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domingo, 6 de novembro de 2016

Mini-Opinião - Kindred Spirits

Ficha Técnica:
Autor: Rainbow Rowell
Páginas: 62
Editor: Macmillan Children's Books
ASIN: 1509820833

Sinopse:
‘Everybody likes everything these days. The whole world is a nerd.’
‘Are you mad because other people like Star Wars? Are you mad because people like me like Star Wars?’
‘Maybe.’

If you broke Elena’s heart, Star Wars would spill out. So when she decides to queue outside her local cinema to see the new movie, she’s expecting a celebration with crowds of people who love Han, Luke and Leia just as much as she does.

What she’s not expecting is to be last in a line of only three people; to have to pee into a collectible Star Wars soda cup behind a dumpster or to meet that unlikely someone who just might truly understand the way she feels.

Kindred Spirits is an engaging short story by Rainbow Rowell, author of the bestselling Eleanor & Park, Fangirl and Carry On. Kindred Spirits has been specially produced for World Book Day.

Opinião:
Kindred Spirits passa-se nos dias antes da estreia de Star Wars. Elena é uma rapariga que desde muito nova sempre teve uma grande paixão por Star Wars, inicialmente influenciada pelo pai e posteriormente por autorrecriação. Assim sendo quando foi anunciado o novo filme Elena decide que vai ficar à espera na fila para estreia. Que irá acampar durante uns dias à porta do cinema de modo a poder viver com outras pessoas como ela toda a euforia e amor que Star Wars desperta na sua legião de fãs. Contudo o que acaba por acontecer não é bem aquilo que está à espera.

Durante os dias de espera existem apenas três pessoas na fila. Sendo que uma delas é um rapaz da sua idade. Foi interessante ver como apesar da desmotivação que acaba por a apanhar Elena não desiste da sua demanda e se consegue manter fiel ao seu ideal até ao fim, apesar de alguns momentos mais constrangedores. Ao mesmo tempo Elena, através da sua animação e do seu esforço, consegue com que Gabe, o tal rapaz se torne mais social e entre também no mood correcto. Durante a sua estadia à porta do cinema Elena acaba por se aperceber de que talvez Gabe não seja um desconhecido como pensava e que é nos locais mais inesperados que muitas vezes acabamos por descobrir amizades que de outra forma não descobriríamos. Claro que no final existe um pequeno twist que adorei.

Um pequeno conto bastante interessante e caloroso que me deixou bastante satisfeita.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Opinião - My True Love Gave to Me

Ficha Técnica:
Autor: Holly Black, Ally Carter, Matt de la Peña, Gayle Forman, Jenny Han, David Levithan, Kelly Link, Myra McEntire, Stephanie Perkins, Rainbow Rowell, Laini Taylor, Kiersten White
Páginas: 355
Editor: Macmillan
ISBN: 9781447272793

Sinopse:
On the first day of Christmas, my true love gave to me ...This beautiful collection features twelve gorgeously romantic stories set during the festive period, by some of the most talented and exciting YA authors writing today. The stories are filled with the magic of first love and the magic of the holidays.

Opinião:
Apesar de já não estarmos na época natalícia, apeteceu-me pegar neste livro de contos, que comprei o ano passado, com a intenção de ler pelo Natal. Como, obviamente, isso não aconteceu, ainda estamos no Inverno e ainda por cima no mês do dia de São Valentim, esta pareceu-me ser uma boa leitura temática para este Fevereiro.

Vamos então à opinião de cada conto?

Midnights de Rainbow Rowell
Apesar de não ter achado nada de especial, gostei de ler este conto. A história de Mags e Noel é engraçada: são dois melhores amigos que desde que se conheceram formalmente, andaram sempre juntos, até chegar o momento de ir para a faculdade (um momento crucial para o conto), e que na verdade sempre gostaram um do outro.
Achei piada aos "dramas alimentares" de Noel devido às suas inúmeras alergias e a autora tece algum humor em torno da situação. Para além disso também gostei da forma como a história nos é apresentada, contando-nos apenas o que se passou nas várias passagens de ano desta dupla, pelo ponto de vista de Mags. 

The Lady and the Fox de Kelly Link
Gostei deste conto, achei-o muito giro, mas a conclusão deixou a desejar, pareceu-me apressada e ficaram pontas por atar. Contudo, gostei de Miranda e Fenny. Sendo que este último é-nos apresentado como uma personagem muito misteriosa, sem idade, que surge apenas na noite de Natal e quando neva, com o seu enigmático casaco, que dá ares do século XVIII. Já Miranda é uma rapariga com um grande gosto e talento para a costura, que vemos crescer até quase entrar na idade adulta. 
The Lady and the Fox, é uma história que se passa essencialmente no Natal e que tem uma agradável aura mágica, contudo um pouco mal aproveitada.

Angels in the Snow de Mat de la Peña
Neste terceiro conto acompanhamos alguns dias da vida de Shy, um rapaz de ascendência Mexicana, estudante universitário, que devido às dificuldades financeiras da família não pode ir passar o Natal a casa e por isso, se encontra a fazer catsiting, ou seja, a tomar conta da gata de um amigo. 
Apesar do personagem principal estar a passar por um momento complicado e um pouco triste, trata-se uma história com um cariz algo divertido, pois Shy tende a utilizar muito o calão, o que proporciona algumas passagens engraçadas.
A personagem feminina, Halley, não me disse muito, apesar de ser uma jovem com bom coração. No entanto achei piada à interacção destes dois, que se dava essencialmente com a partilha de pequenas histórias sobre as suas vidas, com a finalidade de se conhecerem melhor.

Polaris is Where You'll Find Me de Jenny Han
Este foi o primeiro conto do livro, escrito por uma autora que eu já tinha lido antes, e por sinal adorado. Curiosamente, ou não, também adorei esta pequena história de Jenny Han.
Criei facilmente empatia com a personagem principal, Natalie, uma rapariga Coreana de 15 anos, que imagine-se, foi adoptada pelo Pai Natal, quando a encontrou, recém-nascida, abandonada numa cestinha e que desde então vive no Polo Norte com o seu pai e os Elfos. Por diversos motivos, Natty acaba por se sentir um pouco sozinha e sem amigos, exceptuando o seu único amigo, um Elfo chamado Flynn, por quem ela sempre teve uma paixoneta.
Achei este conto mesmo muito giro e aconchegante, só tive pena que não fosse mais longo, especialmente porque fiquei a querer saber o que terá acontecido depois.

It's a Youletide Miracle, Charlie Brown de Stephanie Perkins
Neste conto de Stephanie Perkins conhecemos a história de Marigold e North, que foi um prazer ler. Gostei bastante desses dois personagens, das suas personalidades e dos seus diálogos, maioritariamente divertidos. A história das suas vidas foi interessante de se ler e deu-me algumas surpresas. Em suma, gostei de ler todos aqueles momentos, desde o encontro na loja de árvores de Natal, às situações caricatas com a vizinha de Marigold e às arrumações... Sem dúvida uma leitura muito agradável, que despertou o meu interesse e vontade em investir noutras histórias da autora.

Your Temporary Santa de David Levithan
Este conto pouco me disse. Ao contrário das outras histórias, em Your Temporary Santa, não vemos um casal a formar-se, mas sim um já formado há algum tempo. Trata-se de um casal gay, onde um dos rapazes, Connor, pede ao outro para se vestir de Pai Natal na noite de Natal para a sua irmã mais nova, continuar a acreditar por mais um ano.
Gostei do humor presente no conto, mas não o achei muito claro. Existe, obviamente, toda uma questão em torno de quem costumava vestir o dito fato, e o autor permite-nos imaginar quem seria e o que eventualmente lhe aconteceu, mas ficou-se por aí. David Levithan lança-nos um mistério, que se espelha nas diversas personagens e seus diálogos, mas no fim não o conclui satisfatoriamente.

Krampuslauf de Holly Black
Já tinha ouvido falar de Holly Black e se antes tinha curiosidade em experimentar certos livros dela, depois deste conto ficou assente que o irei fazer. Gostei bastante da história criada, do ambiente e simbolismo do Krampuslauf e simpatizei facilmente com a personagem que nos narra a história, que me deixou até ao final curiosa por saber o seu nome, Hanna. 
Krampuslauf é um conto mágico, bem construído, com o seu toque de fantasia, o género da autora (e também o meu), que me prendeu a atenção do início ao fim.

What the Hell Have You Done, Sophie Roth? de Gayle Forman
Ora aqui está um conto que me deu um grande prazer ler. Gostei muito das personagens principais (Sophie e Russell) e do seu humor irónico. 
Foi bom ver duas pessoas que se sentiam tão isoladas, juntarem-se e por momentos, na presença um do outro, conseguirem ser elas próprias e sentirem-se bem com isso. O sentimento terá sido, no mínimo, libertador.

Beer Buckets and Baby Jesus de Myra McEntire
Mais uma escritora que nunca ouvi falar e que me apresentou um conto que foi uma delícia de se ler.
Gostei de Vaughn, o rapaz das partidas, sempre metido em sarilhos e também da sua paixoneta, Gracie, a rapariga certinha, filha de pastor de igreja. Ambos formam um casal engraçado, já que em conjunto, trazem ao de cima o melhor das personalidades de cada um.
Foi um conto giro, que retrata a importância das segundas oportunidades e que nos mostra, como um rapaz perito em partidas, também consegue empregar o seu talento para trazer felicidade aos que o rodeiam.

Welcome to Chistmas, CA de Kiersten White
Achei este conto adorável. As personagens são fáceis de gostar e a história acaba por girar, um pouco, em torno das boas e confortáveis refeições preparadas por Ben, e como estas podem melhorar o dia de alguém. Para além disso, e apesar de secundário, gostei do facto de também abordar um importante tema como os relacionamentos abusivos, mostrando que com coragem e o apoio das pessoas certas é possível sair deles. 
Outra questão que me agradou ver abordada, foi a importância do diálogo, nomeadamente no seio familiar, já que a sua ausência pode levar a grandes mal entendidos, que felizmente, nesta história, foram esclarecidos antes de poderem causar maiores desgostos. 

Star of Bethlehem de Ally Carter
Para mim este foi, sem qualquer dúvida o pior conto deste livro. Muito absurdo e irreal, sem qualquer lógica ou credibilidade. Vejamos, assim só para começar: Duas adolescentes desconhecidas, em plena porta de embarque, trocam os seus bilhetes de avião. Até me deu vontade de rir perante tamanha estupidez, já que para além de ser impossível algo assim dar certo, isto passa-se num aeroporto dos EUA. No entanto, contra toda a lógica do mundo real, elas não só conseguem fazê-lo, como a protagonista não faz ideia para onde vai! Como não sabe?! Não está escrito no bilhete? Na porta de embarque? Não anunciam no avião? E melhor! Tem de ser a assistente de bordo a acordá-la, porque já tinham aterrado há tempos e toda a gente já tinha saído... Nem tenho palavras para o quão irreal isto é.
E o conto desenrola-se, disparate atrás de disparate até ao final. Nem o romance convenceu, já que nem dei por ele acontecer. Só gostei e achei amorosos os momentos da tia Mary.

The Girl Who Woke the Dreamer de Laini Taylor 
Para uma leitora de fantasia como eu, este último conto foi a cereja no topo do bolo. O seu conceito é excelente e super cativante. Quer as personagens, quer o mundo criado são muito interessantes, bem como toda a história. Só é pena a autora ter optado por pegar nesta belíssima ideia e ter construído apenas um conto, em vez de uma história maior e mais desenvolvida.
Gostaria imenso de saber mais sobre os Dreamers e sobre aquele mundo e todos os acontecimentos narrados. Agradar-me-ia bastante se, um dia, a autora resolvesse revisitar esta ideia e com ela construísse algo maior e mais complexo.

Para concluir, e porque a opinião já vai longa, quero dizer que, no geral, este livro de contos proporciona bons e agradáveis momentos de leitura, já que apesar de existir um conto ou outro menos bem conseguido, a grande maioria é de qualidade e cativa o leitor.

sábado, 16 de maio de 2015

Opinião - Eleanor & Park

Ficha Técnica:
Autor: Rainbow Rowell
Título Original: Eleanor & Park
Páginas: 336
Editor: Chá das Cinco
ISBN: 9789897101229
Tradutor: Susana Serrão

Sinopse:
Dois inadaptados. Um amor extraordinário.

Eleanor... é uma miúda nova na escola, vinda de outra cidade. A sua vida familiar é um caos; sendo roliça e ruiva, e com a sua forma estranha de vestir, atrai a atenção de todos em seu redor, nem sempre pelos melhores motivos.
Park... é um rapaz meio coreano. Não é propriamente popular, mas vestido de negro e sempre isolado nos seus fones e livros, conseguiu tornar-se invisível. Tudo começa a mudar quando Park aceita que Eleanor se sente ao seu lado no autocarro da escola.
A princípio nem sequer se falam, mas pouco a pouco nasce uma genuína relação de amizade e cumplicidade que mudará as suas vidas. E contra o mundo, o amor aparece. Porque o amor é um superpoder.

Opinião:
Este é um dos romances mais fofinhos entre adolescentes que eu li até hoje. Além disso é também uma história com, digamos, história. Pode-se dizer que o livro não se foca apenas na relação entre estes dois personagens, mas em tudo o que faz parte da vida deles.

Esta é uma história simples, escrita de uma maneira simples. Não existem subterfúgios ao longo da história, as coisas são como são e a autora vai-nos apresentando as diversas informações e acontecimentos de uma forma clara e directa.

Gostei bastante do ambiente da história, em que os walkmans ainda mandavam no mercado e não havia telemóveis. Lembro-me bastante bem de ainda gravar as minhas playlist em cassetes e de combinar uma hora ao telefone com as minhas amigas para podermos falar, apesar de isto já ter sido nos anos 90 e não nos anos 80.

Quanto aos personagens, achei-os adoráveis. A Eleanor é uma rapariga cheia de força que faz o melhor que pode com a sua situação familiar. Como é óbvio tudo aquilo porque passa não deixa de a afectar, levando a que se torne numa pessoa insegura e algo fechada. Contudo é também alguém que nunca baixa os braços e cabeça e se esforça por seguir em frente. Já o Park acaba por ter a vida familiar ideal, em que os pais se amam e estão lá para os filhos sempre que é preciso. Por um lado isso também mexe com Park porque de certa forma o impede de perceber quem é e agir de acordo com isso.

Terem-se conhecido foi a melhor coisa que poderia ter acontecido a ambos. A sua relação desenvolve-se através de pequenas acções que ao início nem sequer usam de palavras, até ao momento em que estão tão embrenhados um no outro que nada mais interessa. A maneira como a relação de ambos os afecta é positiva, aos poucos Eleanor começou a aceitar-se melhor a si mesma e a perceber que realmente pode existir amor entre dois indevidos sem que haja necessidade de se magoarem. Já Park encontrou em Eleanor a força para começar a fazer aquilo que quer e assim começar a traçar a sua personalidade.

Quanto aos outros personagens, é triste ver como uma relação dominada pela força pode ser tão destrutiva tanto para os adultos como para as crianças. Os irmãos de Eleanor parecem ser bastante inteligentes e engraçados, mas vivem num mundo constante de medo o que acaba por os transformar. Já a mãe de Eleanor parece ser uma pessoa que perdeu imenso do seu brilho e custa-me ver que não é capaz de se erguer contra as adversidades e estar lá para os seus filhos. Relativamente à família de Park, os pais amam-se profundamente e isso é fácil de ver. Percebe-se ainda que a mão de Park tem um coração enorme e se preocupa de mais com os filhos. Gostei de ver como a sua atitude mudou para com Eleanor a partir do momento em que se apercebe como as coisas realmente são. Já o pai de Park é alguém bastante recto e que acha que tudo tem que ser feito à sua maneira. Apesar disso acaba por vir a apoiar incondicionalmente o filho quando ele realmente precisa desse apoio.

A maneira como a história acaba não é propriamente fácil nem bonita. Eleanor acaba por ter que dizer adeus devido aos perigos que corre e Park ajuda-a porque apesar de precisar dela Eleanor é mais importante que ele próprio. Foi uma despedida triste mas com esperança que me faz acreditar que Eleanor e Park ainda terão direito a um final feliz.

(Livro lido em parceria com o Segredo dos Livros)