quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Opinião - Amor Cruel

Ficha Técnica:
Autor: Colleen Hoover
Título Original: Ugly Love
Páginas: 288
Editor: Topseller
ISBN: 9789898800572
Tradutor: Duarte Sousa Tavares

Sinopse:
Tate é enfermeira e muda-se para São Francisco, para casa do irmão Corbin, para estudar e trabalhar. Miles é piloto-aviador e mora no mesmo prédio de Corbin. Depois de se conhecerem de forma atribulada, Tate e Miles acabam por se aproximar e dar início a uma relação exclusivamente física. Para que esta relação exista, Miles impõe a Tate duas regras:

«Não faças perguntas sobre o meu passado. Não esperes um futuro.»

Tate aceita o desafio de manter uma relação distante, sem nenhum compromisso, nem sequer o da amizade. A relação alimenta-se assim da atração mútua entre os dois.

Miles nunca fala de si nem do seu passado, e comporta-se perante Tate de acordo com as regras que ele definiu. Será Miles capaz de desvendar o que se esconde por detrás desta necessidade tão grande de se distanciar emocionalmente dos outros?

E poderá algo tão cruel transformar-se numa relação bonita e duradoura?

Opinião:
Eu tentei. Eu juro que tentei gostar e perceber o porquê de tanta gente ser completamente alucinada por este livro. Contudo não consegui.

Neste livro são-nos apresentados Tate e Miles. Tate é uma rapariga que está a começar o mestrado de enfermeira anestesista e Miles é piloto de aviões tal como o irmão de Tate, Corbin, com quem ela actualmente está a viver. 

Não consegui gostar de nenhum personagem por aí além. A Tate é alguém aplicada e inteligente, mas quando se trata do Miles a inteligência dela foge toda não sei para onde. Sim, é preciso ter coragem para nos metermos numa situação que vai dar asneira e tentar tirar o melhor proveito das poucas coisas boas que essa situação nos pode trazer. Mas ao mesmo tempo é completamente idiota continuarmos a insistir em algo que vê-mos já não nos trazer quase nenhuma felicidade, mas apenas dores de cabeça. Ainda podia ter sentido se a Tate lutasse para que as coisas melhorassem, mas a verdade é que ela acaba por se submeter completamente àquilo que o Miles quer e ir na onde dele. Não senti que ela realmente estivesse a lutar pela relação de ambos.

Quanto ao Miles, é um bocado irritante ao início, mas aos poucos até comecei a gostar minimamente dele. Há atitudes dele ao longo do livro que são justificadas com os acontecimentos traumáticos da sua vida, e aos poucos começamos a vê-lo libertar-se desses traumas e a começar a abrir-se com a Tate. Contudo na cabeça do Miles ele não merece ser feliz e não consegue amar mais ninguém e por isso está constantemente a lutar contra aquilo que sente e acaba por magoar a Tate sucessivamente. Houve alturas em que pensei: "Já chega não?", afinal por muito grande que seja a dor uma pessoa aprende a viver com ela e a superá-la. Só alguém muito idiota e com uma auto-estima bastante baixa é que continua a viver voluntariamente com a dor.

Há que dizer também que me irritou solenemente o facto de a Tate ser tão obcecada com o Miles quando ainda nem se conheciam. Compreendo que quando nos sentimos atraídos por uma pessoa ela pareça ocupar bastante do nosso espaço pessoal. Mas não consigo perceber como é que podemos pensar nessa pessoa dia e noite quando ainda por cima mal a vê-mos. E se por um lado notei uma evolução dos sentimentos do Miles para com a Tate a verdade é que não senti isso da parte dela. Sendo que visto os capítulos do presente serem do ponto de vista dela tal deveria ter acontecido.

Por falar em capítulos. Detestei os capítulos do Miles. Extremamente irritantes, lentos e pirosos. E isto só a escrita, porque a "formatação" que essa escrita levou fez com que me apetecesse arrancar os olhos com uma colher. Estar a ler algo extremamente piroso e a formatação do texto tentar ir de acordo com a piroseira que estamos a ler é simplesmente intragável.

Ainda podia tentar virar-me para as cenas sexuais a ver se me safava, mas nem isso salva o livro. Os personagens secundários? Existem alguns interessantes, mas são pouco desenvolvidos e acabam por não contribuir assim tanto para o livro. Tirando o Comandante. As cenas com esse senhor são sempre dignas de serem lidas com bastante atenção.

Houve alguns momentos mais emocionais e tocantes, mas não foram o suficiente para me fazer mudar a opinião com que fiquei do livro. Que é uma opinião bastante fraca.

(Livro lido em parceria com o Segredo dos Livros)

domingo, 13 de setembro de 2015

Opinião - A Luz Fantástica

Ficha Técnica:
Autor: Terry Pratchett
Título Original: The Light Fantastic
Páginas: 237
Editor: Círculo de Leitores
ISBN: 9724231798
Tradutor: Mário Dias Correia

Sinopse:
Uma nova e fantástica aventura que apresenta mais uma série de criaturas bizarras: Cohen, o bárbaro, com oitenta e sete anos, cujos ideais são água quente, um bom dentista e papel higiénico macio; Bethan, arrancada à situação de virgem sacrificial pelo herói; Herrena dos Cabelos Vermelhos Harridan e Ysabell, a louca filha adoptiva da Morte.

Opinião:
Neste livro continuamos a seguir as aventuras de Twoflower e Rincewind. É impossível ficar indiferente a todo o azar que Rincewind tem e como se consegue sempre escapar de situações pontiagudas. Ao mesmo tempo é impossível não ter vontade de dar duas traulitadas  a Twoflower devido ao seu optimismo e vontade de resolver tudo a bem.

Nesta nova aventura a comunidade de Feiticeiros pretende apanhar Rincewind de forma a conseguir obter o feitiço que se esconde na sua mente. Isto tem como finalidade conseguirem dizer todos os feitiços do Octano de forma a evitar a destruição certa do Discworld (que afinal não é assim tão certa). Claro que Rincewind vai passar mal e tentar fugir de toda esta responsabilidade, contudo no final ele mostra de que material é feito e faz aquilo que tem que ser feito.

Para não variar o livro é populado de ironia e sarcasmo. De críticas à sociedade e à sua maneira de estar. Bem como de sátiras ao que consideramos serem os alicerces da literatura fantástica. Não vale a pena estar a referi-las pois ainda são bastantes e a piada está em lê-las o contexto e no meio do diálogo destes personagens.

Por falar em personagens. Adorei ter visto um pouco mais acerca da Morte e de como funciona a hierarquia no mundo dos Feiticeiros. Adorei também ficar a conhecer Cohen, o Bárbaro, e Bethan, a virm sacrificial. Espero sinceramente que o autor volte a pegar nestes dois personagens pois eles merecem mais tempo de antena. Menção honrosa para A Mala. É impossível não nos sentir-mos fascinados com esta personagem que apesar de não ter cara e não falar consegue ser extremamente expressiva.

Sunday's Quotes (109)

“The only way of discovering the limits of the possible is to venture a little way past them into the impossible.”―  Arthur C. Clarke

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Opinião - Moonlight on Nightingale Way

Ficha Técnica:
Autor: Samantha Young
Páginas: 336
Editor: NAL
ISBN: B00Q5DLY42

Sinopse:
Logan from Echoes of Scotland Street is back with his own smoldering story, as the New York Times bestselling On Dublin Street series returns…

Logan spent two years paying for the mistakes he made. Now, he’s ready to start over. He has a great apartment, a good job, and plenty of women to distract him from his past. And one woman who is driving him to distraction…

Grace escaped her manipulative family by moving to a new city. Her new life, made to suit her own needs, is almost perfect. All she needs to do is find her Mr. Right—or at least figure out a way to ignore her irresistible yet annoying womanizer of a neighbor.

Grace is determined to have nothing to do with Logan until a life-changing surprise slowly begins turning the wild heartbreaker into exactly the kind of strong, stable man she’s been searching for. Only just when she begins to give into his charms, her own messy past threatens to derail everything they’ve worked to build…

Opinião:
Até me custa a acreditar que este é o último livro nesta série. Adorei cada momento passado com cada um dos casais. Adorei vê-los crescer, ultrapassar os seus problemas, constituir família sem nunca deixarem de ser um grupo de amigos unidos onde o mais importante é o amor e apoio que se sente em cada interacção.

Esta é a história de Logan, o irmão de Shannon. Sabemos do livro anterior que ele esteve na prisão durante dois anos por ter deixado o ex-namorado de Shannon em estado de coma. Contudo nunca nos é mostrado em que é que isso o transformou. O par de Logan é Grace. Alguém que se vê ter tido uma boca educação e uma vida abastada, mas que tem um problema em confrontar as pessoas, fugindo constantemente aos conflitos. Se houve algo no livro que me cativou desde o início foi a capacidade de Logan para empurrar os botões certos de Grace de modo a fazer com que constantemente lhe salta-se a tampa. Dá para perceber perfeitamente que Grace é alguém calmo e que não gosta de confusões, mas que sempre que está perto de Logan a única coisa que lhe apetece é antagonizá-lo visto que ele consegue fazê-la transformar-se numa pessoa que a própria não conhece.

A autora teve uma excelente capacidade para desenvolver a relação destes personagens desde completos antagonistas até duas pessoas completamente apaixonadas. A maneira como elas passam de detestarem-se para uma amizade periclitante, até algo sólido está bastante bem trabalhada e não parece forçada.

Outra personagem sobre a qual é impossível não falar é a Maia. Incrível Maia! Finalmente teve direito a uma família que a faz feliz e que está lá para ela. Uma família em que pode ser ela mesma. A Maia é alguém bastante sarcástico e com um humor muito próprio. Mas ao mesmo tempo é alguém capaz de um amor e confiança extremas tendo em conta tudo aquilo que passou. A sua relação com o Logan e a Grace é fantástica. Principalmente com a Grace sentiu-se uma empatia instantânea, como elas próprias dizem: fizeram clique. Foi graças à introdução de Maia que começamos a ver o melhor de cada um dos personagens.

Como não podia deixar de ser os personagens dos restantes livros vão aparecendo ao longo da narrativa. Como sempre estes recebem de braços abertos as novas aquisições à família, sem nunca julgar nem apontar dedos. Ao mesmo tempo que tentam fazer de tudo para que as novas aquisições encontrem o seu final feliz.

Fiquei satisfeita por no final a autora nos ter dado um pequenos vislumbre da vida de cada um dos casais e do que aí vem para eles. Gostava tanto que a autora de tempos a tempos nos presenteasse com pequenos contos para sabermos o que vai acontecendo na vida destes personagens... Contudo isso já é sonhar alto de mais. Dou-me por satisfeita por saber que a autora vai lançar uma pequena novela acerca de um personagem do qual nada sabemos à bastante tempo.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Opinião - A Última Noite em Tremor Beach

Ficha Técnica:
Autor: Mikel Santiago
Título Original: La última noche en Tremore Beach
Páginas: 324
Editor: Jacarandá
ISBN: 9789898752703
Tradutor: Ângela Barroqueiro

Sinopse:
Um compositor que perdeu a inspiração. Uma casa isolada numa praia irlandesa. Uma noite de tempestade que pode mudar tudo...

A Última Noite em Tremore Beach conta a história de Peter Harper, um prestigiado autor de bandas sonoras que, após um divórcio complicado, se refugia num lugar perdido da costa irlandesa a fim de recuperar a inspiração. Situada numa praia enorme e solitária, a casa de Tremore Beach anuncia-se como o local indicado. Tudo parece perfeito... até que, certa noite, rebenta uma enorme tempestade.

«Nessa noite soprou um vento estranho. A dor de cabeça, que me deixara tranquilo durante o dia, começou novamente. Tique. Taque. Tique. Taque... como um relógio. Já tinha tomado metade dos comprimidos e chegara à conclusão de que aquilo não servia para nada. Fechei os olhos e esperei que me deixasse em paz. E foi o que aconteceu, deixou-me dormir durante umas horas, mas depois regressou. Foi crescendo até se tornar numa fisgada horrível, que me fez abrir os olhos e gritar: "Ó meu Deus!". E então estava no meu quarto. Havia uma tempestade enorme lá fora.»

Opinião:
A Última Noite em Tremor Beach apresenta-nos Peter, um personagem que ao início parece ser completamente normal, mas que na realidade tem uma características algo peculiar. Não irei revelar qual porque o interessante da história (pelo menos na primeira metade do livro) é perceber que característica é essa à medida que a história se desenrola.

A história começa realmente quando Peter é atingido por um raio e em consequência disso vê o potencial da sua peculiaridade aumentado. A partir daí a história ganha contornos de mistério e também um pouco de thriller até que o leitor perceber o que se está a passar. A partir daí começa a corrida contra o tempo numa tentativa de evitar o que se avizinha. Apesar de esta parte que podemos considerar a acção do livro, o autor aborda também algumas situações com que cada vez mais as pessoas se deparam sendo uma delas o facto de cada vez mais nos sentirmos perdidos e deixar-mos de saber quem somos.

Não considero que a escrita do autor seja especialmente marcante ou envolvente, se bem que o autor consegue criar convincentemente a aura de mistério que envolve quase toda a história.

Relativamente aos personagens são interessantes q.b.. Contudo não foram capazes de despertar em mim sentimentos de empatia ou qualquer outro tipo de sentimento. Ao mesmo tempo achei que o autor não soube trabalhar convenientemente o modo como os personagens lidam com os seus sentimentos e problemas. Pareceu-me tudo algo superficial.

Este é um livro que na minha opinião se pode considerar mediano. Uma leitura ligeira, simples, capaz de entreter o leitor. Para quem procura um livro com estas características irá gostar certamente.

(Livro lido em parceria com o Segredo dos Livros)