quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Opinião - O Homem Pintado

E agora que está para sair o terceiro livro, deixo a minha crítica ao primeiro, publicada na altura no Bella Lugosi is Dead.
Ficha Técnica:
Autor: Peter V Brett
Título Original: The Warded Man
Páginas: 606
Editor: Gailivro
ISBN: 9789895576777
Tradutor: Renato Carreira

Sinopse:
Por vezes existem boas razões para se ter medo do escuro. Arlen vive com os seus pais na sua quinta isolada a meio dia de viagem do pequeno povoado de Tibbet’s Brook. Mas no mundo de Arlen quando a noite cai uma estranha névoa começa a erguer-se do chão, uma névoa que promete uma morte terrível para todos aqueles que sejam suficientemente loucos para enfrentar a escuridão, pois demónios esfomeados, que não podem ser feridos por armas comuns materializam-se na névoa para se alimentarem dos seres vivos. Quando a noite cai as pessoas não têm outra alternativa se não esconderem-se nas suas casas cuidadosamente guardadas com símbolos mágicos de protecção que são a única coisa capaz de manter os demónios à distância até que chegue o nascer do sol. Nesta história três jovens irão oferecer à humanidade uma última e fugaz hipótese de sobrevivência.

Opinião:
O Homem Pintado conta-nos a história de três pessoas, Arlen, Leesha e Rojer. O mundo onde eles vivem está povoado por demónios que aparecem à noite e matam todos os seres vivos dos quais se conseguem apoderar. A única maneira de os manter afastados é através de guardas.

As guardas são símbolos desenhados e que servem para impedir os monstros de se aproximarem, para os atacar ou para transformar os seus ataques em acontecimentos agradáveis para os humanos. Mesmo assim a vida é complicada, pois muito do antigo saber se perdeu e as guardas que outrora existiram e que eram capazes de derrotar demónios estão esquecidas.

Arlen é um rapaz normal que vê o que o medo é capaz de fazer às pessoas, o que o leva a fugir do pai e a procurar uma vida em que se torne livre. Para isso torna-se um mensageiro. Leesha é a menina perfeita da aldeia que vê a sua vida destruída por uma mentira e acaba por se tornar na melhor herbanária. Rojer é um órfão que vê a mãe morrer quando tinha apenas dois anos e que acaba por descobrir na profissão de jogral o seu refúgio. O que os três têm em comum é que são pessoas com coragem e vontade de viver a vida. Para além disso, possuem conhecimentos que poderão vir a suprimir o terror em que o mundo se encontra.

A escrita do autor é bastante acessível e fácil de ler. Existem muitos momentos de emoções fortes desde o princípio até ao fim do livro. Cada personagem tem o seu quinhão de aventura. No entanto o mais interessante do livro são as pequenas lições de moral presentes ao longo do mesmo. Lições essas que todos sabemos, mas que temos tendência a esquecer com o tempo. Habituamo-nos a certas coisas e esquecemo-nos que procurar uma solução para os problemas. Penso que não voltarei a cometer o mesmo erro.

O livro é interessante, no entanto fiquei um pouco decepcionada pois depois das coisas que me disseram estava à espera de algo melhor. Senti que faltou qualquer coisa. Penso que as personagens podiam ter sido mais desenvolvidas, tornando-as mais próximas de nós. Isso teria um impacto muito maior. Não sei como, mas senti que a história podia ser muito mais explorada.

Continuo a sentir-me um pouco confusa. Por um lado gostei do livro por aquilo que podemos “reaprender” com ele. Mas por outro achei a história um pouco pobre. Penso que poderia ser muito mais cativante. Mas talvez isto aconteça apenas porque ia com as expectativas muito elevadas. De qualquer maneira, é um livro agradável para se passar o tempo. Agora é esperar pela continuação para ver se consegue, desta vez, superar as minhas expectativas.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Opinião - Lisboa no Ano 2000 (Parte 3)

Ficha Técnica:
Organizador: João Barreiros
Páginas: 448
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896374778

Sinopse:
Bem-vindos à maior cidade da Europa livre, bem longe do opressivo império germânico. Deslumbrem-se com a mais famosa das jóias do Ocidente! A cidade estende-se a perder de vista. O ar vibra com a melodia incansável da electricidade.

Deixem-se fascinar por este lugar único, onde as luzes nunca se apagam, seja de noite, seja de dia. aqui a energia eléctrica chega a todos os lares providenciada pelas fabulosas Torres Tesla.

Nuvens de zepelins sobem e descem com as carapaças a brilhar ao sol. Monocarris zumbem por todo o lado a incríveis velocidades de mais de cem quilómetros à hora. O ar freme com o estímulo revigorante da electricidade residual. Bem-vindos ao século XX!

Lisboa no Ano 2000 recria uma Lisboa que nunca existiu. Uma Lisboa tal como era imaginada, há cem anos.

Opinião:
Aqui fica a terceira parte relativa a mais quatro contos apresentados nesta antologia. Este vai ser o penúltimo poste relacionado com o livro, sendo que o último irá constar dos três contos, que formam um só, do João Barreiros.

A Rainha de Pedro Vicente Pedroso - Ao início do conto a escrita do autor fez-me alguma confusão devido à contrução frásica. Principalmente no que toca à pontuação. No entanto pouco depois a escrita deixa de ser confusa e a história começa a envolver o leitor. Uma história que nos mostra o lado obsessivo, compulsivo e vingativo do ser humano. Uma história que em determinado momento começa a alterar a sua forma e o seu foco e se torna mais sombria, mostrando-nos toda a loucura e morbidez que pode existir dentro de um ser humano, mais precisamente, de uma criança.

Taxidermia de Guilherme Trindade - Adorei cada pequeno momento deste conto. O facto de o autor pegar numa profissão como empalhador e elevá-la a um outro nível, dando-lhe um significado e uma utilidade num mundo onde determinadas profissões estão destinadas ao fracasso, fez-me apreciar a inteligência do autor. Gostei também das descrições dos autómatos, apesar de não serem muito elaboradas conseguem que apreendemos o funcionamento geral dos mecanismos. Mas mais que tudo isto, o que mais me cativou foi o final. Inesperado, original e cheio de significado. Nunca o adivinharia. Um dos melhores contos que li até agora ao longo da antologia.

Quem Semeia no Tejo de Pedro G. P. Martins - Um conto que está mais virado para as ciências e para a sua guerra com a religião. Apanhei um ou outro "brasileirismo" que me aborreceu um pouco. Gostei principalmente da parte em que está a ser descrito o tipo de microscópio existente e o seu mecanismo. O final é algo sombrio e demonstra que não tem que ser religião ou ciência. Ambos podem coexistir no mesmo plano.

Coincidências de Pedro Afonso - Um conto que tem um início promissor, mas que no fim não encanta. Achei que o autor enveredou por um caminho que acabou por não o levar a lado nenhum em especial. O mistério que nos é apresentado ao início deixa-nos em expectativa para o que irá acontecer. No entanto o autor não pega nesta expectativa, preferindo relegá-la para segundo plano e enveredar por uma história em que tudo e nada acontece.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Opinião - O Verão dos Brinquedos Mortos

Ficha Técnica:
Autor: Antonio Hill
Título Original: El verano de los Juguetes Muertos
Páginas: 344
Editor: Porto Editora
ISBN: 9789720045881
Tradutor: Helena Pitta

Sinopse:
O inspetor Héctor Salgado está afastado do serviço há semanas quando lhe atribuem, extra-oficialmente, um caso delicado - o aparente suicídio de um jovem de boas famílias. À medida que Salgado penetra num mundo de privilégios e de abusos de poder, o caso, aparentemente simples, complica-se de forma inesperada, e o inspetor terá de enfrentar não só esse mundo mas também o seu passado mais obscuro, que, no pior momento, volta para ajustar contas. Os sonhos, o trabalho, a família, a justiça e os ideais têm um preço muito alto, mas há sempre quem esteja disposto a pagá-lo.

Opinião:
O Verão do Brinquedos Mortos começa com o inspector Salgado a voltar de umas férias forçadas. Isto porque há bem pouco tempo se meteu em sarilhos durante a investigação de um caso. É a partir desta situação que se nos apresenta o principal fio condutor da narrativa, a morte de Mark. Ambas as histórias se desenvolvem em paralelo principalmente porque têm no seu centro a mesma pessoa o inspector. Se por um lado há toda a investigação ligada à morte de Mark e que é dirigida por Salgado, por outro lado temos a trapalhada em que este se colocou e em que o próprio acaba a ser investigado.

No geral a história agradou-me. A linguagem do autor é simples de se seguir e a maneira como este estrutura a narrativa torna-a mais interessante. É um daqueles autores que opta pelo ponto de vista das diversas personagens que estão ligadas aos casos. Nesta história não temos o ponto de vista do vilão, o que é uma mais valia, pois assim a autora consegue manter o mistério até ao fim. Se vem que pequenos parágrafos a mostrar um lado mais psicótico do vilão, sem dar a entender quem seria, poderia ter criado mais impacto e apreensão no leitor. Tal como já referia o autor consegue manter-nos no escuro durante quase toda a obra, sendo que as descrições que vai efectuando nos vão afectando cada vez mais, são sempre descrições muito visuais. Sendo que não nos leva a desconfiar de nada nem ninguém. A trama começa a tornar-se cada vez mais complexa com o desenrolar dos acontecimentos, e cada informação obtida parece criar mais dúvidas do que propriamente esclarecê-las. No entanto achei o final um pouco apressado e penso que poderia ter sido desenvolvido um pouco mais relativamente a determinados aspectos.

Relativamente ás personagens, havia alturas em que me sentia ligada a elas e as compreendia, havia outras em que elas não me diziam nada. Esta situação torna difícil perceber o que realmente sentimos pelos personagens dificultando assim a fluidez da história. No geral gostei de ambas as personagens principais, mas fiquei a sentir que faltava ali qualquer coisa. Havia alturas em que não conseguia compreender as suas motivações e a sua maneira de agir. Bem como às vezes ficavs a perguntar-me o que terá acontecido a determinado personagem para que tenha aquela maneira de agir e no fim sentimos que o fez e que o é porque é assim e não porque possa ter existido algo que o magoou. Sendo que a dita acção seria melhor compreendida e enquadrada em determinado tipo de situações.

Não podia deixar de referir que em algum momento do livro me apercebi que estava em Espanha. Para mim bem que tudo se poderia ter passado na América, que basicamente seria só trocar os nomes dos locais e personagens. Achei também que não havia necessidade dos dois plots abordados no livro, até porque não consigo ver a ligação entre os dois casos. Pode ser que o autor esteja a usar a situação que nos é apresentada inicialmente para fazer a ponte ente os seguintes livros.

No geral é uma leitura simples e agradável. Uma leitura que nos deixa curiosos acerca da necessidade do ser humano de descobrir tudo e do que somos capazes para conseguirmos aquilo que queremos.

(Livro lido em parceria com o Segredo dos Livros)

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Opinião - Números, O Caos

Ficha Técnica:
Autor: Rachel Ward
Título Original: Numbers: The Chaos
Páginas: 296
Editor: Topseller
ISBN: 9789898626141
Tradutor: João José Leiria

Sinopse:
Junho de 2026. Adam consegue ver números nos olhos das pessoas, que correspondem à data da sua morte. Mas não pode revelar a ninguém este segredo. Como se não bastasse viver com aquele terrível dom, as coisas estão prestes a tornar-se ainda mais difíceis. Adam apercebe-se de que, subitamente, a data da morte de todos aqueles com quem se cruza é a mesma: 1 de janeiro de 2027.

Sarah, uma rapariga reservada mas cheia de personalidade, tem uma complicada história pessoal que a leva a fugir de casa dos pais. Além disso, tem um pesadelo recorrente e assustador com Adam, mesmo sem nunca o ter visto. Depois de o conhecer, porém, desenvolve por ele uma forte atração, que não sabe como gerir. Ambos partilham de premonições semelhantes: fogo, água, morte, destruição, caos.

Opinião:
No segundo livro da série Números, O Caos, ficamos a conhecer o filho de Jem e Spider, Adam. Este tem o mesmo dom da mãe, e portanto consegue ver a data da morte das pessoas olhando apenas para os seus olhos. E se como se já não bastasse ter este dom, tudo parece piorar quando conhece Sarah, pois o impulso de a proteger e salvar é quase enlouquecedor.

A premissa desta história é praticamente a mesma que a do livro anterior. Uma catástrofe que está prestes a acontecer e os únicos que conseguem vê-la chegar são dois jovens que ninguém leva a sério, pois só dão problemas. A história é suficiente para manter o leitor interessado, se bem que achei que a autora poderia ter imprimindo um maior sentido de urgência aos acontecimentos que vamos testemunhando.

Assim sendo o que de mais marcante o livro tem é mesmo a maneira de estar das personagens ao longo de todos os acontecimentos. É palpável a todo o momento o desespero que Adam sente, o caos que se instalou na sua mente e que não o lhe permite lidar com as pessoas e com as situações. Adam não é uma pessoa tão forte e estável como a sua mãe. E o facto de ver as datas das mortes das pessoas, bem como a maneira como estas vão morrer começa aos poucos a roubar-lhe a sanidade. Já Sarah é mais estável, apesar de todos os pesadelos e do mundo infundido por eles todas as noites. Vive cada momento saboreando-o, aproveitando o facto de estar em liberdade e poder estar com Mia. No fim, acaba por ser Sarah que traz paz à mente confusa de Adam e percebe-se que no futuro será ela que o irá manter agarrado à realidade e o vai ajudar a superar tudo aquilo que aconteceu ao longo do livro.

Infelizmente houve pequenas situações que não me deixaram apreciar melhor o livro. Há pelo menos duas questões que Adam e Sarah se colocam a si mesmos ao longo do livro, e mais para o final, que está a resposta escarrapachada no texto, são eles próprios que nos transmitem essa informação, e mesmo assim em vez de pensarem na resposta que já têm passam o tempo a martirizar-se com a pergunta.

Em contra partida o final é algo surpreendente, na medida em que algo inesperado acontece e ficamos a perguntar-nos: O que aconteceu? O que ainda poderá aí vir? Espero sinceramente que o próximo livro não tenha o mesmo tipo de enredo. Até porque se tal acontecer esta série de livros poderia ler-se individualmente, e aquilo que pretendemos é continuidade, é o facto de que os livros um sem o outro não farão sentido. Fico então a aguardar o último livro desta série, Infinity.

(Livro lido em parceria com o Segredo dos Livros)