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domingo, 27 de dezembro de 2015

Opinião - Os Homenzinhos Livres

Ficha Técnica:
Autor: Terry Pratchett
Páginas: 322
Editor: HarperCollins
ASIN: B000R33QWY

Sinopse:
A nightmarish danger threatens from the other side of reality . . .

Armed with only a frying pan and her common sense, young witch-to-be Tiffany Aching must defend her home against the monsters of Fairyland. Luckily she has some very unusual help: the local Nac Mac Feegle—aka the Wee Free Men—a clan of fierce, sheep-stealing, sword-wielding, six-inch-high blue men.

Together they must face headless horsemen, ferocious grimhounds, terrifying dreams come true, and ultimately the sinister Queen of the Elves herself. . . .

Opinião:
Apesar de ter a versão portuguesa do livro a verdade é que li a original. Penso que talvez seja por isso que cada vez gosto mais de Pratchett. Parecendo que não com a tradução perde-se sempre um pouco do ritmo, do encadeamento  e dos jogos de palavras que Pratchett usa. Por exemplo os nomes dos Wee Free Man, acho que em português estes não teriam tanta piada porque se perderia o duplo significado dos nomes.

Neste livro ficamos a conhecer Tiffany. Tiffany sabe que há algo de errado com ela pois não vê ou sente as coisas do mesmo modo que as outras pessoas, contudo não tem bem a certeza o que é. A única coisa que sabe é que quer ser uma bruxa. E vejam lá bem se não é mesmo isso que ela é! Tiffany é uma personagem bastante cativante pela  sua maneira de pensar, a sua capacidade de Second Thoughts leva a que consiga ter uma mente objectiva e calculista (no bom sentido claro). Ao mesmo tempo o seu First Sight permite-lhe ver o que realmente existe e não aquilo que esperamos ver. Ambos as capacidades são bastante interessantes, principalmente quando aplicadas a uma criança de nove anos. Ver uma Tiffany que praticamente não tem medo, mas que quando o tem é capaz de o ultrapassar graças à lógica. Ver uma Tiffany que não dúvida daquilo que vê, daquilo que é é algo irónico e ao mesmo tempo reconfortante.

Quanto aos Wee Free Man, é impossível não gostar deles. A sua maneira de ser e de estar, sempre cheios de fulia leva a que o leitor esteja constantemente com um sorriso na cara. Principalmente os seus nomes fizeram-me rir ao longo de todo o livro pelo duplo sentido que têm e pelo facto de servirem que nem uma luva a estes personagens. A sua maneira de falar ao início foi um pouco difícil de entender, mas com o decorrer do livro tornou-se mais fácil. Os seus diálogos são simplesmente hilariantes, bem como a maneira com o tratam Tiffany por ser uma Aching. Sendo que Aching tem também duplo sentido.

Uma vez mais um livro excelente, cheio de ironias e situações pouco convencionais num livro de heróis, mas que na mão de Pratchett funciona perfeitamente.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Opinião - Fontiçaria

Ficha Técnica:
Autor: Terry Pratchett
Título Original: Sourcery
Páginas: 297
Editor: Temas e Debates
ISBN: 9727596878
Tradutor: Mário Dias Correia

Sinopse:
Em Fontiçaria,assistimos ao regresso de Rincewind, o jovem feiticeiro sem talento que vive de fazer biscates na Universidade Invisível. Certo dia, surge um rapazinho que por ser o oitavo filho de um oitavo filho de outro oitavo filho é um fonticeiro, ou seja, não apenas um feiticeiro, mas uma fonte de magia, uma raridade entre as raridades. O pequeno Coin assume imediatamente o controlo da Universidade e é acolhido com entusiasmo pelos feiticeiros residentes, fascinados com o poder da criança, mesmo quando ela decide transformar pessoas em fumo e sapos. Ignoram que Coin é, na verdade, controlado pelo espírito vingativo do seu pai, um feiticeiro a quem foi recusada a admissão na Universidade. Todavia, o chapéu do arquichanceler, símbolo supremo do poderio mágico na Universidade, tem outras ideias acerca do futuro. Ao fazer-se raptar pela jovem Conina, uma lutadora e ladra cheia de recursos, o chapéu está determinado a preservar a feitiçaria contra o poder cataclísmico da fontiçaria, que poderá destruir o próprio tecido do Discworld. E claro que o pobre Rincewind se vê envolvido nesta batalha entre feitiçaria e fontiçaria, pois só há espaço no Discworld para uma delas.

Opinião:
Oh meu Deus! Pratchett, quero mais Pratchett! Como é que é possível que cá em Portugal este autor fenomenal quase não tenha tido saída e por isso deixou de ser publicado? Dos cerca de 40 livros que existem, em Portugal só tivemos direito  meia dúzia, sendo esta meia dúzia logo os livros iniciais e por isso falta-lhes alguma da qualidade que se pode encontrar relativamente a este autor. Os primeiros três/quatro livros são mais fracos do que os seguintes e por isso para quem só lê em português é difícil obter uma noção da verdadeira dimensão do autor.

Contudo não me posso queixar. Depois deste Fontiçaria e do Pirâmides com certeza que vou começar a ler Pratchett em inglês. A sua ironia, as suas piadas e a maneira de descrever de uma maneira surpreendente as situações mais inusitadas fazem de Pratchett um mestre. Além das suas personagens extremamente peculiares e que fogem à norma.

Uma vez mais Rincewind é um dos focos da história que nos é apresentada. É impossível não adorar este Feiticeiro completamente cobarde, com uma apetência extraordinária para sobreviver às situações mais improváveis. Além disso é algo extraordinário ler os seus diálogos interiores onde a vontade de por uma vez fazer o correcto e por outro lado a vontade de sobreviver se digladiam. Voltamos também a ver a Mala. Esse ser estranho, cheio de personalidade e verdadeiramente assustador para os mais incautos. Gostei dos personagens novos que nos são apresentados, Conina, a filha de Cohen, já nosso conhecido. O seu sonho de ser cabeleireira não de coaduna de todo ao facto de ser uma assassina exímia tal como o seu pai. Coin é também um personagem estranho, que ao início parece ser possuidor de uma sabedoria incrível, mas que com o aproximar do final da narrativa percebemos que não é bem assim.

A acção desenrola-se rapidamente sempre com Rincewind na frente dos acontecimentos. É sempre ele, por muito que não queira, que leva a que determinados acontecimentos se precipitem levando a que o esperado não aconteça e mais uma vez salvando o mundo contra todas as probabilidades. Gostei de ver mais da personalidade dos feiticeiros e de como eles descrevem e sentem a magia, face à Fontiçaria. Foi um bom livro para ficar a conhecer um pouco mais da história do Discworld.

Fica a curiosidade para saber o que aconteceu verdadeiramente a Rincewind e de como é que ele vai sair da encrenca em que se meteu.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Opinião - Pirâmides

Ficha Técnica:
Autor: Terry Pratchett
Título Original: Pyramids
Páginas: 324
Editor: Temas e Debates
ISBN: 9789727596898
Tradutor: Mário Dias Correia

Sinopse:
O jovem Teppic, príncipe herdeiro de Djelibeybi, o velho Reino do Sol, insatisfeito com a vida disparatadamente ritualizada que o aguarda no seu país, decide viajar para Ankh-Morpork onde se inscreve como aluno na Guilda dos Assassinos. Porém, quando o pai bate a bota sem cerimónia, Teppic vê-se obrigado a regressar a casa para assumir o trono. E assume-o; mas a vaga ilusão de que gorverna alguma coisa evapora-se no momento em que conhece Dios, o sumo-sacerdote de Djelibeybi, que o manipula relativamente à construção da maior pirâmide alguma vez vista..

Opinião:
Até ao momento este foi, sem dúvida, o livro de Pratchett de que mais gostei. Adorei cada momento passado a lê-lo.

Os personagens são fascinantes. Principalmente Teppic com a sua maneira de pensar e o modo como analisa as diferentes reacções e acções dos outros personagens. É impossível ficar indiferente à sua ironia e sarcasmo. Outras personagens extremamente interessantes são Dios, os amigos assassinos de Teppic e os arquitectos que dão início à construção da pirâmide do falecido pai de Teppic. Menção honrosa para o falecido rei. Vê-lo a descrever o processo da sua mumificação é de certa forma hilariante.

Eu interpreto este livro como uma crítica à religião. É impossível não nos apercebermos das críticas que são humoristicamente abordadas ao longo da narrativa. A religião é algo com bastante poder, que controla completamente a vida das pessoas. Mesmo quando aquilo que apregoa não faz propriamente sentido, a verdade é que nos deixamos guiar por ela numa tentativa de ver justificadas muitas das nossas acções. Além disso muitas vezes interpretamos da forma que achamos mais adequada aquilo que nos é transmitido quando possivelmente as intenções de quem nos transmite as ideias sejam completamente diferentes.

Uma vez mais não existe grande coisa que possa dizer acerca da história. Pratchett é sem dúvida um autor que para ser devidamente apreciado tem que ser lido. Só assim é possível compreender a magnitude da sua inteligência.

domingo, 8 de novembro de 2015

Opinião - Mort

Ficha Técnica:
Autor: Terry Pratchett
Título Original: Mort
Páginas: 232
Editor: Caminho
ISBN: 9722107356
Tradutor: Paula Reis

Sinopse:
A morte chega a todos e Mortimer (Mort para os amigos) não é excepção. Mas, quanto a morte chega ao pé dele, acontece algo de inesperado: oferece-lhe um emprego... Depois de se certificar de que morrer não é obrigatório, Mort aceita a proposta de se converter num aprendiz da Morte e libertar as almas dos seus invólucros carnais. É, contudo, um jovem sonhador e... não muito capacitado para este novo trabalho: assim que se encontra diante da princesa Keli — uma rapariga muito atraente prestes a ser assassinada —, Mort não mantém a calma que seria recomendável ao seu ofício e, em vez de libertar a alma da princesa, liberta a do assassino, interferindo com os desígnios implacáveis do Destino. Claro que a realidade não se muda assim tão facilmente: a princesa tem agora de fazer inúmeros esforços para conseguir que os seus súbditos lhe dêem ouvidos e estes mostram uma tendência muito desagradável para a ignorar. Mortimer precisa desesperadamente de ajuda, mas o seu mestre, tendo delegado nele boa parte do seu trabalho, agora passa os dias a beber, a jogar aos dados e a entregar-se a reflexões sobre a natureza filosófica do «divertimento»...

Opinião:
Mais um livro de Pratchett, mais uma sátira bem construída. Apesar de tudo este livro não me cativou tanto como os anteriores. Provavelmente por causa da tradução. Houve nomes que não estava à espera de ver em inglês e que não soavam bem no decorrer da narrativa. Isso quebrou um pouco o ritmo de leitura.

Deste vez ficamos a conhecer Mort e a sua relação com Morte. Sim, porque a Morte decidiu que era tempo de arranjar um aprendiz para ter tempo para perceber e estudar os comportamentos humanos. Afinal de conta a Morte sente-se posta de parte, sente-se renegada e enxovalhada por ninguém a aceitar. Por ninguém ser capaz de tentar travar amizade com ela. Afinal ela é um ser igual a todos os outros neste mundo.

Gostei da relação que Mort e a Morte desenvolvem. De companheirismo e aceitação. Ao mesmo tempo gostei de ver a transformação de Morte num ser mais humano e de Mort na Morte (se é que isto faz algum sentido).

Tal como seria de prever através do título e da sinopse neste livro o autor foca-se no assunto da morte e da maneira como nós a vemos. Mostrando-nos todas as suas facetas de uma maneira original, divertida e satírica (tal como não poderia deixar de ser). Uma vez mais não vou estar a discorrer sobre todos os aspectos porque o interessante é ler o livro e percebê-las por nós mesmos.

Não posso deixar de fazer referência a Ysabell. Adorei conhecer mais desta personagem que já nos tinha sido apresentada em A Luz Fantástica. A sua relação com Mort vai de ódio a amor muito depressa, o que em si mesmo pode ser considerado uma sátira a determinados tipos de literatura.

domingo, 13 de setembro de 2015

Opinião - A Luz Fantástica

Ficha Técnica:
Autor: Terry Pratchett
Título Original: The Light Fantastic
Páginas: 237
Editor: Círculo de Leitores
ISBN: 9724231798
Tradutor: Mário Dias Correia

Sinopse:
Uma nova e fantástica aventura que apresenta mais uma série de criaturas bizarras: Cohen, o bárbaro, com oitenta e sete anos, cujos ideais são água quente, um bom dentista e papel higiénico macio; Bethan, arrancada à situação de virgem sacrificial pelo herói; Herrena dos Cabelos Vermelhos Harridan e Ysabell, a louca filha adoptiva da Morte.

Opinião:
Neste livro continuamos a seguir as aventuras de Twoflower e Rincewind. É impossível ficar indiferente a todo o azar que Rincewind tem e como se consegue sempre escapar de situações pontiagudas. Ao mesmo tempo é impossível não ter vontade de dar duas traulitadas  a Twoflower devido ao seu optimismo e vontade de resolver tudo a bem.

Nesta nova aventura a comunidade de Feiticeiros pretende apanhar Rincewind de forma a conseguir obter o feitiço que se esconde na sua mente. Isto tem como finalidade conseguirem dizer todos os feitiços do Octano de forma a evitar a destruição certa do Discworld (que afinal não é assim tão certa). Claro que Rincewind vai passar mal e tentar fugir de toda esta responsabilidade, contudo no final ele mostra de que material é feito e faz aquilo que tem que ser feito.

Para não variar o livro é populado de ironia e sarcasmo. De críticas à sociedade e à sua maneira de estar. Bem como de sátiras ao que consideramos serem os alicerces da literatura fantástica. Não vale a pena estar a referi-las pois ainda são bastantes e a piada está em lê-las o contexto e no meio do diálogo destes personagens.

Por falar em personagens. Adorei ter visto um pouco mais acerca da Morte e de como funciona a hierarquia no mundo dos Feiticeiros. Adorei também ficar a conhecer Cohen, o Bárbaro, e Bethan, a virm sacrificial. Espero sinceramente que o autor volte a pegar nestes dois personagens pois eles merecem mais tempo de antena. Menção honrosa para A Mala. É impossível não nos sentir-mos fascinados com esta personagem que apesar de não ter cara e não falar consegue ser extremamente expressiva.

sábado, 29 de novembro de 2014

Opinião - A Cor da Magia

Ficha Técnica:
Autor: Terry Pratchett
Título Original: The Color of Magic
Páginas: 254
Editor: Temas e Debates
ISBN: 9789727595549
Tradutor: Mário Dias Correia

Sinopse:
Nesta primeira aventura, Twoflower, um turista ingénuo, chega ao Discworld - um estranho mundo apoiado na carapaça de uma tartaruga gigante -, com o intuito de conhecer um bárbaro autêntico. Traz consigo uma mala cheia de ouro (o ouro não tem muito valor na sua terra) que se desloca através de centenas de perninhas e tem poderes mágicos. À chegada, conhece Rincewind, um feiticeiro cobarde e desastrado que escolhe como guia e protector. Mas o resultado não podia ser pior: durante a expedição, ambos terão de enfrentar todo o tipo de perigos e criaturas mirabolantes, incluindo ladrões "sindicalizados" que tentam constantemente roubar a mala de Twoflower, trolls, dragões, a Morte, o espaço e, claro... também o bárbaro que procuravam.

"A Cor da Magia" é uma aventura psicadélica num mundo mítico, cheia de ritmo e humor, que promete conquistar muitos adeptos.

Opinião:
A Cor da Magia foi o primeiro livro escrito por Pratchett no universo Discworld. Acredito que quando o livro saiu pela primeira vez muita gente tenha estranhado a sua concepção. Afinal um mundo plano que se desloca pelo universo suportado por 4 elefantes que por sua vez se encontram sobre uma tartaruga gigante não é de todo a primeira ideia que surge ao leitor comum. No entanto todo o o mundo criado por Pratchett é baseado em factos incomuns. Normal não é, de todo, a palavra de ordem no Discworld, onde tudo aquilo que consideramos não plausível ali o é.

Em A Cor da Magia seguimos a história de Rincewind e Twoflower, o primeiro o maior cobarde de que há memória e o segundo o primeiro turista que alguma vez existiu no Discworld. Rincewind é um personagem interessante e ao mesmo tempo exasperante devido à sua cobardia. Ele sabe que o é, não tem problemas em o dizer e de fugir sempre que tem a oportunidade. No entanto quando fugir não é possível ele consegue arranjar uma maneira igualmente cobarde de se safar do problema. Isto porque apesar de Rincewind ser um feiticeiro a verdade é que só sabe um feitiço (apesar de não saber qual). Todos os outros lhe fogem da cabeça com medo. Twoflower é um personagem algo passivo e algo irritante devido ao seu optimismo. É difícil de perceber como é que alguém pode ser tão optimista e não perceber quando as coisas estão realmente mal ou são perigosas. Há alturas em que dá vontade de o abanar.

Apesar de terem tido muito pouco tempo de antena, gostei das partes em que Pratchett nos deixava ver as acções dos Deuses e como os seus jogos influenciavam as peripécias dos nossos dois personagens principais.

O humor do autor é constante ao longo de toda a narrativa, e se em determinadas alturas este é mais directo e fácil de reconhecer outras vezes é necessário estar atento para perceber a piada que o autor está a tentar fazer.

Houve essencialmente um ponto que me fez perder algum interesse no livro e que por isso tornou a sua leitura mais lenta, o facto de que muitas vezes havia saltos temporais e espaciais na linha de acontecimentos dos nossos personagens e eu deixava de perceber muito bem onde estávamos, como lá tínhamos chegado e o que estávamos lá a fazer. Eventualmente acabava por perceber, mas ao início sentia-me sempre um pouco perdida.

Quanto ao final do livro, deixa tudo um pouco em aberto e tenho curiosidade em saber como é que vão buscar o Rincewind tendo em conta que ele supostamente se perdeu no universo.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Opinião - As Três Bruxas

Ficha Técnica:
Autor: Terry Pratchett
Título Original: Wyrd Sisters
Páginas: 258
Editor: Caminho
ISBN: 9789722105910
Tradutor: Paula Reis

Sinopse:
Terry Pratchett é um autor que entronca na melhor e mais fabulosa tradição do humor britânico. Com uma dexteridade e uma imaginação desnorteantes, Pratchett desenrola o seu mundo-disco, que não se parece com qualquer outro, repleto de bruxas, bobos, fantasmas, dragões, e peripécias devastadoras, e situações inconcebíveis, e faz disto tudo um livro magnífico, surpreendentemente equilibrado, como um fogo-de-artifício altamente rebuscado em que nada falha e o espectáculo se executa com mão de mestre. Do mestre Terry Pratchett, escritor de grande e justificado êxito, que era urgente trazer ao convívio do leitor português.

Opinião:
Já não lia nada de Pratchett à algum tempo. É sempre preciso ter-se uma mente atenta quando estamos a ler este autor devido a todos os trocadilhos que ele faz e todas as referências que poderão passar despercebidas a um leitor menos atento ou no caso de uma tradução menos boa.

O Discworld é um mundo fascinante. Cheio de coisas estranhas e inacreditáveis e de personagens completamente fascinantes, com personalidades fortes e marcantes, ou fracas e marcantes (o que pode parecer impossível, mas acreditem que não é). Cada vez que se lê uma história do Discworld descobrem-se novas personagens e novas coisas que antes não sabíamos que existiam ou que eram possíveis.

Pelo menos uma das personagens deste livro eu já conhecia, a bruxa Weatherwax, do livro Ritos Iguais. Tinha uma vaga ideia da sua personalidade, mas assim que comecei a ler o livro notei que era exactamente a mesma pessoa com a mesma postura. Alguém muito rezingão, com uma ideia muito fixa do que é ser bruxa e do que se pode fazer, mas que quando lhe convém sabe dar a volta ao texto de uma maneira fenomenal. Já as outras duas bruxas não me recordo de ter lido sobre elas, no entanto posso dizer que são também personagens completamente alucinadas e com personalidades muito singulares. Ama Ogg adora andar na pinga e tem uma postura bastante descontraída, enquanto que Magrat é uma bruxa mais ligada à natureza e às coisas naturais e que é aficionada por pendentes e afins. No entanto as nossas bruxas não são as únicas personagens dignas de nota. As que mais me fascinaram foram o Duque e a Duquesa devido a toda a sua loucura. Principalmente o Duque é completamente assustador na sua loucura alucinada.

 Quanto aos outros personagens, são também importantes para o desenvolvimento da trama, mas não foram capazes de me cativar tanto como os que mencionei acima. E por falar em trama, ao longo de todo o livro parece que nada acontece. Parece que tudo se desloca a passo de caracol e que não há propriamente nenhuma acção, a qual esperamos desde o início do livro devido ao tipo de história que é. No entanto quando damos por isso os maus estão derrotados e a paz foi restaurada no reino. É algo estranho de se perceber.

Houve quem me tenha questionado acerca da tradução, sinceramente não a achei má. Algumas letras trocadas, recordo-me que numa parte em vez de mais escreveram Maio, mas nada a que não se esteja habituado no dia a dia. Quanto às notas a que temos direito durante a leitura, gostei bastante que estivessem disponíveis pois ajudaram-me a perceber determinadas referências e piadas que de outro modo não perceberia. Como as inúmeras referência às peças de Shakespeare e aos trocadilhos de palavras que vão sendo utilizados ao longo da narrativa. Estas notas poderiam até quebrar o ritmo da leitura, mas como elas são tão engraçadas e interessantes parecem fazer parte da própria narrativa levando a que não se perca o embalo e que a leitura continue a correr de forma fluída.

Mais uma vez Pratchett conseguiu deixar-me rendida. Aconselho.