quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Opinião - Bitterblue

Ficha Técnica:
Autor: Kristin Cashore
Páginas: 575
Editor: Gollancz
ASIN: B007PQXGXA

Sinopse:
Eight years have passed since the young Princess Bitterblue, and her country, were saved from the vicious King Leck. Now Bitterblue is the queen of Monsea, and her land is at peace.

But the influence of her father, a violent psychopath with mind-altering abilities, lives on. Her advisers, who have run the country on her behalf since Leck's death, believe in a forward-thinking plan: to pardon all of those who committed terrible acts during Leck's reign; and to forget every dark event that ever happened. Monsea's past has become shrouded in mystery, and it's only when Bitterblue begins sneaking out of her castle - curious, disguised and alone - to walk the streets of her own city, that she begins to realise the truth. Her kingdom has been under the thirty-five-year long spell of a madman, and now their only chance to move forward is to revisit the past.

Whatever that past holds.

Two thieves, who have sworn only to steal what has already been stolen, change her life forever. They hold a key to the truth of Leck's reign. And one of them, who possesses an unidentified Grace, may also hold a key to her heart . . .

Opinião:
Escrever uma opinião a este livro vai ser extremamente complicado pois um livro que despertou sentimentos bastante diferentes em mim.

Por um ado adorei a história, adorei rever os personagens que já tinha adorado em Graceling e Fire. Bitterblue está crescida, mas a determinação que mostrava enquanto criança bem como a percepção que tinha do certo e errado continua a guiá-la. Foi fantástico rever Po e Katsa. Ambos mudaram ligeiramente e a sua relação está diferente. De certa forma evolui e quando os dois estão juntos nota-se que realmente se adoram. Gostei também dos novos personagens apresentados, Saf, Teddy, Meghan. Todos eles são bastante interessantes e todos eles trazem novos elementos importantes para a história. Não posso deixar de referir Death (que se lê como teeth), o bibliotecário do castelo de Bitterblue que tem como capacidade ler muito depressa e decorar tudo o que lê. Além disso tem uma personalidade muito própria e é bastante sarcástico, tratando Bitterblue como uma pessoa real em vez de alguém de porcelana e acho que isso foi bastante importante para centrar Bitterblue. Mesmo que ela não se tenha apercebido de tal.

Quanto à história em si, somos apresentados com um reino que continua destruído e que Bitterblue tenta reerguer a todo o custo. Contudo há muitas mentiras, muitas verdades escondidas, muitas coisas que não batem certo e de modo a que tudo possa ser posto em pratos limpos é necessário revisitar o passado e esclarecê-lo de modo a perceber de que modo a que se pode contrariar os efeitos que todo o mal efectuado por Leck está a ter no presente. Toda esta narrativa me agarrou do início ao fim. Achei o desenvolvimento da história interessante e queria sempre saber mais. O que é que iria acontecer a seguir? Que mais verdades é que iriam ser desvendadas?

Contudo não posso negar que houve alguns pontos que me deixaram desconfortável durante toda a narrativa. Para começar o interesse amoroso de Bitterblue, Saf. A sua alteração foi demasiado repentina e sem qualquer momento em que o leitor se pudesse ligar ao personagem e perceber essa alteração. Além de que Saf não é um personagem propriamente marcante. A maneira como ficou a sua relação com Bitterblue também poderia ter sido melhor trabalhada. O final destes dois foi bastante insípido e mal explorado. É difícil aceitar a explicação dada porque não se encaixa ou vem no seguimento do que quer que seja.

Outra coisa que também foi mal trabalhada foi o motivo de actualmente as pessoas ainda estarem maluquinhas com aquilo que Leck lhes fez. Tem toda a lógica aquilo que a autora nos diz, contudo não parece real, parece tudo esbatido e desapegado. Foi difícil para mim acreditar neste desnorteio das personagens e aceitar as consequências disso. De certa forma a maior parte delas acobardaram-se e só causaram foi problemas. Na minha opinião teria posto toda a gente na alheta que se desconjuntasse por tudo e por nada e teria querido pessoas minimamente sãs junto de mim para me ajudar a governar.

Por fim, achei que a autora foi apresentando a informação no meio de uma grande salgalhada. Penso que a introdução da informação acerca dos acontecimentos e porquê de ser tão importante poderia ter sido feita sem tantos floreados, sem tantos desvios adicionais. Nomeadamente não achei que a situação nos restantes reinos fosse realmente importante ou que tivesse qualquer interesse para aquilo que pretendia ser a história de Bitterblue. Também a situação de Grey foi desnecessária. Enfim não me consigo explicar melhor, a história deveria ser um pouco mais limpa e limada e a informação confusa e desnecessária deveria ter sido eliminada.

O final deixou-me algo triste. Esperava algo mais conclusivo e não tão aberto para todos os Sete Reinos. Depois de tanta coisa parecer que ficou tudo basicamente na mesma. Esperava um final mais feliz para as pessoas que sofreram tanto às mãos de tiranos. Não digo que este mundo merecesse um último livro, mas pelo menos um conto em que através de alguém ficássemos a conhecer os destino dos diferentes reinos, se foram capaz de sarar ou não e de como é que as coisas ficaram para os personagens que os leitores vieram a adorar.

domingo, 4 de outubro de 2015

Opinião - Jesse's Girl

Ficha Técnica:
Autor: Miranda Kenneally
Páginas: 304
Editor: Sourcebooks Fire
ASIN: B00TFZ0DDU

Sinopse:
Everyone at Hundred Oaks High knows that career mentoring day is a joke. So when Maya Henry said she wanted to be a rock star, she never imagined she’d get to shadow *the* Jesse Scott, Nashville’s teen idol.

But spending the day with Jesse is far from a dream come true. He’s as gorgeous as his music, but seeing all that he’s accomplished is just a reminder of everything Maya’s lost: her trust, her boyfriend, their band, and any chance to play the music she craves. Not to mention that Jesse’s pushy and opinionated. He made it on his own, and he thinks Maya’s playing back up to other people’s dreams. Does she have what it takes to follow her heart—and go solo?

Opinião:
Neste livro a autora decide variar um pouco e em vez de termos mais uma história acerca de desporto temos uma história acerca de música.

Adorei os personagens principais. Maya é uma rapariga cheia de energia e atitude que vive para e da música. Tudo aquilo que aprendeu foi sozinha, pois nunca teve oportunidade de ter aulas. Só posso dizer que admiro plenamente a sua determinação em perseguir o seu sonho apesar de todos os problemas e dúvidas que possam ter surgido no caminho. A sua personalidade revela-se completamente naquilo que veste, e foi engraçado ver isso mesmo ao longo da história. Pode parecer algo fútil, mas adorei as descrições dos fatos que ela usa! É impossível ficar indiferente a este furacão que não tem papas na língua e não se deixa subjugar por quem quer que seja.

Jesse é um cantor country bastante famoso desde tenra idade e que por isso nunca teve grande vida. Para muito gente ser famoso e ter dinheiro seria o suficiente, mas na realidade o que ele quer é simplesmente ser ele mesmo, ter amigos, sentir que pode confiar em alguém sem ter constantemente dúvidas se essa pessoa está com ele por interesse ou porque gosta realmente dele. Foi fácil colocar-me na sua pele e perceber os seus medos e dilemas no que toca à sua relação com a Maya. Ao longo da história ele vai-se transformando de idiota em alguém realmente encantandor e cheio de alegria.

Gostei da interacção entre os dois personagens e do modo como a autora desenvolve o romance. Além da mensagem que a mesma nos tenta transmitir de que os sonhos são importantes e devemos lutar por eles. Há sempre uma maneira de arranjar soluções e ultrapassar as dificuldades se assim o quisermos. Basta arriscar.


You have to take chances to get a chance at your dreams.

Não posso deixar de referir de que foi extremamente hilariante ver as interacções entre a Jordan e o Sam. Aqueles dois andam sempre à pancada, mas adoram-se de uma maneira louca e nada é capaz de os separar. É temível estar perto deles quando decidem discutir, parecem uma força da natureza e são capazes de arrancar gargalhadas ao leitor.

Mais um bom livro da autora. Espero sinceramente que continue com este nível de escrita. Aguardo pelo próximo livro

Sunday's Quotes (112)

“The problem with doing nothing is not knowing when you are finished.”― Nelson DeMille

sábado, 3 de outubro de 2015

Opinião - Com a Cabeça na Lua

Ficha Técnica:
Autor: João Seixas
Páginas: 412
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896371326
Tradutor: José Saraiva, João Seixas, Sofia Moreira e Mário Matos

Sinopse:
Em 20 de Julho de 1969, Neil Armstrong tornava-se o primeiro homem a pisar o solo lunar e, consequentemente, o primeiro ser humano a visitar um outro mundo que não a Terra. O feito, desde então inigualado, permanece como o maior desafio tecnológico a que a Humanidade se propôs. Antes, porém, de o Programa Apollo ter proporcionado o célebre pequeno passo para o Homem, um salto de gigante para a Humanidade, inúmeros autores de Ficção Científica - até então considerada um género menor - tinham levado o Homem à Lua pelos mais variados meios e pelos mais diversos motivos.
Esta antologia conta com autores tão distintos como Robert A. Heinlein, Isaac Asimov e Arthur C. Clarke.

Opinião:
Visto tratar-se de um livro de contos vou uma vez mais dar uma pequena opinião sobre cada um deles. Obrigada João Seixas pelas tuas introduções que me familiarizaram com cada um dos tipos de escrita dos diferentes autores.

O Homem que Vendeu A Lua - Robert A. Heinlein
O conto mais longo desta antologia. Nele ficamos a conhecer D. D. Harriman. Um completo sonhador cujo único objectivo de vida é conseguir construir um foguetão capaz de o levar à lua. Tem muito de semelhante com a história real que conhecemos apesar de ter sido produzido antes dela. Gostei bastante de D. D. Harriman. Alguém que faz o que for preciso para concretizar os seus sonhos. Gostei do facto de que apenas lhe faltava vender a mãe. Este personagem é dotado de uma grande capacidade para encantar todos aqueles que o rodeiam. O final é algo agridoce para o nosso personagem, mas acredito que com perseverança ele vá conseguir atingir o seu objectivo.

Uma Vez em Volta da Lua - Vic Philips
Neste conto o homem não chega verdadeiramente à Lua, apenas a contorna, contudo o sonho está lá. Aqui o autor deu mais proeminência aos aspectos técnicos da construção de um foguete, bem como ao facto de como todo se processaria desde a descolagem até à aterragem. Uma história não com um final muito feliz para o nosso protagonista. Mas um conto com bastante imaginação

Tendências - Isaac Asimov
Isaac Asimov dá-nos a conhecer uma vez mais um personagem cheio de sonhos e vontade de viver. Neste caso este personagem vê os seus sonhos a serem-lhe confiscados pela religião. Um mal que infelizmente muitas vezes se entre-põe onde não é chamado. Aquilo que Asimov descreve consigo perfeitamente visualizar como uma possibilidade caso o estado de espírito da população fosse ligeiramente diferente. Uma alternativa aos acontecimentos bastante assustadora.

Destino: Lua - Robert A. Heinlein
Uma vez mais Heinlein apresenta-nos um conto onde tudo se parece virar contra os protagonistas na sua demanda para chegar à Lua. Aqui temos os nossos protagonistas a correr contra o tempo de modo a conseguir colocar o foguetão em órbita. Contudo nem tudo corre como esperado e ao longo da aventura começam a surgir problemas que complicam o regresso à terra. Um conto em que quem decida o final é o leitor.

Umas Férias na Lua - Arthur C. Clarke
Aqui encontramos uma exploração Lunar mais avançada. Já não se trata dos inícios de colonização, mas sim uma colonização praticamente completa. Gostei que a personagem principal fosse feminina e de como o autor valoriza as capacidades científicas das mulheres. O conto em si é mais focado na beleza do universo do que propriamente nos aspectos técnicos de colonização da Lua. Um conto do qual gostei bastante, cheio de esperança, optimismo e beleza.

Heróis Relutantes - Frank M. Robinson
Quando se trata do avanço tecnológico ou científico existe sempre uma tendência para se negar ao ser humano os confortos mais básicos, fazendo-o acreditar que o sacrifício é sempre a única opção. Neste conto deparamo-nos com a parte mais humano dos viajantes e as implicações que as viagens e permanência na Lua têm para estes. Um conto do qual gostei bastante por mostrar os sacrifícios necessários ao ser humano e de como estes o afectam. Um conto que felizmente tem um final feliz.

A Luz - Poul Anderson
Um conto que tem uma pontada de mistério. Desde o início que o leitor fica com a sensação que algo vai acontecer. Que algo não está bem. E a verdade é que algo acontece, se bem que um pouco irreal (não que os restantes contos sejam reais, mas este soa mais irreal que os restantes). Contudo não deixa e ser cativante desde o início até ao fim.

Passeio Lunar - H. B. Fyfe
Neste conto ficamos a conhecer um personagem que passa por uma provação bastante difícil na Lua durante mais de um dia. A vontade de vencer, a capacidade para não desistir é o que cativa neste personagem, e quando acreditamos que já nada mais há a fazer, uma reviravolta acontece que deixa o leitor esperançoso e ao mesmo tempo na dúvida da realidade daquilo que está a ler.

Poeira Lunar, Aroma de Feno e Materialismo Dialéctico - Thomas M. Disch
Um conto bastante curto, mas carregado de uma enorme carga visto o protagonista estar ao corrente de quão curto é o seu período de vida. É extremamente desconcertante para o leitor estar constantemente a ser recordado de quanto tempo de vida o protagonista ainda tem, além de que os seus pensamentos no final são bastante atabalhoados e incertos enquanto tenta arranjar uma razão para tudo aquilo. Um conto algo intenso.

Requiem - Robert A. Heinlein
Um dos contos que mais gostei na antologia. Cheio de sonhos e uma paz enorme que se alcança quando finalmente se os consegue realizar. Poder-se ia dizer que este conto é a continuação do primeiro da antologia, só que na realidade este foi escrito antes. Aqui D. D. Harriman é alguém mais calmo e ponderado que só pretende ver o seu sonho realizado. Quando isso finalmente acontece e o autor o descreve é impossível não ficar com um sorriso de paz e felicidade na cara. Adorei!

De uma forma geral gostei dos contos, das temáticas, das várias ideias e tipos de escrita apresentados. Foi uma boa colectânea repleta de variedade. Contudo gostava de ter tipo oportunidade de ler algumas histórias mais felizes visto que basicamente todas acabam em tragédia ou de um modo menos bom. Sei que normalmente o desconhecido inspira grandes feitos e sacrifícios, mas gostava de ter visto um lado mais optimista para estas pessoas que se teriam sujeitado aos caprichos do homem e da natureza.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Opinião - Scorched

Ficha Técnica:
Autor: Jennifer L. Armentrout
Páginas: 320
Editor: Spencer Hill Press
ASINN: B00UUMAED6

Sinopse:
Sometimes life leaves a mark…

Most days, Andrea doesn’t know whether she wants to kiss Tanner or punch him in the gut. He is seriously hot, with legit bedroom eyes and that firefighter body of his, but he’s a major player, and they can’t get along for more than a handful of minutes. Until now.

Tanner knows he and Andrea have had an epic love/hate relationship for as long as he can remember, but he wants more love than hate from her. He wants her. Now. Tomorrow. But the more he gets to know her, the more it becomes obvious that Andrea has a problem. She’s teetering on the edge and every time he tries to catch her, she slips through his fingers.

Andrea’s life is spiraling out of control, and it doesn’t matter that Tanner wants to save her, because when everything falls apart and she’s speeding toward rock bottom, only she can save herself.

Sometimes life makes you work for that happily ever after…

Opinião:
Neste livro ficamos então a conhecer a história de Andrea e Tanner. No geral achei que esta história tinha um teor um pouco mais sério que a de Syd e Kyler e por isso penso que a autora se decidiu focar mais nos problemas de Andrea do que na sua relação com Tanner. Se bem que esta relação contribuiu em grande parte para o desenrolar dos acontecimentos.

A Andrea é uma personagem bastante complexa. É alguém que por um lado tem uma família que não sendo perfeita a apoia e gosta dela. Se bem como o que acontece em qualquer família existem pequenas desilusões e chatices. Assim sendo a nível familiar Andrea é uma pessoa estável e sem grandes problemas. No decorrer da narrativa apercebemo-nos de que também parece não ter existido nenhum acontecimento propriamente traumatizante na vida de Andrea para que esta tenha uma necessidade compulsiva de beber até perder os sentidos. Isto permite-lhe silenciar as vozes que tem na cabeça e que a assaltam nos momentos de silêncio. Gostei de como aos poucos fomos entrando na mente de Andrea, percebendo os seus medos e angústias e como no final ela decide fazer algo para ultrapassar os seus problemas. Esta história fala-nos de depressão e de como o modo como decidimos lidar com ela nos pode libertar ou constrangir.

O Tanner não é um personagem que se destaque por aí além, contudo é um excelente complemento à Andrea. É alguém que tem uma maneira de estar descontraída e que tem o condão de estar constantemente a espicaçar a Andrea só por respirar. Acabam por ser estas trocas de palavras duras e que magoam que levam a que Andrea comece a enfrentar a realidade do seu problema. Ao mesmo tempo vê-se que Tanner é alguém que se preocupa genuinamente com Andrea. Nem sempre Tanner tem a capacidade de dizer o que pensa da melhor maneira, pois perde rapidamente a paciência com Andrea quando a vê a colocar-se constantemente em situações que só a prejudicam. O que acaba por trazer problemas para o casal.

Não haja dúvidas de que se é verdade que a relação dos dois vai evoluindo e é interessante ao longo da história o que realmente me agarrou foi os problemas de Andrea, o descobrir o que se passava dentro da cabeça dela para que tivesse determinadas atitudes e receios e o modo como no final os enfrenta.