Mostrar mensagens com a etiqueta Paula Hawkins. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Paula Hawkins. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Opinião - A Rapariga no Comboio

Ficha Técnica:
Autor: Paula Hawkins
Título Original: The Girl on the Train
Páginas: 319
Editor: Topseller
ISBN: 9789898800541
Tradutor: José João Leiria

Sinopse:
Todos os dias, Rachel apanha o comboio...

No caminho para o trabalho, ela observa sempre as mesmas casas durante a sua viagem. Numa das casas ela observa sempre o mesmo casal, ao qual ela atribui nomes e vidas imaginárias. Aos olhos de Rachel, o casal tem uma vida perfeita, quase igual à que ela perdeu recentemente.

Até que um dia... 

Rachel assiste a algo errado com o casal... É uma imagem rápida, mas suficiente para a deixar perturbada. Não querendo guardar segredo do que viu, Rachel fala com a polícia. A partir daqui, ela torna-se parte integrante de uma sucessão vertiginosa de acontecimentos, afetando as vidas de todos os envolvidos.

Opinião:
Finalmente resolvi-me a ler este livro que foi tão falado há uns tempos atrás. Estava a apetecer-me uma leitura com mistério, suspense, estilo policial e pensei: porque não?

A Rapariga no Comboio é uma historia que nos transporta para um ambiente depressivo, qual dia cinzento e triste. Conta-nos a história de Rachel, Megan e Anna, centrando-se no desaparecimento da segunda. Estas três mulheres que nos vão narrando os acontecimentos são todas elas, à sua maneira, depressivas e paranóicas, que mesmo sem se aperceberem vivem ou viveram relações abusivas que acabam por ter correlação entre si.

Rachel é uma mulher que caiu no fundo do poço depois do seu divórcio, vive e revive no seu passado com o ex-marido Tom, assediando-o e à sua família de tempos a tempos. Está completamente deprimida, com a auto-estima a zeros e há muito que se virou para a bebida, pois não tem qualquer propósito na vida. É um pouco triste acompanhar esta personagem quase sempre sob o domínio do álcool. Ver como alguém se transforma numa sombra de si mesmo, incapaz de tomar as rédeas da sua vida e seguir em frente. Rachel projectou as suas fantasias de casal ideal em Jess (Megan) e Jason (Scott), um casal que observa com interesse nas suas travessias de comboio entre casa e Londres. 
Acabei por ir ganhando algum apreço por Rachel, com o decorrer da história, notou-se um crescimento, um recuperar de força de vontade, apesar desta se dever à obsessão que tem vindo a desenvolver por Megan e Scott. Mas descobrir perto do final, que na realidade, aquilo que a foi deitando abaixo e a transformou no farrapo que a autora descreve capítulo a capítulo, era afinal toda uma cruel manipulação de acontecimentos, enche-nos de compaixão.

Megan é, por sua vez, a nossa "protagonista" secundária desaparecida (se é que a posso chamar assim). Revela-se alguém muito instável, que tanto está feliz com o que tem com o seu marido Scott, como sente a sua relação insuficiente e embarca em busca de algo mais. Por outro lado, é alguém que vive intensamente as suas paixões, mesmo quando de um momento para o outro é assoberbada por um grande sentimento de culpa. À sua maneira, tal como Rachel, é alguém infeliz, que vive presa a erros e mágoas do passado, que a impedem de aproveitar a vida em pleno e dar o próximo passo.

Anna é a actual mulher de Tom, ex-marido de Rachel, com o qual tem uma filha bebé. Tem direito a menos capítulos, logo menos destaque que as outras duas mulheres. É alguém frio, sem remorsos, algo malvada até, diria eu. Gostou de ser a amante e inclusivamente tirava prazer em ver Tom enganar a mulher, em saber o sofrimento que os seus actos lhe causariam, gosta inclusivamente de recordar esses momentos. Agora é alguém que vive sempre alerta, com medo de Rachel, sempre a sentir-se perseguida e observada, que apesar de se sentir realizada como mãe, almeja os tempos em que era simplesmente a amante.

É interessante irmos acompanhando o momento presente através de Rachel e Anna e ao mesmo tempo ver momentos passados através dos olhos de Megan. Paula Hawkins oferece-nos bocadinhos de informação capítulo após capítulo através destas mulheres, informações essas que se vão interligando e permitem ao leitor ir montando o puzzle do desaparecimento de Megan. 

Tive pena de ter desvendado o assassino mais cedo do que seria o ideal. Se até cerca de metade do livro isso era tarefa impossível, pouco depois tornou-se evidente que certa personagem era a hipótese mais viável. Foi interessante, no entanto, acompanhar as descobertas de Rachel e chegar ao desfecho da narrativa.

Achei A Rapariga no Comboio uma obra bem conseguida, com personagens sólidas, com problemas reais e bem actuais. Contudo, por ter uma personalidade tão díspar de Rachel, Anna e Megan, não me consegui identificar em algum momento com elas e sentir alguma ligação. Isso e o facto de ter achado tudo muito deprimente, fez-me pensar que este não é o meu tipo de livro e foi o meu entrave para não ter apreciado a história tanto quanto gostaria, apesar de ter gostado do livro e de lhe reconhecer o mérito. Com este livro Paula Hawkins tornou-se uma autora a ter debaixo de olho, para quando apetecer uma história dentro do género.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Opinião - A Rapariga do Comboio

Ficha Técnica:
Autor: Paula Hawkins
Título Original: The Girl on the Train
Páginas: 320
Editor: TopSeller
ISBN: 9789898800541
Tradutor: José João Leiria

Sinopse:
Todos os dias, Rachel apanha o comboio... No caminho para o trabalho, ela observa sempre as mesmas casas durante a sua viagem. Numa das casas ela observa sempre o mesmo casal, ao qual ela atribui nomes e vidas imaginárias. Aos olhos de Rachel, o casal tem uma vida perfeita, quase igual à que ela perdeu recentemente.

Até que um dia...

Rachel assiste a algo errado com o casal... É uma imagem rápida, mas suficiente para a deixar perturbada. Não querendo guardar segredo do que viu, Rachel fala com a polícia. A partir daqui, ela torna-se parte integrante de uma sucessão vertiginosa de acontecimentos, afetando as vidas de todos os envolvidos.

Opinião:
Muitas vezes gera-se um grande hype em volta de determinado livro e depois quando se var lê-lo acabamos por nos sentir enganados visto o mesmo não ir de encontro às altas expectativas que criámos. Este não é o caso.

A rapariga do Comboio é contada através de três pontos de vista. Inicialmente através de Rachel e Megan, sendo que um pouco mais tarde aparece Anna. Todos eles são importantes para a caracterização dos personagens e desenvolvimento da narrativa. 

Através dos POV de Rachel ficamos a conhecer o que se está a passar no presente e o desenvolvimento dos acontecimentos desde o desaparecimento de Megan. Rachel é uma personagem triste e deprimente. Alguém que sente que a vida não tem sentido. Alguém que julga ter tido tudo o que sempre quis e viu tudo isso e a sua felicidade ser-lhe retirada de debaixo dos pés sem qualquer aviso prévio. É ainda uma pessoa com um nível de autoconfiança bastante baixo e que por isso se está constantemente a denegrir. Para isto contribui ainda o facto de ser alcoólica. A única alegria que considera ter é ver a vida perfeita e cheia de amor que Jess (Megan) e Jason (Scott) parecem levar quando olha através da janela do comboio em que viaja. Eventualmente com o decorrer da história e a descoberta de novas informações Rachel vai crescendo, evoluindo, ganhando confiança, enquanto tenta chegar ao fundo dos acontecimentos que levaram ao desaparecimento de Megan e de encontro às suas memórias perdidas.

Megan é também uma personagem quebrada. Para Megan a história começa um ano atrás e aos poucos vão-nos sendo desvendados os pormenores que levaram ao seu desaparecimento. Isto acontece de uma forma a que as informações se vão encaixando com as novas descobertas e teorias que Rachel vai contando no presente. Relativamente à sua personalidade, Megan é alguém descompensada, com tendência para destruir as coisas boas que tem na vida, por ter ataques de pânico por se sentir sozinha ou acompanhada, que determinada pessoa não é suficiente ou só ela é suficiente. Ao fim e ao cabo Megan é alguém que devido a um erro no passado acha que não é boa o suficiente e por isso não se esforça por se melhor cometendo os mesmos erros uma e outra vez.

Os POV da Anna são poucos e aparecem um pouco mais tarde que os de Rachel e Megan. Eles mostram-nos uma pessoa desesperada e receosa com a sua actual situação, bem como o caminho que empreende até à aceitação do facto que nem sempre o que parece é. É uma personagem algo mesquinha que não sente remorsos pelas atitudes do passado e que ainda sente prazer ao recordar a tristeza que causou. No geral todas as personagens.

No geral todas as personagens estão bem construídas, são cativantes e importantes para a percepção de todos os ângulos que a história apresenta. Isto aliado ao facto de que o ritmo da narrativa está conseguido de forma magistral contribuem para que este livro mereça todos os elogios que lhe são feitos.

A única coisa que tenho a apontar é que relativamente cedo fiquei com uma ideia de quem seria o culpado através de um comentário sem nada de mais. Contudo foi interessante ver que tinha razão e qual o motivo que nos fez chegar à situação inicial do livro. Contudo fiquei também um pouco triste por desde o início ter uma ideia fixa e não ter vacilado nas minhas suspeitas.

(Livro lido em parceria com o Segredo dos Livros)