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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Opinião - The Host

Ficha Técnica:
Autor: Stephenie Meyer
Páginas: 652
Editor: Sphere
ISBN: 0751550973

Sinopse:
Melanie Stryder refuses to fade away.

Our World has been invaded by an unseen enemy. Humans become hosts for these invaders, their minds taken over while their bodies remain intact and continue their lives apparently unchanged. Most of humanity has succumbed.

When Melanie, one of the few remaining "wild" humans, is captured, she is certain it is her end. Wanderer, the invading "soul" who has been given Melanie's body, was warned about the challenges of living inside a human: the overwhelming emotions, the glut of senses, the too-vivid memories. But there was one difficulty Wanderer didn't expect: the former tenant of her body refusing to relinquish possession of her mind.

Opinião: 
Algumas das opiniões que li dizem que The Host além de ser bastante diferente da Saga Twilight é também melhor. Assim sendo decidi experimentar.

Essencialmente a história passa-se em torno de Wanda e Melanie. Wanda faz parte de uma raça extraterrestre que invade a Terra com o intuito de tomar posse dos humanos para que estes possam aprender a viver em harmonia com o planeta e entre si. Um dos extraterrestres que é colocado dentro de um ser humano é a Wanda, que por sinal é colocada dentro da Melanie.

A Melanie tem uma personalidade bastante forte, assim sendo quando a Wanda é colocada dentro dela ambas ficam a coabitar o corpo da Melanie. Apesar de a Wanda ter um controlo superior, pelo menos a nível físico, a verdade é que a Melanie tem mais poder a nível psicológico. Ou seja, a Melanie é capaz de esconder informação à Wanda, enquanto esta tem mais dificuldade em fazê-lo. Ao mesmo tempo as emoções da Melanie e os seu pensamentos invadem aquilo que é suposto ser a Wanda transformando-a e alterando a sua maneira de ver os humanos e o seu mundo.

Esta é sem dúvida a melhor qualidade do livro. A dualidade Wanda/Melanie, a tentativa de descobrir onde começa uma e termina a outra. Quem são realmente e quais os sentimentos que pertencem a uma ou a outra. O mundo que a autora criou também é interessante, bem como a espécie a que pertence a Wanda e como é que as suas vidas funcionam.

Não existe muita interacção com outros seres, mas o pouco que vemos dá para perceber que todos eles são bastante pacíficos e que pretendem ajudar, apesar de não terem a noção que aquilo que estão a fazer é errado. Custa ver a Wanda a ser constantemente mal tratada e escorraçada sem ter propriamente culpa daquilo que aconteceu. As únicas pessoas que a aceitam incondicionalmente é o Jeb e o Jamie. E como eu adorei o Jeb! Com o seu ar brincalhão e o seu coração enorme capaz de ver para além do óbvio. O Jeb é uma pessoa extremamente perspicaz que desde cedo se apercebe do que realmente se passa com Wanda/Melanie.

Para não variar existe um triângulo amoroso, a Wanda não sabe se realmente gosta do Jared ou do Ian. Ao menos esta indecisão tem a duração de um livro e não de três ou quatro. O que não é nada mau. Ao início é fácil torcer para que a Wanda goste do Jared, mas a nossa percepção do quão complicado isto é vai aumentando ao longo do livro. Além disso o Jared demora muito mais tempo a aceitar a Wanda do que o Ian, não sendo tão difícil quanto isso perceber porquê. Mas chega a um ponto em que começamos a querer ver a Wanda com alguém que goste dela por aquilo que ela é interiormente e não por aquilo que ela é fisicamente.

No final as coisas melhoram e bastante, e são feitas descobertas fascinantes que dão um ar de esperança para o futuro dos personagens. Gostei bastante do livro, mais do que estava à espera. Assim sendo recomendo.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Opinião - O Vampiro Lestat II

Ficha Técnica:
Autor: Anne Rice
Título Original: The Vampire Lestat
Série: The Vampire Chronicles, #2
Páginas: 263
Editor: Europa-América
ISBN: 9721040320
Tradutor: Sophie Vinga

Sinopse:
Na sequela de Entrevista com o Vampiro, Lestat é um excêntrico e sedutor vampiro que, ao longo de várias eras, procura as suas origens e quer desvendar o segredo da sua obscura imortalidade. Essa vertiginosa viagem leva-o da Inglaterra dos druidas aos lupanares de Paris do século XVIII e à Nova Orleães finissecular.
Avesso ao código de honra dos vampiros, que lhes impõe o silêncio sobre a sua condição, Lestat revela-se na esperança de que os imortais se unam para descobrirem o mistério da sua existência. E é então que Lestat, o caçador, se transforma numa presa.

Opinião:
Como gostei bastante do volume I decidi começar com o volume II logo de seguida. Apesar de ter continuado a gostar mais deste volume do que de Entrevista com o Vampiro, não gostei tanto como do primeiro volume.

Neste volume continuamos a seguir o percurso de Lestat enquanto este se afasta de Paris e o que ela representa, até ao encontro com Marcus e o seu regresso à civilização. Basicamente Lestat continua a ser governado pelo seu medo da solidão. Quase todo o livro revolve à cerca deste medo. Lestat receia a solidão, prosseguir sozinho pela sua vida fora, sem alguém a quem amar e que o compreenda e compartilhe consigo a verdade daquilo que ele é. Ao mesmo tempo Lestat sente uma grande necessidade de se revelar ao mundo, de não viver em mentira. Para ele a libertação consiste em ser quem ele é realmente, sem ter que se esconder. Além disso o seu amor pela humanidade consome-o e não o deixa ser desprendido tal como acontece com Gabrielle.

No geral gostei bastante do livro. A escrita da autora prende o leitor e o fio condutor da narrativa também. Existe sempre algo a acontecer e a luta interior do personagem é bastante cativante, bem como o seu crescimento. É impossível não sentir as dores de Lestat e acompanhá-lo na sua agonia através dos anos. Contudo desta vez houve determinadas alturas em que achei o discurso e pensamentos dos personagens algo confusos, em que achei difícil apreender o significado do "quadro" que determinado personagem estava a tentar "pintar". Uma vez mais ou andava muito cansada ou então é da tradução que não ajuda. E sim, este livro continua cheio de gralhas. O que me deixa bastante apreensiva para os próximos.

Apesar de não termos visto os acontecimentos entre Louis e Lestat do ponto de vista deste último algumas coisas são-nos explicadas e é mais fácil compreender e aceitar determinados acontecimentos descritos em Entrevista com o Vampiro. Gostei bastante de ficar a conhecer Marius, parece ser um vampiro bastante sábio e capaz, um vampiro bastante intrigante pela sua maneira de estar e viver a vida que lhe foi concedida. A sua história é também impressionante e não me importava de ler um livro apenas acerca dele. Outros personagens são-nos apresentados, como por exemplo Pandora, pela qual sinto imensa curiosidade, nem que seja pelo seu nome. Relativamente a Armand, cada vez gosto menos dele. Parece-me ser um vampiro ardiloso, que não tem escrúpulos para conseguir aquilo que quer. Nomeadamente magoar Louis para o conservar por perto. Parece ser também um vampiro fraco pois rapidamente se deixa levar por aquilo que os outros querem sem usar a cabeça para tirar conclusões tal como Lestat faz.

Ficamos também a saber quem e o que são "Aqueles que devem ser cuidados/protegidos". Akasha e Enkel são sombrios e assustadores e trazem para a história algo completamente diferente daquilo que se poderia esperar.

O final é algo surpreendente e tenho curiosidade para saber o que dali advém. Tenho receio sobre o que Akasha poderá fazer à comunidade de vampiros e à humana, depois de ter estado adormecida durante tanto tempo. É uma questão de se aguardar para ver e esperar que tanto a tradução como a revisão dos próximos livros esteja melhor.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Opinião - O Vampiro Lestat I

Ficha Técnica:
Autor: Anne Rice
Título Original: The Vampire Lestat
Série: The Vampire Chronicles, #2
Páginas: 254
Editor: Europa-América
ISBN: 9721040029
Tradutor: Sophie Vinga

Sinopse:
Lestat, personagem de Entrevista com o Vampiro, tem uma história para contar. O segundo volume da saga «Crónicas dos Vampiros» acompanha Lestat ao longo de várias eras, à medida que ele procura as suas origens e desvenda o segredo da sua obscura imortalidade.
Extravagante e apaixonado, Lestat mergulha nos lascivos lupanares de Paris do século XVIII, na Inglaterra dos druidas e na Nova Orleães finissecular. Após um sono profundo de cinquenta e cinco anos, Lestat está fascinado pelo mundo moderno. Quando quebra o código de honra dos vampiros, que lhes impõe o silêncio sobre a sua condição, Lestat revela-se na esperança de que os imortais se ergam e se unam para descobrirem o mistério da sua existência. E é então que Lestat, o caçador, se transforma numa presa

Opinião:
Quem tem por hábito seguir o blog sabe, e quem não tem fica a saber, que apesar de ter achado Entrevista com o Vampiro um livro interessante, a verdade é que este não foi capaz de me prender e cativar por aí além. Assim sendo foi sem qualquer tipo de expectativas que comeei a ler O Vampiro Lestat. Neste momento posso dizer que se não sinto a adoração que toda a gente tem por Anne Rice, me vejo muito mais perto de que isso aconteça.

O Vampiro Lestat inicia-se com Lestat a contar-nos um pouco do seu presente. De certa forma a dizer-nos o que lhe aconteceu depois de ter sido abandonado por Louis. Daí partimos para a biografia da sua vida. Vemos um Lestat diferente das outras pessoas que o rodeiam e de certa forma incompreendido. Alguém que tem alguma maturidade tendo em conta a sua juventude. Alguém que quer deixar de ter todas as responsabilidades e gozar a vida. Lestat tem ainda um grande fascínio com a morte, e não no bom snetido. Este teme a morte como teme poucas coisas.

Seguimos então a vida de Lestat em Paris, para onde se muda numa tentativa de se libertar das grilhetas que o prendem à família. Aqui Lestat transforma-se em vampiro e isso acarreta alterações na sua pessoa. Se muitas delas não são positivas a verdade é que Lestat continua a ter rectidão nas suas atitudes e a preocupar-se com aqueles que lhe são queridos. Pelo menos inicialmente. Com o decorrer da narrativa vemos Lestat começar a perder alguns escrúpulos quanto às mortes que provoca, regozijando-se com estas.

Gostei também de ver as suas interacções com Armand. Ver como este era e compará-lo com o Armand que conhecemos em Entrevista com o Vampiro.

Tenho curiosidade em saber que acontecimentos mais vão ocorrer até Lestat se transformar no vampiro que conhecemos no livro anterior. Isto porque apesar de não ter problemas com alimentar-se a verdade é que Lestat parece ser uma pessoa ponderada e preocupada com os outros, tentando não lhes causar sofrimento. Tenho também curiosidade em saber se vamos ter direito a ver a vida de Lestat e Louis do ponto de vista do primeiro.

Contudo não é apenas LEstat que captura o interesse do leitor, Gabrille com o seu desprendimento para com todos os seres vivos, mas com um amor profundo pelo seu filho que sempre escondeu. E Nicolas, que se considera o contraponto de Lestat, que cosidera ser a escuridão para a luz de Lestat.

A escrita da autora é musical e deixa o leitor completamente embalado. Ainda teria resultado melhor se o livro não estivesse repleto de gralhas, como falta de letras e palavras, ou letras trocadas.

Assim sendo recomendo este livro e irei com certeza pegar de seguida na continuação.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Opinião - Kushiel's Avatar

Ficha Técnica:
Autor: Jacqueline Carey
Série: Phèdre's Trilogy, #3
Páginas: 702
Editor: Tom Doherty Associates
ISBN: 1405034149

Sinopse:
The land of Terre d'Ange is a place of unsurpassed beauty and grace. It's inhabited by the race that rose from the seed of angels, and they live by one simple rule: Love as thou wilt.

Phèdre nó Delaunay was sold into indentured servitude as a child. Her bond was purchased by a nobleman who recognized that she was pricked by Kushiel's dart, chosen to forever experience pain and pleasure as one. Phèdre's path has been strange and dangerous. She has lain with princes and pirate kings, battled a wicked temptress, and saved two nations. Through it all, the devoted swordsman Joscelin has been at her side, following the central precept of the angel Cassiel: Protect and serve.

But Phèdre's plans will put his pledge to the test, for she has never forgotten her childhood friend Hyacinthe. She has spent ten long years searching for the key to free him from his eternal indenture to the Master of Straights, a bargain with the gods to save Phèdre and a nation. The search will take Phèdre and Joscelin across the world and down a fabled river to a forgotten land. . . and to a power so intense and mysterious, none dare speak its name.

Opinião:
Depois de ter tido coragem para voltar a pegar em Kushiel e de ter gostado tanto do 2ª livro rapidamente peguei no 3º.

Desta vez a premissa é algo diferente na medida em que as aptidões de Phédre como espia e cortesão não são utilizadas propriamente na intriga da corte, mas sim na tentativa de descobrir uma maneira de libertar Hyacinthe e salvar o filho de Melisande de um destino desconhecido.

Sendo que passaram dez anos desde os acontecimentos do último livro, a Phédre e o Joscelin apresentados estão mais maduros. Joscelin finalmente compreende e aceita completamente aquilo que Phédre é, bem como a relação que têm. Existem determinadas alturas em que nos são apresentados momentos mais tensos entre ambos, contudo não existe rancor, ira ou qualquer outro sentimento negativo de um para com o outro.

Pela primeira vez encontramos uma Phédre completamente perdida. Não pela sua incapacidade de encontrar Imriel (o filho de Melisande), mas pela sua incapacidade em perceber quais os desígnios de Kushiel. O que é que Imriel poderá ter feito para merecer tal destino como o que lhe está reservado? Na mesma a história a autora aprenta-nos ainda uma Phédre quebrada. Há determinadas linhas que quando ultrapassadas não têm retorno e pode danificar a alma dessa pessoa para sempre. Phédre cruzou uma dessas linhas e o que daí adveio não foi bonito de se ver. Contudo acabou por recuperar e o susto que a autora prega ao leitor acaba por passar.

Adorei conhecer Imriel. Ele é uma rapaz rebelde, determinado e com um espírito que é fogo. Contudo é também um rapaz bondoso, com uma capacidade de amar enorme e com um sentido de responsabilidade bastante desenvolvido para alguém tão novo. É fácil apaixonarmo-nos por ele e querermos saber em que espécie de homem ele se vai tornar sob a tutelagem de Phédre e Joscelin.

Contudo não foi apenas o descrito acima que me cativou. Neste livro Phédre e Joscelin viajam por locais mesmo muito distantes, alguns deles mitos. Mesmo assim em cada novo local eu consegui fazer um paralelismo com um povo ou uma religião que conhecemos do mundo real. Estas alusões são-nos apresentadas de tal forma que o leitor não consegue mais do que ficar encantado. Mas para mim o que mais me impressionou no livro foi a capacidade da autora conseguir desenvolver de forma igual as duas linhas condutoras da história, a libertação de Hyacinthe e a descoberta de Imriel. Quando Phédre alcança a meio do livro uma das duas não senti que tivesse atingido o clímax do livro e que agora ir-se-ia começar a fazer crescer a história de início. O que senti foi que um dos objectivos tinha sido atingido, mas que a história ainda não tinha terminado. Não houve uma quebra de ritmo ou emoção. Este feito é extremamente importante para mim porque já vi utilizarem esta técnico num outro caso e não resultou de todo, o que me arruinou a leitura.

Assim sendo fica a vontade de iniciar a próxima trilogia, que tem como protagonista o Imriel. Sinto grande curiosidade para saber o que dali vem.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Opinião - Kushiel's Chosen

Ficha Técnica:
Autor: Jacqueline Carey
Páginas: 678
Editor: Tom Doherty Associates
ISBN: 0765345048

Sinopse:
Mighty Kushiel, of rod and weal
Late of the brazen portals
With blood-tipp'd dart a wound unhealed
Pricks the eyen of chosen mortals


The land of Terre d'Ange is a place of unsurpassed beauty and grace. The inhabiting race rose from the seed of angels and men, and they live by one simple rule: Love as thou wilt.

Phèdre nó Delaunay was sold into indentured servitude as a child. Her bond was purchased by a nobleman, the first to recognize that she is one pricked by Kushiel's Dart, chosen to forever experience pain and pleasure as one. He trained Phèdre in the courtly arts and the talents of the bedchamber—and, above all, the ability to observe, remember, and analyze.

When she stumbled upon a plot that threatened the very foundations of her homeland, she gave up almost everything she held dear to save it. She survived, and lived to have others tell her story, and if they embellished the tale with fabric of mythical splendor, they weren't far off the mark.

The hands of the gods weigh heavily upon Phèdre's brow, and they are not finished with her. While the young queen who sits upon the throne is well loved by the people, there are those who believe another should wear the crown... and those who escaped the wrath of the mighty are not yet done with their schemes for power and revenge.

Opinião:
A primeira e última vez que li Kushiel foi à anos e se por um lado adorei o que li por outro sentia-me um pouco renitente com o tamanho dos livros. Não é que não goste de livros grandes ou que estes me assustem, mas com a quantidade de livros que tinha para ler pretendia ler a mais quantidade possível no menos tempo possível. Felizmente este ano decidi-me a pegar no seguinte livro. Foi uma das minhas melhores opções literárias. Tinha-me esquecido do quão fascinante Terre d'Ange é. Quão fascinantes e complexas são as suas personagens.

Uma vez mais a autora mostra-nos uma história cheia de intrigas políticas em que nem tudo o que parece é e qaqueles que julgams serem poderosos inimigos demonstram ser os maiores aliados e vice-versa, A história continua a girar em torno de Melisande e da sua tentativa de conquistar o reino para si e para os seus. E mais uma vez será Phédre a fazer de tudo para frustrar os seus planos.

Ao longo da história Phédre passa por uma série de peripécias, na sua maior parte completamente sozinha, ou seja, sem Joscelin ao seu lado para a proteger e apoiar. Isto porque as coisas entre ambos nao estão famosas. Joscelin não consegue aceitar a e compreender aquilo que Phédre realmente é, e Phédre acaba por se tornar cruel, tentando constantemente magoar Joscelin em resposta à frieza com que ele a trata. Voltando às peripécias, estas permitiram ao leitor conhecer um leque bastante vasto de outras terras e outras crenças, bem como personagens secundários bastante interessante e bem construídos, nomeadamente Kazan Atrabiades, um pirata com bastante personalidade que carrega uma maldição não muito simpática.

A fórmula que o livro segue é essencialmente a mesma do livro anterior. Contudo o leitor não se sente maçado porque ao mesmo tempo a autora acrescenta alguns novos elementos, como por exemplo a procura de uma forma de libertar Hyacinthe.

Assim sendo apesar do seu tamanho este é um livro que se lê com facilidade. Tive alguns problemas com as casas, relações familiares e nomes de terras porque sou algo má com nomes  estava sempre a baralhar e confundir tudo e mais alguma coisa. O que me foi safando foi a listagem disponibilizada ao início do livro com estas informações.

Em jeito de conclusão, posso dizer que a leitura do último livro está para breve.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Opinião - Os Homenzinhos Livres

Ficha Técnica:
Autor: Terry Pratchett
Páginas: 322
Editor: HarperCollins
ASIN: B000R33QWY

Sinopse:
A nightmarish danger threatens from the other side of reality . . .

Armed with only a frying pan and her common sense, young witch-to-be Tiffany Aching must defend her home against the monsters of Fairyland. Luckily she has some very unusual help: the local Nac Mac Feegle—aka the Wee Free Men—a clan of fierce, sheep-stealing, sword-wielding, six-inch-high blue men.

Together they must face headless horsemen, ferocious grimhounds, terrifying dreams come true, and ultimately the sinister Queen of the Elves herself. . . .

Opinião:
Apesar de ter a versão portuguesa do livro a verdade é que li a original. Penso que talvez seja por isso que cada vez gosto mais de Pratchett. Parecendo que não com a tradução perde-se sempre um pouco do ritmo, do encadeamento  e dos jogos de palavras que Pratchett usa. Por exemplo os nomes dos Wee Free Man, acho que em português estes não teriam tanta piada porque se perderia o duplo significado dos nomes.

Neste livro ficamos a conhecer Tiffany. Tiffany sabe que há algo de errado com ela pois não vê ou sente as coisas do mesmo modo que as outras pessoas, contudo não tem bem a certeza o que é. A única coisa que sabe é que quer ser uma bruxa. E vejam lá bem se não é mesmo isso que ela é! Tiffany é uma personagem bastante cativante pela  sua maneira de pensar, a sua capacidade de Second Thoughts leva a que consiga ter uma mente objectiva e calculista (no bom sentido claro). Ao mesmo tempo o seu First Sight permite-lhe ver o que realmente existe e não aquilo que esperamos ver. Ambos as capacidades são bastante interessantes, principalmente quando aplicadas a uma criança de nove anos. Ver uma Tiffany que praticamente não tem medo, mas que quando o tem é capaz de o ultrapassar graças à lógica. Ver uma Tiffany que não dúvida daquilo que vê, daquilo que é é algo irónico e ao mesmo tempo reconfortante.

Quanto aos Wee Free Man, é impossível não gostar deles. A sua maneira de ser e de estar, sempre cheios de fulia leva a que o leitor esteja constantemente com um sorriso na cara. Principalmente os seus nomes fizeram-me rir ao longo de todo o livro pelo duplo sentido que têm e pelo facto de servirem que nem uma luva a estes personagens. A sua maneira de falar ao início foi um pouco difícil de entender, mas com o decorrer do livro tornou-se mais fácil. Os seus diálogos são simplesmente hilariantes, bem como a maneira com o tratam Tiffany por ser uma Aching. Sendo que Aching tem também duplo sentido.

Uma vez mais um livro excelente, cheio de ironias e situações pouco convencionais num livro de heróis, mas que na mão de Pratchett funciona perfeitamente.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Opinião - A Jornada do Assassino e Os Dragões do Assassino

Ficha Técnica:
Autor: Robin Hobb
Título Original: Fool's Fate
Páginas: 419 e 440
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896374242 e 9789896374709
Tradutor: Jorge Candeias

Sinopse:
A Jornada do Assassino
Os poderes do Assassino tornaram-no uma lenda.
Mas quando ensinar o herdeiro a usá-los, ficará o reino mais seguro ou irremediavelmente perdido?
Depois do desafio lançado ao Príncipe Respeitador pela narcheska das Ilhas Externas, só lhe resta embarcar para o país de Eliânia em busca do dragão de Aslejval que tanto pode existir como não passar de uma lenda antiga.
Fitz, o mais famoso e temido assassino do reino, irá com ele. Mas a partida do herdeiro ao trono dos Seis Ducados para uma atribulada viagem marítima até uma terra de antepassados e inimigos não é algo que se faça de ânimo leve.
Que desafios irão ter de enfrentar os nossos heróis? As magias que ambos manejam imperfeitamente, serão uma ajuda ou um empecilho?
E o que acontecerá aos Seis Ducados se o herdeiro desaparecer para sempre nessa terra misteriosa e distante?


Os Dragões do Assassino
Os Dragões do Assassino termina uma das séries de fantasia mais épicas de sempre. Por uma vez, todos parecem estar unidos num único objetivo: chegar ao dragão Fogojelo, sepultado sob o glaciar de Aslevjal. Uns pretendem libertá-lo, outros querem matá-lo. O que será que vai acontecer? No meio está o Príncipe Respeitador, preso pela vontade de paz a um casamento que depende da morte do dragão, mas ligado pela Manha a quem quer devolver ao mundo aquela grande vida. O dragão de Vilamonte, poderá ter uma palavra a dizer? E o Bobo, que profetizara que morreria naquela ilha; morrerá? No centro do turbilhão, como sempre, encontra-se Fitz, sempre o fulcro, sempre o Catalisador, sempre o agente da mudança. Que surpresas, que reviravoltas no fluxo do tempo poderá ele ainda causar?

Opinião:
Uma vez mais os livros foram lidos em conjunto visto que no original constituem apenas um livro.

Nestes últimos dois livros desta trilogia acompanhamos Fitz, Respeitoso, Obtuso e Breu na sua demanda por cortar a cabeça do Dragão de modo a que possa ser realizada a união entre os Seis Ducados e as Ilhas Externas.

No decorrer da narrativa ficamos a conhecer a resposta a muitas questões que têm sido levantas e que ficaram por responder ainda da trilogia anterior. Principalmente questões referente à Mulher Branca. Isto leva a que muitas perguntas acerca do Bobo, da sua origem e do seu papel sejam também respondidas levando a que o leitor sinta que faz parte do grupo de poucas pessoas em que o Bobo confia. Por outro lado vemos como Respeitoso começa a crescer e a caminhar para se tornar no Rei que Fitz acredita que ele venha a ser. Esta nova faceta de Respeitoso leva a que Eliana se comece a interessar por ele e é possível ver afecto sincero a crescer entre os dois.

Mas muitos mais acontecimentos são dignos de referência. O aparecimento de Castro na ilha de
Aslevjal e o que daí advém. A maneira como Veloz acaba por derrotar o inimigo. O modo como Fitz sendo o catalisador resolve a visão que o Bobo tem da sua própria morte. A maneira como Urtiga descobre quem e o que é. E por fim o modo como Fitz recupera a sua verdadeira essência.

Todos estes acontecimentos misturados com os dilemas que vemos os personagens enfrentar, as suas discussões interiores quanto ao que é certo e errado, ou quanto ao que achamos ser o certo e aquilo que realmente queremos, fazem destes dois últimos livros uma obra fenomenal.

Se por um lado a história de Fitz poderia ter ficado por aqui e ficaria bem, a verdade é que após saber que existe uma nova trilogia a vontade de saber o que mais poderá estar a pôr em risco Fitz, os Seis Ducados ou o futuro que o Bobo viu é bastante grande. Contudo tenciono aguardar até sair o último livro. Conto pegar nos restantes livros da autora escritos sobre o pen name Robin Hobb.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Opinião - Fontiçaria

Ficha Técnica:
Autor: Terry Pratchett
Título Original: Sourcery
Páginas: 297
Editor: Temas e Debates
ISBN: 9727596878
Tradutor: Mário Dias Correia

Sinopse:
Em Fontiçaria,assistimos ao regresso de Rincewind, o jovem feiticeiro sem talento que vive de fazer biscates na Universidade Invisível. Certo dia, surge um rapazinho que por ser o oitavo filho de um oitavo filho de outro oitavo filho é um fonticeiro, ou seja, não apenas um feiticeiro, mas uma fonte de magia, uma raridade entre as raridades. O pequeno Coin assume imediatamente o controlo da Universidade e é acolhido com entusiasmo pelos feiticeiros residentes, fascinados com o poder da criança, mesmo quando ela decide transformar pessoas em fumo e sapos. Ignoram que Coin é, na verdade, controlado pelo espírito vingativo do seu pai, um feiticeiro a quem foi recusada a admissão na Universidade. Todavia, o chapéu do arquichanceler, símbolo supremo do poderio mágico na Universidade, tem outras ideias acerca do futuro. Ao fazer-se raptar pela jovem Conina, uma lutadora e ladra cheia de recursos, o chapéu está determinado a preservar a feitiçaria contra o poder cataclísmico da fontiçaria, que poderá destruir o próprio tecido do Discworld. E claro que o pobre Rincewind se vê envolvido nesta batalha entre feitiçaria e fontiçaria, pois só há espaço no Discworld para uma delas.

Opinião:
Oh meu Deus! Pratchett, quero mais Pratchett! Como é que é possível que cá em Portugal este autor fenomenal quase não tenha tido saída e por isso deixou de ser publicado? Dos cerca de 40 livros que existem, em Portugal só tivemos direito  meia dúzia, sendo esta meia dúzia logo os livros iniciais e por isso falta-lhes alguma da qualidade que se pode encontrar relativamente a este autor. Os primeiros três/quatro livros são mais fracos do que os seguintes e por isso para quem só lê em português é difícil obter uma noção da verdadeira dimensão do autor.

Contudo não me posso queixar. Depois deste Fontiçaria e do Pirâmides com certeza que vou começar a ler Pratchett em inglês. A sua ironia, as suas piadas e a maneira de descrever de uma maneira surpreendente as situações mais inusitadas fazem de Pratchett um mestre. Além das suas personagens extremamente peculiares e que fogem à norma.

Uma vez mais Rincewind é um dos focos da história que nos é apresentada. É impossível não adorar este Feiticeiro completamente cobarde, com uma apetência extraordinária para sobreviver às situações mais improváveis. Além disso é algo extraordinário ler os seus diálogos interiores onde a vontade de por uma vez fazer o correcto e por outro lado a vontade de sobreviver se digladiam. Voltamos também a ver a Mala. Esse ser estranho, cheio de personalidade e verdadeiramente assustador para os mais incautos. Gostei dos personagens novos que nos são apresentados, Conina, a filha de Cohen, já nosso conhecido. O seu sonho de ser cabeleireira não de coaduna de todo ao facto de ser uma assassina exímia tal como o seu pai. Coin é também um personagem estranho, que ao início parece ser possuidor de uma sabedoria incrível, mas que com o aproximar do final da narrativa percebemos que não é bem assim.

A acção desenrola-se rapidamente sempre com Rincewind na frente dos acontecimentos. É sempre ele, por muito que não queira, que leva a que determinados acontecimentos se precipitem levando a que o esperado não aconteça e mais uma vez salvando o mundo contra todas as probabilidades. Gostei de ver mais da personalidade dos feiticeiros e de como eles descrevem e sentem a magia, face à Fontiçaria. Foi um bom livro para ficar a conhecer um pouco mais da história do Discworld.

Fica a curiosidade para saber o que aconteceu verdadeiramente a Rincewind e de como é que ele vai sair da encrenca em que se meteu.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Opinião - Persuasão

Ficha Técnica:
Autor: Jane Austen
Título Original: Persuasion
Páginas: 256
Editor: Presença
ISBN: 9789722321136
Tradutor: Fernanda Pinto Rodrigues

Sinopse:
É em Persuasão, o último romance acabado de Jane Austen, que encontramos a sua heroína mais notável – Anne Elliot. Naquela que é a sua obra mais amadurecida, que descreve uma órbita de afastamento nítida em relação ao tom predominantemente satírico dos seus anteriores romances, Austen trata o carácter e os afectos da protagonista de uma forma que, sem perder totalmente de vista a ironia, é, sem sombra de dúvida, muito mais terna, e anuncia já uma percepção mais aberta e dinâmica da personalidade e comportamentos humanos. Uma história de amor, desenvolvida com profundidade e subtileza, proporciona o campo ideal para um estudo reflectido, que sustenta na sua linha de horizonte o complexo relacionamento entre os dois sexos, e no qual homem e mulher surgem como seres moralmente análogos.

Opinião:
Depois da desilusão que foi o Ema dou graças por ter pegado no Persuasão. Fez-me acreditar novamente em Jane Austen e nas suas capacidades fascinantes para contar uma história.

Deste vez ficamos a conhecer Anna Elliot. Alguém pacato, que não gosta de confusões. Que tem o maior coração, tenta ajudar toda a gente e tem imensa paciência. Sendo que de certa forma tem tendência para colocar o bem estar dos outros à frente do seu. É impossível ficar indiferente a esta personagem e ao seu intelecto. Dona de bastantes conhecimentos e inteligência é normalmente relegada para segundo plano e ignorada devido aos seus modos mais calmos. Adorei estar na cabeça de Anna e ver como ela analisa e processa tudo aquilo que a rodeia. Nomeadamente as interacções de Wentworth com a própria e com os outros.

Como não podia deixar os personagens que fazem parte da família de Anna são uns idiotas. Gastam mais do que aquilo que tê, não dão valor à Anna e às suas opiniões, só querem saber do estatuto e na opinião do leitor estão sempre a fazer figuras de parvos por mais que tivessem o comportamento típico das pessoas daquela época.

Relativamente ao título, andei a fazer alguma pesquisa acerca do mesmo e compreendo perfeitamente o porquê do irmão de Jane Austen ter escolhido este título. Afinal foi a Persuasão de Lady Russell que levou a que Anne renegasse o Capitão Wentworth quando eram mais jovens. Mesmo hoje em dia a maior parte dos personagens pretende persuadir Anna a fazer o que eles querem ou o que acham que é melhor para ela sem dar a devida atenção aos seus sentimentos.

Este é sem dúvida um romance com uma maturidade diferente daquela que verifiquei em Orgulho e Preconceito em que apesar de tudo a história parece ter um ambiente mais leve e situações mais irónicas e caricatas.



segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Opinião - Pirâmides

Ficha Técnica:
Autor: Terry Pratchett
Título Original: Pyramids
Páginas: 324
Editor: Temas e Debates
ISBN: 9789727596898
Tradutor: Mário Dias Correia

Sinopse:
O jovem Teppic, príncipe herdeiro de Djelibeybi, o velho Reino do Sol, insatisfeito com a vida disparatadamente ritualizada que o aguarda no seu país, decide viajar para Ankh-Morpork onde se inscreve como aluno na Guilda dos Assassinos. Porém, quando o pai bate a bota sem cerimónia, Teppic vê-se obrigado a regressar a casa para assumir o trono. E assume-o; mas a vaga ilusão de que gorverna alguma coisa evapora-se no momento em que conhece Dios, o sumo-sacerdote de Djelibeybi, que o manipula relativamente à construção da maior pirâmide alguma vez vista..

Opinião:
Até ao momento este foi, sem dúvida, o livro de Pratchett de que mais gostei. Adorei cada momento passado a lê-lo.

Os personagens são fascinantes. Principalmente Teppic com a sua maneira de pensar e o modo como analisa as diferentes reacções e acções dos outros personagens. É impossível ficar indiferente à sua ironia e sarcasmo. Outras personagens extremamente interessantes são Dios, os amigos assassinos de Teppic e os arquitectos que dão início à construção da pirâmide do falecido pai de Teppic. Menção honrosa para o falecido rei. Vê-lo a descrever o processo da sua mumificação é de certa forma hilariante.

Eu interpreto este livro como uma crítica à religião. É impossível não nos apercebermos das críticas que são humoristicamente abordadas ao longo da narrativa. A religião é algo com bastante poder, que controla completamente a vida das pessoas. Mesmo quando aquilo que apregoa não faz propriamente sentido, a verdade é que nos deixamos guiar por ela numa tentativa de ver justificadas muitas das nossas acções. Além disso muitas vezes interpretamos da forma que achamos mais adequada aquilo que nos é transmitido quando possivelmente as intenções de quem nos transmite as ideias sejam completamente diferentes.

Uma vez mais não existe grande coisa que possa dizer acerca da história. Pratchett é sem dúvida um autor que para ser devidamente apreciado tem que ser lido. Só assim é possível compreender a magnitude da sua inteligência.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Opinião - Redimida

Ficha Técnica:
Autor: P. C. Cast & Kristin Cast
Título Original: Redeemed
Páginas: 352
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896377137
Tradutor: ?

Sinopse:
No último livro da série bestseller Casa da Noite a Luz e a Escuridão enfrentam-se e o mundo nunca mais será o mesmo.

Zoey Rebdird está em perigo. Isolada dos seus amigos, a jovem está determinada a encarar o castigo que merece – mesmo que tal signifique que o seu corpo rejeite a mudança e comece a definhar. Só o amor dos que lhe são próximos poderão salvá-la do vazio do seu espírito, mas um mal terrível emerge das sombras, mais poderoso que nunca…

Neferet fez-se finalmente conhecer perante os mortais, coroandose de Deusa Negra e preparando-se para escravizar todo o mundo. Os vampyros da Casa da Noite trabalham com a polícia reagrupando os recursos que possuem, mas nada parece suficiente para vencer Neferet – a não ser que o vampyro que manipule os elementos possua também o dom de manusear Magia Antiga. Somente Zoey Redbird é herdeira de tal poder… mas devido às consequências de ter usado Magia Antiga no passado, Zoey não pode ajudar ninguém. Neste último romance da série Casa da Noite terá lugar a batalha épica entre a Luz e a Escuridão – a batalha que definirá quem será redimido… ou quem ficará perdido para sempre.

Opinião:
Finalmente chegamos ao fim. Depois de tanta volta, depois de tanto enrolanço e de que acontecimentos completamente desnecessários e não essenciais ao desenvolvimento da história chegamos ao último capítulo de uma história que se tem vindo a desenrolar por demasiado tempo.

Não há muito a acrescentar relativamente aos livros anteriores. O registo é basicamente o mesmo. As personagens não se desenvolvem de forma notória ao longo deste último livro. Os acontecimentos acabam por ser um pouco mais do mesmo. Ou seja, sacrifícios que têm que ser feitos de modo a que Neferet possa ser definitivamente encarcerada.

Se há algo que gostava de salientar é o aquilo em que a Neferet se transformou. Por um lado a autora transmite bastante bem que a Neferet é completamente louca e alucinada. Tanto pelas suas acções, como pela sua maneira de estar, como por aquilo que diz e pelos pensamentos a que vamos acedendo. Por outro lado desapontou-me um pouco porque fiquei com a sensação que estava frente a uma pessoa louca que é louca e faz coisas inexplicáveis só porque sim. Para quem segue a série sabemos que existem muitas razões que justificam esta loucura, mas ao longo do livros elas não estiveram presentes. A autora não me conseguiu transmitir uma sensação de finalidade com as acções praticadas pela Neferet.

Contudo tenho que tirar o chapéu às autoras, houve algumas alturas em que me conseguiram comover. Houve bastantes momentos emotivos ao longo da narrativa entre os vários personagens e isso foi uma das coisas que mais gostei no livro. Apesar de a maior parte dos personagens ser algo irritante porque são adolescentes e por isso mesmo dizem e fazem coisas idiotas tal como deviam, por outro lado andam sempre com as emoções à flor da pele e isso leva a que em determinadas situações sejamos inundados por cenas extremamente emocionais que, por algum motivo que não consigo perceber, até não são idiotas e se encontram bem escritas.

Apesar de não ter sido um bom final foi adequado para o tipo de livro e para a qualidade a que as autoras nos habituaram ao longo da história,

sábado, 28 de novembro de 2015

Opinião - Os Dilemas do Assassino e Sangue do Assassino

Ficha Técnica:
Autor: Robin Hobb
Título Original: Golden Fool
Páginas: 364 e 372
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896373535 e 9789896373801
Tradutor: Jorge Candeias

Sinopse:
Os Dilemas do Assassino
O seu nome é murmurado com temor e respeito.
A sua figura move-se nas sombras da noite e das políticas.
Acaba de salvar o herdeiro do reino. Mas será suficiente?

Depois de salvar o príncipe das garras dos pigarços e de sofrer a mais devastadora perda possível ao fazê-lo, o lendário assassino regressa ao lugar a que em tempos chamou lar. Aí, esperam-no dias difíceis de adaptação, mas também o esperam oportunidades, velhos e novos amigos e até um filho adolescente. E espera-o também um príncipe, do seu sangue sem que o saiba, dotado com as magias desse sangue mas sem conhecimentos para lidar com elas, e prometido a uma princesa estrangeira. Como irá Fitz lidar com todos os desafios que o aguardam em Torre do Cervo? Que soluções encontrará para os seus dilemas?


Sangue do Assassino
Apesar de profundamente enredado nos seus conflitos pessoais, o Assassino tem de preparar uma expedição infalível às Ilhas Externas. Para isso há que ensinar ao príncipe dos Seis Ducados tudo o que conseguir sobre as duas magias - duas misteriosas e temidas magias inerentes ao sangue que ambos partilham. Mas na vida de Fitz nada é fácil, e o seu próprio desconhecimento de muito do que diz respeito a essas magias pode ter consequências catastróficas, tanto para si como para o herdeiro… e, em última instância, para o próprio reino.
Mas as ameaças não se ficam por aí: quem são realmente aqueles estranhos vilamonteses que apareceram inesperadamente em Torre do Cervo? E os manhosos, que resultará dos seus conflitos internos e que atitude tomará a respeito deles a coroa dos Seis Ducados?

Opinião:
Visto que li os dois livros seguidos e que no original eles são um único decidi juntar as duas partes portuguesas numa única opinião.

Os Dilemas do Assassino começa pouco depois da chegada da Narcheska aos Seis Ducados. Nesta altura ainda Fitz luta contra a dor e o luto de ter perdido Olhos-de-Noite. Esta é uma dor difícil de explicar e explorar, se bem que a autora tenta fazer-nos perceber tudo aquilo porque Fitz está a passar utilizando uma linguagem algo poética. Infelizmente a Fitz não lhe é dada propriamente a possibilidade de carpir as suas mágoas. Uma vez mais o reino precisa da sua ajuda e assim sendo Fitz trata de se tornar naquilo que precisam dele.

Uma vez mais muitas coisas acontecem durante o decorrer deste dois livros, sendo que cada vez mais perigos e intrigas são adicionados àqueles que já conhecemos. Neste caso à ameaça dos pigarços vem-se juntar a dúvida sobre as verdadeiras intenções da Narcheska e o medo do desafio que ela lança mais para o final da história. Outras variáveis entram na equação, nomeadamente o povo de que pretendem a ajuda dos Seis Ducados na sua guerra contra Calcede, e também o dragão Tintaglia que apesar de neste momento ainda não desempenhar um papel proeminente com certeza o virá a ter. Para finalizar Fitz tem ainda sobre si o peso de ser o actual Mestre do talento, sendo que está encarregado de ensinar tanto o Príncipe Respeitoso, como Breu e Obtuso, enquanto tenta que Urtiga continue sem saber o que representa realmente a capacidade que tem de moldas os sonhos.

 Se bem que durante a narrativa somos defrontados com bastantes momentos de acção o forte da história continua a ser o mesmo. A capacidade que a autora tem para criar personagens tão reais. A sua capacidade para tornar as suas interacções algo que nos agarra e não nos larga mais. As dúvidas e incertezas de Fitz tocam o leitor de uma maneira inimaginável sendo que é impossível ficar indiferente ás suas dúvidas, à sua angústia e à sua felicidade. Como será de esperar as interacções mais carregadas de significado e profundidade são aquelas que ocorrem com o Bobo. Contudo é extraordinário ver o modo como Fitz tenta desempenhar o seu papel de pai de uma forma distante, ou como tenta ser para Respeitoso o amigo e a família que ele pensou nunca ter. Ou como começa a fazer frente a Breu quando achas que as decisões deste não são as mais correctas. Denota-se uma evolução na maneira de estar e agir de Fitz. Nota-se que ao longo da narrativa este se torna mais estável apesar de todas as dúvidas que tem, sendo que a sua maior falha talvez seja esconder de Urtiga quem ela realmente é e a verdade sobre aquilo que ela é capaz de fazer.

Além disso novas personagens são-nos apresentadas, nomeadamente Teio, que ficamos a conhecer como consequência de uma reunião entre Manhosos e Ketricken. Teio é um personagem bastante peculiar, que parece ser dono de uma grande sabedoria e capacidade para inspirar confiança e paz aqueles que o rodeiam. Parece ser especialmente uma pessoa bastante conhecedora das tradições e do que significa ser Sangue Antigo, o que considero bastante importante para que tanto o leitor como os personagens que não têm esse conhecimento possam ficar a conhecer melhor o que significa realmente ser-se Manhoso.

Fica o desejo de ler o mais breve possível a continuação da história. Saber o que há-de acontecer entre Fitz e o Bobo, saber se existe realmente um Dragão enterrado no gelo e qual seria a decisão de Fitz quando o encontrar, saber quais os motivos que levam a Narcheska a ir para a frente com o casamento quando é claro que é algo que a mesma não deseja. Tantas questões que quero ver esclarecidas rapidamente.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Opinião - Entrevista com o Vampiro

Ficha Técnica:
Autor: Anne Rice
Título Original: Interview With The Vampire
Páginas: 276
Editor: Europa-América
ISBN: 9721037508
Tradutor: Teresa de Sousa Gomes

Sinopse:
Obra já clássica no seu género, Entrevista com o Vampiro é o primeiro volume da saga «Crónicas dos Vampiros» e granjeou o estatuto de livro de culto, comparável a Drácula de Bram Stoker.
Das plantações oitocentistas do Luisiana aos becos sombrios e cenários sumptuosos de Paris, do Novo Mundo à Velha Europa, Claudia e Louis fogem de Lestat, o seu criador e companheiro imortal. E o cruel vampiro que tirara partido do desespero de Louis e da fragilidade da órfã Claudia, no bairro francês da Nova Orleães assolada pela peste, move-lhes uma perseguição sem tréguas no submundo parisiense, entre a trupe Théâtre des Vampires do misterioso Armand e criaturas das trevas.

Opinião:
Toda a gente fala de quão fantástica Anne Rice é. E muito provavelmente têm razão. Eu consigo perceber o encanto que este tipo de livros terão para a maior parte das pessoas, contudo eu sein-me algo desiludida com esta leitura. Não é que o livro seja mau ou que as personagens não sejam cativantes. Muito pelo contrário.

As personagens são dotadas de uma profunidade fascinante. Bastante complexas. Principalmente Louis é um personagem que evolve bastante ao longo do livro. Sofrendo transformação atrás de transformação na sua maneira de estar e ver o mundo. Louis é um tipo de vampiro bastante particular que se agarra com todas as forças ao pouco de humano que ainda tem em si mesmo.

Quanto aos outros personagens todos eles são bastante bem construídos, carecendo quase completamente de humanidade. São no geral personagens calculistas e frios, mas que agem de completo acordo com as suas personalidades. É assim impossível ficar contra a sua frieza porque a autora faz-nos compreender que esta é a essência de um vampiro e nós aceitamo-los tal como eles são.

Fico curiosa para saber mais de Lestat e Armand. Principalmente de Lestat. Será que depois de ver Louis pela última vez acabou por morrer ou encontrou de algum modo a salvação? O que terá levado na realidade a que se tivesse tornado no vampiro que vemos no final? Quanto a Armand gostava de conhecer mais do seu passado e de como chegou ao que é actualmente.

Tudo isto levaria a crer que gostei bastante do livro, e a verdade é que ele tem todos os ingredientes para ser um excelente livro. Confesso que o problema aqui se prende mais com o estado físico da minha pessoa. Este é um livro que deverá ser lido com a cabeça limpa de modo a que seja fácil seguir os sentimentos e discursos dos personagens. Tendo em conta que na altura que li o livro andava bastante cansada havia alturas em que os diálogos e os significados dos mesmos se perdiam. O que levava a que houvessem passagens que não compreendia.

Assim sendo tenciono pegar nos próximos dois livros quando estiver com melhores capacidade de modo a que possa apreender na totalidade o quão fantástico é esta série.

domingo, 8 de novembro de 2015

Opinião - Mort

Ficha Técnica:
Autor: Terry Pratchett
Título Original: Mort
Páginas: 232
Editor: Caminho
ISBN: 9722107356
Tradutor: Paula Reis

Sinopse:
A morte chega a todos e Mortimer (Mort para os amigos) não é excepção. Mas, quanto a morte chega ao pé dele, acontece algo de inesperado: oferece-lhe um emprego... Depois de se certificar de que morrer não é obrigatório, Mort aceita a proposta de se converter num aprendiz da Morte e libertar as almas dos seus invólucros carnais. É, contudo, um jovem sonhador e... não muito capacitado para este novo trabalho: assim que se encontra diante da princesa Keli — uma rapariga muito atraente prestes a ser assassinada —, Mort não mantém a calma que seria recomendável ao seu ofício e, em vez de libertar a alma da princesa, liberta a do assassino, interferindo com os desígnios implacáveis do Destino. Claro que a realidade não se muda assim tão facilmente: a princesa tem agora de fazer inúmeros esforços para conseguir que os seus súbditos lhe dêem ouvidos e estes mostram uma tendência muito desagradável para a ignorar. Mortimer precisa desesperadamente de ajuda, mas o seu mestre, tendo delegado nele boa parte do seu trabalho, agora passa os dias a beber, a jogar aos dados e a entregar-se a reflexões sobre a natureza filosófica do «divertimento»...

Opinião:
Mais um livro de Pratchett, mais uma sátira bem construída. Apesar de tudo este livro não me cativou tanto como os anteriores. Provavelmente por causa da tradução. Houve nomes que não estava à espera de ver em inglês e que não soavam bem no decorrer da narrativa. Isso quebrou um pouco o ritmo de leitura.

Deste vez ficamos a conhecer Mort e a sua relação com Morte. Sim, porque a Morte decidiu que era tempo de arranjar um aprendiz para ter tempo para perceber e estudar os comportamentos humanos. Afinal de conta a Morte sente-se posta de parte, sente-se renegada e enxovalhada por ninguém a aceitar. Por ninguém ser capaz de tentar travar amizade com ela. Afinal ela é um ser igual a todos os outros neste mundo.

Gostei da relação que Mort e a Morte desenvolvem. De companheirismo e aceitação. Ao mesmo tempo gostei de ver a transformação de Morte num ser mais humano e de Mort na Morte (se é que isto faz algum sentido).

Tal como seria de prever através do título e da sinopse neste livro o autor foca-se no assunto da morte e da maneira como nós a vemos. Mostrando-nos todas as suas facetas de uma maneira original, divertida e satírica (tal como não poderia deixar de ser). Uma vez mais não vou estar a discorrer sobre todos os aspectos porque o interessante é ler o livro e percebê-las por nós mesmos.

Não posso deixar de fazer referência a Ysabell. Adorei conhecer mais desta personagem que já nos tinha sido apresentada em A Luz Fantástica. A sua relação com Mort vai de ódio a amor muito depressa, o que em si mesmo pode ser considerado uma sátira a determinados tipos de literatura.

domingo, 1 de novembro de 2015

Opinião - A Evolução de Calpurnia Tate

Ficha Técnica:
Autor: Jacqueline Kelly
Título Original: The Evolution of Calpurnia Tate
Páginas: 248
Editor: Contraponto
ISBN: 9896660999
Tradutor: Irene Guimarães

Sinopse:
O meu nome é Calpurnia Virginia Tate, mas, nesses tempos idos, toda a gente me tratava por Callie Vee. Nesse verão, tinha onze anos e era a única rapariga de um total de sete irmãos. Conseguem imaginar pior do que isto?

O verão de 1899 é quente na adormecida cidade do Texas onde vive Calpurnia, e não há muitas maneiras eficazes de combater o calor. A mãe tem uma nova ventoinha comprada na cidade, mas a única alternativa que Callie encontra é cortar discretamente o cabelo, uns furtivos dois centímetros de cada vez. Também passa muito tempo no rio na companhia do seu irascível avô, um ávido naturalista, e descobre assim que cada gota de água está cheia de vida – nada como olhar através de um microscópio!
Ao mesmo tempo que Callie vai explorando o mundo natural à sua volta, consegue desenvolver uma forte relação com o avô, contornar o perigo que é viver com seis irmãos e aprender o que significa ser-se rapariga na viragem do século.
A autora estreante Jacqueline Kelly dá vida a Callie e à sua família, capturando um ano verdadeiramente invulgar com uma sensibilidade e sabedoria únicas.

Opinião:
Já há bastante tempo que tinha curiosidade para ler este livro, contudo ainda não tinha surgido a oportunidade para pegar nele. Se soubesse o que sei agora teria feito um esforço para o ler à muito mais tempo.

Callie Vee é uma menina muito inteligente. No virar do século em que se encontra as mulheres ainda são bastante colocadas em 2º plano e tratadas como seres inferiores, cuja única obrigação é tratar da casa. Infelizmente para Callie esta situação é bastante inconveniente visto que o que ela pretende é ser cientista e estudar tudo o que a rodeia tal como o seu avô o faz. É admirável ver como sendo apenas uma criança de 12 anos Callie luta pelos seus interesses.

Sendo a única rapariga no meio de 7 filhos é esperado dela que se comporte e seja o orgulho da mãe em tudo o que toca à lida da casa, apesar de Callie não ter nenhum jeito para tal. É realmente ver como a personagem se desenvolve ao longo dos meses em que a história se desenvolve e as suas interacções com a família. Nomeadamente com o avô, que é a única pessoa que a compreende e apoia.

O que mais gostei na história foi o sentimento que ela transmite. É um sentimento difícil de descrever. Enquanto lia o livro só pensava naquelas tardes de Verão soalheiras em que existe aquele sentimento de calma e lanzeira à nossa volta. Em que tudo parece estar estagnado e não se ouve sequer os animais nas suas deambulações. Não sei se me consigo fazer entender com esta descrição, mas é o que mais se aproxima daquilo que senti. Simplesmente adorei todo este ambiente que a autora nos transmite ao longo da narrativa.

Não posso deixar também de falar da contextualização histórica que nos vai sendo transmitida ao longo da narrativa. Acho que nesse aspecto a autora esteve bastante bem e é fácil perceber todas as nuances do ambiente em que se viva naquela altura.

Soube recentemente que vai sair um segundo volume em inglês e estou bastante curiosa para o ler. Tenho curiosidade em descobrir qual o novo objectivo de Calpurnia e o que daí poderá advir.

sábado, 17 de outubro de 2015

Opinião - Ema

Ficha Técnica:
Autor: Jane Austen
Título Original: Emma
Páginas: 504
Editor: Europa-América
ISBN: 9789721061729
Tradutor: José Parreira Alves

Sinopse:
Ema é uma herdeira rica, inteligente e bela. Optimista, consciente da sua superioridade, segura de si mesma, fiel respeitadora das «conveniências» — enfim, o tipo finito da «verdadeira senhora» —, passa o tempo a combinar casamentos «convenientes» entre amigos e protegidos.

Um dia, sem arranjos prévios, ela própria é pedida em casamento pelo Sr. Knightley. Ema não assume um compromisso, mas não o desencoraja, debatendo-se com um drama interior: o pretendente é amado por uma das suas melhores amigas, a qual Ema deseja ver feliz e «convenientemente» casada. Porém, no seu íntimo tem um sentimento de aversão ao casamento de Harriet com Knightley e não pelas questões de conveniência que tanto respeita: é que ela própria ama Knightley.

Ema cede finalmente a um amor que tem razões mais fortes que a própria razão.

Opinião:
Depois da perfeição que foi Orgulho e Preconceito este livro foi um verdadeiro balde de água fria! Como é possível a mesma autora conseguir despertar sentimentos tão fortes em mim com uma narrativa para logo a seguir não conseguir despertar nenhuns?

Acredito que a autora tentou de certa forma retratar a comunidade daquela época, talvez de uma forma até algo exagerada, ou talvez não... Não posso afiançar porque não sou propriamente entendida na matéria. Mas não me admirava nada que no geral as pessoas fossem como Ema. Apenas interessadas no estatuto. Com a mania de que as suas decisões são mais correctas e que por isso têm o direito e o dever de controlar e gerir a vida das outras pessoas.

Se por um lado não fui capaz de gostar e me familiarizar com nenhum personagem, a verdade é que também não fiquei a detestar nenhum deles. E de certa forma dou graças por isso, algumas pessoas que conheço simplesmente não gostaram de Ema. A mim esta foi uma personagem que não me aqueceu nem arrefeceu. Quanto aos restantes personagens, são todos farinha do mesmo saco e um pouco irritantes com a mania da importância ou com o facto de acharem que por não terem nascido em berço de ouro são apenas ralé.

Quanto a história em si, esta não existe. É-nos simplesmente apresentado o dia-a-dia de alguém com estatuto e de que forma pensa e gere a sua vida e a dos que o rodeiam. Para mais, Ema é diferente das personagens a que estamos habituadas pelo simples facto de não estar interessada em casamento ou em romance, estando a toda a hora a fugir deles até que há um momento em que se faz luz na sua cabecinha.

Foi um livro difícil de ler. Só bem depois de ter lido mais de metade do livro é que ganhei embalo e foi porque estiver a ler horas seguidas. Se continuasse a lê-lo aos poucos acho que nem para o ano o acabava. Foi sem dúvida um livro que preferia ter deixado para o final quando já tivesse o meu gosto pela autora mais consolidado.

sábado, 3 de outubro de 2015

Opinião - Com a Cabeça na Lua

Ficha Técnica:
Autor: João Seixas
Páginas: 412
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896371326
Tradutor: José Saraiva, João Seixas, Sofia Moreira e Mário Matos

Sinopse:
Em 20 de Julho de 1969, Neil Armstrong tornava-se o primeiro homem a pisar o solo lunar e, consequentemente, o primeiro ser humano a visitar um outro mundo que não a Terra. O feito, desde então inigualado, permanece como o maior desafio tecnológico a que a Humanidade se propôs. Antes, porém, de o Programa Apollo ter proporcionado o célebre pequeno passo para o Homem, um salto de gigante para a Humanidade, inúmeros autores de Ficção Científica - até então considerada um género menor - tinham levado o Homem à Lua pelos mais variados meios e pelos mais diversos motivos.
Esta antologia conta com autores tão distintos como Robert A. Heinlein, Isaac Asimov e Arthur C. Clarke.

Opinião:
Visto tratar-se de um livro de contos vou uma vez mais dar uma pequena opinião sobre cada um deles. Obrigada João Seixas pelas tuas introduções que me familiarizaram com cada um dos tipos de escrita dos diferentes autores.

O Homem que Vendeu A Lua - Robert A. Heinlein
O conto mais longo desta antologia. Nele ficamos a conhecer D. D. Harriman. Um completo sonhador cujo único objectivo de vida é conseguir construir um foguetão capaz de o levar à lua. Tem muito de semelhante com a história real que conhecemos apesar de ter sido produzido antes dela. Gostei bastante de D. D. Harriman. Alguém que faz o que for preciso para concretizar os seus sonhos. Gostei do facto de que apenas lhe faltava vender a mãe. Este personagem é dotado de uma grande capacidade para encantar todos aqueles que o rodeiam. O final é algo agridoce para o nosso personagem, mas acredito que com perseverança ele vá conseguir atingir o seu objectivo.

Uma Vez em Volta da Lua - Vic Philips
Neste conto o homem não chega verdadeiramente à Lua, apenas a contorna, contudo o sonho está lá. Aqui o autor deu mais proeminência aos aspectos técnicos da construção de um foguete, bem como ao facto de como todo se processaria desde a descolagem até à aterragem. Uma história não com um final muito feliz para o nosso protagonista. Mas um conto com bastante imaginação

Tendências - Isaac Asimov
Isaac Asimov dá-nos a conhecer uma vez mais um personagem cheio de sonhos e vontade de viver. Neste caso este personagem vê os seus sonhos a serem-lhe confiscados pela religião. Um mal que infelizmente muitas vezes se entre-põe onde não é chamado. Aquilo que Asimov descreve consigo perfeitamente visualizar como uma possibilidade caso o estado de espírito da população fosse ligeiramente diferente. Uma alternativa aos acontecimentos bastante assustadora.

Destino: Lua - Robert A. Heinlein
Uma vez mais Heinlein apresenta-nos um conto onde tudo se parece virar contra os protagonistas na sua demanda para chegar à Lua. Aqui temos os nossos protagonistas a correr contra o tempo de modo a conseguir colocar o foguetão em órbita. Contudo nem tudo corre como esperado e ao longo da aventura começam a surgir problemas que complicam o regresso à terra. Um conto em que quem decida o final é o leitor.

Umas Férias na Lua - Arthur C. Clarke
Aqui encontramos uma exploração Lunar mais avançada. Já não se trata dos inícios de colonização, mas sim uma colonização praticamente completa. Gostei que a personagem principal fosse feminina e de como o autor valoriza as capacidades científicas das mulheres. O conto em si é mais focado na beleza do universo do que propriamente nos aspectos técnicos de colonização da Lua. Um conto do qual gostei bastante, cheio de esperança, optimismo e beleza.

Heróis Relutantes - Frank M. Robinson
Quando se trata do avanço tecnológico ou científico existe sempre uma tendência para se negar ao ser humano os confortos mais básicos, fazendo-o acreditar que o sacrifício é sempre a única opção. Neste conto deparamo-nos com a parte mais humano dos viajantes e as implicações que as viagens e permanência na Lua têm para estes. Um conto do qual gostei bastante por mostrar os sacrifícios necessários ao ser humano e de como estes o afectam. Um conto que felizmente tem um final feliz.

A Luz - Poul Anderson
Um conto que tem uma pontada de mistério. Desde o início que o leitor fica com a sensação que algo vai acontecer. Que algo não está bem. E a verdade é que algo acontece, se bem que um pouco irreal (não que os restantes contos sejam reais, mas este soa mais irreal que os restantes). Contudo não deixa e ser cativante desde o início até ao fim.

Passeio Lunar - H. B. Fyfe
Neste conto ficamos a conhecer um personagem que passa por uma provação bastante difícil na Lua durante mais de um dia. A vontade de vencer, a capacidade para não desistir é o que cativa neste personagem, e quando acreditamos que já nada mais há a fazer, uma reviravolta acontece que deixa o leitor esperançoso e ao mesmo tempo na dúvida da realidade daquilo que está a ler.

Poeira Lunar, Aroma de Feno e Materialismo Dialéctico - Thomas M. Disch
Um conto bastante curto, mas carregado de uma enorme carga visto o protagonista estar ao corrente de quão curto é o seu período de vida. É extremamente desconcertante para o leitor estar constantemente a ser recordado de quanto tempo de vida o protagonista ainda tem, além de que os seus pensamentos no final são bastante atabalhoados e incertos enquanto tenta arranjar uma razão para tudo aquilo. Um conto algo intenso.

Requiem - Robert A. Heinlein
Um dos contos que mais gostei na antologia. Cheio de sonhos e uma paz enorme que se alcança quando finalmente se os consegue realizar. Poder-se ia dizer que este conto é a continuação do primeiro da antologia, só que na realidade este foi escrito antes. Aqui D. D. Harriman é alguém mais calmo e ponderado que só pretende ver o seu sonho realizado. Quando isso finalmente acontece e o autor o descreve é impossível não ficar com um sorriso de paz e felicidade na cara. Adorei!

De uma forma geral gostei dos contos, das temáticas, das várias ideias e tipos de escrita apresentados. Foi uma boa colectânea repleta de variedade. Contudo gostava de ter tipo oportunidade de ler algumas histórias mais felizes visto que basicamente todas acabam em tragédia ou de um modo menos bom. Sei que normalmente o desconhecido inspira grandes feitos e sacrifícios, mas gostava de ter visto um lado mais optimista para estas pessoas que se teriam sujeitado aos caprichos do homem e da natureza.

sábado, 19 de setembro de 2015

Opinião - Inveja

Ficha Técnica:
Autor: J. R. Ward
Título Original: Envy
Páginas: 512
Editor: Quinta Essência
ISBN: 9789897260209
Tradutor: Margarida Malcato

Sinopse:
7 PECADOS MORTAIS…
Sete almas para salvar. Esta é a terceira.

Redenção não é uma palavra que Jim Heron conheça muito bem. A sua especialidade é a vingança e, para ele, o pecado é relativo. Mas tudo muda quando se torna um anjo caído e é incumbido da tarefa de salvar sete pessoas dos sete pecados mortais... e o fracasso não é permitido.
Enquanto filho de um assassino em série, o detetive de Homicídios Thomas Delvecchio, Jr., cresceu à sombra do mal. Agora, dividido entre o dever cívico e a vingança cega, vai expia os pecados do pai - lutando com os seus demónios interiores. Sophia Reilly, a agente dos Assuntos Internos encarregue de supervisionar Delvecchio, tem por ele um interesse tanto profissional como pessoal. E Delvecchio e Sophia têm outra coisa a uni-los: Jim Heron, um misterioso desconhecido com demasiadas respostas... a perguntas que são fatais. Quando Delvecchio e Sophia entram na batalha final entre o bem e o mal, o seu anjo caído salvador é a única coisa que se interpõe entre eles e a danação eterna.

Opinião:
Este é o terceiro livro da série Anjos Caídos da já bastante conhecida J. R. Ward. Neste livro ficamos a conhecer melhor o Detective Delvecchio que já nos tinha sido apresentado na outra série da autora, A Irmandade da Adaga Negra. Para quem já conhecia o personagem foi interessante ficar a perceber as suas estranhas acções face àquilo que nos vai sendo apresentado no livro actual.

Sou sincera, não consigo imaginar sequer como é viver na sombra daquilo que o nosso pai fez. A cada momento do dia pensar se seremos iguais a ele, ter receio que a qualquer momento nos possamos tornar uns monstros só porque de vez em quando temos pensamentos menos próprios. Consigo perceber e aceitar as acções do personagem porque não sei se sendo eu a passar por todas aquelas situações não faria exactamente o mesmo.

Gostei também da Sophia, alguém que sabe o que quer e o que faz. Que viveu num ambiente rodeada de amor e de uma verdadeira família. Que aparenta ser alguém extremamente duro e impenetrável, mas que na realidade tem um lado mais sensível que não mostra a toda a gente. Apesar de terem existido ali umas dúvidas acerca da sua relação com o Delvecchio, rapidamente ela tenta chegar ao fundo da questão e decidir por si mesma em quem acreditar. E isto leva-me ao ponto que menos gostei na história.

Se por um lado a relação e a química entre os personagens é credível, tal só acontece quando eles não se enrolam. Não sei explicar porquê. Mas cada vez que se passava para uma cena de sexo ficava a sentir um completo desapego da parte dos personagens e o eclipsar de toda a química que ainda nos momentos anteriores ali estava presente. Não sei se por acontecerem sempre do mesmo ponto de vista, o que não faz sentido visto que em grande parte das narrativas é isso que acontece, ou se porque motivo for. Mas a verdade é que para mim a autora conseguiu arruinar completamente a química destes dois personagens nos momentos mais cruciais. Se alguém conseguir explicar-me porquê agradeço.

Quanto à batalha bem vs mal. Fiquei completamente arrasada com o que aconteceu ao Eddie, e espero sinceramente que ele nos venha a ser devolvido no futuro, mesmo que isso possa trazer complicações para o Jim. Em contrapartida a transformação que esse acontecimento provoca em Adrian é assustadora, mas ao mesmo tempo acho que essencial para o ajudar a ultrapassar aquela sensação de fracasso relativamente à Devina. Se por um lado gostei de ver o Jim a conhecer cada vez melhor os seus poderes e aprender a utilizá-los por outro lado irritou-me um pouco a sua obsessão com a Sissy. A ver no que isto vai dar.

E com isto faltam apenas três livro até ao grande final.