segunda-feira, 24 de abril de 2017

Opinião - Príncipe dos Espinhos

Ficha Técnica:
Autor: Mark Lawrence
Título Original: Prince of Thorns
Série: Trilogia dos Espinhos, #1
Páginas: 315
Editor: Topseller
ISBN: 9789898839664
Tradutor: Renato Carreira

Sinopse:
Com apenas 9 anos, numa emboscada planeada pelo inimigo para erradicar a descendência real, o príncipe Jorg Ancrath é atirado para dentro de um espinheiro, onde fica preso, com espinhos cravados na sua carne, a ver, impotente, a mãe e o irmão mais novo a serem brutalmente assassinados.
De alma destruída, sedento de sangue e de vingança, Jorg foge da sua vida luxuosa e junta-se a um bando de criminosos e mercenários, a quem passa a chamar de irmãos. Na sua mente há apenas um pensamento, matar o Conde de Renar, o responsável pelas mortes da mãe e do irmão, pelas suas cicatrizes e pela sua alma vazia.
Ao longo de quatro anos, Jorg cresce no seio de batalhas sangrentas, amadurece em guerras impiedosas, torna-se um guerreiro cruel e vai ganhando o respeito dos seus irmãos até que se torna o seu líder. Agora, um reencontro vai levá-lo de volta ao castelo onde cresceu e ao pai que abandonou. O que vai encontrar não é o mesmo sítio idílico de que se lembra, mas o príncipe que agora retorna também não é mais a inocente criança de outrora, é o Príncipe dos Espinhos.

Opinião:
Quando nos encantamos com um personagem do mais sacana que há, mas abominamos muito do que ele faz... É isto que acontece quando conhecemos Jorg, em Príncipe dos Espinhos, logo nas primeiras páginas. Ou pelo menos, no que toca à parte do abominar... O encanto vem com o tempo e alguns abanares de cabeça.

Há que tempos que tinha esta trilogia de Mark Lawrence na minha wishlist em inglês, e foi com grande entusiasmo que a vi ser publicada, cá em Portugal, e a um preço bem mais simpático que o das hardback que queria adquirir. Como podem calcular, este grande passo da Topsseler, foi música para os meus ouvidos. Mas, foi só agora que vi a trilogia completa ser publicada, que me resolvi agarrar ao primeiro volume. E que leitura fantástica foi! 

O universo desta história parece ser o nosso mundo, mas não como nós o conhecemos. Tratar-se-há de um futuro mais primitivo em que nos encontramos de volta aos tempos medievais, já que são referidos vários países conhecidos, ou nomes de terras meio alterados, mas facilmente identificáveis, bem como obras e relatos nada típicos da época supra mencionada. Existem muitas referencias aos antigos "Construtores" (possivelmente o nosso Homem moderno), capazes de grandes obras de engenharia, que os personagens não conseguem conceber, tal como o autor nos descreve em algumas cenas bem engraças com uma espécie de computador e outra com uma estrutura estranha, sem escadas, que parece ter sido em tempos um elevador. Também nos falam de livros antigos com termos estranhos, completamente alheios aos personagens, de cariz cientifico, como por exemplo efeitos mutagénicos causados por certas substâncias.
Espero vir a saber mais sobre estes "Construtores" e o que lhes aconteceu, para desaparecerem da face da terra. Saber porque voltámos a uma época de trevas e retrocesso a nível de conhecimentos.

É neste mundo duro que conhecemos Jorg, o nosso personagem principal, e o acompanhamos no seu percurso sinistro dos 9 aos 14/15 anos. Jorg é príncipe caído, movido pela vingança. É completamente amoral, não tem piedade nem remorsos, parece ser vazio de sentimentos. O que o preenche são sombras, morte e uma desmesurada ambição. É capaz de de grandes atrocidades, em conjunto com o seu bando de "Irmãos", um grupo composto pela maior das escumalhas, com quem elabora os esquemas mais loucos e se joga de cabeça para o abismo.
É um pouco assustador ver tudo o que aquele miúdo é capaz... Aliás, só quando ia sendo referida a sua idade é que me recordava que não estava a acompanhar a história de um adulto cruel.

No entanto, apesar de Jorg ser uma espécie de anti-herói, começa a mostrar, com o decorrer das páginas, que até é capaz de nutrir sentimentos por outros personagens e que vai na volta, até é possível que tenha um pouco de luz no lugar negro e retorcido que é o seu coração, mesmo que com isso se sinta contrariado.
No que respeita a outras personagens, devo dizer que gostei especialmente do Núbio, com a sua pesada besta gravada com caras de Deuses medonhos. Gostei também de ver surgirem Necromantes e criaturas como Leucrotas mutantes, bem como os chamados Bruxos dos sonhos, com os seus poderes de dominar a mente.

Príncipe dos Espinhos foi uma leitura intensa, repleta de batalhas e escaramuças, com momentos bem negros, fortes e sinistros. É uma obra que mantém o leitor agarrado, sempre a querer saber que raio vai Jorg inventar a seguir, ou como se vai safar de determinada situação.
Acredito que não seja um livro que resulte facilmente com todos os amantes de fantasia, especialmente devido à índole moral do protagonista, mas acredito que é bem possível interessarmo-nos e até sermos cativados por um personagem assim, desenhado com muitos tons de cinzento, a cair mais para o negro, ao mesmo tempo que condenamos muitas das suas acções. Isto especialmente quando vemos tudo o que lhe aconteceu com apenas 9 anos, como é o resto da sua família e todos aqueles que o rodeiam. Não desculpando, é difícil ter um bom modelo a seguir nestas condições e no mundo em que vive.

Resumindo e concluindo: Adorei ler este livro, senti-me cativada pelos personagens e pela trama, pelo humor negro de diversas situações. Mal posso esperar por saber qual será o passo seguinte em Rei dos Espinhos.

sábado, 22 de abril de 2017

Opinião - Blood of Tyrants

Ficha Técnica:
Autor: Naomi Novik
Série: Temeraire, #8
Páginas: 486
Editor: Del Rey
ISBN: 0345522907

Sinopse:
Naomi Novik’s beloved Temeraire series, a brilliant combination of fantasy and history that reimagines the Napoleonic wars as fought with the aid of intelligent dragons, is a twenty-first-century classic.

Shipwrecked and cast ashore in Japan with no memory of Temeraire or his own experiences as an English aviator, Laurence finds himself tangled in deadly political intrigues that threaten not only his own life but England’s already precarious position in the Far East. Age-old enmities and suspicions have turned the entire region into a powder keg ready to erupt at the slightest spark – a spark that Laurence and Temeraire may unwittingly provide, leaving Britain faced with new enemies just when they most desperately need allies instead.

For to the west, another, wider conflagration looms. Napoleon has turned on his former ally, the emperor Alexander of Russia, and is even now leading the largest army the world has ever seen to add that country to his list of conquests. It is there, outside the gates of Moscow, that a reunited Laurence and Temeraire – along with some unexpected allies and old friends – will face their ultimate challenge . . . and learn whether or not there are stronger ties than memory.

Opinião:
Demorei imenso tempo a começar a ler este livro. Mas mais uma vez assim que comecei não consegui parar. Tenho andado outra vez sem vontade de fazer nada, o que acaba por se reflectir nas minhas leituras. Ao menos quando começo a ler passa-me a preguiça e a coisa até corre bastante bem. O problema é mesmo começar. Mas pronto, neste momento está o livro lido e é isso o que é importante.

Continuamos a seguir a história de Laurence e Temeraire na sua luta contra o exército de Naoleão. Confesso que houve alguns pormenores dos quais já não me lembrava, o que ajudou a que o livro me surpreendesse pela positiva. Confesso que o livro também começou logo a grande velocidade, o que ajudou a que me mantivesse interessada durante toda a história.

A nível de qualidade o livro não difere muito dos anteriores, houve durante a série ali um ou dois livros em que achei a história dos personagens deficiente e os acontecimentos aborrecidos, mas ultimamente isso não se tem verificado. Têm existido adições constantes de personagens interessantes que vêm dar novo vigor à história. Ao mesmo tempo os personagens que basicamente nos acompanham durante o início também vão passando por situações que os transformam. Por exemplo neste livro, Laurence perde a memória dos últimos 8 anos, mas existem certas coisas que permanecem com ele involuntariamente. O amor e respeito que sente pelo Temeraire e pelas pessoas que estão à sua guarda, a sua maneira de pensar. São coisas que estão profundamente enraizadas nele e que apesar de ele não as conseguir explicar, o que o torna algo apreensivo, existem de facto e ele não consegue fazer nada para as mudar.

Quanto ao rumo da história, não sei o que vai sair dali, também porque não conheço propriamente o percurso da guerra. Mas deduzo que ainda venham por aí muitas surpresas e muitas delas não muito boas. Estou curiosa para saber que dragão vai ser o cruzamento entre o Temeraire e a Iskierka. Uma personalidade bem peculiar vai ter de certeza, mas será que vai herdar as capacidades da mãe ou do pai? Questões, questões...

A única coisa que não me agradou por aí além no livro foi a passagem da parte I para a parte II. Achei um bocadinho atabalhoada e confusa. A parte II começa logo com algo estrondoso a acontecer e eu nem sequer consegui perceber de onde é que vieram aqueles acontecimentos, o que me deixou um pouco baralhada.

Fico então a aguardar a possibilidade de ler o último livro, espero que seja pelo menos ao nível deste para que a série possa acabar em beleza.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Opinião - Desert Tales

Ficha Técnica:
Autor: Melissa Marr
Série: Wicked Lovely
Páginas: 245
Editor: HarperCollins
ISBN: 0062287567

Sinopse:
Return to the world of Melissa Marr's bestselling series and discover how the events of Wicked Lovely set a different faery tale in motion. . . . Originally presented as a manga series and now available for the first time as a stand-alone novel, Desert Tales combines tentative romance, outward strength, and inner resolve in a faery story of desert and destiny.

The Mojave Desert was a million miles away from the plots and schemes of the Faerie Courts—and that's exactly why Rika chose it as her home. The once-mortal faery retreated to the desert's isolation after decades of carrying winter's curse inside her body. But her seclusion—and the freedom of the desert fey—is threatened by the Summer King's newfound strength. And when the manipulations of her trickster friend, Sionnach, thrust Rika into a new romance, she finds new power within herself—and a new desire to help Sionnach protect the desert fey and mortals alike. The time for hiding is over.

Opinião:
Neste livro ficamos a conhecer um pouco da história da Winter Girl que ocupou o cargo antes de Donya. Alguns dos personagens da série original aparecem neste livro, nomeadamente Keenan e Donya. A história passa-se essencialmente após Keenan ter recuperado os seus poderes na totalidade e a Rainha do Inverno ter morrido.

Ao início Rika é alguém que ainda está a fazer o luto por aquilo em que se tornou apesar de já terem passado anos desde que libertou da maldição a que esteve sujeita. É preciso um empurrão do seu único amigo, Sionnach, para que Rika comece a libertar-se das grilhetas do passado e tome o lugar a que tem direito por ser o faery mais forte existente no deserto de Mojave. Foi interessante ver como Rika começa a lutar por aquilo que é realmente importante quando existe algo para proteger e como afinal não é o ser débil e sem vontade que parecia ao início.

Gostei especialmente da sua relação com Jayce, e como esta a torna mais receptiva às coisas boas da vida. Em como Jayce a faz sentir-se novamente viva. Gostei ainda mais de ver a sua relação com Sionnach, e tudo o que ele faz para a proteger e para a ajudar, mesmo que para isso tenha que a manipular. É fácil de perceber os sentimentos que Sionnach tem por Rika, mas sobre os quais não ousa agir porque sabe que isso não trará qualquer benefício para nenhum dos dois.

No geral é um livro aceitável para passar o tempo. Mas não o achei nada de extraordinário. Os antagonistas não parecem ser um problema sério, e por isso os desafios de Rika também não parecem ser assim tão difíceis de ultrapassar.

Lembro-me com carinho da série original, e lembro-me que até gostei bastante. Mas senti que este livro ficava por de mais aquém daquilo que esperava. Ou porque é realmente bem mais fraco que a série original ou porque simplesmente os meus gostos evoluíram desde aquela altura e neste momento sou uma pessoa mais exigente. Neste momento não o sei dizer.

Assim sendo senti que este não era um livro que acrescentava propriamente informação útil à história original e que por isso mesmo não é uma leitura obrigatória para quem gostou da série Wicked Lovely.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Novos na Estante (da Rita) #13 - Março de 2017


Olá pessoal! Sejam bem-vindos a mais um Novos na Estante. O mês de Março já lá vai e por aqui estou mais que pronta para vos mostrar os livrinhos novos que chegaram cá a casa. Vamos a isto?

Comecemos então com as compras em PT:
Esperei que a Fnac fizesse 20% de desconto em todos os livros, para aderentes, de modo a aproveitar da melhor maneira os cartões presente e um vale de desconto que tinha aqui para gastar.
Por isso, estes quatro livrinhos que se encontram na imagem ao lado saíram-me de borla ^^
- Norte e Sul de Elizabeth Gaskell, um clássico que há muito queria adquirir;
- Marcado na Pele da minha Anne Bishop, o 4º volume da série Os Outros;
- Rei dos Espinhos e Imperador dos Espinhos de Mark Lawrence, volumes 2 e 3 da Trilogia dos Espinhos.
Continuando com os livros em PT e agora na vertente Graphic Novel e Manga:
- Assassination Classroom, volume 7 de Yusei Matsui;
- Fatale volumes 1 e 2 de Ed Brubaker e Sean Phillips, uma série nova na qual resolvi apostar, já que estes dois livros estavam com uma promoção especial;
- Saga volume 6 de Brian K. Vaughan e Fiona Staples.
E por fim, os livros em inglês, todos eles adquiridos com desconto:
- Empire of Storms de Sarah J. Maas, o 5º volume da série Throne of Glass;
- Bright Smoke, Cold Fire de Rosamund Hodge, um livro que mistura Romeu e Julieta e Necromantes;
- Long May She Reign de Rhiannon Thomas é uma novidade literária;
- Yellow Brick War de Danielle Paige, o 3º volume da série Dorothy Must Die, uma espécie de retelling do Feiticeiro de Oz em que Dorothy é vista como a má da fita, pelo que percebi. Ainda não li nenhum livro da série e só comprei este por estar mais barato.

Pronto pessoal, no que toca a aquisições, foi isto o meu mês de Março. E por aí, quais foram as novidades nas vossas estantes? Já leram ou querem ler algum destes livros? Contem tudo, que por aqui gostamos de saber :)
Por agora me despeço e para o próximo mês cá estarei novamente, com um novo post, para vos mostrar mais novidades. Até lá, boas leituras!


quarta-feira, 12 de abril de 2017

Peek-a Book (Rita) - Uprooted


Ficha Técnica:
Autor: Naomi Novik
Páginas: 438
Editor: Macmillan
ISBN: 9781447294139

Sinopse:
Agnieszka loves her valley home, her quiet village, the forests and the bright shining river. But the corrupted wood stands on the border, full of malevolent power, and its shadow lies over her life.

Her people rely on the cold, ambitious wizard, known only as the Dragon, to keep the wood's powers at bay. But he demands a terrible price for his help: one young woman must be handed over to serve him for ten years, a fate almost as terrible as being lost to the wood.

The next choosing is fast approaching, and Agnieszka is afraid. She knows - everyone knows - that the Dragon will take Kasia: beautiful, graceful, brave Kasia - all the things Agnieszka isn't - and her dearest friend in the world. And there is no way to save her.

But no one can predict how or why the Dragon chooses a girl. And when he comes, it is not Kasia he will take with him.

From the author of the Temeraire series comes this hugely imaginative, engrossing and vivid fantasy novel, inspired by folk and fairy tales. It is perfect reading for fans of Robin Hobb and Trudi Canavan.

Opinião:
Desde que vi este livro ser publicado que fiquei cheia de vontade de o ler. Comprei-o pouco tempo depois, mas devido às habituais contingências da vida de um leitor, foi ficando um pouco para trás e só agora, graças à Joana e a este nosso projecto do Peek-a Book, é que lhe peguei. E fico TÃO feliz por isso! Adorei profundamente este livro, a história, os personagens, as mensagens que nos transmite, tudo! Foi uma obra que me encheu as medidas por se revelar tão completa.

Posso dizer-vos, que esta foi uma daquelas vezes em que me deixei enganar pela sinopse e sem qualquer arrependimento. Fez-me imaginar um livro cuja história girasse em torno da escolha de uma rapariga em detrimento de outra por um desagradável feiticeiro e das provações que esta teria de suportar por dez anos nas suas mãos. Ora, não podia estar mais longe da verdade, pois a escolha mencionada na sinopse é apenas a ponta de um vasto iceberg.
Como pano de fundo temos um bosque danado, repleto de sinistras criaturas, uma pequena aldeia que vive na sua sombra, duas amigas inseparáveis, mas muito diferentes uma da outra, e um frio feiticeiro numa torre cuja função é proteger o reino da corrupção do bosque. Belo conjunto de ingredientes para uma história, certo?

Sou da opinião que Naomi Novik conseguiu conceber uma narrativa belíssima, bem estruturada, inteligente e acima de tudo, surpreendente. O desenrolar dos acontecimentos trouxe muitas surpresas, estava longe de imaginar o rumo que a história tomou e tudo aquilo que os personagens iriam ter de suportar.
Somos brindados com momentos de grande poder e pura magia, com passagens bem negras e violentas, com episódios da mais profunda das amizades e paixão ardente, já para não falar de coragem, fé e tenacidade. 

Os personagens, de tão bem elaborados, cativaram-me por completo. Nieshka com toda a sua magia crua, fora do convencional, força e perseverança. A sua linda amizade com Kasia, capaz de resistir aos mais duros pesadelos. Esta última, uma personagem que sofreu grandes mudanças e que ninguém diria vir a fazer tudo aquilo que se viu. Sarkan, o Dragão, um personagem que se revelou mais humano do que parecia, que foi capaz de se moldar a outras realidades. E acima de tudo, o próprio Bosque. O inimigo sem rosto, antigo como o início dos tempos, poderoso, repleto de maldade, de corrupção, ardiloso e implacável. Capaz de destruir tudo sem olhar para trás.
Adorei ver a evolução em todos eles.

No que respeita ao clímax da obra, devo dizer que achei sublime. O atribuir de um rosto e forma a um inimigo omnipotente e omnipresente, a história das árvores coração, a revelação da força motriz que desencadeou tanta obscuridade e maldade para com o Homem, e o sentimento de compaixão que esse testemunho nos imprime; e claro, o culminar de tudo: a descoberta de uma solução e o deitar mãos à obra. Perfeito, de tão bem conseguido.

Uprooted é uma obra marcante, cujos personagens e história permanecem connosco mesmo depois de arrumar o livro na estante.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Opinião - Tigana - A Lâmina na Alma e A Voz da Vingança

Ficha Técnica:
Autor: Guy Gavriel Kay
Título Original: Tigana, #1.1 e #1.2
Páginas: 320 e 320
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896376055 e 9789896376260
Tradutor: Carlos Daniel S. Vieira e Ana Cristina Rodrigues
Adaptação: Jorge Candeias

Sinopse:
Tigana - A Lâmina na Alma
Tigana é uma obra rara e encantadora onde mito e magia se tornam reais e entram nas nossas vidas. Esta é a história de uma nação oprimida que luta para ser livre depois de cair nas mãos de conquistadores implacáveis. É a história de um povo tão amaldiçoado pelas negras feitiçarias do rei Brandin que o próprio nome da sua bela terra não pode ser lembrado ou pronunciado.
Mas anos após a devastação da sua capital, um pequeno grupo de sobreviventes, liderado pelo príncipe Alessan, inicia uma cruzada perigosa para destronar os reis despóticos que governam a Península da Palma, numa tentativa recuperar um nome banido: Tigana.
Num mundo ricamente detalhado, onde impera a violência das paixões, este épico sublime sobre um povo determinado em alcançar os seus sonhos mudou para sempre as fronteiras da fantasia.


Tigana - A Voz da Vingança
O príncipe Alessan e os seus companheiros puseram em marcha um plano perigoso para unir a Península de Palma contra os reis despóticos Brandin de Ygrath e Alberico de Barbadior, numa tentativa de recuperar Tigana, a sua terra natal amaldiçoada. Brandin é um rei maquiavélico e arrogante, mas encontrou em Dianora alguém à sua altura e está cativo da sua beleza e charme. Alberico está cada vez mais consumido pela ambição, cego a todas as ciladas em seu redor. Entretanto, o nosso grupo de heróis viaja pela Península, em busca de alianças e trunfos decisivos que podem mudar a maré da batalha a seu favor. Alessan está mais moralmente dividido que nunca, Devin já não é o rapaz ingénuo que era, Catriana apenas deseja redenção e Baerd descobre uma nova magia na Península. Conseguirá Tigana vingar a memória dos seus mortos? Ninguém consegue prever o fim nem as perdas que irão sofrer. Sacrifícios serão feitos, segredos antigos serão revelados e, para uns vencerem, outros terão forçosamente de tombar.

Opinião:
Deste autor li o ano passado Os Leões de Al-Rassan, livro esse que adorei. Assim sendo foi com grande expectativa que parti para a leitura deste Tigana, do qual já tinha ouvido falar maravilhas. Para meu grande desgosto não gostei nem de perto tanto deste livro como gostei do anterior. Posso desde já dizer que gostei muito mais da segunda metade do livro do que da primeira. Eventualmente porque durante a primeira parte nos são apresentados os personagens e a sua demanda, bem como explicado o mundo que nos é apresentado. A segunda parte tem mais acção e é aqui que realmente algo acontece, e por isso mesmo a leitura também se torna mais célere.

Gostei bastante dos personagens que nos são apresentados, todos eles bastante complexos. Nenhum é apenas bom ou mau. Os heróis cometem assassínios e outros semelhantes sem qualquer escrúpulos de modo a conseguirem atingir os seus objectivos. Já supostamente um dos vilões é alguém capaz do amor mais profundo que se poderia imaginar numa pessoa. Assim sendo é difícil não sentir-mos empatia por Brandin, ao mesmo tempo que nos sentimos algo revoltados com as atitudes de Alessan e Baerd. A única personagem que sem dúvidas é mesmo odiosa e sem nada de bom é Alberico. O homenzinho era mesmo asqueroso, com toda a sua ganância e necessidade de poder.

O mundo onde se passa a acção está bastante bem construído e fundamentado. Tem as suas próprias lendas e ritos e tudo se encaixa perfeitamente. Gostei bastante de ir descobrindo aos poucos as várias características dos territórios de Palma, bem como o tipo de pessoas que a habitam.

Contudo a mais valia da história é sem dúvida os seus personagens. Não existe um únicos que não tenha vários tons de cinzento, que lute com os seus demónios e as suas escolhas, que combata todos os dias com aquilo que a razão e o coração lhe dizem. A personagem mais notória neste aspecto é sem dúvida Dianora, que por um lado quer libertar Tigana, mas por outro descobriu em Brandin um homem extremamente inteligente e carinhoso por quem acaba por se apaixonar. Deve ser algo terrível, os sentimentos com que Dianora lida a todos os momentos...

Infelizmente, o desenrolar da história teve pontos menos bons. Principalmente o clímax, que achei ter sido alcançado de repente e ser resolvido ainda mais rapidamente. Gostaria de algo mais trabalhado e com mais suspense.Algo mais demorado a realizar, tal como a demanda a que Alessan se sujeitou. Por fim não posso deixar de falar do final. A sério? Era preciso mais desgraça? Depois de tudo o que aconteceu o autor tinha mesmo que colocar aquele final? Acho que era desnecessário depois de toda a tristeza que já existia. Já havia um final agridoce, não era preciso mais tragédia.

Assim sendo foi um livro que se por um lado me satisfez, por outro me deixou algo desiludida.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Mini-Opinião - Seduced by a Pirate

Ficha Técnica:
Autor: Eloisa James
Série: Fairy Tales, #4.5
Páginas: 128
Editor: Avon
ASIN: B0092QKWVU

Sinopse:
In Eloisa James's companion story to The Ugly Duchess, Sir Griffin Barry, captain of the infamous pirate ship The Poppy, is back in England to claim the wife he hasn't seen since their wedding day . . . but this is one treasure that will not be so easy to capture.

Opinião:
Nesta novela ficamos a conhecer a história do Griffin. Este é primo do James, e encontram-se novamente quando o James está a ser atacado por um navio pirata que pertence, nem mais nem menos, ao Griffin. Achei extremamente engraçado o facto de que o Griffin ter tanto medo de voltar para casa por causa do que aconteceu na sua noite de núpcias e por detestar títulos e ter uma relação atribulada com o pai por causa disso. 

No final aquilo que ele esperava acabou por não ser aquilo que aconteceu. Às vezes fugimos a vida inteira de determinados cenários que imaginamos e depois quando as coisas acontecem tudo aquilo que temíamos não passa de falta de crença em nós mesmos. Basicamente foi isso que aconteceu nesta novela. Gostei bastante da atitude dominadora do Griffin e ainda mais da maneira como a Phoebe se tentar comportar ao pé dele. Tenta sendo a palavra chave, porque por mais que ela tente ser civilizada a verdade é que está sempre a fazer-lhe frente e a dizer que não.

Uma vez mais não gostei de toda a situação de a parte masculina ter ido para a cama com outras mulheres e isso ter sido ultrapassado rapidamente com explicações no mínimo desenxabidas. Em contra partida adorei o mal entendido com o Flying Poppy e as crianças. Sem dúvida que as crianças foram algo de admirável, principalmente o rapazinho mais velho. Foi interessante ver como o Griffin se comportava com elas, sendo filhas apenas da Phoebe. Apesar de tudo este não quis abrir mão delas e a sua única intenção era protegê-las o que sem dúvida é louvável.

Acredito que a história teria beneficiado se fosse ligeiramente maior, mas não se pode pedir tudo. Acho que serviu o seu propósito e espero sinceramente que o próximo livro não tenha os mesmo pontos negativos que encontrei no anterior e nesta novela.

sábado, 1 de abril de 2017

Opinião - Mors Tua, Vita Mea: A tua morte, a minha vida

Ficha Técnica:
Autor: Vanessa Santos
Páginas: 540
Editor: Chiado
ISBN: 9789895130771

Sinopse:
Sou a Sara, e estou agoniada, desesperada, com suores frios, o mundo ganhou profundidade, está calor, não, é frio, estou tonta. Tirem-me daqui, por favor.
É assim que se inicia o relato de Sara, a rapariga mais comum da cidade de Leiria. É-lhe transmitido pelo seu chefe um segredo de família que lhes trará dificuldades e mudanças.
Em pouco tempo, Sara verá a sua vida dar uma volta de 180º, viverá momentos de pânico, medo e de pura paixão.
Trata-se de um relato divertido, que descreve o desenrolar da trama de uma forma leve, dando a conhecer o ponto de vista de uma jovem na casa dos vinte anos e no auge da sua imaginação, descrevendo as cenas que vive com à vontade e humor.

Opinião:
O ano passado fui contactada pela Vanessa que me perguntou se gostaria de ler o seu livro para posteriormente lhe dar a minha opinião. Infelizmente colocaram-se outras coisas pelo meio e só agora tive oportunidade de ler o seu livro.

Houve pontos positivos e pontos negativos acerca do livro. A maior parte dos pontos negativos têm sem dúvida a ver com a fraca ou inexistente revisão do livro. Se isso me incomodou? Sem dúvida. Contudo tentei ter uma mente aberta e ignorar a quantidade astronómica de gralhas. Tentei focar-me essencialmente nas história em si, nas personagens e afins.

Sem dúvida que o pior foi mesmo a revisão. O facto de não ter existido uma revisão prejudicou o livro em vários sentidos. O mais óbvio é sem dúvida o facto de existirem milhentas gralhas ao longo de todo o livro. Palavras mal escritas, acentos ao contrário ou inexistência dos mesmos. Frases com construções estranhas, enfim. Aquelas coisas que fazem com que o leitor muitas vezes desista de um livro. Contudo chegou a um momento em que acabei por me conseguir abstrair desses erros, eventualmente porque o meu cérebro ficou tão habituado que deixou de ligar àquilo que via.

Outros aspectos em que a revisão teria ajudado foi nas construção e organização da história. O primeiro capítulo tem cerca de 250 páginas, o que é impensável em qualquer história. Detectei ali vários sítios onde a autora poderia ter quebrado a narrativa para terminar e iniciar outro capítulo, mas não o fez. Para mim a extensão capítulo irritou-me solenemente visto que gosto de ler livros por capítulos. É mais fácil para me focar  na história, ajuda-me a avançar na leitura e mais uns quantos benefícios. Tendo em conta que este capítulo é enorme muitas das vezes fazia-me sentir que não saía do mesmo sítio. Ao mesmo tempo a Sara é uma personagem que gosta bastante de divagar e de nos contar histórias do seu passado. Por um lado gostei bastante destes momentos porque nos mostram melhor que tipo de pessoa ela é, mas por outro podem tornar-se algo aborrecidos em demasia. Estes dois aspectos aliados poderiam ter levado a que me sentisse extremamente aborrecida durante a primeira metade do livro. A verdade é que isso não aconteceu. A Sara é uma personagem bastante cativante e interessante, cheia de genica e desenrascada apesar de completamente desastrada. Foi essencialmente a sua personalidade que salvou o livro, bem como a história que até é interessante.

A escrita da autora em si também é agradável. Os diálogos entre personagens estão bem construídos, sem bem que tive alguns problemas ali com uns sms trocados, achei a troca lamechas de mais e detesto coisas lamechas sem necessidade. Quanto ao final da primeira parte, porque sim, o livro está dividido em duas partes com dois prólogos e afins o que não faz muito sentido, achei-o apressado. Sinceramente parecia que a Sara estava a ter uma alucinação porque foi tudo fácil e rápido de mais no final. Não parecia real. Juro que pensava que havia ali marosca qualquer dos maus. Mas não. As coisas ficaram mesmo resolvidas. Fiquei com um ar um bocadinho WTF?, mas pronto. Mais uma vez aqui penso que o problema foi mais pela falta de revisão. visto que não há muito a fazer quanto à inexperiência da autora.

Quanto à segunda parte do livro, bem... Antes de mais é um bocado idiota ter parte um e parte dois, até porque dá para perceber perfeitamente que era suposto serem dois livros em separado. E a realidade é que o leitor é apanhado de surpresa porque em lado nenhum é dado a entender que o livro é uma espécie de compilação. Enfim, mais uma vez terá sido um mau trabalho da editora que não se deu ao trabalho de guiar a autora. Não gostei tanto da segunda metade do livro como da primeira. Achei a história mais sóbria, principalmente porque o Cláudio é também mais sério. Contudo até mesmo nas partes em que a história é contada pelo ponto de vista da Sara achei que lhe faltava personalidade. Penso que se perdeu um pouco da essência da personagem entre a primeira e a segunda parte. Existe também mais pontos de vista nesta segunda parte do que na primeira. Se bem que dá outra dimensão à história, a verdade é que está pouco clara a passagem de uma personagem para a outra. Poderia haver ali uma sinalização qualquer de modo a que rapidamente o leitor conseguisse identificar a alteração. Não gosto muito de estar a ler e não estar a perceber muito bem o que estou a ler porque o meu cérebro ainda se está a aperceber que estou a ler a história de outro ponto de vista...

Mais uma vez não gostei muito do final, exactamente pelo mesmo motivo que anteriormente. Achei-o muito apressado e resolvido facilmente em vez de ser uma coisa com pés em cabeça.

Apesar de parecer que essencialmente só encontrei pontos negativos, a verdade é que até gostei do livro, mais do que aquilo que esperava. Acho que simplesmente é mais fácil falar daquilo que não gosto do que do que gosto. De uma maneira geral gostei bastante de Sara, a autora soube construir uma personagem interessante, se bem que perdeu um pouco o seu brio na segunda parte do livro. O mistério da história em si também é interessante, se bem que na segunda parte não é explicado o porquê de um dos vilões andar a perseguir Sara. E acho que esse esclarecimento era bastante importante. Gostei da escrita da autora e fiquei surpreendida com os diálogos, sou sincera quando digo que normalmente estou sempre à espera de ter problemas com os mesmos. Resumindo, acho que a Vanessa é uma autora com potencial, mas que infelizmente fez uma má escolha com a editora e que ficou a perder muito com isso. Espero que caso venha a publicar novo livro tenha mais sorte.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Opinião - Going Too Far

Ficha Técnica:
Autor: Jennifer Echols
Páginas: 257
Editor: MTV Books
ASIN: B001NLL5BS

Sinopse:
HOW FAR WOULD YOU GO?

All Meg has ever wanted is to get away. Away from high school. Away from her backwater town. Away from her parents who seem determined to keep her imprisoned in their dead-end lives. But one crazy evening involving a dare and forbidden railroad tracks, she goes way too far... and almost doesn’t make it back.

John made a choice to stay. To enforce the rules. To serve and protect. He has nothing but contempt for what he sees as childish rebellion, and he wants to teach Meg a lesson she won’t soon forget. But Meg pushes him to the limit by questioning everything he learned at the police academy. And when he pushes back, demanding to know why she won’t be tied down, they will drive each other to the edge—and over...

Opinião:
Visto que não tinha livros na minha pilha por ler que se enquadrassem no desafio deste mês, pedi a uma amiga que me desse uma ajuda com algumas sugestões de leitura e este foi o escolhido.

Basicamente conta-nos a história de uma rapariga que não se importa com as consequências e que vive a vida sempre no limite. Ao mesmo tempo, conta-nos também a história de um rapaz que vive obcecado por uma ponte que existe na sua terra natal, local onde se passa a acção.

A Meg é uma pessoa que se destaca pelo seu mau comportamento e pela cor do seu cabelo. Esse mau comportamento tem uma razão de ser, que o leitor vai descobrindo enquanto o romance entre os personagens se desenvolve, o mesmo acontecendo com os motivos que levam John a ser paranóico em relação à ponte onde passa o comboio.

Se por um lado gostei dever o desenvolvimento de ambos os personagens e a maneira como ambos se obrigam a enfrentar os seus receios um pelo outro, por outro lado não achei que os personagens fossem bem desenvolvidos e complexos. Pessoalmente não me consegui ligar a eles e aos seus problemas. Tal como não consegui perceber determinados comportamentos que pareciam não fazer parte das suas personalidades. Houve determinadas explosões emocionais que achei rasarem o exagerado sem qualquer razão aparente, havendo ainda em especial um momento em que Meg acusa John de ser controlador quando nunca durante a narrativa me apercebi de tal característica. Foi  um bocado estranho e deixou-me um bocado de pé atrás.

Ao mesmo tempo não achei que o romance fosse propriamente notório, nem achei que houvesse propriamente uma ligação e desenvolvimento emocional entre os personagens. Foi mais como se em determinado momento ambos decidissem que a atracção física que sentem um pelo outro fosse mais que isso e que ambos mereciam uma oportunidade em serem felizes no conjunto.

Pessoalmente gostei mais das personagens secundárias, como por exemplo a amiga de Meg e o amigo de John. Achei-os extremamente fofos juntos e fiquei com curiosidade em saber mais das suas histórias e se no futuro iriam ficar juntos.

Assim sendo foi uma leitura rápida e agradável, mas não uma que me ficará na memória e que me levará a ler mais livros da autora.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Opinião - A Cidade das Ilusões

Ficha Técnica:
Autor: Ursula K. Le Guin
Título Original: City of Illusions
Série: Hainish Cycle
Páginas: 248
Editor: Livros do Brasil
ISBN: ?
Tradutor: Raul de Sousa Machado

Sinopse:
Sozinho numa floresta densa um homem estranho com olhos grandes, a iris cor de âmbar, oval, ocupando todo o branco do globo lembrava os olhos de um gato; coberto de lama e esterco, arranhado, com o corpo nu enleado na vegetação da floresta, o homem tinha a pele mais clara do que os que à sua roda discutiam o acontecimento, enquanto ele se encolhia do sol e tremia de exaustão e medo. Era um homem adulto, sozinho, sem rasto, sem memória, com um olhar que não era humano. Os seus olhos não eram humanos. Os habitantes da floresta, espalhados pela terra, pequenos agrupamentos isolados vivendo num estado de semibarbarismo, nada sabiam da idade de ouro da Liga dos Mundos.

Opinião:
Finalemente! Passado tanto tempo em angústia finalmente consegui ler o último livro do Hainish Cycle publicado em português. Último porque era o único que me faltava ler, o mais difícil de encontrar. E a espera valeu a pena. Adoro ler Le Guin, os mundos criados por ela, a maneira como as histórias se encaixam e como determinados povos se cruzam em diferentes livros, fazendo ligações que não estávamos à espera.

Mas mais que isso adoro o modo como a autora nos pretende transmitir determinados conhecimentos, nos pretende fazer pensar acerca do nosso comportamento. Os seus livros são lições subtis acerca da maneira como vemos o mundo e de como lidamos com ele. O preconceito para com os outros, o medo da mudança, a irracionalidade perante o que é diferente e inesperado. O modo como a nossa força de vontade é algo soberbo e de como por mais conhecimentos que tenhamos a verdade é que nunca sabemos tudo. Podemos ser enganados, iludidos por aquilo em que é fácil de acreditar, mas isso não interessa se estivermos dispostos a experimentar, a trilhar o mesmo caminho que os outros, se simplesmente nos dermos ao trabalho de questionar e de não seguir cegamente aquilo que nos tentam impingir.

É para mim difícil falar dos livros desta autora devido a tudo aquilo que podia ser dito. Os personagens são fascinantes, a história é cativante, e todas as nuances e questões que a autora nos coloca indirectamente deixam o leitor a pensar mesmo depois de o livro ser dado como terminado.

Assim sendo foi uma leitura que me encheu as medidas e que me deixou bastante satisfeita. Tenho definitivamente que ler mais obras da autora visto que até à data apenas li a série Terra Mar e esta.

terça-feira, 7 de março de 2017

Opinião - Fire in You

Ficha Técnica:
Autor: J. Lynn, Jennifer L. Armentrout
Série: Wait for You, #6
Páginas: 360
Editor: Jennifer L. Armentrout
ASIN: B01L7S96W6

Sinopse:
From the # 1 New York Times and International bestselling author, Jennifer L. Armentrout writing as J. Lynn, comes a richly moving story about heartbreak and guilt, second chances and hope. Full of familiar, fan-favorite characters and no two people more deserving of a happy ending, Fire In You will burn bright beyond the last page…

Jillian Lima’s whole world was destroyed in a span of a few hours. The same night her childhood love, Brock ‘the Beast’ Mitchell, broke her heart, her life was irrevocably altered by the hand of a stranger with a gun. It takes six years to slowly glue together the shattered pieces of her life, but Jillian is finally ready to stop existing in a past full of pain and regret. She takes a job at her father’s martial arts Academy and she’s going out on her first date since a failed relationship that was more yuck than yum. Jillian is determined to start living.

She just never expected Brock to be a part of her life again. But he’s firmly back in her life before she knows it, and not only is he older, he’s impossibly more handsome, more teasing and more everything. And when he sees Jillian, he’s no longer capable of thinking of her as the little girl who was his shadow growing up or the daughter of the man who gave him a second chance at life. He sees the woman who’d always been there for him, the one person who believed in him no matter what.

Brock knows she’s the one he should’ve made his, and what begins as a tentative friendship quickly turns to red-hot chemistry that sparks a flame that burns brighter than lust. Falling for Brock again risks more than her heart, because when the past sorrow-filled and guilt-ridden past resurfaces, and a web of lies threatens to rip them apart, the fallout could lay waste to everything they’ve fought to build together, and destroy the dreams of those they care most about.

Opinião:
Esta é uma daquelas autoras que sempre que sai um livro não me demoro muito até lê-lo porque já sei que vou gostar daquilo que vou ler. Infelizmente desta vez fiquei um pouco decepcionada com aquilo que li. Tanto a Jillian como o Brock já eram conhecidos dos livros anteriores, mais o Brock que a Jillian. Foi um choque saber que este livro se passa cerca de 6 anos depois do livro da Steph. Não estava à espera deste salto temporal até porque achei que não se justificava propriamente.

É verdade que conforme a autora explica existe uma diferença de idades de 6 anos entre os protagonistas, mas não me senti convencida quanto a isso ser um impedimento para que a relação deles se tivesse desenvolvido mais cedo. Se não me engano na altura do livro da Steph a Jillian já á maior de idade e uma diferença de 6 anos de idade não me parece algo de extraordinário.

Tirando essa parte também fiquei um pouco desiludida pela forma como a relação entre o Brock e a Jillian evoluiu. Depois de tudo aquilo pelo que a Jillian passou achei que foi muito fácil para ela deixar o Brock voltar a entrar na sua vida. Ao mesmo tempo senti que as relações actuais entre a Jillian e determinados personagens não está muito bem fundamentada, pelo que achei que foi criada um pouco a martelo para podermos ver o que se passa na vida dos outros personagens. Isso chateia-me? De certo modo, mas não posso deixar de admitir que adorei ver em que ponto estavam as relações dos diferentes casais e o modo como estas evoluíram.

A Jillian foi sem dúvida aquela que mais cresceu e que mais teve que ultrapassar ao longo da narrativa. O Brock essencialmente andava a apaparicá-la e atrás dela para a conquistar, e toda essa atenção acabou por a tornar mais confiante. Contudo desde o início que é possível ver que a Jillian quer verdadeiramente mudar, quer mais para a vida dela e que se esforça para conseguir atingir os seus objectivos e ultrapassar os obstáculos que lhe vão aparecendo.

A maior surpresa para mim está relacionada com a Katie, até me caiu o queixo ao chão quando a autora nos presenteia com a bomba. Fiquei com tanta vontade de saber mais! A autora podia escrever uma espécie de novela acerca dela, nem que fosse só para nos dar um gostinho.

Enfim, um livro que apesar de me ter decepcionado não deixou ao mesmo tempo de executar a sua função, ser fofinho e entreter.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Novos na Estante (da Rita) #12 - Fevereiro de 2017


Olá, olá! Finalmente consegui pôr o Novos na Estante em dia, *yay!*
Vamos ver se daqui para a frente me continuo a portar bem...
Então, curiosos para saber as novidades que cá chegaram no mês de Fevereiro? Aqui vão elas!

Este mês, por nenhuma razão em especial, foram só compras em inglês.
- Consegui encontrar um bom exemplar de The Hollows Insider de Kim Harrison. Para quem é fã da série Hollows este parece ser um livro super interessante. É todo a cores, ilustrado, com descrições de personagens, seres fantásticos, feitiços, etc, etc.
- The Rose & The Dagger de Renée Ahdieh é o segundo volume da duologia  The Wrath & the Dawn, um retelling das Mil e Uma Noites.
- The Bone Season e The Mime Order de Samantha Shannon são o primeiro e segundo volumes da série The Bone Season. Tive a sorte, não só, de os conseguir comprar a um preço excelente, como ainda tive a surpresa de receber o primeiro livro autografado.


- Um livro que não podia faltar na minha estante em Fevereiro era King's Cage de Victoria Aveyard. O tão esperado terceiro volume da série Red Queen.
- Into The Woods é mais um livro de Kim Harrison que me chegou às mãos. Desta feita tratam-se de vários contos passados em Hollows e não só.
- Por último, temos Rebel of the Sands de Alwyn Hamilton, um livro que já tinha debaixo de olho há imenso tempo e que finalmente veio cá parar a casa por menos de 5€.

Pronto pessoal, foi isto o meus mês de Fevereiro no que toca a aquisições. E por aí, quais foram as novidades nas vossas estantes? Já leram ou querem ler algum destes livros? Contem tudo, que por aqui gostamos de saber :)
Por agora me despeço e para o próximo mês cá estarei novamente, com um novo post, para vos mostrar mais novidades. Até lá, boas leituras!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Novos na Estante (da Rita) #11 - Dezembro 2016 & Janeiro de 2017


Olá a todos! Cá estou eu novamente, a actualizar esta rubrica de que tanto gosto, de modo a cumprir com o prometido.
Desta vez vou mostrar-vos os livrinhos que recebi no decorrer dos meses de Dezembro do ano passado e de Janeiro deste novo ano.

Mês de Dezembro


Ao longo de Dezembro fui comprando umas coisinhas:
- Seis mangas, um tipo de leitura que já sabem que muito aprecio e que pelos vistos andava um pouco atrasada na sua aquisição. Desta vez os que vieram cá para casa foram o volume 4 de Kenshin, O Samurai Errante, os volumes 3 e 4 de Tokyo Ghoul, os volumes 5 e 6 de Assassination Classroom e o volume 10 de Blue Exorcist. Todos eles muito boas leituras.
- Devido a uma promoção que estava a decorrer no Continente, comprei a metade do preço Amor Cruel de Coleen Hoover, uma autora que tenho curiosidade em experimentar e A Prova de Ferro de Holly Black e Cassandra Clare.
- De modo a aproveitar uns descontos no site da Saída de Emergência, comprei, como não podia deixar de ser, Jardins da Lua de Steven Erikson e Visão de Prata de Anne Bishop. E escolhi de oferta O Cavaleiro de Westeros e outras histórias do sr. Martin. 
Como estávamos na altura do Natal a SdE resolveu oferecer também aquele pequeno livrinho chamado A Arca de Natal


Para fechar com o mês adquiri os últimos volumes da série Sandman de Neil Gaiman. Portanto os volumes de 9 a 11.







Mês de Janeiro

O mês de Janeiro foi um mês muito contido, no qual só recebi dois livros:
- Redimida das Cast, para arrumar finalmente com esta série que me faz sentir masoquista ao insistir em ler. Mas pronto, já só falta este 12º volume. Ufff! (Estava com um grande desconto na Fnac, tenho desculpa).
- Three Dark Crowns de Kendare Blake, um livro que já tinha ouvido muito falar por aí, sobre três reinos, três irmãs rainhas e a luta pelo trono. 

E pronto, caros leitores, estas foram as minhas aquisições dos meses de Dezembro de 2016 e Janeiro deste ano.
Dentro de mais uns dias, cá estarei com um novo post, para vos mostrar as novidades de Fevereiro. Até lá, boas leituras!


domingo, 26 de fevereiro de 2017

Novos na Estante (da Rita) #10 - Outubro & Novembro de 2016


Olá, olá pessoal! Nunca mais vos dei novidades nesta rubrica do "Novos na Estante", Shame on me! Mas, como se costuma dizer, mais vale tarde do que nunca e conto pôr tudo em dia durante a próxima semana.
Para não se tornar cansativo, vou juntar os meses em atraso dois a dois e vou tentar ser mais sucinta, de modo a conseguir chegar mais depressa ao tempo presente. 
Sem mais delongas, vamos lá a isto!

Mês de Outubro


No mês de Outubro as compras não foram muitas.
Comecei a adquirir semanalmente os livros da famosa série Sandman de Neil Gaiman, que saiam com o jornal Público. Neste caso, como podem ver na imagem ao lado, tratam-se dos volumes do 1 ao 4.

Consegui finalmente a bom preço a hardcover de Fire Touched de Patricia Briggs, o último livro publicado da série Mercy Thompson; e também The Hart of Betrayal de Mary E. Pearson, o segundo volume da trilogia The Remnant Chronicles.

Mês de Novembro

No mês de Novembro as comprinhas também não foram muitas: 
- Consegui Den of Wolves da minha querida Juliet Marillier a um preço fantástico no Book Depository. É o terceiro volume da série Blackthorn & Grim.
- A Million Worlds With You de Claudia Gray é o terceiro volume da série Firebird, da qual ainda não consegui ler livro nenhum. Mas sempre achei as capas fabulosas e a história apelativa.
- Continuei a adquirir semanalmente os vários volumes da série Sandman de Neil Gaiman, desta vez do 5 ao 8.
- E por último comprei mais duas graphic novels de séries que tenho vindo a acompanhar e que acho que valem muito a pena: Saga volume 5 e Tony Chu volume 5. 

E pronto, caríssimos, estas foram as minhas aquisições dos meses de Outubro e Novembro do ano passado.
Dentro de pouco tempo, cá estarei com um novo post, para vos mostrar mais novidades em atraso. Até lá, boas leituras!

Opinião - Outras Terras e O Povo das Crianças Divinas

Ficha Técnica:
Autor: David Anthony Durham
Título Original: The Other Lands
Série: Acacia, #3 e #4 aka #2
Páginas: 336 e 336
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896374822 e 9789896375379
Tradutor: Maria Correia

Sinopse:
Outras Terras:
Um rei assassinado pelo seu mais antigo inimigo.
Um império dominado por um povo austero e intolerante.
Quatro príncipes exilados determinados a cumprir um destino.
Recuperar o trono de Acácia poderá ter consequências devastadoras.

A luta apocalíptica contra os Mein terminou. Uma vitoriosa Corinn Akaran reina no Império Acaciano do Mundo Conhecido. Apoiada no seu conhecimento de artes mágicas do livro A Canção de Elenet, ela reina com mão de ferro. E reconstruir um império desgastado pela guerra não é fácil. Das misteriosas Outras Terras, chegam à corte notícias inquietantes, e Corinn envia o seu irmão, Dariel, como emissário pelos mares tempestuosos das Encostas Cinzentas.

Ao chegar àquele distante continente, este antigo pirata é apanhado numa rede de velhas rivalidades, ressentimentos, intrigas e uma crescente deslealdade. A sua chegada provoca um tal tumulto que o Mundo.

Conhecido é de novo ameaçado pela possibilidade de invasão — algo que tornaria os anteriores perigos numa brincadeira de crianças. Sem aparentes obstáculos, um novo ciclo de acontecimentos que irá arruinar e remodelar o mundo está prestes a começar…


O Povo das Crianças Divinas
Um império com perigosos aliados e demasiados inimigos. Quatro príncipes determinados a cumprir um destino. Uma rede de intrigas que atravessa gerações. Manter o trono de Acácia poderá revelar-se uma tarefa fatal.

Corinn Akaran é a senhora suprema do Império Acaciano do Mundo Conhecido, e o poder parece suavizá-la, até mesmo fazê-la ceder aos jogos do amor. Mas, por todo o lado fervilha a traição e multiplicam-se as conspirações para a derrubar: dos seus alegados aliados numrek até às intrigas em torno da filha de Aliver, Shen, enquanto, do outro lado do mundo, um exército gigantesco se prepara para marchar sobre o Mundo Conhecido e a Liga dos Navios continua a jogar em dois perigosos tabuleiros, disposta a jurar servir qualquer senhor, desde que esse senhor sirva os seus próprios interesses.

Corinn nem pode contar com a sua própria família: a irmã Mena esconde-lhe segredos e Dariel, prisioneiro das Crianças Divinas, vai enfrentar uma aventura - novamente contra a Liga dos Navios - que o transformará no corpo e no espírito. Mas Corinn aprendeu a lutar, e não vai hesitar em chamar a si todos os aliados que conseguir, até mesmo aqueles que ninguém imaginava que um dia pudessem voltar.

Opinião:
Não me lembro se já tinha dito isto ou não. Mas eu detesto a Corinn. Muito a sério. É a personagem que eu mais detesto em toda a saga. Se bem que para o final do quarto livro, em português, tenha começado a não a odiar tanto a verdade é que continuo a não a suportar. Nem os vilões da história, que basicamente são a Liga e o povo "irmão" dos numrek, me conseguem fazê-los detestá-los tanto.

Não haja dúvida que gostei de ficar a saber mais acerca do que existe para lá do Mundo Conhecido. Quais e como são os povos, as suas características, o porquê de necessitarem tão desesperadamente da Quota. Não haja dúvida que algumas coisas começam a fazer sentido. Mas aquilo que foi  feito às crianças? Damn, é preciso ser-se completamente distorcido e amoral. 

Gostei mais deste(s) livro(s) que do(s) anterior(es). Achei que a história está melhor escrita e não haja dúvida que ao chegarmos ao fim da narrativa precisamos de um novo livro para ligar todas as pontas soltas e trazer um final definitivo a tanta confusão.

Este é um livro intermédio, e tal como se podia esperar as peças vão-se alinhando para o final. A Corinn continua a governar o reino com mão de ferro, usando e abusando de todos sem pensar neles como pessoas ou família, mas simplesmente como peões. Assim sendo envia Dariel com a Liga para o lado desconhecido do Mundo, o que vai dar asneira. Ao mesmo tempo envia Meena matar as aberrações que apareceram devido aos Santoth. No primeiro caso a coisa apesar de dar para o torto acaba por ajudar Dariel a libertar-se das amarguras que o consumiam, já Meena acaba por se sentir cada vez mais morta por dentro, até que encontra Elia, o que vem mudar a sua vida. A única coisa que não gostei foi o facto de que estava a ler acerca da maneira como a Meena e a Elia se tornam parceiras e estava sempre a pensar em Daenerys... Foi um bocado irritante.

Existem novas peças a serem introduzidas na narrativa, como Shen. Que sinceramente me pareceu um pouco caída do céu e ainda estou para tentar perceber qual é realmente o seu intuito. Espero que seja realmente uma criança inteligente e sábia como parece e não um novo joguete nas mãos de alguém. Já existem demasiados joguetes nesta narrativa. A não ser Corinn parece que mais ninguém tem vontade própria.

O que realmente mais gostei no livro foi ver as peças a alinharem-se para o grande final e começar a perceber o que é que realmente aí vem. Ao mesmo tempo adorei ficar a conhecer um pouco mais deste mundo e o que está para lá do mundo conhecido de Acácia. Enquanto que no primeiro livro apenas tínhamos especulações aqui os conhecimentos tornam-se reais e são muito mais interessantes do que aquilo que se poderia esperar. Os auldek são um povo bastante requintado em determinados aspectos, sendo que noutros são completamente assustadores. Espero poder vir a ver mais da sua maneira de ser.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Opinião - Soberba Ilusão

Ficha Técnica:
Autor: Andreia Ferreira
Série: Trilogia Soberba, #3
Páginas: 240
Editor: Alfarroba
ISBN: 9789898745507

Sinopse:
O fim está próximo, mas Carla não sabe. Concentra-se no próximo passo: expulsar o demónio Rita da sua vida de uma vez por todas. Porém, o anjo tem um plano, os demónios querem-na morta, amigos aliam-se com inimigos, e até aqueles em quem ela mais confia escondem segredos. Ela é o alvo.
Na excitante conclusão da trilogia, iniciada com Soberba Escuridão, Carla enfrenta o seu destino - as hordas do Céu e do Inferno parecem determinadas a utilizá-la quer ela queira quer não.

Opinião:
Foi em 2011 que comecei a ler esta série, por tanto já estava mais que na altura de a terminar. Se bem me recordo gostei bastante dos dois anteriores livros, o mesmo não aconteceu com este último. Porquê? Vários factores.

Um deles é o facto de que já se passou algum tempo e por isso foi algo complicado lembrar-me dos acontecimentos anteriores. E ao contrário do que acontece com muitas séries que sigo, aqui não deu para ir para a internet fazer uma pesquisa e tentar recordar-me dos acontecimentos. Outro é o facto de que como leitora sou cada vez mais exigente naquilo que leio. Espero uma evolução constante no autor, ou se espero que o livro atinja uma determinado patamar e isso não acontece fico decepcionada, o que me estraga a leitura. Neste caso lembro-me que quando terminei o segundo livro estava curiosa para o que iria acontecer a seguir. Recordo-me que estava admirada com as decisões da autora, principalmente pela sua ousadia em incluir cenas de sexo na narrativa, que por sinal até estavam bem escritas sem roçar o ridículo. Contudo esperava uma evolução na escrita e no enredo da história o que não aconteceu.

Lendo a minha opinião anterior deparo-me com o facto de já na altura ter achado algumas partes confusas. Neste livro essa sensação é constante, principalmente nas partes mais importantes onde nos é explicado o cerne da questão. Achei que determinadas coisas eram explicadas como se à partida devêssemos perceber quem são as filhas de Caim e afins. Achei que foi tudo atirado para ali de uma forma um bocado impensada e sendo este o terceiro livro isso já não deveria acontecer.

Ao mesmo tempo a história da Ana e do Ricardo começou a tirar-me do sério. Afinal ela é a Cleo dele, mas ele quer é ficar com a Carla. Detesto este tipo de indecisões e ambiguidades. Neste tipo de situações ou é preto ou é branco. Tanta indecisão não faz bem nem jus a nenhum dos personagens.

Quanto ao fim, não me incomodou propriamente. Consigo perceber a opção da autora, mas acho que poderia ter sido melhor desenvolvido, com mais sentimento da parte da Carla e dos restantes personagens. O Cael acabou por se mostrar uma pessoa bastante egoísta que na realidade não sabe o que é amar e temo um pouco pelo que será do futuro. Se ele realmente vai compreender o que é amar e evoluir como "pessoa".

E pronto, basicamente é isto. Esperava mais, mais evolução da parte da autora, as arestas limadas, um final um pouco mais complexo. Tal não aconteceu e achei que o livro não trazia nada propriamente novo para a história ou para os personagens a não ser o facto de que finalmente sabemos o que se está a passar. Mas mesmo assim este conhecimento não aparece alterar significativamente a maneira de estar e ser dos personagens, logo acaba por deixar um sabor a pouco na boca do leitor.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Opinião - A Casa de Bonecas

Ficha Técnica:
Autor: M. J. Arlidge
Título Original: The Doll's House
Série: Helen Grace, #3
Páginas: 320
Editor: TopSeller
ISBN: 9789896682705
Tradutor: Rui Azeredo

Sinopse:
O corpo de uma jovem é desenterrado numa praia remota, mas o seu desaparecimento nunca tinha sido denunciado. Alguém a mantivera «viva» ao longo do tempo, enviando à família, regularmente, mensagens em seu nome. Para a detetive Helen Grace, todas as provas apontam para um assassino em série, um monstro distorcido mas engenhoso e hábil — um predador que já matou antes. À medida que Helen se esforça por destrinçar as motivações do assassino, ela compreende que se trata de uma verdadeira corrida contra o tempo. Uma única falha pode significar a perda de mais uma vida.

Opinião:
Em A Casa de Bonecas continuamos a seguir a detetive Helen Grace e em jeito de consequência deparamo-nos com mais um caso assustador. Uma rapariga é encontrada enterrada na praia e a morte não é recente. O autor foi bastante cuidadoso e não deixou quaisquer tipo de pistas para trás. Mas aos poucos e poucos Helen e a sua equipa vão conseguindo obter pistas e tirar conclusões de forma a conseguir identificar o assassino.

Mais uma vez Arlidge fez um óptimo trabalho. A história é contada sobre vários pontos de vista, o de Helen, o de Harwood, Charlie, do assassino, da vítima e alguns mais. Além de nos depararmos com um novo caso em que o assassino é bastante meticuloso apesar de completamente louco, continuamos a seguir as repercussões dos acontecimentos dos livros anteriores.

Helen continua a não ser capaz de dar uma oportunidade seja a quem for de ter uma relação com ela, mantendo sempre à distância quem se pudesse preocupar, excepto Charlie. Já Charlie está de licença visto estar a chegar ao termo da gravidez, mas mesmo assim não consegue deixar de sentir a falta do seu trabalho e de ajudar a Helen naquilo que pode. A Harwood mostra-se uma pessoa completamente desequilibrada na sua tentativa de prejudicar a Helen, indo a extremos para o conseguir e levando outras pessoas pelo mau caminho. Espero sinceramente que esta pessoa, um dos colegas de equipa da Helen, veja o erro que cometeu e esteja disposto a ser melhor porque ele até tem bastante potencial. Gostei de ver que a Helen está a conseguir ganhar aliados que a protegem da tentativa da Harwood se vingar. Pessoas com quem a Helen pode contar para que o trabalho seja bem feito independentemente das consequências.

Falando um pouco do nosso psicopata, não há dúvida que ele é bastante meticuloso, e é fácil de perceber o porquê do título. Não só existe uma casa de bonecas enquanto objecto como o modo como ele controla a vida das raparigas que rapta faz parecer que está a brincar com bonecas. É realmente doentio ver como ele tira prazer em tomar a rédeas da vida delas, em as colocar num quarto que parece de brincar e fingir que está  tudo bem. Quando finalmente percebemos o porquê desta sua demência a verdade é que ficamos com alguma pena, pelo menos eu fiquei. Aquilo porque passou, os momentos traumatizantes, é fácil perceber como é que podem ter contribuído para se tornar no que se tornou.

Mais uma vez foi um livro de que gostei. Contudo, e infelizmente, não foi um dos meus favoritos do autor. Aguardo ansiosamente pela leitura do próximo para ver se tenho a oportunidade de voltar aos momentos mais sórdidos que o autor nos costuma apresentar.