco significa para um semideus que apenas deseja vingança contra aqueles que causaram a sua queda.

Simone Dubois é uma médica-legista com dons psíquicos e capaz de ajudar os mortos a encontrar os seus assassinos. Quando Xypher pede a sua ajuda para abrir um portal para o Inferno e combater demónios, Simone tem a certeza que está perante um louco.

O futuro da Humanidade encontra-se em risco, mas qual a maior ameaça que Simone enfrenta? Os demónios que vêm em sua perseguição, ou o homem misterioso e sedutor que mudou irremediavelmente a sua vida?


Opinião:
Não há muito que possa comentar acerca dos livros desta autora. É verdade que esta é a primeira opinião que publico a um livro da autora no meu blog, no entanto não é a primeira que escrevo nem este é o primeiro livro. Tendo em conta que este é o 14º livro da autora relativamente à série Predador da Noite é fácil de perceber que, apesar de a série ter altos e baixos, é suficientemente boa e agradável para me ir mantendo como leitora.

Assim sendo aqui é-nos apresentado Xypher e Simone, sendo que o primeiro já conhecíamos (pelo menos) do livro anterior. (Aqui tenho que abrir um parênteses e confessar que o último livro que li da SK já foi há algum tempo e por isso algumas informações e acontecimentos estão algo esbatidos e por isso peço desculpa por algum erro que possa cometer.) O que mais gostei neste livro? O humor dos personagens. É simplesmente soberbo e irreal. Fartei-me de sorrir com estes dois e percebo o quão perfeitos eles ficam juntos. Gostei das histórias pessoais que nos foram apresentadas e da revira-volta que a autora nos apresenta. Ou ando muito distraída ou não estava mesmo à espera daquele acontecimento.

Foi bom rever antigos personagens, mas sinceramente são tanto que às vezes me deixam algo baralhada e lá vou eu ter que cuscar a lista de personagens no site da autora. Ainda por cima não deve haver um único livro em que a Sra não decida acrescentar personagens. Além de que segunda creio o próximo livro (após o Acheron) vai acrescentar mais um tipo de seres além de todos aqueles que já temos. Não me parece que vá ser coisa fácil. O que vale é que apesar de tudo não existe uma base histórica que avance no tempo ao longo dos livros. Os livros são mais focados nas personagens e em estas ultrapassarem as suas limitações. Não existe propriamente uma história a ser desenvolvida por trás, ao contrário do que acontece em outras séries (Irmandade da Adaga Negra e Raça da Noite). Acho que a autora podia definir uma meta, um objectivo, e um mal comum ao longo dos livros, porque os males que surgem parecem ser apenas criados para aquele caso e isso tira alguma piada ao livro.

De qualquer modo é um livro do qual gostei e que me fez querer continuar a seguir a série. Fico contente que a Saída de Emergência tenha tido oportunidade de continuar a editar a série.

domingo, 22 de junho de 2014

Opinião - O Mistério do Jogo das Paciências

Ficha Técnica:
Autor: Jostein Gaarder
Título Original: Kabalmysteriet
Páginas: 311
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722320559
Tradutor: Maria Luísa Ringstad

Sinopse:
Tudo se passa em torno de um rapazinho de doze anos que, com seu pai, viaja em busca do Ás de Copas, perdão, da mãe, que partira oito anos antes para a Grécia à procura de si mesma. Pelo caminho, pai e filho são desviados por um misterioso anão para uma aldeia perdida nos Alpes, onde um não menos misterioso padeiro entrega ao rapaz um livro minúsculo escondido dentro de um pão. A viagem real prossegue, em paralelo com o mundo de fantasia, e sucessivas coincidências criam aproximações que vão conferindo um significado inesperado ao desenrolar dos acontecimentos. Um livro que fascina de muitas maneiras, em especial pela forma como o autor constrói uma engenhosa representação do mundo a partir de um jogo de cartas.


Opinião:
O Mistério do Jogo das Paciências é um livro que nos conta uma história sobre a descoberta de nós próprios e daquilo que nos rodeia.

Uma vez mais Jostein Gaarder consegue construir uma história que é cativante desde o início até ao fim. Não só pela história em si, mas também devido às revelações e pensamentos que nos vão sendo apresentados. Adorei cada pequeno detalhe da história em si, tanto da principal acerca da viagem de pai e filho, como da história que vai sendo revelada ao nosso personagem através de um livro num pão de leite. O autor tem uma capacidade surpreendente para interligar os acontecimentos de ambas as histórias, tal como também tem uma capacidade óbvia para interligar estas duas histórias com questões do foro filosófico. Cada pequena temática introduzida tem o seu interesse para a história e enquadra-se perfeitamente no contexto daquilo que se está a passar.

Quanto aos personagens, é difícil não gostar deles. Desde o pai que é um grande filósofo com umas teorias um pouco estranhas e extravagantes, até ao filho que compreende mais do que aquilo que aparenta, que é extremamente perceptivo para aquilo que o rodeia e que consegue transmitir perfeitamente aquilo que pensa aos personagens que o rodeiam bem como ao próprio leitor. Todas as personagens secundárias são importantes e contribuem para o desenrolar da história de uma maneira que não seria possível se elas não existissem. Foi delicioso ir conhecendo as ligações entre personagens conforme elas iam sendo desvendadas. Houve acontecimentos que me deixaram completamente histérica (no bom sentido claro).

Um livro que recomendo. Jostein Gaarder é sem dúvida um nome de referência.

sábado, 14 de junho de 2014

Opinião - Bewitching: The Kendra Chronicles

Ficha Técnica:
Autor: Alex Flinn
Páginas: 352 (Paperback Edition)
Editor: HarperTeen
ISBN: 0062024167

Sinopse:
Kendra Hilferty, the witch that curses Kyle Kingsbury in Beastly, reminisces about her immortal existence—how she discovered she was a witch and the ways she used her powers for good throughout the centuries, but unfortunately her attempts often backfired!

With her enduring creativity and wit, Alex Flinn once again takes our favorite fairy tales and turns them on their head. Flinn wraps Kendra’s stories of Hansel and Gretel, The Princess and the Pea, and The Little Mermaid around a modern day version of Cinderella, except the “ugly” stepsister here isn’t quite who you think she is.

With dark twists, hilarious turns, and unexpected endings, Bewitching is a contemporary read for fairy tale lovers, fantasy fans and anyone looking for more Alex Flinn!

Opinião:
Bewtching conta-nos várias histórias ao mesmo tempo. Se por um lado nos vai contando a história de Kendra ao longo dos tempos e como é que ela descobriu que era uma bruxa, vai-nos também dando a conhecer a história de outros personagens que ela embruxou, sendo que na maior parte as coisas não correram muito bem. Quer dizer, excepto o Kyle até agora nenhum bruxedo lhe correu lá muito bem... Temos ainda direito a conhecer Emma e Lisette, que vão encarnar as personagens da Cinderella.

Gostei do modo como a autora vai apresentando as diferentes narrativas, mostrando o porquê da Kendra às vezes se mostrar relutante em ajudar a Emma. Gostei ainda das partes contadas pela Kendra. Ela tem uma voz muito própria e característica, com um tom irónico que deixa o leitor com um sorriso no canto da boca. Gostei das versões que a autora nos apresenta dos contos de fadas tradicionais como Hansel e Gretel, A Princesa e a Ervilha e A Pequena Sereia. São diferentes daquilo que estava à espera o que torna a narrativa mais interessante. Nunca temos bem a certeza do que vai acontecer.

Gostei ainda do twist que a autora apresenta relativamente à história da Cinderella, afinal de contas a história roda mais à volta das personagens correspondentes a esta história. Foi agradável ver como Emma percebe que às vezes o nosso conto de fadas não é bem aquele que programamos e que às vezes de uma grande trapalhada podem sair coisas bastante boas.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Opinião - Destinada e Escondida

Ficha Técnica:
Autor: P. C. Cast & Krstin Cast
Título Original: Destined
Páginas: 305
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896374266
Tradutor: ?

Sinopse:
A Casa da Noite aguarda-te. Um local cheio de perigos e segredos onde os jovens marcados têm dois destinos: ou se transformam em vampiros ou morrem destroçados.

As forças da Luz e das Trevas colidem numa luta épica que se desenrola na Casa da Noite. Zoey está finalmente na casa onde pertence, protegida por Stark, o seu Guerreiro Guardião, e preparada para enfrentar Neferet de uma vez por todas. Kalona libertou o seu domínio sobre Refaim e, através do dom da Deusa, ele e Stevie Rae poderão finalmente estar juntos - mas apenas se Refaim se mantiver no caminho da Deusa e se afastar da sombra do seu pai. Mas estará Zoey verdadeiramente em segurança? Conhecerá mesmo todos os seus amigos? E conseguirá o amor triunfar ao ser testado pela própria alma da Escuridão? Venham descobrir em mais um volume da Saga da Casa da Noite o destino que aguarda Zoey…
Ficha Técnica:
Autor: P. C. Cast & Kristin Cast
Título Original: Hidden
Páginas: 266
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896375058
Tradutor: ?

Sinopse:
A Casa da Noite aguarda-te. Um local cheio de perigos e segredos onde os jovens marcados têm dois destinos: ou se transformam em vampyros ou morrem destroçados.

Finalmente Zoey conseguiu o que queria. A verdade sobre Neferet é revelada e o mal é exposto, mas a vampyra está longe de se dar por derrotada e inicia uma série de ataques devastadores. Ao serem lançadas as sementes da discórdia e caos na Casa da Noite, todos terão que se unir para enfrentar o mal, uma tarefa que se revela mais difícil do que o planeado. E para dificultar as coisas, Zoey receia estar a perder a sanidade pois suspeita que Heath poderá estar de volta… Ela sabe que deve seguir os seus instintos para derrotar o mal, mas se estiver errada, as consequências serão desastrosas para todos. Com a tensão a chegar a um ponto culminante e as amizades a serem testadas, conseguirá o grupo de amigos enfrentar em conjunto o mal que alastra e impedi-lo antes que seja tarde demais?

Opinião:
Como li os dois livro seguidos achei melhor comentar os dois de uma só vez. Isto tem tendência para acontecer quando leio dois livros da mesma série sem ler qualquer coisa no meio. Os dois livros acabam por se transformar em um na minha cabeça, pois deixo de me conseguir lembrar exactamente onde acaba um e começa o outro. Ainda por cima não existe um espaço temporal na cronologia da história a separar os livros, o que faz com que ainda me seja mais difícil separar os acontecimentos.

As personagens e a maneira de escrever das autoras não mudou nada desde o último livro que li. No entanto não sei muito bem porquê desta vez a linguagem bastante simplista e não me irritou tanto como das últimas vezes. Isso pode-se dever ao meu estado de espírito quando li os livros ou simplesmente ao facto de que as personagens que tinham uma linguagem que mais me irritava serem as gémeas, que nestes livros sofrem um pequeno contratempo. Gostei de conhecer a personagem de cada uma das gémeas quando tento ser elas mesmo e não gémeas. Outro ponto do qual gostei foi de ver alguns personagens a ultrapassar os seus preconceitos, e outros a aprender a amar e confiar outra vez. Contudo a minha personagem preferida continua a ser Afrodite. Acho que se não fosse pela sua personalidade os livros eram completamente mortos. Ao fim e ao cabo ela é, basicamente, a única que tem uma personalidade. Os outros personagens são tão parvinhos e tão sem sal! Claro que o Zoe me continua a irritar solenemente. A jovem não sabe o que quer, e sinceramente não vejo nada de especial nela, por tanto não consigo perceber como é que a Deusa a escolheu.

Alguns personagens surpreenderam-me. O Kalona foi uma agradável surpresa, e acho que no fim ainda vai ter a sua recompensa. O Aurox deixou-me o coração apertado devido às suas dúvidas e ao esforço que faz para ser mais do que aquilo para que foi criado. E a nova personagem, Shailin, foi uma boa surpresa, alguém cheio de garra e entusiasmo que veio trazer uma lufada de ar fresco à história.

No entanto é perfeitamente perceptível o quanto as autoras enrolam a história. Neste momento sinto que a história é uma miscelânea de diferentes cultos e crenças e há coisas que começo a achar ridículas para aquele mundo. Muitas vezes já não me consigo lembrar o que é que pertence a cada lenda ou como é que chegamos àquela situação. O que vale é que faltam apenas dois livros para a colecção acabar.

Não é propriamente uma série que recomendo, pelo menos a leitores mais experimentados. A não ser que já tenham começado a série e a queiram acabar.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Opinião - O Restaurante no Fim do Universo

Ficha Técnica:
Autor: Douglas Adams
Título Original: The Restaurant at the End of the Universe
Páginas: 224
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789728839796
Tradutor: Renato Carreira

Sinopse:
"A primeira tentação para o leitor mais desprevenido que se cruze com “O Restaurante no Fim do Universo”, julgando tratar-se de um apetitoso livro de culinária pejado de receitas do outro mundo, será entrar em pânico [...]

Eu compreendo: é provável que nunca antes ou depois deste livro, o caro leitor se tenha cruzado com tal torrente de ideias, conceitos, lições de vida e piadas, concentrada em tão poucas páginas. Um começo, para evitar grandes ataques de stress, será ler o primeiro volume desta trilogia em cinco livros: “À Boleia Pela Galáxia”.

Mas mesmo assim, não ficará livre de uma valente overdose de ideias brilhantes, quando exposto a “O Restaurante no Fim do Universo”, o livro que o seu autor, Douglas Adams, considerava o mais conseguido de toda a saga. A média de estrondosas ideias por página é, em qualquer livro de Adams, avassaladora... mas este bate todos os recordes.” Excerto da Introdução, por Nuno Markl

Opinião:
O que posso eu acrescentar nesta opinião que não tenha dito na anterior? Basicamente nada. É difícil desde já falar sobre do que trata a história, ao fim e ao cabo esta não é uma história normal com princípio meio e fim. Os personagens na maior parte das vezes não têm objectivos definidos e deixam-se ir simplesmente consoante aquilo que lhes vai acontecendo.

Todos os personagens que nos são apresentados continuam iguais a si mesmos. Cada um foi capaz de me encantar sobre maneira ao longo da narrativa com os seus contributos, sejam eles pensamentos profundos ou conclusões disparatadas. Pois a verdade é que tudo aquilo que o autor introduz na narrativa tem um motivo de ser. Todas as questões que o autor aborda são interessantes e ele fá-lo com grande mestria, de uma forma irónica que nos leva a ponderar acerca das diversas situações, mas sem que elas nos "perturbem" a narrativa interessante e nos deixem com um humor mais soturno. 

Sem sombra de dúvidas que a minha parte preferida é quando conhecemos o homem que governa o Universo. O diálogo entre este e o Zaphod é completamente absurdo. Ao mesmo tempo é algo digno de ser lido, que faz todo o sentido e nos faz pensar acerca do que é a realidade e do modo como a percebemos.

A única coisa que posso dizer é que este livro merece ser lido. Por todo o seu conteúdo ele é simplesmente algo único. Ver o modo como o autor entrelaça determinados acontecimentos, alguns com ligação para o livro anterior, é algo digno de ser lido. Só posso dizer que tenho muita pena que os restantes livros não tenham sido publicados em Portugal. Este autor merecia mais.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Opinião - Planeta do Exílio

Ficha Técnica:
Autor: Ursula K. Le Guin
Título Original: Planetof Exile
Páginas: 191
Editor: Livros do Brasil
ISBN: ?
Tradutor: Raul de Sousa Machado

Sinopse:
uma obra de Urusla K. Le Guin é sempre um hino è liberdade e à dignidade humana. O Mundo de Rocannon não podia ser uma excepção. É a história de um pacífico planeta, povoado por humanóides de pele escura e cabelos dourados, em que o antropólogo Rocannon trabalha calmamente - até que o planeta é invadido por forças com uma tecnologia superior, que os nativos de modo algum podem igualar. O único factor que os invasores não tomaram em conta é a presença de Rocannon. Reunindo os nativos, ele consegue voltar o poder do inimigo contra as suas próprias forças, provando que a tecnologia da guerra nada pode contra a coragem e o amor pela liberdade.A colónia terrena no distante planeta Eltanin vive abandonada há seiscentos anos e encontra-se à beira da extinção; os seus únicos vizinhos são uns nómadas primitivos que os receiam mas cuja proximidade buscam para passarem os longos e cruéis invernos de quinze anos. O final do Outono coloca-os perante a maior ameaça que jamais enfrentaram: hordas de bárbaros do norte preparam-se para a sua periódica migração para o sul, e os fantasmas da neve, etéreos e assassinos, começam a aparecer por entre as florestas. Se terrenos e nativos não forem capazes de se sobrepor a seiscentos anos de medo e desconfiança, juntando as suas forças contra os invasores, nenhumas das raças sobreviverá àquele Inverno.

Opinião:
Só houve uma coisa que detestei no livro. A porcaria da tradução e revisão. Enquanto que no livro anterior que li (O Mundo de Rocannon) estas não estavam más, neste livro foi o descalabro! O principal problema é estarem constantemente a trocar o sexo aos personagens. Tão depressa um é uma como vice-versa. Às tantas já não sabia muito bem a quantas andava e apetecia-me bater em alguém!

Tirando isso, não houve mais nada que me tivesse incomodado ou de que não tivesse gostados. Esta é uma história ligeiramente pequena, mas na qual se nota o desenvolver da escrita da autora comparativamente ao livro O Mundo de Rocannon. Este desenvolvimento prende-se com o a própria cultura criada, e por todas as características planetárias que nos são apresentadas. A autora não se limita a apresentá-las, mas mostra-nos que o facto de estas serem diferentes daquilo a que os humanos estão habituados têm consequências para estes. No entanto o ponto fulcral da narrativa é sem dúvida a abordagem que a autora faz ao racismo. A maneira que temos de olhar para os outros com desconfiança e superioridade só porque pertencemos ou somos nativos de um determinado local. Isso não é nem nunca será correcto. Há uma necessidade de aprendermos a viver em conjunto, a aceitarmo-nos uns aos outros e utilizar essas relações para conseguir ultrapassar adversidades, porque independentemente da nossa raça, quando nos unimos somos mais fortes. A autora mostra-nos também a capacidade que o ser humano tem para se adaptar a diferentes modos de vida, e a influência que aquilo que nos rodeia tem sobre a maneira como nos comportamos e as nossas características biológicas mais simples.

Uma vez mais foi um livro que adorei. Para já resta-me adquirir a restante obra da autora relativamente ao ciclo Hainish.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Opinião - Manual do Iniciado

Ficha Técnica:
Autor: P. C. Cast & Kim Doner
Título Original: The Fledgling Handbook 101
Páginas: 208
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896373757
Tradutor: Susana Serrão

Sinopse:
Bem-vindo, iniciado da Casa da Noite, a uma nova vida, a um novo mundo, a um novo eu. Ao começar a tua jornada pelos antigos corredores da Casa da Noite, este Manual indispensável irá ajudar-te na transição de humano para iniciado vampyro. Nestas páginas irás encontrar informação valiosa sobre a história dos vampyros. E compreenderás melhor as transformações do teu corpo, assim como lerás palavras de esperança dos grandes vampyros do passado enquanto recebes os ensinamentos dos rituais. Uma nova vida espera por ti, o teu caminho para esse futuro mágico começa aqui!

Atreve-te a entrar na Casa da Noite.

Opinião:
O meu primeiro comentário a este livro é que é uma excelente arma de arremesso. Com 208 páginas deveria ser levezinho, mas na verdade pesa mais que muitos livros de 800 páginas que já li. Provavelmente por causa da composição das páginas, que são plastificadas. Mas posso garantir que um dos primeiros pensamentos que tive foi que se mandasse com ele à cabeça de alguém o mais provável era matar a pessoa, ou pelo menos deixá-la sem sentidos. Após este pequeno devaneio vamos ao que interessa.

O Manual do Iniciado terá sido criado de modo a contextualizar uma série de conhecimentos que vamos adquirindo enquanto lê-mos os livros, bem como compilar uma série de informação que estará dispersa. Ao mesmo tempo permite-nos visualizar muitas coisas que apenas podemos imaginar, como as runas e os símbolos utilizados em cada casa da noite. Gostei principalmente desta parte. Ou seja, o melhor do livro são mesmo as imagens. As imagens e as histórias, pois mostram-nos de forma detalhada determinados pormenores da história dos vampyros aos quais só tinham havido pequenas alusões. Além disso mostra-nos ainda de onde vêm uma série de rituais que são praticados.

O livro é engraçado e lê-se bem, apesar de não ser nada de especial, mas é um bom complemento à série. Não é que se vá perder realmente algo se não o ler-mos, mas caso seja possível adquiri-lo valerá a pena por todos os pormenores gráficos que nos apresenta.

domingo, 27 de abril de 2014

Opinião - À Boleia pela Galáxia

Ficha Técnica:
Autor: Douglas Adams
Título Original: The Hitchhiker's Guide to the Galaxy
Páginas: 191
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789728839130
Tradutor: António Vilaça

Sinopse:
Segundos antes da Terra ser destruída para dar lugar a uma auto-estrada inter-galáctica, o jovem Arthur Dent é salvo pelo seu amigo Ford Prefect, um alienígena disfarçado de actor desempregado. Juntos, viajam pelo espaço na companhia do presidente da galáxia (ex-hippie, com 2 cabeças e 3 braços), Marvin (robot paranóico com depressão aguda), e Veet Voojagig (antigo estudante obcecado com todas as canetas que comprou ao longo dos anos). Onde estão essas canetas? Porque nascemos? Porque morremos? Porque passamos tanto tempo entre as duas coisas a usar relógios digitais? Se quer obter estas respostas, estique o polegar e apanhe uma boleia pela galáxia.

Opinião:
Neste momento sinto-me a pessoa mais idiota por nunca ter lido Douglas Adams. Como é que eu pude ignorar durante tanto tempo um autor que é simplesmente genial?

Cada momento desta leitura foi uma aventura alucinante. Cada um dos seus personagens é completamente excêntrico, com personalidades surreais, os acontecimentos descritos pelo autor são inacreditáveis, e no entanto tudo se conjuga na perfeição dando um sentido surpreendente à narrativa. O melhor do livro são simplesmente os diálogos. Completamente surreais e desconexos dão respostas a determinadas questões que nos colocamos todos os dias, respostas essas que não são nada daquilo que estamos à espera, mas que do ponto de vista da narrativa fazem todo o sentido. Adorei o humor do autor. Foi algo que me cativou desde o início. O humor está presente no diálogo de todas as personagens, no entanto este humor adequa-se perfeitamente ao personagem com que estamos a lidar de momento.

Os personagens são simplesmente geniais. Arthur, um simples terráqueo que se vê catapultado para uma galáxia da qual não tinha conhecimento aquando da exterminação do seu planeta é a personagem de certo modo mais "normal" que temos ao longo da narrativa, fazendo o contraponto perfeito para as restantes. Ford Perfect é um viajante intergaláctico que se viu preso na Terra durante mais de 15 anos, o que quase o levou à loucura. É um personagem um pouco obcecado pela "rectidão". Temos ainda direito a conhecer Marvin, um robô completamente depressivo e destrutivo que consegue deixar qualquer um desmoralizado. As situações que surgem devido aos seus eternos monólogos deprimentes são deveras engraçadas. Falta-me apenas falar do presidente Zaphod, um personagem bastante inteligente e bastante estúpido ao mesmo tempo. Isto pode parecer algo contraditório, mas garanto-vos que na narrativa do autor não o é. É simplesmente um facto de que torna o personagem tão interessante.

Basicamente tudo no livro está bem conseguido e cativa o leitor, desde aos cenários apresentados, à acção que se desenrola, a maneira como se desenrola e os personagens criados pelo autor. No final ficou uma grande vontade de seguir para o próximo livro e uma grande tristeza pelo próximo ser o último traduzido para português.

domingo, 20 de abril de 2014

Opinião - A Caixa

Ficha Técnica:
Autor: Richard Matheson
Título Original: The Box: Uncanny Stories
Páginas: 158
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896371838
Tradutor: David Soares

Sinopse:
E se lhe dissessem que podia ganhar uma imensa fortuna bastando para isso carregar no botão de uma caixa? Mas ao pressionar esse botão estaria a causar a morte a outro ser humano algures no mundo... alguém que não conhece. Carregaria na mesma no botão? A Caixa é um conto arrepiante sobre tentação e ganância, mas outros contos igualmente inesquecíveis fazem parte desta colectânea de um dos grandes mestres de terror e suspense, o aclamado autor de Eu Sou a Lenda. Os enredos originais e os retratos convincentes de pessoas vulgares enredadas por forças para além do seu controlo, demonstram a razão por que Stephen King considera Richard Matheson a sua maior influência.


Opinião:
O que é que poderei dizer acerca deste livro de contos? Na verdade não muito. É difícil falar de cada conto individualmente, e aquilo que poderia dizer acerca de um posso dizer acerca de todos. Pois todos eles me transmitiram a mesma sensação.

O autor tem a capacidade de nos deixar completamente em suspenso ao longo das suas narrativas. Sendo elas curtas ou longas. Em geral, no início de cada conto, somos confrontados com uma situação pouco explícita, que vai sendo desvendada ao longo da narrativa. A todo o momento senti-mos que estamos a caminhar para um abismo e que o autor não vai parar de nos empurrar até cair-mos por ele a baixo. Não há paninhos quentes com o autor, e de um modo geral as suas histórias não acabam em bem. O autor leva sempre tudo até às últimas consequências, sendo que se algo mau se está a passar não há propriamente um herói para salvar o dia. Simplesmente vai tudo por água a baixo e o autor não nos poupa o coração.

De uma forma geral o conto que mais gostei nem sequer foi o que dá o nome ao livro, mas sim o segundo, Pesadelo a 20.000 Metros de Altitude. Foi o conto que mais angustiada e nervosa me deixou. Toda a loucura que transpira ao longo do conto faz o leitor sentir-se completamente alienado, inseguro e com dificuldade em respirar. Confesso que tenho a sensação que não é a primeira vez que li este conto. Cada virar de página foi como o redescobrir um velho amigo. Não houve uma única ocasião em que isso me fizesse sentir menos apreensiva, pelo contrário. A sensação de que já conhecia o conto e fazia-me sentir ainda mais no limite, na tentativa de me tentar recordar do que aí vinha.

Posto isto só posso ordenar, aos apreciadores do género, que têm que ler este livro. Já.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Opinião - O Tormento dos Céus

Ficha Técnica:
Autor: Ursula K. Le Guin
Título Original: The Lathe of Heaven
Páginas: 180
Editor: Presença
ISBN: 9722331566
Tradutor: Carlos Grifo Babo

Sinopse:
E se, quando acordamos, descobrissemos que os nosso sonhos se tinham tornado reais? George Orr é um homem insignificante, em que ninguém repararia, ao passar. Mas quando Orr descobre que os seus sonhos podem mudar a realidade, começa a ter medo de sonhar, Ao tentar suprimir os sonhos, é enviado, por abuso indevido de medicação, a um psiquiatra que se dedica a investigar os diferentes estados de sono produzidos pela mente. O Dr. Haber, um homem autoconfiante e autocomplacente, que se acha capaz de conhecer e manipular a mente dos seus pacientes, depressa se apercebe de que Orr possui de facto a capacidade de alterar a realidade. Submete-o então a sucessivas experiências com máquinas cada vez mais sofisticadas para conseguir, através dele, alterar o que está mal no mundo, e chegar à criação de um verdadeiro "admirável mundo novo". Orr, porém, acha que toda esta cega manipulação é na verdade aberrante.

A partir deste enredo, Urusla K. Le Guin escreve uma obra-prima de complexidade e subtileza, datada de 1971 mas ainda hoje surpreendentemente actual na sua percepção do mundo relativamente a temas como ambiente, geopolítica, racismo, avanços da medicina e relação de todas estas coisas como o poder.

Opinião:
A par com Neil Gaiman, Ursula K. Le Guin tem-se tornado uma das minhas autoras preferidas. A imaginação da autora é simplesmente soberba, e a maneira como escreve e nos conta as suas histórias deixará qualquer leitor cativado. O Tormento dos Céus não é excepção.

Para mim é sempre difícil falar de um livro desta autora. Existe sempre tanto por dizer, mas quando chega a altura de falar é quase impossível traduzir tudo por palavras. Neste livro Le Guin faz-nos pensar acerca de questões como o racismo, o poder, a despreocupação com o meio-ambiente, mas acima de tudo faz-nos questionar se temos o direito de nos armar em Deus caso essa oportunidade nos seja dada. Se por um lado temos a noção que caso tenhamos a possibilidade devemos contribuir para um mundo melhor, até que ponto devemos interferir à escala global? Será que é correcto mudar-mos o mundo de uma forma completa, mesmo que alguns benefícios sejam encontrados? Ou será que ao fim e ao cabo acabamos por apenas alterar os problemas que havemos de enfrentar? Há certos aspectos da condição humana que não são passíveis de ser alterados, a nossa consciência e o nosso subconsciente fazem parte de quem somos, e a maneira como vivemos e crescemos condiciona-nos e condiciona o nosso pensamento. Assim sendo, tudo aquilo que fazemos para mudar o futuro para melhor adequa-se à nossa perspectiva do que é certo e errado, o que está bem ou mal. Isso é visível no facto de que as sugestões feitas por Haber raramente são levadas à letra, e muitas vezes as realidades não são completamente alteradas, mas sim modificadas de acordo com a maneira de pensar do sonhador.

Todo este dilema interior está bastante bem conseguido com a personagem de Orr, alguém que é completamente neutro, mas que na sua neutralidade encontra a sua força, pois percebe que apesar de ter o poder para mudar o mundo deverá deixá-lo seguir o seu próprio caminho sem o forçar a alterações bruscas e inesperadas.

Não há muito mais que possa dizer acerca deste livro, ele é bastante pequenino, e é difícil colocar os conceitos por palavras. Por isso vão lê-lo, não se vão arrepender.

sábado, 15 de março de 2014

Mini-Opinião - O Mundo de Rocannon

Ficha Técnica:
Autor: Ursula K. Le Guin
Título Original: Rocannon's World
Páginas: 168
Editor: Livros do Brasil
ISBN: ?
Tradutor: Eurico Fonseca

Sinopse:
uma obra de Urusla K. Le Guin é sempre um hino è liberdade e à dignidade humana. O Mundo de Rocannon não podia ser uma excepção. É a história de um pacífico planeta, povoado por humanóides de pele escura e cabelos dourados, em que o antropólogo Rocannon trabalha calmamente - até que o planeta é invadido por forças com uma tecnologia superior, que os nativos de modo algum podem igualar. O único factor que os invasores não tomaram em conta é a presença de Rocannon. Reunindo os nativos, ele consegue voltar o poder do inimigo contra as suas próprias forças, provando que a tecnologia da guerra nada pode contra a coragem e o amor pela liberdade.

Opinião:
Tendo em conta o tamanho do livro esta opinião traduz-se mais numa mini-opinião do que outra coisa. Sinceramente não há muito a dizer acerca do livro, temos o herói e a sua companhia de amigos que vão em busca dos maus para os derrotar, sendo que estão em desvantagem pois são poucos e as suas armas rudimentares ao contrário da situação em que os seus inimigos se encontram. Sim, esta história é um completo cliché, mas a maneira como a autora a conta torna-a única. Não há cá passagens onde a autora enrola e ao longo de todo o livro há aquela sensação de tragédia, o que agrada ao leitor. Houve pequenos pormenores que acho que poderiam ter sido melhor fundamentados, mas no geral é uma história agradável e que se lê rapidamente. Há quem fale um pouco mal das traduções da Argonauta, mas não a achei pior do que muitas traduções e revisões que tenho visto ultimamente. Mais um livro de Le Guin que recomendo sem reservas.

sábado, 8 de março de 2014

Opinião - A Vida de Pi

Ficha Técnica:
Autor: Yann Martel
Título Original: Life of Pi
Páginas: 321
Editor: Presença
ISBN: 9789722344876
Tradutor: António Pescada

Sinopse:
Publicado em Portugal pela Difel em 2003, A Vida de Pi valeu a Yann Martel o Man Booker Prize de 2002, entre outros prémios, e figurou como bestseller do New York Times durante mais de um ano. Sete anos após a primeira edição, a obra ocupa a 74ª posição no top de ficção da Amazon americana e o 99º lugar na tabela de vendas da amazon inglesa. A Vida de Pi encontra-se publicada em mais de 40 países.

Quando Pi tem dezasseis anos, a família decide emigrar para a América do Norte num navio cargueiro juntamente com os habitantes do zoo. Porém, o navio afunda-se logo nos primeiros dias de viagem. Pi vê-se na imensidão do Pacífico a bordo de um salva-vidas acompanhado de uma hiena, um orangotango, uma zebra ferida e um tigre de Bengala. Em breve restarão apenas Pi e o tigre.

Opinião:
Apesar de só agora estar a publicar a minha opinião, este livro foi lido em Fevereiro para os desafios 2014 Monthly Motif Reading Challenge e Monthly Key Word 2014.

O filme do livro foi visto já há algum tempo, mas a verdade é que ainda me lembro de bastantes aspectos do mesmo. Foi com algum receio que comecei a ler o livro, pois como qualquer leitor tive receio de ficar extremamente decepcionada ou aborrecida com o livro (afinal já vi o filme), ou então ficar a pensar que o filme deixava muito a dever ao livro. No geral achei que ambos se complementam.

É um livro sobre o qual não há muito a dizer. Não quero com isto dizer que o livro é mau ou deixa a desejar. Simplesmente não há propriamente uma história que possamos contar ao ler o livro. Ele é basicamente a junção de pensamentos desconexos de alguém que viveu durante muito tempo no mar, tendo apenas como companhia um tigre. Inicialmente é-nos apresentado Pi, e a sua maneira de lidar com o mundo. Gostei principalmente do seu equilíbrio. Da aceitação que demonstra para com as três religiões que segue, como dentro dele conseguiu harmonizar todos os ensinamentos, porque mais importante do que definirmos a nossa religião é perceber que o importante é estar grato a "Deus", é amá-lo incondicionalmente.

Posteriormente entramos na parte do naufrágio. Foi desta parte que mais gostei. Os pensamentos desconexos, as descrições dos momentos passados no mar. A capacidade de adaptação do ser humano para com as condições adversas, e a necessidade de companheirismo em qualquer das suas formas estão constantemente presentes ao longo da segunda parte do livro. A maneira como o autor nos vai apresentando os acontecimentos e os pensamentos de Pi deixa o leitor completamente agarrado durante o seu percurso no mar. E apesar de a história ser muito pouco provável, a verdade é que aos nosso olhos nos parece real.

A terceira parte do livro é basicamente os acontecimentos após Pi ter conseguido chegar ao México, não achei nada de impressionante nesta parte, mas gostei bastante dos dois japoneses que foram entrevistar o nosso pequeno sobrevivente. Ao longo do livro temos ainda pequenos vislumbres da vida actual de Pi, e da maneira como o escritor vê o personagem. é gratificante ver como ele conseguiu refazer a sua vida, mas mais que isso é gratificante ver como o rapaz que ele foi e o homem que é vivem através das mesmas bases. São feitos do mesmo material. Muita coisa poderia ter dado errado, mas com o seu jeito de amar e o facto de aceitar o que não pode ser mudado o personagem acaba por encontrar paz na sua vida adulta.

Uma história que merece ser lida.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Opinião - O Dia do Perdão

Ficha Técnica:
Autor: Ursula K. Le Guin
Título Original: Four Ways to Forgiveness
Páginas: 240
Editor: Presença
ISBN: 9789722332057
Tradutor: ?

Sinopse:
Ursula K. Le Guin é uma genial criadora, hoje considerada uma verdadeira lenda viva, tal a sua importância para a ficção científica e o género fantástico. Entre as suas mais conhecidas criações estão inquestionavelmente a tetralogia Terramar. "O Dia do Perdão" é uma sequência de quatro contos ligados à epopeia da libertação de seres humanos. São histórias em torno de dois mundos, Werel, uma oligarquia esclavagista, e o seu satélite, Yeowe, onde mão-de-obra escrava trabalha incessantemente para os seus «donos» - assim se autodesignam - a fim de preencher todas as necessidades inerentes a um sistema económico desumano. O Ecuménio, imensa Liga Planetária, intervirá em sua ajuda. Mas uma vez abolida a escravatura neste sistema binário, outras formas de opressão permanecem por superar…

Opinião:
O que é que posso dizer acerca deste livro? Ursula K. Le Guin. O nome da autora basicamente diz tudo o que há para dizer. Este não é o primeiro livro que leio da autora relativamente ao Hainish Cycle, A Mão Esquerda das Trevas fio o primeiro que li e foi sem dúvida um livro diferente e marcante. Contudo este tocou-me de uma forma muito especial.

Nele são-nos contadas a história de quatro personagens, sendo três deles mulheres. Cada uma das histórias é um hino ao amor, ao perdão e à aceitação. Não só de nós para com os outros, mas também para connosco. Ser capazes de nos perdoar e aceitar nem sempre é fácil, mas Le Guin mostra-nos que isso é possível, e que a capacidade de nos abrir-mos para as outras pessoas torna-nos mais ricos. Outra coisa fenomenal é o modo como ela representa as diferentes sociedades, as descrições dos seus costumes e a sua maneira de agir. Ao contrário de muitos autores, Le Guin não precisa de grandes textos e grande background para nos fazer compreender e fazer-nos sentir integrados nas comunidades que nos apresenta. Os seus personagens são sempre extremamente fortes e bem caracterizados. É impossível ficarmos indiferentes à força demonstrada pela mulher que abandona o seu caminho para ajudar alguém e que acaba por descobrir o amor. Ou aquela que apesar de tudo o que passou na vida ser capaz de se perdoar e lutar por aquilo que quer.

Sendo que este livro se passa num planeta que acabou de se libertar da escravatura é engraçado ver (ou não), a maneira como os seus habitantes lidam com essa situação. A maior parte simplesmente não compreende o que é ser livre e não lhe dá o devido valor. E mesmo aqueles que o compreendem, principalmente as mulheres, não têm hipótese de o aproveitar, pois infelizmente a liberdade nunca é para todos. E isso é algo que não é só visível aqui, é visível também à nossa volta todos os dias. Os livros da autora são sempre actuais e fazem-nos ver determinados aspectos da nossa sociedade que estão esquecidos ou são simplesmente ignorados.

Não muito mais que eu possa dizer acerca deste livro a não ser: Leiam-no, já. É uma obra sublime que merece ser lida e relida.

sábado, 9 de novembro de 2013

Desafio - Mount TBR 2014

Agora que finalmente tive coragem para começar o Blog, arranjei coragem também para novas experiências. Nomeadamente estrear-me no mundo dos Desafios. Sempre foi uma coisa que quis fazer, mas nunca tive muita coragem. 2014 vai ser diferente, e já andei a ver alguns desafios que as Bloggers literárias que sigo estão a adoptar para 2014. O primeiro que me chamou a atenção e que andava mortinha por experimentar é o:



O Desafio consiste, basicamente, em reduzirmos a pilha de livros que temos por casa. Eu penso que não tenha assim tantos livros acumulados, mas é um bom incentivo para ler aquilo que tenho, muitas vezes livros que já tenho curiosidade em ler à tanto tempo e que vão ficando para trás porque não consigo focar-me nas minhas leituras. Existem diferente níveis para este Desafio (representados a baixo), eu vou tentar o Mt. Vancouver:

Pike's Peak: Read 12 books from your TBR pile/s
Mount Blanc: Read 24 books from your TBR pile/s
Mt. Vancouver: Read 36 books from your TBR pile/s
Mt. Ararat: Read 48 books from your TBR piles/s
Mt. Kilimanjaro: Read 60 books from your TBR pile/s
El Toro: Read 75 books from your TBR pile/s
Mt. Everest: Read 100 books from your TBR pile/s
Mount Olympus (Mars): Read 150+ books from your TBR pile/s

O Desafio é organizado pelo My Reader's Block, onde poderão encontrar todas as regras em detalhe. Este post vai sendo actualizado conforme as minhas leituras.

  1. O Dia do Perdão
  2. A Vida de Pi 
  3. O Mundo de Rocannon 
  4. O Tormento dos Céus 
  5. Destinada
  6. Escondida 
  7. Manual do Iniciado 
  8. O Planeta do Exílio 
  9. A Caixa
  10. À Boleia pela Galáxia  
  11. O Restaurante no Fim do Universo
  12. Bewitching: The Kendra Chronicles
  13. Só em Sonhos  
  14. O Mistério do Jogo das Paciências 
  15. Papisa Joana 
  16. Frankenstein
  17. Príncipe Mecânico
  18. A Voz 
  19. Orgulho e Preconceito 
  20. Crucible of Gold
  21. Soberba Tentação
  22. Flashforward 
  23. Pura Malícia 
  24. O Prestígio 
  25. O Dragão de Inverno e Outras Histórias
  26. Drácula
  27. Os Despojados I e II
  28. Três é Demais 
  29. Floresta é o Nome do Mundo 
  30. Royal Flash 
  31. Dead and Alive 
  32. A Mulher do Viajante no Tempo 
  33. As Três Bruxas
  34. A Cor da Magia
  35. Juramento de Dragão
  36. Revelada