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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Opinião - Infinity

Ficha Técnica:
Autor: Rachel Ward
Páginas: 256
Editor: Chicken House
ASIN: B0079IENF4

Sinopse:
Adam, Sarah and little Mia are living together, struggling with the fame of seeing “numbers” – the dates when people will die.

But something is about to tear them apart. During The Chaos, Mia swapped her number for another. Mia’s powerful new ability is highly desirable. Ruthless people are hunting her down. Everyone wants to live for ever ...

The third and final book in the thrilling, bestselling teen sci-fi series.

Opinião:
E chegamos ao fim de mais uma saga. Neste último livro ficamos a saber o que aconteceu depois da catástrofe descrita no final do livro dois. É-nos apresentado um mundo destroçado, caótico, onde não há ordem e cada um tem que lutar pela sua sobrevivência. Do mesmo modo Adam e Sarah lutam por se manterem unidos e incógnitos pois têm receio que além de andarem atrás deles alguém descubra o que se passa com Mia e tente raptá-la para a usar com propósitos maléficos.

Houve mudanças a nível da personalidade dos diferentes intervenientes na história. Adam tornou-se uma pessoa assustadiça, paranóica e com medo de tudo e de todos, e Sarah tornou-se uma pessoa mais calma, mais pacífica e aceitadora. Alguém que parece não ter uma vontade própria como acontecia anteriormente. Todas estas condições são fáceis de aceitar pelo leitor tendo em conta o que aconteceu aos dois protagonistas. No entanto ambos vão ter que ultrapassar as suas dificuldades e superar-se novamente se querem manter Mia protegia.

 Gostei da ideia que a autora concebeu para o vilão. Alguém com um poder semelhante ao de Mia, mas que não tem conhecimento das datas até elas serem trocadas e por isso pretende trocar novamente a sua data com a de outra pessoa, preferencialmente alguém com poder. Mia apesar de ser uma criança de dois anos é alguém bastante inteligente e desenvolvida que se nota ter uma percepção bastante alargada daquilo que se passa à sua volta, o que leva a que no final hajam repercussões para si. E é aqui que a autora acaba por introduzir um twist, de que eu não estava à espera, na forma da filha de Adam e Sarah, que acaba por resolver todos os problemas e mostra que existe sempre uma maneira de nos adaptarmos e de ultrapassarmos as dificuldades.

Gostei do final que a autora deu ao livro. Deu para perceber que muita coisa mudou, mas que a essência dos personagens se mantém e que aquilo que temiam acabou por não passar de um temor. Pelo menos até àquele momento.

Foi um livro que não acrescenta nada de propriamente novo à história. Mas compreendo que a autora quisesse dar um final, uma resolução à situação de Mia. Se bem que a mim não me fazia diferença se a autora tivesse decidido ficar pelo segundo livro. Apesar disso (de não achar o livro imprescindível) achei a história bem conseguida e um final adequado para a trilogia. Para quem leu os restantes e gostou acredito que vá também gostar deste.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Desafios 2014

2014 foi o primeiro ano em que participei em desafios literários e só tenho a dizer que correu de forma excelente. Posso dizer que dos quatro desafios a que me propus consegui completar todos eles. Um ou outro talvez tenham sido um pouco à pressão, mas a realidade é que consegui terminar todos o que me deixa imensamente satisfeita comigo mesma.

Falando agora dos desafios em si: 

Mount TBR 2014


Foi um dos desafios que mais me custou completar. Só agora no final do mês é que consegui atingir o objectivo e tive que deixar algumas coisas que queria ler para segundo plano de modo a que conseguisse terminar o desafio. Se por um lado é aborrecido não ler aquilo que me apetece por outro lado este desafio obrigou-me a olhar para a minha pilha com outros olhos. Obrigou-me a pegar em livros que se calhar eu não ia pegar porque me apetecia ler sempre livros mais recentes, e que na realidade eram tão bons ou melhores que aquilo que me estava a chamar a atenção na altura. Inicialmente tinha-me proposto a ler três livros meus por mês. Contudo não foi isso que aconteceu. Houve realmente alturas em que li os três livros, outras em que li menos e outras em que li muito mais. Assim sendo considero este desafio um sucesso e para o ano conto participar novamente.

Short Story Literary Challenge


Ler contos foi um hábito que fui adquirindo ao longo deste ano. Normalmente não era o meu tipo de leitura preferido e raramente uma história destas me conseguia encher as medidas. Contudo fui aprendendo a apreciar melhor este tipo de história, a conseguir perceber quando estavam bem construídas. Li contos excelentes e outros não assim tão bons. Este desafio acabou por se conjugar com o Mount TBR pois alguns dos livros que tinha para ler eram antologias e assim juntou-se o útil ao agradável. Mais uma vez este foi um desafio que me encheu as medidas e que me fez crescer enquanto leitora.

2014 Monthly Motif Reading Challenge e Monthly Key Word 2014











Estes foram dois desafios que sempre que possível tentei conjugar. São algo semelhantes na sua concepção e são divertidos porque nos fazem procurar na nossa pilha ou fora dela por livros que se encaixem nas diferentes categorias. Além disso obriga também o leitor a algum processo imaginativo, principalmente o Key Word, para que possamos encontrar palavras derivadas daquelas que nos são fornecidas originalmente. Estes foram sem dúvida os desafios que tiveram uma vertente mais divertida, enquanto os outros dois foram mais utilizados para me "obrigar" a pegar em excelentes livros que tinha cá em casa e para me fazer crescer enquanto leitora. Assim sendo considero estes dois desafios um completo sucesso e em princípio para o ano vão manter-se activos no blog.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Opinião - As Raparigas Cintilantes

Ficha Técnica:
Autor: Lauren Beukes
Título Original: The Shining Girls
Páginas: 344
Editor: Porto Editora
ISBN: 9789720044969
Tradutor: Cristina Paixão

Sinopse:
Ele é o assassino perfeito. Imparável. Impossível de identificar. Pensa ele… CHICAGO, 1931: Harper Curtis,um vagabundo paranóico e violento, dá de caras com uma casa que possui um segredo tão chocante como a natureza distorcida de Curtis: permite o acesso a outras épocas. Ele usa-a para perseguir as suas raparigas cintilantes – e tirar-lhes o brilho de uma vez por todas.
CHICAGO, 1992: Diz-se que o que não nos mata nos faz mais fortes. Experimente dizê-lo a Kirby Mazrachi, cuja vida ficou devastada depois de sofrer uma brutal tentativa de assassínio. Continua a tentar encontrar o agressor, tendo como único aliado Dan, um ex-repórter de crime que cobrira o seu caso anos antes. À medida que prossegue a sua investigação, Kirby descobre as outras raparigas, as que não sobreviveram. Os indícios apontam para algo… impossível. Mas para alguém que devia estar morto, impossível não quer dizer que não aconteceu…

Opinião:
As Raparigas Cintilantes é um livro interessante na medida em que mistura policial e também fantasia ou ficção científica. O livro em si pretende ser mais um policial ou thriller, em que o vilão é um bocadinho para o alucinado e tira um prazer mórbido dos assassinatos que comete. No entanto a autora dá-lhe um twist algo diferente ao trazer para a mistura uma casa que tem a capacidade de fazer o vilão viajar no tempo, permitindo-lhe perseguir as suas raparigas cintilantes ao longo do tempo de forma a poder cometer os crimes na altura em que os mesmos são devidos.

Por um lado gostei bastante da premissa do livro. A ideia da casa que tem propriedades "mágicas", o modo como os acontecimentos se encadeiam, com os primeiros assassinatos a acontecer mais tarde no tempo e vice-versa. É um pouco assustador, no final, ver como tudo se interliga num ciclo que parece não ter fim. Gostei ainda da caracterização dos personagens, desde os heróis aos vilões. A Kirby é alguém muito especial, não só por quase ter morrido, mas também por tudo aquilo que passou e ultrapassou quando era uma criança. Gostei bastante da sua personalidade determinada e da sua língua comprida. Gostei do Dan e de como a sua relação com a Kirby o afecta e como é que ele lida com isso. Contudo o personagem que mais atenção merece é sem dúvida Harker. O homem é doentio e a autora consegue transmitir-nos essa sensação bastante bem. Além disso a sua lógica e raciocínio são assustadores, sendo que ao mesmo tempo deixam o leitor agarrado à narrativa.

No entanto houve coisas que também me desagradaram e influenciaram bastante para o facto de não ter gostado do livro tanto como poderia. Uma dessas coisas é a maneira algo confusa como nos são apresentadas as diferentes personagens as diferentes raparigas cintilantes. Além das datas na página achei que poderia ter havido um maior cuidado a ligar as histórias e em situar o leitor no tempo histórico e no tempo da narrativa. Também não gostei do facto de a autora não ter desenvolvido mais acerca da casa. O que é ela, de onde vinha, qual o seu propósito? Apenas sabemos que ela existe e trabalha de certo modo, mas isso na minha opinião não é suficiente. Por fim, o final. Se por um lado gostei por causa da ideia de ciclo que nos transmite por outro lado ficamos sem saber muito bem o que aconteceu com os personagens, É um final algo em aberto.

Este é um daqueles livros que me deixa dividida e que não sou capaz de dizer se vale a pena ser lido ou não. Acho que vai depender muito do gosto de cada pessoa e do estado de espírito.

(Livro lido em parceria com o Segredo dos Livros)

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Opinião - As Três Bruxas

Ficha Técnica:
Autor: Terry Pratchett
Título Original: Wyrd Sisters
Páginas: 258
Editor: Caminho
ISBN: 9789722105910
Tradutor: Paula Reis

Sinopse:
Terry Pratchett é um autor que entronca na melhor e mais fabulosa tradição do humor britânico. Com uma dexteridade e uma imaginação desnorteantes, Pratchett desenrola o seu mundo-disco, que não se parece com qualquer outro, repleto de bruxas, bobos, fantasmas, dragões, e peripécias devastadoras, e situações inconcebíveis, e faz disto tudo um livro magnífico, surpreendentemente equilibrado, como um fogo-de-artifício altamente rebuscado em que nada falha e o espectáculo se executa com mão de mestre. Do mestre Terry Pratchett, escritor de grande e justificado êxito, que era urgente trazer ao convívio do leitor português.

Opinião:
Já não lia nada de Pratchett à algum tempo. É sempre preciso ter-se uma mente atenta quando estamos a ler este autor devido a todos os trocadilhos que ele faz e todas as referências que poderão passar despercebidas a um leitor menos atento ou no caso de uma tradução menos boa.

O Discworld é um mundo fascinante. Cheio de coisas estranhas e inacreditáveis e de personagens completamente fascinantes, com personalidades fortes e marcantes, ou fracas e marcantes (o que pode parecer impossível, mas acreditem que não é). Cada vez que se lê uma história do Discworld descobrem-se novas personagens e novas coisas que antes não sabíamos que existiam ou que eram possíveis.

Pelo menos uma das personagens deste livro eu já conhecia, a bruxa Weatherwax, do livro Ritos Iguais. Tinha uma vaga ideia da sua personalidade, mas assim que comecei a ler o livro notei que era exactamente a mesma pessoa com a mesma postura. Alguém muito rezingão, com uma ideia muito fixa do que é ser bruxa e do que se pode fazer, mas que quando lhe convém sabe dar a volta ao texto de uma maneira fenomenal. Já as outras duas bruxas não me recordo de ter lido sobre elas, no entanto posso dizer que são também personagens completamente alucinadas e com personalidades muito singulares. Ama Ogg adora andar na pinga e tem uma postura bastante descontraída, enquanto que Magrat é uma bruxa mais ligada à natureza e às coisas naturais e que é aficionada por pendentes e afins. No entanto as nossas bruxas não são as únicas personagens dignas de nota. As que mais me fascinaram foram o Duque e a Duquesa devido a toda a sua loucura. Principalmente o Duque é completamente assustador na sua loucura alucinada.

 Quanto aos outros personagens, são também importantes para o desenvolvimento da trama, mas não foram capazes de me cativar tanto como os que mencionei acima. E por falar em trama, ao longo de todo o livro parece que nada acontece. Parece que tudo se desloca a passo de caracol e que não há propriamente nenhuma acção, a qual esperamos desde o início do livro devido ao tipo de história que é. No entanto quando damos por isso os maus estão derrotados e a paz foi restaurada no reino. É algo estranho de se perceber.

Houve quem me tenha questionado acerca da tradução, sinceramente não a achei má. Algumas letras trocadas, recordo-me que numa parte em vez de mais escreveram Maio, mas nada a que não se esteja habituado no dia a dia. Quanto às notas a que temos direito durante a leitura, gostei bastante que estivessem disponíveis pois ajudaram-me a perceber determinadas referências e piadas que de outro modo não perceberia. Como as inúmeras referência às peças de Shakespeare e aos trocadilhos de palavras que vão sendo utilizados ao longo da narrativa. Estas notas poderiam até quebrar o ritmo da leitura, mas como elas são tão engraçadas e interessantes parecem fazer parte da própria narrativa levando a que não se perca o embalo e que a leitura continue a correr de forma fluída.

Mais uma vez Pratchett conseguiu deixar-me rendida. Aconselho.

sábado, 4 de outubro de 2014

Opinião - Drácula

Ficha Técnica:
Autor: Bram Stoker
Título Original: Drácula
Páginas: 416
Editor: Asa
ISBN: 9789892326313
Tradutor: Filipa Aguiar

Sinopse:
Uma verdadeira obra-prima, Drácula transcendeu gerações, linguagem e cultura para tornar-se um dos romances mais populares alguma vez escritos. É por excelência uma história de suspense e horror, que ostenta um dos personagens mais terríveis que já nasceram na literatura: o conde Drácula, um espectro trágico e noturno que se alimenta do sangue dos vivos, e cujas paixões diabólicas depredam os inocentes, os desamparados, e os belos. Mas Drácula também se destaca como uma saga alegórica de um ser eternamente amaldiçoado cujas atrocidades noturnas refletem o lado sombrio da era extremamente moralista em que foi originalmente escrito - e os desejos corruptos que continuam a atormentar a condição humana moderna.

Opinião: 
E aqui estou eu para falar de mais um clássico. Drácula é sem sombra de dúvida um livro fascinante, desde as suas personagens, à história e ao modo como foi escrito.

Quando o comecei a ler estava à espera de um livro um pocuo mais aterrador, provavelmente devido ao pouco que me lembro do filme que vi (que tinha um ambiente muito mais dark). No entanto o livro não é nada assim. É um livro cheio de esperança, em que os personagens acreditam no bem e lutam por ele sem temerem as consequências que podem trazer para si. O livro, para mim, funciona quase como um hino à esperança, ao amor, à amizade e à confiança.

Os seus personagens são dignos de nota, é impossível ficar indiferente à bondade e inteligência de Mina, ou ao sentido prático de Quincey. É ainda impossível não deixarmos de admirar o Dr. Van Helsing pela sua sabedoria, a sua maneira de encarar os problemas e a sua eloquência ao demonstrar os seus pontos de vista. Adorei ficar a conhecer este Sr. e de onde é que ele veio. Afinal já tinha ouvido falar dele e questionava-me acerca da sua concepção. O modo como todos os personagens interagem e se ajudam é algo de nota. Gostei particularmente que o autor tenha tido a capacidade de nos apresentar uma personagem feminina tão bondosa, mas ao mesmo tempo tão forte, sagaz e inteligente, tendo em conta a altura em que o livro foi escrito. É notório que as restantes personagens se sentem impelidos a agir por causa de Mina. Ela é, de certa forma, a cola que une todo o grupo.

Quanto ao modo como o livro foi escrito, o autora apresenta-nos a história a partir de cartas, telegramas e entradas em diários. A todo o momento somos bombardeados pelos sentimentos de cada personagem e o que lhe vai no pensamento. O autor fez um excelente trabalho e penso que nenhuma outra forma de contar a história se adequaria tão perfeitamente.

Um excelente livro que todo o leitor deverá ler e guardar na estante para futuras releituras.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Opinião - Ignite Me

Ficha Técnica:
Autor: Tahereh Mafi
Páginas: 421 (Kindle Edition)
Editor: HarperCollins
ASIN: B00DB2YN0C

Sinopse:
The heart-stopping conclusion to the New York Times bestselling Shatter Me series, which Ransom Riggs, bestselling author of Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children, called “a thrilling, high-stakes saga of self-discovery and forbidden love.”

With Omega Point destroyed, Juliette doesn’t know if the rebels, her friends, or even Adam are alive. But that won’t keep her from trying to take down The Reestablishment once and for all. Now she must rely on Warner, the handsome commander of Sector 45. The one person she never thought she could trust. The same person who saved her life. He promises to help Juliette master her powers and save their dying world . . . but that’s not all he wants with her.

The Shatter Me series is perfect for fans who crave action-packed young adult novels with tantalizing romance like Divergent by Veronica Roth, The Hunger Games by Suzanne Collins, and Legend by Marie Lu. Tahereh Mafi has created a captivating and original story that combines the best of dystopian and paranormal, and was praised by Publishers Weekly as “a gripping read from an author who’s not afraid to take risks.” Now this final book brings the series to a shocking and satisfying end.

Opinião:
Ignite Me pega na história onde o antecessor a deixou. Aqui é-nos mostrado o que aconteceu depois do bombardeamento e quais as emoções e reacções que ele despoletou na Juliette.

 Posso dizer desde que já que o bombardeamento teve um grande impacto na atitude da Juliette e na forma como ela encara o mundo. O facto de pensar que perdeu toda a gente e que agora se encontra sozinha leva a que sinta uma necessidade enorme de vingança, o que por gim a leva a aceitar quem é e o que é. Gostei de a ver a tornar-se numa pessoa decidida, que sabe o que quer e a fazer por obter os resultados que almeja. Foi gratificante ver que finalmente ela toma as rédeas da sua própria vida sem deixar que os sentimentos dos outros se interponham constantemente.

Gostei também de ver como a sua relação com o Warner se desenvolve. Aos poucos ela vai aprendendo a confiar nele e começa a entregar-se a ele. Não foi uma coisa tão platónica. Percebe-se que ao aceitar-se a si mesma a Juliette tornou-se capaz de aceitar também o Warner por aquilo que é. Pelo contrário o Warner apesar de ter evoluído não sinto que tenha chegado a um ponto de aceitação para com aquilo que se tornou. Além de que não é ainda capaz de aceitar o bom que há nele, tentando a todo o momento denegrir a visão que os outros têm dele.

Como não podia deixar de ser temos ainda o Adam que vai mudando para pior a cada paço do caminho. Neste livro ele passa completamente das marcas... Acho que a autora exagerou um pouco ao mostrar o quanto ele muda e já não é compatível com a Juliette. No entanto não posso deixar de dizer que o histerismo dele foi das partes mais engraçadas do livro. O jovem parecia uma varina a ter um tipo qualquer de ataque. Como já ouvi dizer por aí, parecia uma autêntica novela mexicana.

Outros personagens não deixam de ter o seu destaque. Principalmente o Kenji e o James. É impossível não adorar o Kenji com o seu amor e todo o apoio que dá à Juliette. É hilariante ver como ele e o Warner têm o mesmo sentido de humor o que acaba por causar algumas situações estranhas. O James continua a ser um rapazinho muito inteligente e muito sabedor para a idade dele. Extremamente inteligente e capaz de desanuviar qualquer ambiente pesado com as suas perguntas e as suas opiniões.

Quanto ao final. Percebo o porquê de a autora o ter escrito como escreveu, no entanto não me importava de ter direito a um conto onde conseguíssemos ficar a saber como as coisas correram para todos depois daquele final. Acho que ainda havia um longo caminho a percorrer para algumas personagens. 

Foi um bom final para a trilogia, no entanto confesso que não foi o meu livro preferido dos três. Não me arrependo do tempo que perdia com ele.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Opinião - A Voz

Ficha Técnica:
Autor: Juliet Marillier
Título Original: The Caller
Páginas: 456
Editor: Planeta
ISBN: 9789896575212
Tradutor: Catarina F. Almeida

Sinopse:
A surpreendente conclusão da trilogia que começou com Shadowfell, cheia de romance, intriga e magia.
Há um ano, Neryn nada tinha a não ser um Dom Iluminado que mal compreendia e o sonho vago de que a mítica base rebelde de Shadowfell pudesse ser real. Agora, é a arma secreta dos Rebeldes e a sua grande esperança de fazerem vingar essa revolta secreta contra o rei Keldec, que terá lugar no dia do Solstício de Verão. O destino de Alban está nas suas mãos. Entretanto, Flint, o homem por quem se apaixonou, está no limite das suas forças enquanto espião na corte do rei e acumulam-se as suspeitas da sua traição.
Em jogo, está a liberdade do povo de Alban, a possibilidade de os Boa Gente saírem dos esconderijos e a oportunidade de Flint e Neryn se unirem finalmente.


Opinião:
E com A Voz chegamos ao fim de mais uma trilogia de uma autora que é adorada por muitos. Neste livro Neryn viaja em busca dos dois últimos guardiões em falta de modo a poder finalizar o seu treino e tornar-se uma voz competente. Flint passa por enormes desafios, e o perigo de vir a ceder à pressão é constante.

Dos três livros que li este foi o que mais gostei. É um livro que nos deixa com as emoções à flor da pele por tudo e por nada. Não há um único de momento de descanso emocional para o leitor. Desde o momento em que Neryn deixa Shadowfell para procurar a Dama Branca sentimo-nos sempre à beira do precipício, sem saber muito bem o que poderá acontecer a seguir, mas estando sempre à espera do pior. A autora não nos poupa as emoções e não faz tensões de fazer milagres ou salvar personagens só porque se nos tornaram queridos.

Relativamente a novos personagens apresentados, a verdade é que não os há muitos. Mas os poucos que há estão bem construídos e são necessários ao desenrolar da história. Gostei muito de como a autora nos apresentou a Dama Branca. A ideia de ser criada pela junção de diversos seres e a descrição que a autora faz deixam-nos com uma imagem fascinante na nossa mente. E aqui vou dizer que adorei o Pipper, vocês vão perceber porquê.

Este pode ser um livro YA, mas não deixa de ser muito mais que isso. É um livro que nos ensina o valor da esperança, do amor, da confiança. Um livro que nos ensina que tendo fé em nós e nos outros tudo é possível, se acreditarmos e lutarmos por aquilo em que acreditamos não há nada que não se consiga alcançar. É um livro que nos ensina que não devemos julgar e ter medo do que é diferente, mas sim tentar-mos compreender as diferenças e aceitá-las.

Uma trilogia que recomendo de uma autora incontornável. Venha daí Blackthorn and Grim.

domingo, 22 de junho de 2014

Opinião - O Mistério do Jogo das Paciências

Ficha Técnica:
Autor: Jostein Gaarder
Título Original: Kabalmysteriet
Páginas: 311
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722320559
Tradutor: Maria Luísa Ringstad

Sinopse:
Tudo se passa em torno de um rapazinho de doze anos que, com seu pai, viaja em busca do Ás de Copas, perdão, da mãe, que partira oito anos antes para a Grécia à procura de si mesma. Pelo caminho, pai e filho são desviados por um misterioso anão para uma aldeia perdida nos Alpes, onde um não menos misterioso padeiro entrega ao rapaz um livro minúsculo escondido dentro de um pão. A viagem real prossegue, em paralelo com o mundo de fantasia, e sucessivas coincidências criam aproximações que vão conferindo um significado inesperado ao desenrolar dos acontecimentos. Um livro que fascina de muitas maneiras, em especial pela forma como o autor constrói uma engenhosa representação do mundo a partir de um jogo de cartas.


Opinião:
O Mistério do Jogo das Paciências é um livro que nos conta uma história sobre a descoberta de nós próprios e daquilo que nos rodeia.

Uma vez mais Jostein Gaarder consegue construir uma história que é cativante desde o início até ao fim. Não só pela história em si, mas também devido às revelações e pensamentos que nos vão sendo apresentados. Adorei cada pequeno detalhe da história em si, tanto da principal acerca da viagem de pai e filho, como da história que vai sendo revelada ao nosso personagem através de um livro num pão de leite. O autor tem uma capacidade surpreendente para interligar os acontecimentos de ambas as histórias, tal como também tem uma capacidade óbvia para interligar estas duas histórias com questões do foro filosófico. Cada pequena temática introduzida tem o seu interesse para a história e enquadra-se perfeitamente no contexto daquilo que se está a passar.

Quanto aos personagens, é difícil não gostar deles. Desde o pai que é um grande filósofo com umas teorias um pouco estranhas e extravagantes, até ao filho que compreende mais do que aquilo que aparenta, que é extremamente perceptivo para aquilo que o rodeia e que consegue transmitir perfeitamente aquilo que pensa aos personagens que o rodeiam bem como ao próprio leitor. Todas as personagens secundárias são importantes e contribuem para o desenrolar da história de uma maneira que não seria possível se elas não existissem. Foi delicioso ir conhecendo as ligações entre personagens conforme elas iam sendo desvendadas. Houve acontecimentos que me deixaram completamente histérica (no bom sentido claro).

Um livro que recomendo. Jostein Gaarder é sem dúvida um nome de referência.

domingo, 25 de maio de 2014

Opinião - A Informacionista

Ficha Técnica:
Autor: Taylor Stevens
Título Original: The Informationist
Páginas: 336
Editor: Topseller
ISBN: 9789898626349
Tradutor: José João Leiria

Sinopse:
Vanessa «Michael» Munroe trabalha com informação. Depois de escapar a uma infância traumática numa África Central sem lei, a sua formação e o seu treino permitem-lhe obter todo o tipo de informações, independentemente do cenário de operações onde se encontre. Por isso, é agora requisitada por empresas, instituições, chefes de estado e clientes privados que podem pagar os seus serviços únicos no mundo.Quando um bilionário texano do mundo do petróleo a contrata para encontrar a sua filha desaparecida em África, Munroe regressa a um mundo selvagem e profundo que tão bem conhece, enfrentando forças misteriosas que estão determinadas em manter em segredo o destino da rapariga desaparecida.Para ter alguma esperança de sair da selva com vida, Munroe vai ter de enfrentar, finalmente, os fantasmas do passado que durante tanto tempo fez por esquecer.


Opinião:
A sinopse deste livro pode ser algo enganadora. Dá-no a entender que estamos perante uma personagem com formação e treino qualificado, provavelmente militar ou algo semelhante e que tem um trabalho como espia. Apesar de a segunda afirmação ser ligeiramente verdadeira a primeira não o é de todo. Munroe é realmente uma pessoa extremamente hábil na recolha de informação, bem como é especialista em misturar-se no meio em que se encontra. Ela consegue assim arranjar informações necessárias relativamente à política, estado do país e afins sobre o qual a encarregaram, daí que seja de certa forma uma espia. No entanto nada disto se deve propriamente a treino. Estas características foram adquiridas como meio de sobrevivência devido a uma infância traumática.

Todas estas características da personalidade de Munroe estão bastante bem vincadas ao longo de toda a narrativa, e por diversas vezes não só sentimos a loucura que vagueia nas profundezas da personagem como também a conseguimos testemunhar em primeira mão. Nota-se que o trabalho que desenvolve é basicamente uma tentativa de se livrar do passado que a persegue.

Gostei da história apresentada pelo autor. O mistério que se adensa de porque é que não querem que a rapariga que a Munroe procura seja encontrada, está bem conseguido e apesar de relativamente a personagem ter uma ideia de quem está por de trás do acontecimentos a verdade é que não deixamos de ser surpreendidos no final por informações que não esperávamos. 

Uma grande valia do livro, além da personalidade de Munroe, é as descrições que nos vão sendo apresentadas acerca do continente Africano. Como nunca lá estive não sei se são fidedignas à realidade, mas a verdade é que são sentidas como tal pelo leitor. O que traz bastante credibilidade à história. Há que não esquecer ainda as personagens secundárias da narrativa, que trazem dinâmica ao livro e fazem sobressair diferentes aspectos da personagem principal que a uma primeira vista poderiam passar despercebidos.

Um livro interessante e agradável. Gostei.

(Livro lido em parceria com o Segredo dos Livros)

domingo, 20 de abril de 2014

Opinião - A Caixa

Ficha Técnica:
Autor: Richard Matheson
Título Original: The Box: Uncanny Stories
Páginas: 158
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896371838
Tradutor: David Soares

Sinopse:
E se lhe dissessem que podia ganhar uma imensa fortuna bastando para isso carregar no botão de uma caixa? Mas ao pressionar esse botão estaria a causar a morte a outro ser humano algures no mundo... alguém que não conhece. Carregaria na mesma no botão? A Caixa é um conto arrepiante sobre tentação e ganância, mas outros contos igualmente inesquecíveis fazem parte desta colectânea de um dos grandes mestres de terror e suspense, o aclamado autor de Eu Sou a Lenda. Os enredos originais e os retratos convincentes de pessoas vulgares enredadas por forças para além do seu controlo, demonstram a razão por que Stephen King considera Richard Matheson a sua maior influência.


Opinião:
O que é que poderei dizer acerca deste livro de contos? Na verdade não muito. É difícil falar de cada conto individualmente, e aquilo que poderia dizer acerca de um posso dizer acerca de todos. Pois todos eles me transmitiram a mesma sensação.

O autor tem a capacidade de nos deixar completamente em suspenso ao longo das suas narrativas. Sendo elas curtas ou longas. Em geral, no início de cada conto, somos confrontados com uma situação pouco explícita, que vai sendo desvendada ao longo da narrativa. A todo o momento senti-mos que estamos a caminhar para um abismo e que o autor não vai parar de nos empurrar até cair-mos por ele a baixo. Não há paninhos quentes com o autor, e de um modo geral as suas histórias não acabam em bem. O autor leva sempre tudo até às últimas consequências, sendo que se algo mau se está a passar não há propriamente um herói para salvar o dia. Simplesmente vai tudo por água a baixo e o autor não nos poupa o coração.

De uma forma geral o conto que mais gostei nem sequer foi o que dá o nome ao livro, mas sim o segundo, Pesadelo a 20.000 Metros de Altitude. Foi o conto que mais angustiada e nervosa me deixou. Toda a loucura que transpira ao longo do conto faz o leitor sentir-se completamente alienado, inseguro e com dificuldade em respirar. Confesso que tenho a sensação que não é a primeira vez que li este conto. Cada virar de página foi como o redescobrir um velho amigo. Não houve uma única ocasião em que isso me fizesse sentir menos apreensiva, pelo contrário. A sensação de que já conhecia o conto e fazia-me sentir ainda mais no limite, na tentativa de me tentar recordar do que aí vinha.

Posto isto só posso ordenar, aos apreciadores do género, que têm que ler este livro. Já.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Opinião - Cress

Ficha Técnica:
Autor: Marissa Meyer
Páginas: 551 (Kindle Edition)
Editor: Feiwel & Friends
ASIN: B00F1QX7W6

Sinopse:
Rapunzel’s tower is a satellite. She can’t let down her hair—or her guard.

In this third book in the bestselling Lunar Chronicles series, Cinder and Captain Thorne are fugitives on the run, with Scarlet and Wolf in tow. Together, they’re plotting to overthrow Queen Levana and her army.

Their best hope lies with Cress, who has been trapped on a satellite since childhood with only her netscreens as company. All that screen time has made Cress an excellent hacker—unfortunately, she’s just received orders from Levana to track down Cinder and her handsome accomplice.

When a daring rescue goes awry, the group is separated. Cress finally has her freedom, but it comes at a high price. Meanwhile, Queen Levana will let nothing stop her marriage to Emperor Kai. Cress, Scarlet, and Cinder may not have signed up to save the world, but they may be the only ones who can.

Opinião:
É impossível não ter gostado de Cress. Uma vez mais a autora conseguiu tranformar um conto de fadas numa história fenomenal.

Nesta história é-nos apresentada Cress (a nossa Rapunzel) e o seu príncipe (que até já conhecíamos). Gostei bastante da personalidade de Cress, a sua ingenuidade, a maneira como vê o mundo e como sente tudo pela primeira vez. A sua mania de transformar as situações em histórias em que desempenha um papel é extremamente fofa e faz-nos sorrir. A sua relação e obsessão com o Thorne é algo digno de se ver. Eu não acho que o Thorne seja má pessoas, mas acho que a Cress faz dele uma pessoa um pouco mais "estável". Além disso é hilariante vê-los juntos. Desta vez dei-me um pouco mais ao trabalho de tentar discernir os pormenores que reportam para a história da Rapunzel, e acho que devo ter conseguido identificar a maioria.

É-nos apresentada Winter, a personagem principal do próximo e último livro desta saga. Tenho desde já a dizer que a adorei. É completamente e literalmente maluca, mas não tem problemas em admiti-lo e lida com isso da sua própria maneira. Há uma passagem no livro que é deveras assustadora devido à descrição que ela faz do que a rodeia, e foi isso que me fez gostar tanto dela.

Relativamente aos outros personagens, vemos a Cinder a debater-se com aquilo que toda a gente espera dela e o que ela própria quer para ela. Até finalmente se aceitar por aquilo que é. Neste livro temos uma maior proximidade para com Kai e uma melhor percepção daquilo que se está a passar e como é que tudo o está a afectar. Infelizmente não temos muito do Wolf e da Scarlet, se bem que o meu coração se encontre apertado por causa desta personagem. Tenho medo do que lhe possa vir a acontecer.

Apesar de ter gostado bastante do livro este não me satisfez tanto como os anteriores. Achei que apesar de tudo o que aconteceu foi um livro mais parado, um posicionar das peças no tabuleiro de xadrez para o grande final, e que grande final este deve ser. Houve alguns pormenores que achei um pouco forçados, mas que consegui lidar bem com eles. E algumas informações assustadores são-nos apresentadas, sendo que não sei muito bem como é que os protagonistas vão acabar por lidar com elas no futuro.

No final temos direito a uma cena amorosa entre o Kai e a Cinder, algo para nos aquecer a alma, antes de tudo aquilo que pode vir a correr mal. Vou esperar ansiosamente o último livro, que para mal dos meus pecados, só sai para o ano.

sábado, 8 de março de 2014

Opinião - A Vida de Pi

Ficha Técnica:
Autor: Yann Martel
Título Original: Life of Pi
Páginas: 321
Editor: Presença
ISBN: 9789722344876
Tradutor: António Pescada

Sinopse:
Publicado em Portugal pela Difel em 2003, A Vida de Pi valeu a Yann Martel o Man Booker Prize de 2002, entre outros prémios, e figurou como bestseller do New York Times durante mais de um ano. Sete anos após a primeira edição, a obra ocupa a 74ª posição no top de ficção da Amazon americana e o 99º lugar na tabela de vendas da amazon inglesa. A Vida de Pi encontra-se publicada em mais de 40 países.

Quando Pi tem dezasseis anos, a família decide emigrar para a América do Norte num navio cargueiro juntamente com os habitantes do zoo. Porém, o navio afunda-se logo nos primeiros dias de viagem. Pi vê-se na imensidão do Pacífico a bordo de um salva-vidas acompanhado de uma hiena, um orangotango, uma zebra ferida e um tigre de Bengala. Em breve restarão apenas Pi e o tigre.

Opinião:
Apesar de só agora estar a publicar a minha opinião, este livro foi lido em Fevereiro para os desafios 2014 Monthly Motif Reading Challenge e Monthly Key Word 2014.

O filme do livro foi visto já há algum tempo, mas a verdade é que ainda me lembro de bastantes aspectos do mesmo. Foi com algum receio que comecei a ler o livro, pois como qualquer leitor tive receio de ficar extremamente decepcionada ou aborrecida com o livro (afinal já vi o filme), ou então ficar a pensar que o filme deixava muito a dever ao livro. No geral achei que ambos se complementam.

É um livro sobre o qual não há muito a dizer. Não quero com isto dizer que o livro é mau ou deixa a desejar. Simplesmente não há propriamente uma história que possamos contar ao ler o livro. Ele é basicamente a junção de pensamentos desconexos de alguém que viveu durante muito tempo no mar, tendo apenas como companhia um tigre. Inicialmente é-nos apresentado Pi, e a sua maneira de lidar com o mundo. Gostei principalmente do seu equilíbrio. Da aceitação que demonstra para com as três religiões que segue, como dentro dele conseguiu harmonizar todos os ensinamentos, porque mais importante do que definirmos a nossa religião é perceber que o importante é estar grato a "Deus", é amá-lo incondicionalmente.

Posteriormente entramos na parte do naufrágio. Foi desta parte que mais gostei. Os pensamentos desconexos, as descrições dos momentos passados no mar. A capacidade de adaptação do ser humano para com as condições adversas, e a necessidade de companheirismo em qualquer das suas formas estão constantemente presentes ao longo da segunda parte do livro. A maneira como o autor nos vai apresentando os acontecimentos e os pensamentos de Pi deixa o leitor completamente agarrado durante o seu percurso no mar. E apesar de a história ser muito pouco provável, a verdade é que aos nosso olhos nos parece real.

A terceira parte do livro é basicamente os acontecimentos após Pi ter conseguido chegar ao México, não achei nada de impressionante nesta parte, mas gostei bastante dos dois japoneses que foram entrevistar o nosso pequeno sobrevivente. Ao longo do livro temos ainda pequenos vislumbres da vida actual de Pi, e da maneira como o escritor vê o personagem. é gratificante ver como ele conseguiu refazer a sua vida, mas mais que isso é gratificante ver como o rapaz que ele foi e o homem que é vivem através das mesmas bases. São feitos do mesmo material. Muita coisa poderia ter dado errado, mas com o seu jeito de amar e o facto de aceitar o que não pode ser mudado o personagem acaba por encontrar paz na sua vida adulta.

Uma história que merece ser lida.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Opinião - O Dia do Perdão

Ficha Técnica:
Autor: Ursula K. Le Guin
Título Original: Four Ways to Forgiveness
Páginas: 240
Editor: Presença
ISBN: 9789722332057
Tradutor: ?

Sinopse:
Ursula K. Le Guin é uma genial criadora, hoje considerada uma verdadeira lenda viva, tal a sua importância para a ficção científica e o género fantástico. Entre as suas mais conhecidas criações estão inquestionavelmente a tetralogia Terramar. "O Dia do Perdão" é uma sequência de quatro contos ligados à epopeia da libertação de seres humanos. São histórias em torno de dois mundos, Werel, uma oligarquia esclavagista, e o seu satélite, Yeowe, onde mão-de-obra escrava trabalha incessantemente para os seus «donos» - assim se autodesignam - a fim de preencher todas as necessidades inerentes a um sistema económico desumano. O Ecuménio, imensa Liga Planetária, intervirá em sua ajuda. Mas uma vez abolida a escravatura neste sistema binário, outras formas de opressão permanecem por superar…

Opinião:
O que é que posso dizer acerca deste livro? Ursula K. Le Guin. O nome da autora basicamente diz tudo o que há para dizer. Este não é o primeiro livro que leio da autora relativamente ao Hainish Cycle, A Mão Esquerda das Trevas fio o primeiro que li e foi sem dúvida um livro diferente e marcante. Contudo este tocou-me de uma forma muito especial.

Nele são-nos contadas a história de quatro personagens, sendo três deles mulheres. Cada uma das histórias é um hino ao amor, ao perdão e à aceitação. Não só de nós para com os outros, mas também para connosco. Ser capazes de nos perdoar e aceitar nem sempre é fácil, mas Le Guin mostra-nos que isso é possível, e que a capacidade de nos abrir-mos para as outras pessoas torna-nos mais ricos. Outra coisa fenomenal é o modo como ela representa as diferentes sociedades, as descrições dos seus costumes e a sua maneira de agir. Ao contrário de muitos autores, Le Guin não precisa de grandes textos e grande background para nos fazer compreender e fazer-nos sentir integrados nas comunidades que nos apresenta. Os seus personagens são sempre extremamente fortes e bem caracterizados. É impossível ficarmos indiferentes à força demonstrada pela mulher que abandona o seu caminho para ajudar alguém e que acaba por descobrir o amor. Ou aquela que apesar de tudo o que passou na vida ser capaz de se perdoar e lutar por aquilo que quer.

Sendo que este livro se passa num planeta que acabou de se libertar da escravatura é engraçado ver (ou não), a maneira como os seus habitantes lidam com essa situação. A maior parte simplesmente não compreende o que é ser livre e não lhe dá o devido valor. E mesmo aqueles que o compreendem, principalmente as mulheres, não têm hipótese de o aproveitar, pois infelizmente a liberdade nunca é para todos. E isso é algo que não é só visível aqui, é visível também à nossa volta todos os dias. Os livros da autora são sempre actuais e fazem-nos ver determinados aspectos da nossa sociedade que estão esquecidos ou são simplesmente ignorados.

Não muito mais que eu possa dizer acerca deste livro a não ser: Leiam-no, já. É uma obra sublime que merece ser lida e relida.

domingo, 10 de novembro de 2013

Desafio - 2014 Monthly Motif Reading Challenge




E aqui está mais um desafio. Este, bem como o próximo que irei publicar, foi visto no blog Estante de Livros, e é original daqui. Como o achei muito giro decidi aderir. A intenção é ler um livro de cada categoria em cada mês. Vou tentar que os livros escolhidos sejam da minha pilha dos livros por ler, caso não consiga arranjar nenhum aí sim, vou tentar outras alternativas. A categoria para cada mês é:


Janeiro – Volta ao Mundo
Escolhe um livro que decorra num país diferente daquele em que vives ou escolhe um livro escrito por um autor oriundo de um país diferente do teu.



Fevereiro – Vencedor de Prémio
Lê um livro que ganhou reconhecimento ou ganhou um prémio.



Março – Contos de Fadas ou Criaturas Mágicas
Lê um livro que reconte um conto de fadas ou um livro com feys/fadas.



Abril – Curto & Doce
Lê uma coleção de contos ou uma antologia.



Maio – Policial, Crime & Mutilação
Lê um livro policial, um livro onde alguém morre de causas misteriosas ou um livro em que um mistério tem de ser resolvido.



Junho – Um Longa Viagem
Lê um livro no qual a(s) personagem(ns) vão numa viagem, numa demanda ou dêem por si numa jornada em direcção a algo, etc.



Julho – Assassinos,  Guerreiros & Rebeldes
Lê um livro no qual a personagem principal seja uma destas coisas ou lute contra uma destas coisas.



Agosto – Realidade Alternativa
Lê um livro que decorra no futuro, noutro planeta, noutra dimensão ou num mundo desconhecido. Um livro distópico também conta para este mês.



Setembro – De Livro a Filme
Lê um livro que tenha um filme baseado nele. Como desafio extra, ver o filme também.



Outubro – A Hora das Bruxas
Tem havido muitos zombies ultimamente, mas este ano inclui um livro de bruxas nas tuas leituras assustadoras – um livro sobre uma bruxa ou que inclua bruxas.



Novembro – Velho mas Bom
Escolhe um livro publicado antes de 2000 que sempre quiseste ler mas nunca conseguiste. Ou escolhe um livro que decorra no passado (antes de 2000).



Dezembro – Terminado
Termina uma série que querer terminar ou lê o próximo livro numa série que começaste mas nunca terminaste.

Este post servirá para ir actualizando os livros lidos para cada mês.
Janeiro -  O Dia do Perdão
Fevereiro - A Vida de Pi 
Março - Cress  
Abril - A Caixa 
Maio - A Informacionista 
Junho - O Jogo das Paciências
Julho - A Voz
Agosto - Ignite Me
Setembro - Drácula
Outubro - As Três Bruxas
Novembro - As Raparigas Cintilantes
Dezembro - Infinity