quarta-feira, 30 de março de 2016

Opinião - Cross My Heart and Hope to Spy e Don't Judge a Girl by Her Cover

Ficha Técnica:
Autor: Ally Carter
Série: Gallagher Girls, #2 e #3
Páginas: 260 e 272
Editor: Disney Hyperion
ASIN: B002CQ28MS e B004H4XB6U

Sinopse:
Cross My Heart and Hope to Spy
After the excitement of the fall, all Cammie Morgan wants is peaceful semester at school. But that's easier said than done when you're a CIA legacy and go to the premier school in the world...for spies. Despite Cammie's best intentions, trouble crops up quickly. Cammie, Bex, and Liz learn that the Gallagher Academy is hosting guests from another spy school a school that is known to the world as the Ethan Frome Academy a secret spy school for boys. After her fiasco with Josh last fall, Cammie isn't sure she's ready for daily encounters with boy spies – especially after she meets Zach an incorrigible cutie who everyone thinks is just perfect. Cammie is right to be worried about their new guests. Soon after the boys' arrival, she's blamed for a series of security breaches that leave the school's top-secret status at risk. And the perfectly crushable Zach is her prime suspect. The Gallagher Girls will need to use all their skills to investigate the Frome Boys. Even though they're confident about their guy-spying (as if they haven't done it before!), the playing field is level this time, and the stakes for Cammie's heart—and her beloved school— are higher than ever.


Don't Judge a Girl by Her Cover
Here's the thing about covert operations: the really bad things always happen when you least expect them. The enemies don't give you a heads-up. And they never let you stop to put on comfortable shoes.

A spy-in-training, Cammie Morgan has a cover for every occasion. But what happens when she is forced to lose her cover to save her best friend, Macey? Cammie and her friends are determined to hunt down the group that threatens to tear their secret sisterhood apart. This time it's personal.

Opinião:
Visto que estive de férias decidi aproveitar para ler algumas séries que estivessem a meio e que fossem fáceis de terminar. Ao fim e ao cabo tenho séries por terminar que nunca mais acabam. Muitas delas desnecessariamente. Assim sendo decidi começar com esta série juvenil. Além de ser de fácil leitura, os livros são relativamente pequenos e a história e personagens são na realidade interessantes e bastante reais o que acaba por cativar o leitor, mesmo um leitor que já não é propriamente juvenil. Além disso adoro o que a autora fez com os títulos.

Depois da desgraça que foi o primeiro ano para Cammie e as suas amigas na escola de espias, estas estão de volta para mais um ano e muitas peripécias. Desta vez a Academia Gallagher recebe alunos de outra escola de espiões, alunos esses todos rapazes. Como devem calcular foi a loucura para a maior parte das raparigas que normalmente não tem a oportunidade de lidar com rapazes no dia-a-dia. Contudo para Cammie e as suas amigas algo parece deslocado relativamente a estes alunos, até porque alguém anda a tentar roubar informação importante da escola. As desconfianças recaem principalmente sobre Zach, um dos alunos que além de ser extremamente giro é também bastante misterioso e bom naquilo que faz.

No Don't Judge a Girl by Her Cover, Cammie está de férias com Macey quando alguém a tenta raptar. Cammie acaba por conseguir salvar Macey, colocando-se em risco e colocando em risco também a sua identidade. Este é um livro em que ficamos a conhecer um pouco melhor Macey e a sua personalidade. Tudo aquilo porque passa acaba por mostrar que a maior parte das facetas que mostra ao mundo são simplesmente máscaras e que essas máscaras são excelentes. Contudo é a verdadeira Macey que acaba por conquistar o leitor pela sua fragilidade e ao mesmo tempo pela sua força. Claro que no final nem tudo o que parece é, o que quer dizer que a seita que tentou raptar Macey se calhar não andava verdadeiramente atrás de Macey. Adivinha-se aqui um arco de história que irá abranger os próximos livros e que espero venha a ser cativante. De fazer referência ao Preston, um dork verdadeiramente amoroso e que espero venha a aparecer nos próximos livros.

No geral é fantástico ver como espias em treino, capazes de decifrar os códigos mais complexos, se tornam de certa forma taralhocas quando confrontadas com a simples tarefa de falar com um rapaz. Mas não é relativamente aos rapazes que isto acontece. A verdade é que a autora mantém um excelente equilíbrio entre o ser espia e ser uma rapariga de 16 anos que ainda está a descobrir o seu caminho no mundo. Que ainda tenta perceber de onde veio e como é que os acontecimentos do seu passado a condicionaram. E isto não se coloca só para Cammie. Bex, Liz e Macey também se colocam essas questões e tentam lidar com elas da melhor maneira que conseguem. É ver a sua humanidade e os seus problemas de miúdas de 16 anos tão reais e bem retratados que dá dimensão à narrativa. Claro que os mistérios apresentados também são interessantes e prendem o leitor à narrativa. Pergunto-me se cada livro continuará a ter o seu pequeno mistério agora que supostamente existe um mistério "maior" para desvendar.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Opinião - The Sending

Ficha Técnica:
Autor: Isobelle Carmody
Série: The Obernewtyn Chronicles, #6
Páginas: 755
Editor: Penguin Group
ISBN: 9780143567479

Sinopse:
The time has come at last for Elspeth Gordie to leave the Land on her quest to find and stop the computermachine Sentinel from unleashing the deadly Balance of Terror arsenal. But before she can embark on her journey, she must find a lost key. And although she has long prepared for this day, nothing is as she anticipated.

Elspeth's search will take her where she never thought to go, and bestow upon her stranger companions athan any she ever imagined. It will lead her far from her destination to those she believed lost forever.

And it will test her, as she has never been tested before...

Opinião:
Quatro anos e meio? Só passaram quatro anos e meio? Parece quase impossível. Diria que muito mais tempo se tinha passado desde que li pela última vez Carmody. Tudo isto porque estava a seguir a edição Americana da série. Basicamente o 6º livro Australiano foi lançado em 2011, o que corresponde ao 7º e 8º Americano, mas na realidade nunca chegou a ser editado em paperback na América. Claro que depois de muita espera e confusão e desapontamento acabei por perceber o que se passava, quando isso aconteceu já o interesse tinha esmorecido um pouco e depois a edição Australiana do paperback custa tanto ou mais que um hardback, o que me levou a adiar constantemente a compra (ainda bem que entretanto o Bookdepository já envia livros da Austrália). O ano passado lá acabei por arranjar coragem para o comprar (Obrigada Rita *.*) e por isso aqui estou eu para dar a minha opinião.

Sou sincera, não me lembro de muito pormenores do que aconteceu nos livros anteriores. Na realidade recordo-me melhor do que aconteceu nos primeiros livros da série do que nos últimos, o que não deixa de ser um bocado frustrante porque a maior parte dos acontecimentos referenciados ao longo da narrativa são relativamente recentes o me fez sentir um pouco perdida. Houve várias alturas em que tinha uma vaga memória dos acontecimentos e personagens e apenas após várias referências é que conseguia criar uma imagem mais sólida daquilo que a autora pretendia que o leitor recordasse. Confesso que fiz também várias pesquisas na internet para me ajudar, principalmente nas alturas em que quase dava em maluca (bem dita internet).

Isto tudo para dizer que não consigo contextualizar o momento em que o livro começa. Só sei que neste momento a Elspeth se encontra em Obernewtyn depois de uma série de peripécias, e que a maior parte dos personagens que conhecemos se encontram divididos pelos vários locais nos quais a narrativa já decorreu. Apesar de a Dragon continuar desaparecida as coisas a situação parece ser minimamente estável após as revoltas que existiram. Existem novos chefes "tribais" que são mais tolerantes e íntegros e começa a existir uma aceitação das pessoas normais pelos Misfits. Ao mesmo tempo a própria Elspeth sente-se mais segura no caminho que tem que percorrer e na sua relação com o Rushton.

O livro segue a um passo lento, e por isso a viagem final da Elspeth só começa mais tarde no livro, ou seja, dá para perceber que a autora anda ali um pouco a encher chouriços e a arrastar a narrativa, contudo isso não me irritou tanto como poderia acontecer porque a escrita da autora e as descrições que faz são suficientemente cativantes para contrariar o aborrecimento que poderia sentir. Além disso existem uma série de outros mistérios que vão aparecendo e que vão sendo apresentados e que deixam o leitor curioso. Nomeadamente existe um certo ser que durante a jornada de Elspeth alguns companheiros irão morrer e eu não posso deixar de me perguntar quem é que não vai sobreviver a esta viagem atribulada.

Várias pessoas acabam por se juntar a Elspeth durante a sua viagem. Algumas delas eu já esperava que acompanhassem, outras foram uma surpresa pois ou não estava à espera ou já não me lembrava que elas existissem. Os últimos companheiros a juntar-se a Elspeth na sua caminhada são algo inesperados e pergunto-me que papel mais hão-de ter além de guias. São seres peculiares e interessantes.

Houve uma ou outra coisa na narrativa que me chateou um pouco, apesar de o enrolanço não ter sido uma delas, a verdade é que houve alturas em que os acontecimentos pareciam algo forçados. O aparecimento da Dragon poderia ter sido mais composto. Achei tudo muito fácil de se resolver. Sempre que havia uma dúvida ou algo semelhante surgia uma resposta do nada através de uma visão no momento ou de uma visão anterior que não fazia sentido. Achei que basicamente todas as escolhas que os personagens poderiam ter efectuado lhes foram negadas visto que já tinham sido previstas e toda a gente já as conhecia. Onde raio está o livre arbítrio? 

Para finalizar não posso deixar de referir as vezes em que me senti comovida. Depois de tudo pelo que a Elspeth e o Rushton passaram mereciam ter tido um pouco mais de tempo. A dor da Elspeth é palpável e foram muitas as vezes que me comovi com a dor dela. Com a dor de abandonar todos aqueles que nos eram queridos e seguir numa viagem sem retorno e sem saber o que será o futuro.

Aguardo ansiosamente a oportunidade de ler o último livro, para saber como é que a história irá terminar.

sábado, 26 de março de 2016

Opinião - Forever With You

Ficha Técnica:
Autor: Jennifer L. Armentrout/J. Lynn
Série: Wait For You, #5
Páginas: 384
Editor: Avon
ASIN: B00RTM6KBK

Sinopse:
In the irresistibly sexy series from #1 New York Times bestselling author Jennifer L. Armentrout, two free spirits find their lives changed by a one-night stand…

Some things you just believe in, even if you've never experienced them. For Stephanie, that list includes love. It's out there. Somewhere. Eventually. Meanwhile she's got her job at the mixed martial arts training center and hot flings with gorgeous, temporary guys like Nick. Then a secret brings them closer, opening Steph's eyes to a future she never knew she wanted—until tragedy rips it away.

Nick's self-assured surface shields a past no one needs to know about. His mind-blowing connection with Steph changes all that. As fast as he's knocking down the walls that have kept him commitment-free, she's building them up again, determined to keep the hurt—and Nick—out. But he can't walk away. Not when she's the only one who's ever made him wish for forever . . .

Opinião:
Desta autora este foi o livro que mais gostei até ao momento. Foi o mais equilibrado, com uma situação ligeiramente diferente do que estava à espera e com personagens que apesar dos seus problemas não cometiam erros estúpidos uns atrás dos outros.

A Steph e o Nick têm bastantes pontos em comum. Os mais notáveis são o facto de não terem inclinação para relações sérias, cada um pelos seus motivos, e o facto de terem personalidades bastante frontais. Cada um diz aquilo que está a pensar no momento, seja bom ou mau, constrangedor ou não. Nenhum dos dois se esconde por trás de mentiras, assim sendo cada um sabe sempre exactamente o que o outro pensa. Foi refrescante apanhar um casal que não tem propriamente segredos um do outro, segredos esses que podem vir a danificar a relação. A Steph não tem nenhum trauma e o Nick também não tem o tem, propriamente. Assim sendo são mais as circunstâncias do presente que contribuem para os desentendimentos.

Cedo na história acontece algo à Steph que vai obrigar a que ambos fiquem juntos. Assim sendo durante grande parte do livro a Steph debate-se com o medo de que o Nick esteja com ela apenas por causa do que aconteceu e não porque goste realmente dela. Para o leitor é óbvio que ele está com ela também porque a adora, mas as dúvidas dela são normais e é fácil para o leitor compreendê-las e aceitá-las. Aquilo porque o Nick e a Steph passam não é algo fácil, mas fiquei contente que eles o ultrapassassem juntos após a primeira cabeçada.

Tanto a Steph como o Nick são personagens fantásticas. Foi adorável vê-los a apaixonarem-se após sentirem uma atracção física tão forte. Aos poucos vê-mos como o Nick pode ser carinhoso e como faz de tudo para alterar a sua maneira de estar e agir de modo a que possa estar com a Steph e tomar conta dela. Ao mesmo tempo Steph começa a perceber o que é estar apaixonada e começa a compreender melhor as atitudes de determinadas raparigas quando descobrem que ela é ex dos seus actuais namorados.

 Como não podia deixar de ser foi excitante ver novamente os outros personagens. No final até temos direito a ver o casamento da Avery e do Cam. O casal que mais aparece é o Reece e a Roxy, e é adorável vê-los sempre a picarem-se um ao outro. Uma vez mais menção honrosa para a Katie. Aquela rapariga é algo de genial! Com os seus poderes psíquicos ela parece acertar sempre na muche. É engraçado ver como cada vez mais as pessoas acreditam naquilo que ela prevê. Além disso com a sua maneira desbocada e directa de falar com as pessoas é ela que acaba por fazer com que Steph quebre, no bom sentido, para depois ser capaz de recuperar devidamente

Uma agradável surpresa, um livro que não estava à espera de gostar tanto como gostei. Tenho curiosidade para saber se o próximo livro será tão bom quanto este. Mas este ficou, sem dúvida, a ser um dos favoritos.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Opinião - A Quinta dos Animais

Ficha Técnica:
Autor: Geroge Orwell
Título Original: Animal Farm: A Fairy Story
Páginas: 160
Editor: Antígona
ISBN: 9789726081975
Tradutor: Paulo Faria

Sinopse:
Esta nova tradução de Animal Farm recupera o título original, contrariamente às edições anteriores, que adoptaram os títulos panfletários O Porco Triunfante e - o mais conhecido - O Triunfo dos Porcos.

À primeira vista, este livro situa-se na linhagem dos contos de Esopo, de La Fontaine e de outros que nos encantaram a infância. Tal como os seus predecessores, Orwell escreveu uma fábula, uma história personificada por animais. Mas há nesta fábula algo de inquietante. Classicamente, atribuir aos animais os defeitos e os ridículos dos humanos, se servia para censurar a sociedade, servia igualmente para nos tranquilizar, pois ficavam colocados à distância, "no tempo em que os animais falavam", os vícios de todos nós e as sua funestas consequências. Em A Quinta dos Animais o enredo inverte-se. É a fábula merecida por uma época - a nossa época - em que são os homens e as mulheres a comportar-se como animais.

Opinião:
A Quinta dos Animais pretende ser uma representação do governo de Estaline. Sou sincera quando digo que esta representação em si me passa um pouco ao lado. História nunca foi o meu forte e por isso todos acontecimentos que se pode considerar serem de grande escala me passam algo ao lado. Eu sei, shame on me. De qualquer modo o livro tem pelo menos dois prefácios, uma nota do tradutor e pelo menos dois textos que em si ajudam a contextualizar a obra bem como as intenções do autor. Se por um lado considero que estes textos me ajudaram a perceber de onde é que veio o desejo de escrever esta fábula e as convicções de Orwell, por outro não precisava de nada disto para perceber a verdade que Orwell nos tenta mostrar.

Basicamente é-nos apresentada uma fábula em que os animais que vivem na quinta fartos de serem maltratados pelo homem e a após serem incitados pelo sonho de um porco sábio decidem rebelar-se contra os humanos. Assim sendo expulsam-nos da quinta e decidem que doravante serão os animais a tomar conta da quinta. São estabelecidas uma série de regras que todos os animais deverão cumprir. Como por exemplo a igualdade entre todos os animais. Claro que ao início é tudo muito bonito, mas aos poucos as coisas começam a mudar e é isso que se torna assustador.

Os porcos tomam conta de tudo e passam a dominar e escravizar os outros animais tal como o Sr. Reis o fazia. E é assustador ver como os animais o aceitam pois com certeza que antigamente as condições eram piores, pelos menos é o que os porcos dizem, pois eles têm sempre razão. Afinal são mais inteligentes. É realmente perturbador ver como os acontecimentos que vão ocorrendo na quinta podem ser tão facilmente transpostos para o dia-a-dia da humanidade. Como é fácil deixarmo-nos enganar por aquilo que acreditamos ser uma realidade melhor, sem nunca colocar nada em questão. Como é fácil esquecer como as coisas eram anteriormente e acreditar que as coisas anteriormente eram piores só porque nos dizem que neste momento estamos bem. Quando o ser humano se vê numa situação complicada, quão fácil é para um tirano depor um tirano e fazer-nos acreditar que a sua tirania é melhor. Tirania é tirania, não existe melhor ou pior.

Esta é uma fábula que todos devíamos ler. Por aquilo que representa, pelo quão bem escrita é. A Quinta dos Animais é um livro que se mantém actual a todos os níveis que interessa.