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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Opinião - Infinity

Ficha Técnica:
Autor: Rachel Ward
Páginas: 256
Editor: Chicken House
ASIN: B0079IENF4

Sinopse:
Adam, Sarah and little Mia are living together, struggling with the fame of seeing “numbers” – the dates when people will die.

But something is about to tear them apart. During The Chaos, Mia swapped her number for another. Mia’s powerful new ability is highly desirable. Ruthless people are hunting her down. Everyone wants to live for ever ...

The third and final book in the thrilling, bestselling teen sci-fi series.

Opinião:
E chegamos ao fim de mais uma saga. Neste último livro ficamos a saber o que aconteceu depois da catástrofe descrita no final do livro dois. É-nos apresentado um mundo destroçado, caótico, onde não há ordem e cada um tem que lutar pela sua sobrevivência. Do mesmo modo Adam e Sarah lutam por se manterem unidos e incógnitos pois têm receio que além de andarem atrás deles alguém descubra o que se passa com Mia e tente raptá-la para a usar com propósitos maléficos.

Houve mudanças a nível da personalidade dos diferentes intervenientes na história. Adam tornou-se uma pessoa assustadiça, paranóica e com medo de tudo e de todos, e Sarah tornou-se uma pessoa mais calma, mais pacífica e aceitadora. Alguém que parece não ter uma vontade própria como acontecia anteriormente. Todas estas condições são fáceis de aceitar pelo leitor tendo em conta o que aconteceu aos dois protagonistas. No entanto ambos vão ter que ultrapassar as suas dificuldades e superar-se novamente se querem manter Mia protegia.

 Gostei da ideia que a autora concebeu para o vilão. Alguém com um poder semelhante ao de Mia, mas que não tem conhecimento das datas até elas serem trocadas e por isso pretende trocar novamente a sua data com a de outra pessoa, preferencialmente alguém com poder. Mia apesar de ser uma criança de dois anos é alguém bastante inteligente e desenvolvida que se nota ter uma percepção bastante alargada daquilo que se passa à sua volta, o que leva a que no final hajam repercussões para si. E é aqui que a autora acaba por introduzir um twist, de que eu não estava à espera, na forma da filha de Adam e Sarah, que acaba por resolver todos os problemas e mostra que existe sempre uma maneira de nos adaptarmos e de ultrapassarmos as dificuldades.

Gostei do final que a autora deu ao livro. Deu para perceber que muita coisa mudou, mas que a essência dos personagens se mantém e que aquilo que temiam acabou por não passar de um temor. Pelo menos até àquele momento.

Foi um livro que não acrescenta nada de propriamente novo à história. Mas compreendo que a autora quisesse dar um final, uma resolução à situação de Mia. Se bem que a mim não me fazia diferença se a autora tivesse decidido ficar pelo segundo livro. Apesar disso (de não achar o livro imprescindível) achei a história bem conseguida e um final adequado para a trilogia. Para quem leu os restantes e gostou acredito que vá também gostar deste.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Desafios 2014

2014 foi o primeiro ano em que participei em desafios literários e só tenho a dizer que correu de forma excelente. Posso dizer que dos quatro desafios a que me propus consegui completar todos eles. Um ou outro talvez tenham sido um pouco à pressão, mas a realidade é que consegui terminar todos o que me deixa imensamente satisfeita comigo mesma.

Falando agora dos desafios em si: 

Mount TBR 2014


Foi um dos desafios que mais me custou completar. Só agora no final do mês é que consegui atingir o objectivo e tive que deixar algumas coisas que queria ler para segundo plano de modo a que conseguisse terminar o desafio. Se por um lado é aborrecido não ler aquilo que me apetece por outro lado este desafio obrigou-me a olhar para a minha pilha com outros olhos. Obrigou-me a pegar em livros que se calhar eu não ia pegar porque me apetecia ler sempre livros mais recentes, e que na realidade eram tão bons ou melhores que aquilo que me estava a chamar a atenção na altura. Inicialmente tinha-me proposto a ler três livros meus por mês. Contudo não foi isso que aconteceu. Houve realmente alturas em que li os três livros, outras em que li menos e outras em que li muito mais. Assim sendo considero este desafio um sucesso e para o ano conto participar novamente.

Short Story Literary Challenge


Ler contos foi um hábito que fui adquirindo ao longo deste ano. Normalmente não era o meu tipo de leitura preferido e raramente uma história destas me conseguia encher as medidas. Contudo fui aprendendo a apreciar melhor este tipo de história, a conseguir perceber quando estavam bem construídas. Li contos excelentes e outros não assim tão bons. Este desafio acabou por se conjugar com o Mount TBR pois alguns dos livros que tinha para ler eram antologias e assim juntou-se o útil ao agradável. Mais uma vez este foi um desafio que me encheu as medidas e que me fez crescer enquanto leitora.

2014 Monthly Motif Reading Challenge e Monthly Key Word 2014











Estes foram dois desafios que sempre que possível tentei conjugar. São algo semelhantes na sua concepção e são divertidos porque nos fazem procurar na nossa pilha ou fora dela por livros que se encaixem nas diferentes categorias. Além disso obriga também o leitor a algum processo imaginativo, principalmente o Key Word, para que possamos encontrar palavras derivadas daquelas que nos são fornecidas originalmente. Estes foram sem dúvida os desafios que tiveram uma vertente mais divertida, enquanto os outros dois foram mais utilizados para me "obrigar" a pegar em excelentes livros que tinha cá em casa e para me fazer crescer enquanto leitora. Assim sendo considero estes dois desafios um completo sucesso e em princípio para o ano vão manter-se activos no blog.

sábado, 29 de novembro de 2014

Opinião - A Cor da Magia

Ficha Técnica:
Autor: Terry Pratchett
Título Original: The Color of Magic
Páginas: 254
Editor: Temas e Debates
ISBN: 9789727595549
Tradutor: Mário Dias Correia

Sinopse:
Nesta primeira aventura, Twoflower, um turista ingénuo, chega ao Discworld - um estranho mundo apoiado na carapaça de uma tartaruga gigante -, com o intuito de conhecer um bárbaro autêntico. Traz consigo uma mala cheia de ouro (o ouro não tem muito valor na sua terra) que se desloca através de centenas de perninhas e tem poderes mágicos. À chegada, conhece Rincewind, um feiticeiro cobarde e desastrado que escolhe como guia e protector. Mas o resultado não podia ser pior: durante a expedição, ambos terão de enfrentar todo o tipo de perigos e criaturas mirabolantes, incluindo ladrões "sindicalizados" que tentam constantemente roubar a mala de Twoflower, trolls, dragões, a Morte, o espaço e, claro... também o bárbaro que procuravam.

"A Cor da Magia" é uma aventura psicadélica num mundo mítico, cheia de ritmo e humor, que promete conquistar muitos adeptos.

Opinião:
A Cor da Magia foi o primeiro livro escrito por Pratchett no universo Discworld. Acredito que quando o livro saiu pela primeira vez muita gente tenha estranhado a sua concepção. Afinal um mundo plano que se desloca pelo universo suportado por 4 elefantes que por sua vez se encontram sobre uma tartaruga gigante não é de todo a primeira ideia que surge ao leitor comum. No entanto todo o o mundo criado por Pratchett é baseado em factos incomuns. Normal não é, de todo, a palavra de ordem no Discworld, onde tudo aquilo que consideramos não plausível ali o é.

Em A Cor da Magia seguimos a história de Rincewind e Twoflower, o primeiro o maior cobarde de que há memória e o segundo o primeiro turista que alguma vez existiu no Discworld. Rincewind é um personagem interessante e ao mesmo tempo exasperante devido à sua cobardia. Ele sabe que o é, não tem problemas em o dizer e de fugir sempre que tem a oportunidade. No entanto quando fugir não é possível ele consegue arranjar uma maneira igualmente cobarde de se safar do problema. Isto porque apesar de Rincewind ser um feiticeiro a verdade é que só sabe um feitiço (apesar de não saber qual). Todos os outros lhe fogem da cabeça com medo. Twoflower é um personagem algo passivo e algo irritante devido ao seu optimismo. É difícil de perceber como é que alguém pode ser tão optimista e não perceber quando as coisas estão realmente mal ou são perigosas. Há alturas em que dá vontade de o abanar.

Apesar de terem tido muito pouco tempo de antena, gostei das partes em que Pratchett nos deixava ver as acções dos Deuses e como os seus jogos influenciavam as peripécias dos nossos dois personagens principais.

O humor do autor é constante ao longo de toda a narrativa, e se em determinadas alturas este é mais directo e fácil de reconhecer outras vezes é necessário estar atento para perceber a piada que o autor está a tentar fazer.

Houve essencialmente um ponto que me fez perder algum interesse no livro e que por isso tornou a sua leitura mais lenta, o facto de que muitas vezes havia saltos temporais e espaciais na linha de acontecimentos dos nossos personagens e eu deixava de perceber muito bem onde estávamos, como lá tínhamos chegado e o que estávamos lá a fazer. Eventualmente acabava por perceber, mas ao início sentia-me sempre um pouco perdida.

Quanto ao final do livro, deixa tudo um pouco em aberto e tenho curiosidade em saber como é que vão buscar o Rincewind tendo em conta que ele supostamente se perdeu no universo.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Opinião - The Whisperer

Ficha Técnica:
Autor: Donato Carrisi
Título Original: Il suggeritore
Páginas: ? (Ebook Edition)
Editor: Mulholland Books
ISBN: 9780316207874

Sinopse:
A gripping literary thriller and smash bestseller that has taken Italy, France, Germany and the UK by storm.

Six severed arms are discovered, arranged in a mysterious circle and buried in a clearing in the woods. Five of them appear to belong to missing girls between the ages of eight and eighteen. The sixth is yet to be identified. Worse still, the girls' bodies, alive or dead, are nowhere to be found.

Lead investigators Mila Vasquez, a celebrated profiler, and Goran Gavila, an eerily prescient criminologist, dive into the case. They're confident they've got the right suspect in their sights until they discover no link between him and any of the kidnappings except the first. The evidence in the case of the second missing child points in a vastly different direction, creating more questions than it answers.

Vasquez and Gavila begin to wonder if they've been brought in to take the fall in a near-hopeless case. Is it all coincidence? Or is a copycat criminal at work? Obsessed with a case that becomes more tangled and intense as they unravel the layers of evil, Gavila and Vasquez find that their lives are increasingly in each other's hands.

THE WHISPERER, as sensational a bestseller in Europe as the Stieg Larsson novels, is that rare creation: a thought-provoking, intelligent thriller that is also utterly unputdownable.

Opinião:
Se por um lado gostei bastante do livro, por outro houve alguns pontos que me deixaram algo insatisfeita. No geral gostei da história e da apresentação dos personagens. Achei interessante o modo como o autor nos faz questionar quem é que está a perpetuar todos aqueles crimes, quem é que é a família da criança desaparecida. A maneira como o autor desenvolve a história também está bem conseguida. Apesar da quase constante entrada de nova informação existem momentos mais parados onde as informações obtidas são analisadas e conclusões são obtidas. Gostei principalmente do modo como o Dr. Gavilla interpreta as acções do assassino e como isso o leva a estabelecer relações entre os personagens.

Sendo que quem conta a história é Mia, ela é a personagem que melhor ficamos a conhecer. Ela é alguém que precisa de dor física para conseguir libertar as suas emoções. Este facto mostrou-me que apesar de toda a eficiência e poder analítico que a personagem tem é também alguém marcado pelo passado e pelo tipo de vida que leva. É fácil perceber que a linha de trabalho de Mila não é uma fácil de lidar com., principalmente depois de ficarmos a conhecer o que despoletou esta sua vontade em descobrir ciranças desaparecidas. Contudo é também fácil percebermos a personalidade dos outros personagens, principalmente de Boris, alguém bastante amigável e expansivo, e de ___, uma pessoa algo amarga que se vem a revelar mais do que aquilo que estávamos à espera. O Dr. Gavilla é um personagem que também tem algum tempo de antena para Mila e sobre quem ela faz uma análise mais detalhada, principalmente por se sentir mais próxima da mente brilhante que ele é.

Como já mencionei, se por um lado gostei da história, do modo com o o autor a desenvolveu, do ambiente criado e dos personagens, por outro houve pormenores que me desagradaram. O facto de além da história principal existirem duas histórias contadas aos poucos durante o livro irritou-me um pouco, afinal eu sabia quem uma das personagens das histórias havia de ser, só não sabia muito bem como ligá-la aos acontecimentos. A outra personagem da outra história, nota-se rapidamente uma semelhança com os acontecimentos recentes e ao início somos levados a crer que estamos a ver um determinado acontecimento. No entanto a nossa percepção vai sendo mudada ao longo da história e quando finalmente percebemos o que estamos a ver perguntamo-nos como raio é que a pessoa incluída na história não fez a ligação para o presente.

Outro ponto que gostava de focar e que me agradou é todo o conceito de Whisperer. A ideia de que existe alguém lá fora que não comete os crimes exactamente, mas que leva outras pessoas a cometê-los é algo um pouco assustador. Será que todos nós podemos ser assim influenciados. Será que existe alguém realmente capaz de despertar o mal que existe no fundo de cada um de nós? Pessoalmente penso que seja um pensamento algo assustador.

Um livro do qual gostei e que me fez ter vontade de continuar a seguir o autor. No entanto sinto que ele tem potencial para melhorar e espero poder ver isso no seu próximo livro, A Hipótese do Mal.

domingo, 5 de outubro de 2014

Opinião - Três é Demais

Ficha Técnica:
Autor: Jill Mansell
Título Original: Two's Company
Páginas: 322
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789897100390
Tradutor: Isabel C. Penteado

Sinopse:
Não há família mais glamorosa que os Mandeville.

O casal de celebridades Jack e Cass Mandeville parece ter tudo — boa aparência, carreiras coroadas de êxito e um casamento maravilhoso. Os filhos também são incrivelmente talentosos: a Cleo é supermodelo; o Sean é um comediante de sucesso; e embora Sophie, uma adolescente de 16 anos, esconda a sua aparência sob uns enormes óculos redondos e roupa larga, todos veem que existe um belo cisne ansioso por desabrochar.

Aos olhos da imprensa, a família Mandeville é simplesmente exemplar.

Mas uma ruiva lindíssima, de seu nome Imogen, aparece para entrevistar Jack e Cass na manhã do quadragésimo aniversário de Jack… e a família fabulosa descobre que afinal talvez não seja assim tão perfeita.

Opinião:
Três é Demais conta a história da família Mandeville, conhecida por ser uma das famílias mais perfeitas. Os pais são dos casais mais unidos e perfeitos, ainda hoje estão juntos e apaixonados e são ambos pessoas de sucesso no seu trabalho. A filha mais velha é uma modelo muito requisitada, o filho é um comediante de sucesso e a filha mais nova é uma pessoa terra-à-terra que não se deixa influenciar pelo prestígio da família. No entanto tudo muda quando Imogen entra em cena.

A Partir daí começamos a ver que a família maravilha não é assim tão maravilhosa. O que a autora tentou mostrar é que em todos os relacionamentos existem altos e baixos e somos capazes de cometer erros. Apesar de no geral ter gostado da história, a verdade é que houve situações que me irritaram solenemente e não gostei do final do livro.

A autora cria dificuldades aos diferentes membros da família, e através dessas dificuldades vamos percebendo que em alguns casos é possível redenção e noutros não. A autora junta um dos casais no final e um deles não tem o seu final feliz. Eu não gostei da selecção que a autora fez para cada um dos casos. Preferia que a escolha tivesse sido exactamente ao contrário.

Um dos casais que passa por muita coisa é Jack e Cass. Irritou-me bastante o modo como a autora fez os personagens lidar com as situações apresentadas. Depois de ter sido traída pelo marido acho inconcebível Cass continuar a dar-se normalmente com ele, convidá-lo para jantares de família em casa, irem jantar fora e por aí adiante. Só tinha vontade de dar dois estalos à Cass por ser tão totó e aceitar tudo tão facilmente. 

Também a caracterização dos personagens é fraquinha. Nenhum deles é muito desenvolvido ou tem uma personalidade especialmente marcante. Talvez Cleo e Sophie pudessem ter brilhado se a autora lhes desse essa oportunidade. Elas tinham tudo para dar excelentes personagens.

Uma vez mais a autora não foi capaz de me cativar nem com a história, nem com o seu desenvolvimento, nem com os personagens que criou.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Opinião - Ignite Me

Ficha Técnica:
Autor: Tahereh Mafi
Páginas: 421 (Kindle Edition)
Editor: HarperCollins
ASIN: B00DB2YN0C

Sinopse:
The heart-stopping conclusion to the New York Times bestselling Shatter Me series, which Ransom Riggs, bestselling author of Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children, called “a thrilling, high-stakes saga of self-discovery and forbidden love.”

With Omega Point destroyed, Juliette doesn’t know if the rebels, her friends, or even Adam are alive. But that won’t keep her from trying to take down The Reestablishment once and for all. Now she must rely on Warner, the handsome commander of Sector 45. The one person she never thought she could trust. The same person who saved her life. He promises to help Juliette master her powers and save their dying world . . . but that’s not all he wants with her.

The Shatter Me series is perfect for fans who crave action-packed young adult novels with tantalizing romance like Divergent by Veronica Roth, The Hunger Games by Suzanne Collins, and Legend by Marie Lu. Tahereh Mafi has created a captivating and original story that combines the best of dystopian and paranormal, and was praised by Publishers Weekly as “a gripping read from an author who’s not afraid to take risks.” Now this final book brings the series to a shocking and satisfying end.

Opinião:
Ignite Me pega na história onde o antecessor a deixou. Aqui é-nos mostrado o que aconteceu depois do bombardeamento e quais as emoções e reacções que ele despoletou na Juliette.

 Posso dizer desde que já que o bombardeamento teve um grande impacto na atitude da Juliette e na forma como ela encara o mundo. O facto de pensar que perdeu toda a gente e que agora se encontra sozinha leva a que sinta uma necessidade enorme de vingança, o que por gim a leva a aceitar quem é e o que é. Gostei de a ver a tornar-se numa pessoa decidida, que sabe o que quer e a fazer por obter os resultados que almeja. Foi gratificante ver que finalmente ela toma as rédeas da sua própria vida sem deixar que os sentimentos dos outros se interponham constantemente.

Gostei também de ver como a sua relação com o Warner se desenvolve. Aos poucos ela vai aprendendo a confiar nele e começa a entregar-se a ele. Não foi uma coisa tão platónica. Percebe-se que ao aceitar-se a si mesma a Juliette tornou-se capaz de aceitar também o Warner por aquilo que é. Pelo contrário o Warner apesar de ter evoluído não sinto que tenha chegado a um ponto de aceitação para com aquilo que se tornou. Além de que não é ainda capaz de aceitar o bom que há nele, tentando a todo o momento denegrir a visão que os outros têm dele.

Como não podia deixar de ser temos ainda o Adam que vai mudando para pior a cada paço do caminho. Neste livro ele passa completamente das marcas... Acho que a autora exagerou um pouco ao mostrar o quanto ele muda e já não é compatível com a Juliette. No entanto não posso deixar de dizer que o histerismo dele foi das partes mais engraçadas do livro. O jovem parecia uma varina a ter um tipo qualquer de ataque. Como já ouvi dizer por aí, parecia uma autêntica novela mexicana.

Outros personagens não deixam de ter o seu destaque. Principalmente o Kenji e o James. É impossível não adorar o Kenji com o seu amor e todo o apoio que dá à Juliette. É hilariante ver como ele e o Warner têm o mesmo sentido de humor o que acaba por causar algumas situações estranhas. O James continua a ser um rapazinho muito inteligente e muito sabedor para a idade dele. Extremamente inteligente e capaz de desanuviar qualquer ambiente pesado com as suas perguntas e as suas opiniões.

Quanto ao final. Percebo o porquê de a autora o ter escrito como escreveu, no entanto não me importava de ter direito a um conto onde conseguíssemos ficar a saber como as coisas correram para todos depois daquele final. Acho que ainda havia um longo caminho a percorrer para algumas personagens. 

Foi um bom final para a trilogia, no entanto confesso que não foi o meu livro preferido dos três. Não me arrependo do tempo que perdia com ele.

domingo, 27 de julho de 2014

Opinião - Príncipe Mecânico

Ficha Técnica:
Autor: Cassandra Clare
Título Original: Clockwork Prince
Páginas: 368
Editor: Planeta
ISBN: 9789896573546
Tradutor: Alice Rocha

Sinopse:
No submundo mágico da Londres vitoriana, Tessa Gray encontrou por fim a segurança com os Caçadores de Sombras. Mas esta torna-se efémera quando forças desonestas na Clave se revelam para destruir a sua protectora, Charlotte, e substituí-la como chefe do Instituto. Se Charlotte perder a sua posição, Tessa será posta na rua - e presa fácil para o misterioso Magister, que deseja usar os poderes de Tessa para os seus fins obscuros.

Com a ajuda do bonito e autodestrutivo Will e do devotado e dedicado Jem, Tessa descobre que a guerra do Magister contra os Caçadores de Sombras é pessoal. Ele culpa-os de uma tragédia íntima que lhe destruiu a vida. Para desvendar os segredos do passado, o trio viaja através das névoas do Yorkshire para uma mansão que contém horrores indizíveis, dos bairros-de-lata de Londres para um salão de baile encantado, onde Tessa descobre que a verdade sobre a sua paternidade é mais sinistra do que alguma vez imaginou. Quando encontra um demónio mecânico com um aviso de Will, apercebe-se que o Magister sabe de todos os seus movimentos… e que um deles os traiu.

Tessa descobre que o seu coração está cada vez mais atraído por Jem, apesar do seu anseio por Will e dos sombrios estados de alma que continuam a abalar a sua confi ança. Mas algo está a mudar em Will… a parede que construiu à sua volta desmorona-se. Conseguirá o Magister libertar Will dos seus segredos e dar a Tessa as respostas sobre quem é e para que nasceu? A verdade leva os amigos para o perigo, e Tessa descobre que quando o amor e mentiras se misturam podem corromper até o coração mais puro.


Opinião:
Quando li o primeiro livro desta trilogia senti-me algo desapontada. Ainda tinha muito presente a trilogia original dos Caçadores de Sombras e tudo me parecia algo insípido. Na verdade tudo me parecia bastante semelhante. Uma alminha que não sabe o que é e que vem a descobri-lo porque acontece algo com um familiar (Clary/Tessa), dois rapazinhos com personalidades bastante diferentes que estão perdidos de amores pela protagonista (Jace/Will e Jem/Simon), e uma ou outra personagem super irritante (Jess/Isabelle). Mas não foram só as personagens que me irritaram, o enredo também me pareceu muito semelhante ao anterior, o que me fez achar o livro mediano.

Neste livro consegui distanciar-me de alguns destes problemas. Já consigo ver os protagonistas pelo que são. Prefiro pensar que no caso do Will a má disposição e o azar corre na família Herondale, quanto ao Jem e à Tessa tento simplesmente não pensar muito nos seus correspondentes do futuro. Esta táctica tem estado a resultar, até porque posso dizer que gostei um pouco mais do livro do que o anterior.

Gostei de ver como a Tessa vai evoluindo, bem como outras personagens secundárias (Sophie), e também a relação da Tessa com o Jem. Esta passou de uma amizade para amor. Se bem que o amor que a Tessa sente pelo Jem seja diferente do que sente pelo Will. a trilogia ainda não chegou ao fim, e ainda podem acontecer reviravoltas neste triângulo amoroso, mas preferia que a Tessa ficasse com o Will. Afinal a minha onda é mais Bad Boys. Acho-os mais desafiantes e cativantes. 

A forma como a autora vai-nos transmitindo pequenas informações acerca dos planos do Mortimer, ou do que é a Tessa deixa o leitor preso à história e ávido por saber mais. Gostei de saber mais acerca do passado do Will. Ver como e porque se tornou como é "hoje em dia". Adorei ver uma vez mais o Magnus em acção. Aquele Warlock é simplesmente algo do outro mundo. Cada vez que ele entra em cena é difícil não ficar com um sorriso na cara.

Falta apenas um livro para o final da trilogia e estou bastante curiosa para saber qual o plano real do Mortimer, qual a necessidade que ele tem da Tessa e o que vai acontecer ao Jem. A verdade é que ele está cada vez pior, e a autora aproveita isso para nos fazer pensar em determinadas situações e questões que se colocam quando estamos prestes a perder um ente querido.

Um livro que me agradou mais do que o anterior. Espero sinceramente que o próximo seja ainda melhor. 

(Livro lido em parceria com o Segredo dos Livros)

domingo, 15 de junho de 2014

Opinião - Down London Road

Ficha Técnica:
Autor: Samantha Young
Páginas: 384 (Kindle Edition)
Editor: NAL
ASIN: B00AYJIKMM

Sinopse:
Johanna Walker is used to taking charge. But she’s about to meet someone who will make her lose control....

It has always been up to Johanna to care for her family, particularly her younger brother, Cole. With an absent father and a useless mother, she’s been making decisions based on what’s best for Cole for as long as she can remember. She even determines what men to date by how much they can provide for her brother and her, not on whatever sparks may—or may not—fly.

But with Cameron MacCabe, the attraction is undeniable. The sexy new bartender at work gives her butterflies every time she looks at him. And for once, Jo is tempted to put her needs first. Cam is just as obsessed with getting to know Jo, but her walls are too solid to let him get close enough to even try.

Then Cam moves into the flat below Jo’s, and their blistering connection becomes impossible to ignore. Especially since Cam is determined to uncover all of Jo’s secrets …even if it means taking apart her defenses piece by piece.

Opinião:
Já conhecia a Jo do livro anterior e já sabia um pouco acerca dela. No livro anterior é dado a entender que ela costuma sair com homens com dinheiro de modo a conseguir estabilidade financeira para ajudar o irmão, no entanto ficamos sem saber muito bem o que se passa.

Neste livro os detalhes são nos apresentados e Meu Deus! Coitada da rapariga. Consigo perceber perfeitamente porque é que ela faz o que faz. Consigo perceber o porquê de ela ser tão protectora do irmão e de na realidade não ter muitos amigos. Não vou dizer o que aconteceu e acontece na vida desta personagem, mas posso dizer que por diversas vezes fiquei com o coração apertado por ela.

O Cam é um rapaz um bocado idiota ao início. A julgar a Jo sem a conhecer e depois de perceber algumas das coisas que se passam continua a julgá-la mas sob outra perspectiva. Vai levar algum tempo até que perceba realmente quem é a Jo, porque é que ela faz o que faz e vai levar ainda mais tempo até que ele consiga que ela se abra para ele e se mostre como realmente é. A relação destes dois não é propriamente fácil, principalmente por cauda da paranóia da Jo em querer ter uma vida estável para conseguir que o irmão não tenha que abdicar de tudo aquilo que ela abdicou.

Tenho que confessar que me fez um pouco de confusão toda aquela atracção entre os dois e as reacções sexuais da Jo para com o Cam desde o momento em que o vê pela primeira vez. Achei-as um pouco exageradas e essa sensação permaneceu comigo ao longo de todo o livro.

Como este livro se foca em personagens diferentes do anterior temos direito a que sejam introduzidos novos personagens da vida da Jo e do Cam. Sendo que até nos são apresentados os protagonista do próximo livro, a Olívia e o Nate. Além deste ficamos também a conhecer o tio da Jo, que é uma pessoa impecável e que apesar do pouco que vi gostei muito, e também o Cole, o irmão da Jo. Este rapaz é a coisa mais doce que já se viu. Apesar da idade vê-se que é um rapaz extremamente inteligente e que se preocupa com a irmã. É super protector e ama a imrã incondicionalmente, apesar do que toda a gente sussurra. Gostei bastante dele e não vejo a hora de sair o seu livro. Neste livro tem também início a história de amor da Hanna, a irmã mais nova do Braden e da Ellie. Fiquei curiosa para ler o livro dela e saber o que vai acontecer.

Em suma, este livro é um daqueles que nos aperta o coração, mas que ao mesmo tempo nos faz imensamente felizes por causa do modo como tudo acaba. Para quem já leu o primeiro aconselho a continuar com a colecção.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Opinião - O Restaurante no Fim do Universo

Ficha Técnica:
Autor: Douglas Adams
Título Original: The Restaurant at the End of the Universe
Páginas: 224
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789728839796
Tradutor: Renato Carreira

Sinopse:
"A primeira tentação para o leitor mais desprevenido que se cruze com “O Restaurante no Fim do Universo”, julgando tratar-se de um apetitoso livro de culinária pejado de receitas do outro mundo, será entrar em pânico [...]

Eu compreendo: é provável que nunca antes ou depois deste livro, o caro leitor se tenha cruzado com tal torrente de ideias, conceitos, lições de vida e piadas, concentrada em tão poucas páginas. Um começo, para evitar grandes ataques de stress, será ler o primeiro volume desta trilogia em cinco livros: “À Boleia Pela Galáxia”.

Mas mesmo assim, não ficará livre de uma valente overdose de ideias brilhantes, quando exposto a “O Restaurante no Fim do Universo”, o livro que o seu autor, Douglas Adams, considerava o mais conseguido de toda a saga. A média de estrondosas ideias por página é, em qualquer livro de Adams, avassaladora... mas este bate todos os recordes.” Excerto da Introdução, por Nuno Markl

Opinião:
O que posso eu acrescentar nesta opinião que não tenha dito na anterior? Basicamente nada. É difícil desde já falar sobre do que trata a história, ao fim e ao cabo esta não é uma história normal com princípio meio e fim. Os personagens na maior parte das vezes não têm objectivos definidos e deixam-se ir simplesmente consoante aquilo que lhes vai acontecendo.

Todos os personagens que nos são apresentados continuam iguais a si mesmos. Cada um foi capaz de me encantar sobre maneira ao longo da narrativa com os seus contributos, sejam eles pensamentos profundos ou conclusões disparatadas. Pois a verdade é que tudo aquilo que o autor introduz na narrativa tem um motivo de ser. Todas as questões que o autor aborda são interessantes e ele fá-lo com grande mestria, de uma forma irónica que nos leva a ponderar acerca das diversas situações, mas sem que elas nos "perturbem" a narrativa interessante e nos deixem com um humor mais soturno. 

Sem sombra de dúvidas que a minha parte preferida é quando conhecemos o homem que governa o Universo. O diálogo entre este e o Zaphod é completamente absurdo. Ao mesmo tempo é algo digno de ser lido, que faz todo o sentido e nos faz pensar acerca do que é a realidade e do modo como a percebemos.

A única coisa que posso dizer é que este livro merece ser lido. Por todo o seu conteúdo ele é simplesmente algo único. Ver o modo como o autor entrelaça determinados acontecimentos, alguns com ligação para o livro anterior, é algo digno de ser lido. Só posso dizer que tenho muita pena que os restantes livros não tenham sido publicados em Portugal. Este autor merecia mais.

domingo, 27 de abril de 2014

Opinião - À Boleia pela Galáxia

Ficha Técnica:
Autor: Douglas Adams
Título Original: The Hitchhiker's Guide to the Galaxy
Páginas: 191
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789728839130
Tradutor: António Vilaça

Sinopse:
Segundos antes da Terra ser destruída para dar lugar a uma auto-estrada inter-galáctica, o jovem Arthur Dent é salvo pelo seu amigo Ford Prefect, um alienígena disfarçado de actor desempregado. Juntos, viajam pelo espaço na companhia do presidente da galáxia (ex-hippie, com 2 cabeças e 3 braços), Marvin (robot paranóico com depressão aguda), e Veet Voojagig (antigo estudante obcecado com todas as canetas que comprou ao longo dos anos). Onde estão essas canetas? Porque nascemos? Porque morremos? Porque passamos tanto tempo entre as duas coisas a usar relógios digitais? Se quer obter estas respostas, estique o polegar e apanhe uma boleia pela galáxia.

Opinião:
Neste momento sinto-me a pessoa mais idiota por nunca ter lido Douglas Adams. Como é que eu pude ignorar durante tanto tempo um autor que é simplesmente genial?

Cada momento desta leitura foi uma aventura alucinante. Cada um dos seus personagens é completamente excêntrico, com personalidades surreais, os acontecimentos descritos pelo autor são inacreditáveis, e no entanto tudo se conjuga na perfeição dando um sentido surpreendente à narrativa. O melhor do livro são simplesmente os diálogos. Completamente surreais e desconexos dão respostas a determinadas questões que nos colocamos todos os dias, respostas essas que não são nada daquilo que estamos à espera, mas que do ponto de vista da narrativa fazem todo o sentido. Adorei o humor do autor. Foi algo que me cativou desde o início. O humor está presente no diálogo de todas as personagens, no entanto este humor adequa-se perfeitamente ao personagem com que estamos a lidar de momento.

Os personagens são simplesmente geniais. Arthur, um simples terráqueo que se vê catapultado para uma galáxia da qual não tinha conhecimento aquando da exterminação do seu planeta é a personagem de certo modo mais "normal" que temos ao longo da narrativa, fazendo o contraponto perfeito para as restantes. Ford Perfect é um viajante intergaláctico que se viu preso na Terra durante mais de 15 anos, o que quase o levou à loucura. É um personagem um pouco obcecado pela "rectidão". Temos ainda direito a conhecer Marvin, um robô completamente depressivo e destrutivo que consegue deixar qualquer um desmoralizado. As situações que surgem devido aos seus eternos monólogos deprimentes são deveras engraçadas. Falta-me apenas falar do presidente Zaphod, um personagem bastante inteligente e bastante estúpido ao mesmo tempo. Isto pode parecer algo contraditório, mas garanto-vos que na narrativa do autor não o é. É simplesmente um facto de que torna o personagem tão interessante.

Basicamente tudo no livro está bem conseguido e cativa o leitor, desde aos cenários apresentados, à acção que se desenrola, a maneira como se desenrola e os personagens criados pelo autor. No final ficou uma grande vontade de seguir para o próximo livro e uma grande tristeza pelo próximo ser o último traduzido para português.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Opinião - O Tormento dos Céus

Ficha Técnica:
Autor: Ursula K. Le Guin
Título Original: The Lathe of Heaven
Páginas: 180
Editor: Presença
ISBN: 9722331566
Tradutor: Carlos Grifo Babo

Sinopse:
E se, quando acordamos, descobrissemos que os nosso sonhos se tinham tornado reais? George Orr é um homem insignificante, em que ninguém repararia, ao passar. Mas quando Orr descobre que os seus sonhos podem mudar a realidade, começa a ter medo de sonhar, Ao tentar suprimir os sonhos, é enviado, por abuso indevido de medicação, a um psiquiatra que se dedica a investigar os diferentes estados de sono produzidos pela mente. O Dr. Haber, um homem autoconfiante e autocomplacente, que se acha capaz de conhecer e manipular a mente dos seus pacientes, depressa se apercebe de que Orr possui de facto a capacidade de alterar a realidade. Submete-o então a sucessivas experiências com máquinas cada vez mais sofisticadas para conseguir, através dele, alterar o que está mal no mundo, e chegar à criação de um verdadeiro "admirável mundo novo". Orr, porém, acha que toda esta cega manipulação é na verdade aberrante.

A partir deste enredo, Urusla K. Le Guin escreve uma obra-prima de complexidade e subtileza, datada de 1971 mas ainda hoje surpreendentemente actual na sua percepção do mundo relativamente a temas como ambiente, geopolítica, racismo, avanços da medicina e relação de todas estas coisas como o poder.

Opinião:
A par com Neil Gaiman, Ursula K. Le Guin tem-se tornado uma das minhas autoras preferidas. A imaginação da autora é simplesmente soberba, e a maneira como escreve e nos conta as suas histórias deixará qualquer leitor cativado. O Tormento dos Céus não é excepção.

Para mim é sempre difícil falar de um livro desta autora. Existe sempre tanto por dizer, mas quando chega a altura de falar é quase impossível traduzir tudo por palavras. Neste livro Le Guin faz-nos pensar acerca de questões como o racismo, o poder, a despreocupação com o meio-ambiente, mas acima de tudo faz-nos questionar se temos o direito de nos armar em Deus caso essa oportunidade nos seja dada. Se por um lado temos a noção que caso tenhamos a possibilidade devemos contribuir para um mundo melhor, até que ponto devemos interferir à escala global? Será que é correcto mudar-mos o mundo de uma forma completa, mesmo que alguns benefícios sejam encontrados? Ou será que ao fim e ao cabo acabamos por apenas alterar os problemas que havemos de enfrentar? Há certos aspectos da condição humana que não são passíveis de ser alterados, a nossa consciência e o nosso subconsciente fazem parte de quem somos, e a maneira como vivemos e crescemos condiciona-nos e condiciona o nosso pensamento. Assim sendo, tudo aquilo que fazemos para mudar o futuro para melhor adequa-se à nossa perspectiva do que é certo e errado, o que está bem ou mal. Isso é visível no facto de que as sugestões feitas por Haber raramente são levadas à letra, e muitas vezes as realidades não são completamente alteradas, mas sim modificadas de acordo com a maneira de pensar do sonhador.

Todo este dilema interior está bastante bem conseguido com a personagem de Orr, alguém que é completamente neutro, mas que na sua neutralidade encontra a sua força, pois percebe que apesar de ter o poder para mudar o mundo deverá deixá-lo seguir o seu próprio caminho sem o forçar a alterações bruscas e inesperadas.

Não há muito mais que possa dizer acerca deste livro, ele é bastante pequenino, e é difícil colocar os conceitos por palavras. Por isso vão lê-lo, não se vão arrepender.

sábado, 8 de março de 2014

Opinião - A Vida de Pi

Ficha Técnica:
Autor: Yann Martel
Título Original: Life of Pi
Páginas: 321
Editor: Presença
ISBN: 9789722344876
Tradutor: António Pescada

Sinopse:
Publicado em Portugal pela Difel em 2003, A Vida de Pi valeu a Yann Martel o Man Booker Prize de 2002, entre outros prémios, e figurou como bestseller do New York Times durante mais de um ano. Sete anos após a primeira edição, a obra ocupa a 74ª posição no top de ficção da Amazon americana e o 99º lugar na tabela de vendas da amazon inglesa. A Vida de Pi encontra-se publicada em mais de 40 países.

Quando Pi tem dezasseis anos, a família decide emigrar para a América do Norte num navio cargueiro juntamente com os habitantes do zoo. Porém, o navio afunda-se logo nos primeiros dias de viagem. Pi vê-se na imensidão do Pacífico a bordo de um salva-vidas acompanhado de uma hiena, um orangotango, uma zebra ferida e um tigre de Bengala. Em breve restarão apenas Pi e o tigre.

Opinião:
Apesar de só agora estar a publicar a minha opinião, este livro foi lido em Fevereiro para os desafios 2014 Monthly Motif Reading Challenge e Monthly Key Word 2014.

O filme do livro foi visto já há algum tempo, mas a verdade é que ainda me lembro de bastantes aspectos do mesmo. Foi com algum receio que comecei a ler o livro, pois como qualquer leitor tive receio de ficar extremamente decepcionada ou aborrecida com o livro (afinal já vi o filme), ou então ficar a pensar que o filme deixava muito a dever ao livro. No geral achei que ambos se complementam.

É um livro sobre o qual não há muito a dizer. Não quero com isto dizer que o livro é mau ou deixa a desejar. Simplesmente não há propriamente uma história que possamos contar ao ler o livro. Ele é basicamente a junção de pensamentos desconexos de alguém que viveu durante muito tempo no mar, tendo apenas como companhia um tigre. Inicialmente é-nos apresentado Pi, e a sua maneira de lidar com o mundo. Gostei principalmente do seu equilíbrio. Da aceitação que demonstra para com as três religiões que segue, como dentro dele conseguiu harmonizar todos os ensinamentos, porque mais importante do que definirmos a nossa religião é perceber que o importante é estar grato a "Deus", é amá-lo incondicionalmente.

Posteriormente entramos na parte do naufrágio. Foi desta parte que mais gostei. Os pensamentos desconexos, as descrições dos momentos passados no mar. A capacidade de adaptação do ser humano para com as condições adversas, e a necessidade de companheirismo em qualquer das suas formas estão constantemente presentes ao longo da segunda parte do livro. A maneira como o autor nos vai apresentando os acontecimentos e os pensamentos de Pi deixa o leitor completamente agarrado durante o seu percurso no mar. E apesar de a história ser muito pouco provável, a verdade é que aos nosso olhos nos parece real.

A terceira parte do livro é basicamente os acontecimentos após Pi ter conseguido chegar ao México, não achei nada de impressionante nesta parte, mas gostei bastante dos dois japoneses que foram entrevistar o nosso pequeno sobrevivente. Ao longo do livro temos ainda pequenos vislumbres da vida actual de Pi, e da maneira como o escritor vê o personagem. é gratificante ver como ele conseguiu refazer a sua vida, mas mais que isso é gratificante ver como o rapaz que ele foi e o homem que é vivem através das mesmas bases. São feitos do mesmo material. Muita coisa poderia ter dado errado, mas com o seu jeito de amar e o facto de aceitar o que não pode ser mudado o personagem acaba por encontrar paz na sua vida adulta.

Uma história que merece ser lida.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Opinião - O Dia do Perdão

Ficha Técnica:
Autor: Ursula K. Le Guin
Título Original: Four Ways to Forgiveness
Páginas: 240
Editor: Presença
ISBN: 9789722332057
Tradutor: ?

Sinopse:
Ursula K. Le Guin é uma genial criadora, hoje considerada uma verdadeira lenda viva, tal a sua importância para a ficção científica e o género fantástico. Entre as suas mais conhecidas criações estão inquestionavelmente a tetralogia Terramar. "O Dia do Perdão" é uma sequência de quatro contos ligados à epopeia da libertação de seres humanos. São histórias em torno de dois mundos, Werel, uma oligarquia esclavagista, e o seu satélite, Yeowe, onde mão-de-obra escrava trabalha incessantemente para os seus «donos» - assim se autodesignam - a fim de preencher todas as necessidades inerentes a um sistema económico desumano. O Ecuménio, imensa Liga Planetária, intervirá em sua ajuda. Mas uma vez abolida a escravatura neste sistema binário, outras formas de opressão permanecem por superar…

Opinião:
O que é que posso dizer acerca deste livro? Ursula K. Le Guin. O nome da autora basicamente diz tudo o que há para dizer. Este não é o primeiro livro que leio da autora relativamente ao Hainish Cycle, A Mão Esquerda das Trevas fio o primeiro que li e foi sem dúvida um livro diferente e marcante. Contudo este tocou-me de uma forma muito especial.

Nele são-nos contadas a história de quatro personagens, sendo três deles mulheres. Cada uma das histórias é um hino ao amor, ao perdão e à aceitação. Não só de nós para com os outros, mas também para connosco. Ser capazes de nos perdoar e aceitar nem sempre é fácil, mas Le Guin mostra-nos que isso é possível, e que a capacidade de nos abrir-mos para as outras pessoas torna-nos mais ricos. Outra coisa fenomenal é o modo como ela representa as diferentes sociedades, as descrições dos seus costumes e a sua maneira de agir. Ao contrário de muitos autores, Le Guin não precisa de grandes textos e grande background para nos fazer compreender e fazer-nos sentir integrados nas comunidades que nos apresenta. Os seus personagens são sempre extremamente fortes e bem caracterizados. É impossível ficarmos indiferentes à força demonstrada pela mulher que abandona o seu caminho para ajudar alguém e que acaba por descobrir o amor. Ou aquela que apesar de tudo o que passou na vida ser capaz de se perdoar e lutar por aquilo que quer.

Sendo que este livro se passa num planeta que acabou de se libertar da escravatura é engraçado ver (ou não), a maneira como os seus habitantes lidam com essa situação. A maior parte simplesmente não compreende o que é ser livre e não lhe dá o devido valor. E mesmo aqueles que o compreendem, principalmente as mulheres, não têm hipótese de o aproveitar, pois infelizmente a liberdade nunca é para todos. E isso é algo que não é só visível aqui, é visível também à nossa volta todos os dias. Os livros da autora são sempre actuais e fazem-nos ver determinados aspectos da nossa sociedade que estão esquecidos ou são simplesmente ignorados.

Não muito mais que eu possa dizer acerca deste livro a não ser: Leiam-no, já. É uma obra sublime que merece ser lida e relida.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Desafio - Monthly Key Word 2014


E aqui fica o outro desafio que tinha falado. É original do mesmo blog que o anterior (Bookmark to Blog) e consiste em ler todos os meses pelo menos um livro que tenha no título uma das palavras da lista para esse mês. Fica também a indicação que podemos usar sinónimos ou palavras do mesmo campo lexical. As palavras são:

Janeiro - Angel, Secret, Clock, Black, Day, Wild
Fevereiro - Her, Life, Night, Red, Dark, Island
Março - Forever, Inside, Storm, Sky, Flower, Stay
Abril - Star, Light, Never, Princess, Break, Clear
Maio - Dawn, Death, End, Lost, Beautiful, And
Junho - Color, Beyond, Day, Place, Grave, Road
Julho - Beautiful, Ship, Prince, Whisper, Sun, Of
Agosto - Forgotten, Down, True, Run, Danger, Me
Setembro - Number, Take, Shadow, Ice, Who, After
Outubro - Ocean, Blood, Still, Out, The, Fate
Novembro - Into, Sound, Blue, House, My, Last
Dezembro - Kiss, Fire, Ruin, White, Promise, Infinity

No blog é sugerido que tentemos conjugar este desafio com o 2014 Monthly Motif Reading Challenge. Irei tentar fazê-lo, mas não posso garantir que seja sempre possível. 


Janeiro -  O Dia do Perdão
Fevereiro - A Vida de Pi 
Março - O Tormento dos Céus  
Abril - À Boleia pela Galáxia 
Maio - O Restaurante no Fim do Universo 
Junho - Down London Road 
Julho - Príncipe Mecânico
Agosto - Ignite Me 
Setembro - Três é Demais 
Outubro - The Whisperer
Novembro - A Cor da Magia 
Dezembro - Infinity