segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Opinião - Pirâmides

Ficha Técnica:
Autor: Terry Pratchett
Título Original: Pyramids
Páginas: 324
Editor: Temas e Debates
ISBN: 9789727596898
Tradutor: Mário Dias Correia

Sinopse:
O jovem Teppic, príncipe herdeiro de Djelibeybi, o velho Reino do Sol, insatisfeito com a vida disparatadamente ritualizada que o aguarda no seu país, decide viajar para Ankh-Morpork onde se inscreve como aluno na Guilda dos Assassinos. Porém, quando o pai bate a bota sem cerimónia, Teppic vê-se obrigado a regressar a casa para assumir o trono. E assume-o; mas a vaga ilusão de que gorverna alguma coisa evapora-se no momento em que conhece Dios, o sumo-sacerdote de Djelibeybi, que o manipula relativamente à construção da maior pirâmide alguma vez vista..

Opinião:
Até ao momento este foi, sem dúvida, o livro de Pratchett de que mais gostei. Adorei cada momento passado a lê-lo.

Os personagens são fascinantes. Principalmente Teppic com a sua maneira de pensar e o modo como analisa as diferentes reacções e acções dos outros personagens. É impossível ficar indiferente à sua ironia e sarcasmo. Outras personagens extremamente interessantes são Dios, os amigos assassinos de Teppic e os arquitectos que dão início à construção da pirâmide do falecido pai de Teppic. Menção honrosa para o falecido rei. Vê-lo a descrever o processo da sua mumificação é de certa forma hilariante.

Eu interpreto este livro como uma crítica à religião. É impossível não nos apercebermos das críticas que são humoristicamente abordadas ao longo da narrativa. A religião é algo com bastante poder, que controla completamente a vida das pessoas. Mesmo quando aquilo que apregoa não faz propriamente sentido, a verdade é que nos deixamos guiar por ela numa tentativa de ver justificadas muitas das nossas acções. Além disso muitas vezes interpretamos da forma que achamos mais adequada aquilo que nos é transmitido quando possivelmente as intenções de quem nos transmite as ideias sejam completamente diferentes.

Uma vez mais não existe grande coisa que possa dizer acerca da história. Pratchett é sem dúvida um autor que para ser devidamente apreciado tem que ser lido. Só assim é possível compreender a magnitude da sua inteligência.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Opinião - Redimida

Ficha Técnica:
Autor: P. C. Cast & Kristin Cast
Título Original: Redeemed
Páginas: 352
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896377137
Tradutor: ?

Sinopse:
No último livro da série bestseller Casa da Noite a Luz e a Escuridão enfrentam-se e o mundo nunca mais será o mesmo.

Zoey Rebdird está em perigo. Isolada dos seus amigos, a jovem está determinada a encarar o castigo que merece – mesmo que tal signifique que o seu corpo rejeite a mudança e comece a definhar. Só o amor dos que lhe são próximos poderão salvá-la do vazio do seu espírito, mas um mal terrível emerge das sombras, mais poderoso que nunca…

Neferet fez-se finalmente conhecer perante os mortais, coroandose de Deusa Negra e preparando-se para escravizar todo o mundo. Os vampyros da Casa da Noite trabalham com a polícia reagrupando os recursos que possuem, mas nada parece suficiente para vencer Neferet – a não ser que o vampyro que manipule os elementos possua também o dom de manusear Magia Antiga. Somente Zoey Redbird é herdeira de tal poder… mas devido às consequências de ter usado Magia Antiga no passado, Zoey não pode ajudar ninguém. Neste último romance da série Casa da Noite terá lugar a batalha épica entre a Luz e a Escuridão – a batalha que definirá quem será redimido… ou quem ficará perdido para sempre.

Opinião:
Finalmente chegamos ao fim. Depois de tanta volta, depois de tanto enrolanço e de que acontecimentos completamente desnecessários e não essenciais ao desenvolvimento da história chegamos ao último capítulo de uma história que se tem vindo a desenrolar por demasiado tempo.

Não há muito a acrescentar relativamente aos livros anteriores. O registo é basicamente o mesmo. As personagens não se desenvolvem de forma notória ao longo deste último livro. Os acontecimentos acabam por ser um pouco mais do mesmo. Ou seja, sacrifícios que têm que ser feitos de modo a que Neferet possa ser definitivamente encarcerada.

Se há algo que gostava de salientar é o aquilo em que a Neferet se transformou. Por um lado a autora transmite bastante bem que a Neferet é completamente louca e alucinada. Tanto pelas suas acções, como pela sua maneira de estar, como por aquilo que diz e pelos pensamentos a que vamos acedendo. Por outro lado desapontou-me um pouco porque fiquei com a sensação que estava frente a uma pessoa louca que é louca e faz coisas inexplicáveis só porque sim. Para quem segue a série sabemos que existem muitas razões que justificam esta loucura, mas ao longo do livros elas não estiveram presentes. A autora não me conseguiu transmitir uma sensação de finalidade com as acções praticadas pela Neferet.

Contudo tenho que tirar o chapéu às autoras, houve algumas alturas em que me conseguiram comover. Houve bastantes momentos emotivos ao longo da narrativa entre os vários personagens e isso foi uma das coisas que mais gostei no livro. Apesar de a maior parte dos personagens ser algo irritante porque são adolescentes e por isso mesmo dizem e fazem coisas idiotas tal como deviam, por outro lado andam sempre com as emoções à flor da pele e isso leva a que em determinadas situações sejamos inundados por cenas extremamente emocionais que, por algum motivo que não consigo perceber, até não são idiotas e se encontram bem escritas.

Apesar de não ter sido um bom final foi adequado para o tipo de livro e para a qualidade a que as autoras nos habituaram ao longo da história,

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Opinião - O Apelo da Selva

Ficha Técnica:
Autor: Jack London
Título Original: The Call of the Wild
Páginas: 135
Editor: Civilização Editora
ISBN: 9789722636568
Tradutor: Emília Maria Bagão e Silva

Sinopse:
Metade São Bernardo, metade Collie, Buck é afastado da sua vida confortável como animal de estimação na Califórnia e vendido a comerciantes de cães. Depressa se vê a bordo de um navio, a caminho do Norte do Canadá, onde, após inúmeros maus tratos, acaba por ser salvo por John Thornton. Em dívida para com o seu novo dono, Buck permanece ao lado de Thornton, no entanto, Buck não consegue resistir ao apelo da Natureza. Emocionante e cheio de ação, O Apelo da Selva explora a relação intemporal entre homem e cão, e os inevitáveis instintos primitivos que atraem Buck para longe da civilização e do homem, em direção a regiões inóspitas e selvagens.

Opinião:
Apesar de O Apelo da Selva ser considerado um clássico da literatura do século XX, confesso que não o conhecia, até a Civilização Editora o publicar, nesta bela colecção de clássicos: a colecção Vício dos Livros - Sol Nascente.
Tive ainda a sorte de ganhar este exemplar, num passatempo, no início deste ano. Visto que todos os meses me desafio a ler um livro tirado à sorte, e que o papelinho referente ao mês de Novembro pedia que eu lesse "Um Livro Único", portanto, sem continuação, O Apelo da Selva pareceu-me a escolha ideal, já que o tempo também não era muito.

Nunca tinha pensado ler um livro cuja personagem principal fosse um animal, neste caso um cão, e em que a perspectiva narrada fosse a desse mesmo animal. Ora, tenho a dizer que a experiência foi no mínimo interessante e que apreciei esta leitura, apesar das várias passagens fortes, desde lutas entre cães e maus tratos aos mesmos, por parte do Homem. Nesses momentos cheguei a encolher-me e a fazer mesmo alguns esgares, tal era a impressão e o incómodo que algumas cenas me provocavam.

O Apelo da Selva é um livro que nos relata a grande fidelidade do cão para com o ser humano e a sua incrível ligação, mesmo quando esta não se dá pelos melhores motivos. Vemos, não só, os abusos a que estes animais foram sujeitos aquando da época da corrida ao ouro, mas também momentos belíssimos de liberdade e vida selvagem, de afecto entre dono e animal, coragem e heroísmo associados à fidelidade.

Não deixei de achar curioso o facto de haver uma passagem no livro, que pode ser interpretada como o retratar do Índio um pouco como o mau da fita, que no final acaba, justamente(?), por pagar pelos seus crimes face a uma força da natureza. A ideologia típica Norte Americana da época, quiçá?


Em suma, achei O Apelo da Selva de Jack London um bom livro, que nos capta a atenção, de leitura fácil e rápida, que proporciona agradáveis momentos de leitura.





terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Opinião - The Selection, The Elite e The One

Ficha Técnica:
Autor: Kiera Cass
Páginas: 339, 337, 219
Editor: HarperTeen
ASIN:B006564VQC, B009NG1Q96, B00FJ2YTLK

Sinopse:
The Selection
For thirty-five girls, the Selection is the chance of a lifetime. The opportunity to escape the life laid out for them since birth. To be swept up in a world of glittering gowns and priceless jewels. To live in a palace and compete for the heart of gorgeous Prince Maxon.

But for America Singer, being Selected is a nightmare. It means turning her back on her secret love with Aspen, who is a caste below her. Leaving her home to enter a fierce competition for a crown she doesn't want. Living in a palace that is constantly threatened by violent rebel attacks.

Then America meets Prince Maxon. Gradually, she starts to question all the plans she's made for herself—and realizes that the life she's always dreamed of may not compare to a future she never imagined.



The Elite
The Selection gets fierce as rivals stake their claim on the Prince.
Six girls, one life-changing prize…

America Singer will leave her pre-destined life for a world of glamour and luxury, if she wins…

But surviving The Selection is tough. Rivals are battling to become Prince Maxon’s bride as the threat of rebel violence just beyond the palace walls escalates into war.

Only six girls are left and sworn friendships are tested to breaking point. America’s feelings for Maxon grow stronger, but she suspects darker mysteries in his royal past. With ex-lover Aspen waiting for her in the shadows, where do her loyalties truly lie?



The One
The time has come for one winner to be crowned.

When she was chosen to compete in the Selection, America never dreamed she would find herself anywhere close to the crown—or to Prince Maxon's heart. But as the end of the competition approaches, and the threats outside the palace walls grow more vicious, America realizes just how much she stands to lose—and how hard she'll have to fight for the future she wants.

Opinião:
Visto ter lido os três livros de seguida não faz muito sentido para mim estar a falar deles de forma individual. De uma forma geral gostei de todos os livros, mas o meu preferido foi o primeiro e o que menos gostei foi o último.

No primeiro livro são-nos apresentados os personagens e é-nos dado o contexto em que se desenrola a acção. Basicamente a história passa-se numa América que se passou a chama Illéa. Aqui as pessoas estão dividas por castas que se encontram numeradas de 1 a 8. 1 é a família real e o 8 são as pessoas mais pobres e miseráveis do reino. América encontra-se na casta 5, que basicamente pertence aos artistas, e no início da história está completamente apaixonada por Aspen, um rapaz de casta 6. É então que a Selecção tem início. A Selecção consiste basicamente de um concurso em que o Príncipe Maxon irá escolher de entre 35 raparigas aquela que irá ser a futura rainha. A partir do momento em que America é escolhida e conhece o Príncipe Maxon os seus sentimentos começam a mudar.

De uma forma geral gostei do contexto dado à história. A ideia das castas está bem estruturada e o desagrado das pessoas para com estas castas está bem patente. Ao mesmo tempo com tanto desagrado seria de esperar que hajam rebeldes. E efectivamente eles existem. A autora desenvolve mais os rebeldes do Norte do que Sul. Talvez porque os do Norte tenham um desígnio e importância para a história, enquanto que os rebeldes do Sul só querem causar estragos. De qualquer modo a autora podia ter mostrado um pouco mais do mundo fora dos muros do palácio visto aquilo a que temos direito ser tão pouco.

Quanto aos personagens, de uma maneira geral achei que estavam bem caracterizados. Gostei bastante de voltar a ver a Rainha Amberly. Através dos olhos da America é fácil notar que Amberly continua a ser a mesma rapariga cheia de bondade e calma que era antes de se tornar Rainha. Ela é um personagem com um coração enorme, e apesar de pouco ver-mos dela o pouco que vemos faz-nos adorá-la. Já o Rei foi uma completa desilusão. Manipulador para com todos às sua volta, agressivo e vingativo. Não estava nada à espera de ver alguém tão diferente no decorrer dos livros daquilo que tinha visto no conto. Quanto aos novos personagens, adorei a Marlee, a melhor amiga da America. Uma rapariga cheia de força, que acabou por sofrer bastante, mas que não desistiu da sua felicidade. Fiquei feliz por no final tudo se ter composto para ela. Não posso deixar de referir Celeste. Ela é simplesmente horrível, mas tão horrível que é impossível ficar-mos indiferentes. Foi surpreendente quando revelações são feitas acerca da sua pessoa. Não estava nada à espera de passar a gostar dela, e o seu final... Ela não merecia o que lhe aconteceu. Foi repentino de mais e a autora não deu tempo suficiente ao leitor para fazer o luto e se inteirar do que realmente tinha acontecido.

Falando agora dos personagens principais. Gostei da America. Uma rapariga com a cabeça em cima dos ombros, que apesar de todas as delicadezas com que é rodeada não se deixa enganar e continua fiel a si mesma desde o início até ao final do livro. Ela pode ceder em alguns aspectos, mas com o que é realmente importante ela não cede e não deixa de lutar por aquilo em que acredita. Houve vários momentos em que me senti bastante orgulhosa da sua rectidão e da sua moral. Ao longo da maior parte do livro a America balança entre o Aspen e o Maxon. Eu consigo perceber isso. O Aspen é alguém que ela conhece. Que é seguro. É o seu primeiro amor e é difícil conseguir separar o passado do presente quando não nos sentimos seguros de nós mesmos. O Maxon é algo novo e inesperado, e devido a todas as dúvidas que a America tem sobre as suas capacidades para ser Rainha tem alturas em que se afasta do Maxon levando a que as coisas entre eles possam não acabar da melhor maneira. Quanto ao Maxon, gostei da personalidade dele em certos aspectos tão parecida com a da sua mãe. Contudo ele é um pouco mais brincalhão e essa sua faceta acenta-lhe perfeitamente. Na maior parte do tempo o Maxon anda de volta da América, contudo no terceiro livro ele afasta-se dela e começa a ficar próximo de outra rapariga. Se por um lado eu percebo que ele precisasse de encontrar uma segunda opção no caso de não conseguir conquistar a America a verdade é que me fez imensa confusão ele tornar-se tão próximo de outra rapariga. Como é que ele esperava que a America não tivesse dúvidas e ficasse com ele se ele não mostra que a pessoa que mais importa é ela?

Juro que no último livro este chova não molha entre os dois me irritou solenemente. Tantos mal entendidos e tantas cabeçadas que seriam evitadas se pelo menos fossem sinceros consigo mesmos e um com o outro. Quanto ao Aspen, ele está sempre presente, mas as interacções com a America são poucas, apesar de importantes. Contudo nunca senti que ele tivesse propriamente uma oportunidade.

Pontos negativos, o final da história. Tão fácil. Detesto quando os autores recorrem à técnica mais fácil para resolver os problemas, matar quem está a mais. Não tem piada nenhuma e faz-me sentir que o autor não tem capacidade para resolver as coisas de uma maneira satisfatória. Já disse que detestei toda a indecisão mostrada no último livro pela America e pelo Maxon, mas infelizmente também não senti uma ligação verdadeiramente forte entre os dois. Senti que havia algo entre eles, mas a autora não me fez acreditar numa relação segura e forte. Não me conseguiu fazer acreditar na química existente entre eles.

Poderia falar de mais aspectos, mas iria alongar-me por de mais. Em jeito de conclusão, fiquei triste por o meu interesse nos livros vir a diminuir e não a aumentar. De um modo geral gostei da história, dos conceitos, dos personagens, mas acho que a autora lhes poderia ter dado mais credibilidade, bem como uma maior química. Depois de ler esta primeira parte não tenho muita curiosidade para ler o próximo livro que se passa com a filha da America e do Maxon. Parece-me mais uma repetição e se a autora se focar novamente apenas na Selecção e deixar os problemas fora do palácio de fora da narrativa considero que a leitura do livro seja uma perda de tempo.

Assim sendo esta é uma história que aconselho para um público que gosta de leituras juvenis. Não sendo do melhor que li também não é do pior. Posto isto se têm curiosidade acerca dos livros devem lê-los porque não são uma total perda de tempo.