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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Opinião - Um Mundo Sem Príncipes

Ficha Técnica:
Autor: Soman Chainani
Título Original: A World without Princes
Páginas: 547
Editor: Individual Editora (Lápis Azul)
ISBN: 9789898730220
Tradutor: Carla Ribeiro

Sinopse:
Sofia e Agatha estão de volta a Gavaldon, mais amigas que nunca e, após um breve período de fama, resultante de terem quebrado a maldição do Reitor, prontas a retomar uma vida de normalidade. Ou será que não? Num momento de fraqueza, Sofia e Agatha pedem um desejo. E o desejo de uma delas volta a abrir as portas entre os mundos. A única hipótese de sobreviverem aos ataques que agora assolam Gavaldon é regressar, mais uma vez, à Escola do Bem e do Mal. Mas a escola já não é a mesma que deixaram para trás. E há uma nova guerra iminente, uma que só elas podem impedir.

Opinião:
Assim que terminei a leitura do primeiro livro da trilogia, A Escola do Bem e do Mal, peguei de imediato neste livro, a sua continuação, de modo a saber mais sobre as duas amigas, Sofia e Agatha, e o príncipe Tedros.

Devido à arrojada escolha de Agatha no volume anterior, diversas mudanças radicais ocorreram. Enquanto as duas amigas viviam o seu para sempre em Gavaldon, a escola do bem e do mal tornou-se numa escola de Rapazes vs Raparigas, em que ambas as partes se odeiam mutuamente. As raparigas Sempre, inspiradas por Agatha e Sofia, deixaram de querer príncipes e almejam tornar-se as suas próprias salvadoras e heroínas do seu conto de fadas. Tornaram-se práticas e desleixadas com a sua aparência, passando para um outro extremo. 
Também as princesas que já viviam o seu para sempre o alteraram, correndo com os seus príncipes das suas vidas.
Tudo isto, claro, fez com que os príncipes ficassem despeitados e, devido a um certo desejo, buscassem a sua vingança junto das raparigas, nomeadamente de Sofia e Agatha.

Todas estas grandes alterações que ocorreram tornaram este segundo livro muito engraçado. Foi como ver o clássico dos contos de fadas dar uma volta de 180º, tornando-se o verdadeiro oposto do que sempre foi narrado geração após geração. Deixou de haver uma distinção entre bem e mal, passando a haver um largo e fundo fosso entre rapazes e raparigas, agora inimigos ferozes.
Soman também nos introduz três novas misteriosas personagens: uma rapariga ruiva de seu nome Yara, aparentemente muda e bastante intrigante; a professora Helga, a Gnomo, que faz lembrar muito uma outra personagem; e a Decana Sader e a sua trupe de borboletas azuis, do lado das raparigas, que aparenta ser quem mexe os cordelinhos e tem todo o ar de ter planos ocultos.

Quanto a personagens já conhecidas, gostei mais das três bruxas neste livro: Hester, Anadil e Dot. E não deixa de ser interessante o facto de elas não me parecerem nada más, mas raparigas normais, prontas a lutar pelo que acreditam e pelas suas amigas. Também não posso deixar de referir a super mudança de Dot: O constante transformar dos objectos em vegetais em vez de chocolate, foi sem dúvida algo cómico.
Sofia também não parece a bruxa má do livro anterior, parece antes uma amiga dedicada que aprendeu algumas lições, embora ciumenta e ainda incapaz de um pouco de altruísmo.
Já Agatha e Tedros pareceram-me na mesma, embora este último devido à mágoa e orgulho ferido se encontre ainda mais "tapadinho" que anteriormente.

Nesta bela edição de Um Mundo sem Príncipes, foi também curioso e agradável poder ler algumas das cenas cortadas do volume anterior, bem como uma curta entrevista com o autor, já para não mencionar as belíssimas ilustrações de Iacopo Bruno que enfeitam toda a obra (como podem ver no exemplo ao lado). E claro, como a Individual Editora não quer que nos falte nada, os mais curiosos podem ainda dar uma espreitadela aos dois primeiros capítulos do próximo livro O Último Final Feliz.

Um Mundo sem Príncipes é uma história em que os contos de fadas são virados de pernas para o ar, em que surgem diversos mal entendidos, que agravam exponencialmente o problema de uma guerra iminente, e que mesmo sendo resolvidos, acabam por ter as suas consequências, abrindo espaço para um novo arco da história, que certamente será o tema do próximo e derradeiro volume.

(Livro gentilmente cedido para opinião pela Individual Editora)



quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Opinião - A Escola do Bem e do Mal

Ficha Técnica:
Autor: Soman Chainani
Título Original: The School for Good and Evil
Páginas: 540
Editor: Individual Editora (Lápis Azul)
ISBN: 9789898730152
Tradutor: Luis Costa

Sinopse:
Estamos perante uma trilogia que desencadeia um mundo de fantasia novo e deslumbrante, onde as melhores amigas, Sophie e Agatha estão prestes a embarcar na aventura de uma vida.
Na Escola do Bem e do Mal, meninos e meninas são treinados para serem extraordinários bons ou maus, mas um subverter dos papéis assumidos das nossas heroínas, quando Agatha é "erroneamente" enviada para a escola do bem, e Sophie para a escola do mal, tudo é posto em causa, e se o erro é na verdade a primeira pista para descobrir quem Sophie e Agatha realmente são? Fantástica trilogia na qual a única saída para fugir das lendas sobre contos de fadas e histórias encantadas é viver intensamente uma delas.

Opinião:
A Escola do Bem e do Mal revelou-se uma leitura interessante. Confesso que não fui instantaneamente cativada pela história ou pelos personagens, possivelmente por já não pertencer ao público alvo, um público juvenil, mas a pouco e pouco dei por mim envolvida em toda a trama e com vontade de ler e saber mais e mais.

Inicialmente, esta aparentava ser uma história mais básica, com a clássica dicotomia Bem vs Mal, em que no primeiro encontramos príncipes e princesas, vestidos rosa e beleza, e no segundo bruxas e outros que tais, roupas negras e andrajosas, fealdade. Ao longo da leitura, percebemos que não é bem assim e que se trata de algo mais: temos efectivamente todos esses elementos mencionados, mas eles acabam por ser como que uma máscara que esconde algo mais profundo e complexo, nada tão linear quanto quer parecer. Desde o início que o percebemos, através das duas personagens principais: Sofia, loira e bonita, fã de vestidos rosa e sapatos de vidro de salto alto; e Agatha, uma menina de curtos cabelos negros, que mora num cemitério e que se refugia no lado mais sombrio das coisas. Bastante óbvio, caso se tratasse de uma história cliché, não é? As duas amigas são ambas seleccionadas para ingressar na Escola do Bem e do Mal, mas cada uma para o lado oposto do que esperava, não se conformando: Sofia para o Mal e Agatha para o Bem.
Escusado será dizer, que a vinda destas duas novas alunas para a escola, vai trazer grandes mudanças e colocar diversas questões: tudo o que é mau tem de ser feio e o que é bom, bonito? Cuidar da aparência e praticar boas acções, só porque é o que se espera, faz de nós verdadeiramente bons? É a nossa aparência que determina o que somos e onde nos encaixamos, ou são as nossas acções? Ser bom ou mau é assim tão linear? 

Apesar de não ser totalmente inovadora, a ideia de uma escola em que se aprende a ser bom ou mau, acaba por ser, sem dúvida, muito engraçada, e claro, achei também muita piada às disciplinas que cada lado tem de frequentar e tudo o que têm de aprender. 

Não podia terminar esta opinião sem referir o final deste livro. Foi muito diferente do que podia esperar e deixou muita curiosidade para o próximo volume e saber efectivamente o que aconteceu às duas "amigas" depois de tudo o que se passou.

A Escola do Bem e do Mal é uma belíssima história para o público mais jovem, que certamente fará as suas delicias, e que, ao mesmo tempo, proporcionará uma leitura leve e agradável aos leitores mais experientes. 

(Livro gentilmente cedido para opinião pela Individual Editora)