sábado, 25 de janeiro de 2014

Opinião - O Dia do Perdão

Ficha Técnica:
Autor: Ursula K. Le Guin
Título Original: Four Ways to Forgiveness
Páginas: 240
Editor: Presença
ISBN: 9789722332057
Tradutor: ?

Sinopse:
Ursula K. Le Guin é uma genial criadora, hoje considerada uma verdadeira lenda viva, tal a sua importância para a ficção científica e o género fantástico. Entre as suas mais conhecidas criações estão inquestionavelmente a tetralogia Terramar. "O Dia do Perdão" é uma sequência de quatro contos ligados à epopeia da libertação de seres humanos. São histórias em torno de dois mundos, Werel, uma oligarquia esclavagista, e o seu satélite, Yeowe, onde mão-de-obra escrava trabalha incessantemente para os seus «donos» - assim se autodesignam - a fim de preencher todas as necessidades inerentes a um sistema económico desumano. O Ecuménio, imensa Liga Planetária, intervirá em sua ajuda. Mas uma vez abolida a escravatura neste sistema binário, outras formas de opressão permanecem por superar…

Opinião:
O que é que posso dizer acerca deste livro? Ursula K. Le Guin. O nome da autora basicamente diz tudo o que há para dizer. Este não é o primeiro livro que leio da autora relativamente ao Hainish Cycle, A Mão Esquerda das Trevas fio o primeiro que li e foi sem dúvida um livro diferente e marcante. Contudo este tocou-me de uma forma muito especial.

Nele são-nos contadas a história de quatro personagens, sendo três deles mulheres. Cada uma das histórias é um hino ao amor, ao perdão e à aceitação. Não só de nós para com os outros, mas também para connosco. Ser capazes de nos perdoar e aceitar nem sempre é fácil, mas Le Guin mostra-nos que isso é possível, e que a capacidade de nos abrir-mos para as outras pessoas torna-nos mais ricos. Outra coisa fenomenal é o modo como ela representa as diferentes sociedades, as descrições dos seus costumes e a sua maneira de agir. Ao contrário de muitos autores, Le Guin não precisa de grandes textos e grande background para nos fazer compreender e fazer-nos sentir integrados nas comunidades que nos apresenta. Os seus personagens são sempre extremamente fortes e bem caracterizados. É impossível ficarmos indiferentes à força demonstrada pela mulher que abandona o seu caminho para ajudar alguém e que acaba por descobrir o amor. Ou aquela que apesar de tudo o que passou na vida ser capaz de se perdoar e lutar por aquilo que quer.

Sendo que este livro se passa num planeta que acabou de se libertar da escravatura é engraçado ver (ou não), a maneira como os seus habitantes lidam com essa situação. A maior parte simplesmente não compreende o que é ser livre e não lhe dá o devido valor. E mesmo aqueles que o compreendem, principalmente as mulheres, não têm hipótese de o aproveitar, pois infelizmente a liberdade nunca é para todos. E isso é algo que não é só visível aqui, é visível também à nossa volta todos os dias. Os livros da autora são sempre actuais e fazem-nos ver determinados aspectos da nossa sociedade que estão esquecidos ou são simplesmente ignorados.

Não muito mais que eu possa dizer acerca deste livro a não ser: Leiam-no, já. É uma obra sublime que merece ser lida e relida.

4 comentários:

  1. Olá,

    Bem fiquei super curioso, já li a Saga Terramar da escritora e adorei e sei que tenho ainda mais uns livros (da coleção argonauta) dela por ler, se calhar até pertencem a esta saga

    Debaixo de olho sem duvida ;)

    Bjs e bom fim de semana :D

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    1. Sim, ela tem pelo menos três livros na colecção Argonauta que pertencem a esta série e mais dois publicados pela Europa-América. Parece uma espécie de guerra entre as editoras. Enfim... Eu até conheço alguém que tinha ficado de ver se tinha lá por casa o livro que me faltava da colecção Argonauta... =p

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  2. Respostas
    1. Pois... Essa pessoa até tomou nota do número no livro do Tigana =p Pode ser que ela entretanto se lembre de me dizer alguma coisa! ^^

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