quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Opinião - Delirium

Ficha Técnica:
Autor: Lauren Oliver
Páginas: 401 (Kindle edition)
Editor: HarperCollins
ASIN: B00A9V2JSG

Sinopse:
Lena Haloway is content in her safe, government-managed society. She feels (mostly) relaxed about the future in which her husband and career will be decided, and looks forward to turning 18, when she’ll be cured of deliria, a.k.a. love. She tries not to think about her mother’s suicide (her last words to Lena were a forbidden “I love you”) or the supposed “Invalid” community made up of the uncured just beyond her Portland, Maine, border. There’s no real point—she believes her government knows how to best protect its people, and should do so at any cost. But 95 days before her cure, Lena meets Alex, a confident and mysterious young man who makes her heart flutter and her skin turn red-hot. As their romance blossoms, Lena begins to doubt the intentions of those in power, and fears that her world will turn gray should she submit to the procedure. In this powerful and beautifully written novel, Lauren Oliver, the bestselling author of Before I Fall, throws readers into a tightly controlled society where options don’t exist, and shows not only the lengths one will go for a chance at freedom, but also the true meaning of sacrifice.

Opinião:
Na altura em que este livro saiu fiquei bastante curiosa com a premissa do mesmo, o facto de o amor ser uma doença. Após anos e anos de incontáveis guerras e problemas foi arranjada uma cura para esta doença e pelo menos a nível dos Estados Unidos da América toda a gente é obrigada a ser operada para ficar impedido de ser contagiado. Existem no entanto pessoas para as quais a cura não resulta e existem ainda outras que vivem foram das cidades consideradas pelo estado, que vivem na zona selvagem.

Interessante correcto? Pois, também achava. No entanto o livro deixa bastante a desejar. A escrita da autora é simples, e se por vezes esta é uma característica que traz vantagens para o livro neste caso essa vantagem não se aplica. A nível das personagens, e falando no geral, achei-as bastante simples. Não é que não se note um esforço da autora para que estas sejam credíveis, com as suas acções a acompanhar a sua "história de vida". Todas as atitudes da Lena perante o amor e perante a operação que se avizinha são bastante racionais e compreensíveis, como também são compreensíveis as atitudes da Hanna, tendo em conta o que se avizinha. Mas se calhar é esse o problema, tudo se encaixa perfeitamente no mundo da autora, não houve propriamente algo na atitude dos personagens que me surpreendesse.
Para mim a única personagem que talvez se tenha safado foi o Alex. Ele é fofo e querido e faz tudo pela Lena, mas aquele amor à primeira vista buliu-me um pouco com os nervos. Achei toda a história muito flat e de repente a autora atira-nos com aquele final. Toda a gente já estava à espera que algo trágico acontecesse, mas não houve aquela linha de acontecimentos que nos leva ao limite, ao prender a respiração, ao clímax. Simplesmente apareceu ali, caído do nada.

Sinceramente não sei se vou prosseguir com a saga ou se fico por aqui. Não me sinto minimamente conectada com os personagens, não me sinto excitada/nervosa/na expectativa com aquele final. Nem por um segundo estive naquele local de: "Oh meu Deus, tenho que ler já o livro a seguir!" (se é que me entendem).

É uma leitura que talvez seja interessante para quem gosta de Literatura Young Adult, mas para quem apenas gosta/perde tempo com um bom livro Young Adult com personagens fortes e uma história consistente há por aí muitas oportunidades. Não vale a pena perder tempo com este livro. Este é sem dúvida um dos livros mais fraquinhos que li, principalmente dentro das agora na moda distopias.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Mini-Opinião - Coração Corda

Ficha Técnica:
Autor: Carina Portugal
Título: Coração de Corda
Páginas: 25
Editor: smashwords
ISBN: 9781311937070

Sinopse:
Um sorriso doce pode esconder o segredo mais obscuro. Philip Reeve é um artesão reconhecido e Angelique uma frágil bailarina francesa que, no Teatro Dark Forest, o encantou com a sua arte . Quando a dama o visita na loja de brinquedos, Philip não consegue esquecer a cena presenciada nos bastidores, nem o medo que vê nela. Contudo, é incapaz de imaginar a magnitude da tempestade que se adivinha.

Opinião:
Este é um conto da autora Carina Portugal que vai buscar um estilo de escrita (e não só) que ultimamente tem vindo a ter bastante proeminência, o steampunk. Gostei do pouco que nos foi possível ver do mundo criado pela autora. A ideia de que seria possível substituir orgãos inteiros por objectos mecânicos não é inédita, mas está bem introduzida na história, no entanto esta não é uma das obras mais marcantes da autora. Daquilo que já li da autora esta tem um pendor para histórias mais macábras e obscuras, e é nisso que a autora é melhor. Não me parece que mistério seja propriamente a sua praia. A autora podia ter optado por se introduzir numa coisa de cada vez. Ou seja, tentar em histórias diferentes usar o steampunk e a componente mistério. De qualquer modo o que mais me incomodou foi a utilização de bastantes expressões portuguesas na escrita. Certo, a autora é portuguesa, mas a história não se passa em Portugal. Apesar de a nível da história poderem existir nuances a verdade é que fisicamente Londres existe e os seus cidadãos têm expressões e características próprias das suas personalidades diferentes das nossas. E isso é algo que um autor precisa de considerar quando escreve sobre uma noção que tem uma base de verdade.

De qualquer modo é uma história engraçada e que entretém o leitor. Para quem conhece a autora é mais uma história a ler.

Sunday's Quotes (28)

“Bran thought about it.
'Can a man still be brave if he's afraid?'
'That is the only time a man can be brave,' his father told him.” ― George R.R. Martin, A Game of Thrones

sábado, 25 de janeiro de 2014

Opinião - O Dia do Perdão

Ficha Técnica:
Autor: Ursula K. Le Guin
Título Original: Four Ways to Forgiveness
Páginas: 240
Editor: Presença
ISBN: 9789722332057
Tradutor: ?

Sinopse:
Ursula K. Le Guin é uma genial criadora, hoje considerada uma verdadeira lenda viva, tal a sua importância para a ficção científica e o género fantástico. Entre as suas mais conhecidas criações estão inquestionavelmente a tetralogia Terramar. "O Dia do Perdão" é uma sequência de quatro contos ligados à epopeia da libertação de seres humanos. São histórias em torno de dois mundos, Werel, uma oligarquia esclavagista, e o seu satélite, Yeowe, onde mão-de-obra escrava trabalha incessantemente para os seus «donos» - assim se autodesignam - a fim de preencher todas as necessidades inerentes a um sistema económico desumano. O Ecuménio, imensa Liga Planetária, intervirá em sua ajuda. Mas uma vez abolida a escravatura neste sistema binário, outras formas de opressão permanecem por superar…

Opinião:
O que é que posso dizer acerca deste livro? Ursula K. Le Guin. O nome da autora basicamente diz tudo o que há para dizer. Este não é o primeiro livro que leio da autora relativamente ao Hainish Cycle, A Mão Esquerda das Trevas fio o primeiro que li e foi sem dúvida um livro diferente e marcante. Contudo este tocou-me de uma forma muito especial.

Nele são-nos contadas a história de quatro personagens, sendo três deles mulheres. Cada uma das histórias é um hino ao amor, ao perdão e à aceitação. Não só de nós para com os outros, mas também para connosco. Ser capazes de nos perdoar e aceitar nem sempre é fácil, mas Le Guin mostra-nos que isso é possível, e que a capacidade de nos abrir-mos para as outras pessoas torna-nos mais ricos. Outra coisa fenomenal é o modo como ela representa as diferentes sociedades, as descrições dos seus costumes e a sua maneira de agir. Ao contrário de muitos autores, Le Guin não precisa de grandes textos e grande background para nos fazer compreender e fazer-nos sentir integrados nas comunidades que nos apresenta. Os seus personagens são sempre extremamente fortes e bem caracterizados. É impossível ficarmos indiferentes à força demonstrada pela mulher que abandona o seu caminho para ajudar alguém e que acaba por descobrir o amor. Ou aquela que apesar de tudo o que passou na vida ser capaz de se perdoar e lutar por aquilo que quer.

Sendo que este livro se passa num planeta que acabou de se libertar da escravatura é engraçado ver (ou não), a maneira como os seus habitantes lidam com essa situação. A maior parte simplesmente não compreende o que é ser livre e não lhe dá o devido valor. E mesmo aqueles que o compreendem, principalmente as mulheres, não têm hipótese de o aproveitar, pois infelizmente a liberdade nunca é para todos. E isso é algo que não é só visível aqui, é visível também à nossa volta todos os dias. Os livros da autora são sempre actuais e fazem-nos ver determinados aspectos da nossa sociedade que estão esquecidos ou são simplesmente ignorados.

Não muito mais que eu possa dizer acerca deste livro a não ser: Leiam-no, já. É uma obra sublime que merece ser lida e relida.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Opinião - A Midsummer's Nightmare

Ficha Técnica:
Autor: Kody Keplinger
Páginas: 304 (Kindle edition)
Editor: Poppy
ASIN: B005S8O8XY

Sinopse:
Whitley Johnson's dream summer with her divorce dad has turned into a nightmare. She's just met his new fiancee and her kids. The fiancee's son? Whitley's one-night stand from graduation night. Just freakin' great.

Worse, she totally doesn't fit in with her dad's perfect new country-club family. So Whitley acts out. She parties. Hard. So hard she doesn't even notice the good things right under her nose: a sweet little future stepsister who is just about the only person she's ever liked, a best friend (even though Whitley swears she doesn't "do" friends), and a smoking-hot guy who isn't her stepbrother...at least, not yet. It will take all three of them to help Whitley get through her anger and begin to put the pieces of her family together.

Filled with authenticity and raw emotion, Whitley is Kody Keplinger's most compelling character to date: a cynical Holden Caulfield-esque girl you will wholly care about.

Opinião:
A Mdisummer's Nightmare conta-nos a história de Whitley e do verão em que a sua vida dá uma reviravolta. Whitley é filha de pais divorciados, ninguém lhe dá a mínima atenção e por causa disso desde nova que a sua vida é farras, com muito álcool e curtir com os rapazes mais jeitosos que estiverem presentes. Até ao Verão em que recebe do pai a incrível notícia de que este se vai casar.

Ao longo da narrativa consegui identificar-me com a personagem. Com o quadro que a autora nos pinta é fácil de perceber o porquê de Whitley gostar de estar num estado permanente de embriaguez, e de se enrolar com qualquer rapaz que lhe apareça à frente. Afinal o que ela quer é chamar a atenção das pessoas de quem gosta. Relativamente aos personagens secundário, gostei especialmente da Bailey e do Harrison. A Bailey com a sua inocência e maneira de estar conseguiu cativar-me e também abrir fendas profundas na armadura da Bailey. Já o Harrison é o fartote. Cada vez que ele entra em cena é só rir. Apesar do seu lado cómico nota-se que é alguém que sabe o quer da vida e que tem sempre algo para dizer que é correcto e que se enquadra perfeitamente na situação. A personagem que provavelmente senti que fosse mais fraca foi o par de Whitley, Nathan.

A nível do desenvolvimento da história, foi feito com ritmo e as coisas aconteceram quando tiveram que acontecer. Não senti que a história se arrastava ou que saltava passos necessários. A história passa pela apresentação das personagens, passando para o acontecimento que abre os olhos ao personagem e chegando por fim à recuperação. algo de que gostei foi o facto de que a autora não faz com que Whitley após se aperceber do buraco em que está dê uma volta de 180º e "está tudo bem". A maior parte das pessoas passa por um tempo de depressão em que se culpam, e gostei que a autora mostrasse esse lado na história. Não posso deixar de admitir que em algumas partes a história se torna deveras emocionante, confesso que em algumas partes veio-me a lágrima ao olho, a autora consegue fazer-nos sofrer quando a Whitley também sofre.

A única coisa que não gostei muito, e é por isso que gostei menos do livro do que estava à espera prende-se com a relação entre a whitley e o Nathan. Enquanto que conseguimos ver a amizade entre a Whitney e o Harrison a desenvolver-se, a verdade é que em nenhum ponto consegui perceber o porquê de ela se apaixonar tão perdidamente pelo Nathan. Achei que eles não tiveram assim tantos momentos como isso para se puderem apaixonar. Foi um pouco estranho. Outro ponto negativo é que enquanto li-a a história custou-me um pouco a acreditar que eles tinham 18 anos. Parecia mais que tinham 16, pelo menos a Whitley.

De qualquer modo foi uma leitura agradável. Se houver por aí interessados numa leitura leve que inclua emoções fortes e romance este livro será uma boa aposta.