segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Opinião - O Dragão do Inverno e Outras Histórias

Ficha Técnica:
Autor: George R. R. Martin
Páginas: 384
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896374617
Tradutor: Jorge Colaço e Luís Santos

Sinopse:
George R. R. Martin, autor de As Crónicas de Gelo e Fogo, regressa com algumas das suas melhores histórias de sempre

Uma criança do inverno cria uma relação especial com um dragão. Uma nave espacial ruma no espaço em busca de uma mítica raça, mas estará o mistério na própria raça ou na estranha nave em que navegam? Uma velha torre de cinzas serve como refúgio para um homem destroçado. Um escritor cria um universo de personagens, e cada uma delas vive no mundo que ele lhes determinou. Um milionário convoca os seus antigos colegas para um confronto de xadrez com revelações inesperadas. Um homem adora comer mas odeia ser gordo, conseguirá a provação do tratamento do macaco ajudá-lo a definir prioridades? A vida sexual de um manipulador de cadáveres pode ser relativamente perfeita, mas não quando se acredita no amor.

Dez histórias multipremiadas que exploram temas universais, de leitura indispensável para os fãs do autor e para todos os que desejam conhecer o verdadeiro potencial da literatura fantástica.

Opinião:
Escrever uma opinião sobre um livro de contos é sempre algo complicado. Deve-mos focar-nos em cada conto ou falar no geral da compilação que foi feita? Neste caso vou provavelmente misturar um pouco dos dois.

No geral foi antologia bem conseguida. Achei que todos os contos escolhidos estavam mais ou menos ao mesmo nível relativamente à sua qualidade. Nightflyers é o conto mais longo da antologia, com cerca de 100 páginas. É uma mistura de ficção científica e terror, sendo que o autor conseguiu interligar bastante bem as duas componentes, levando o leitor a questionar-se sobre o que está a acontecer e qual será a próxima vítima.

O Dragão de Inverno é o conto que dá o nome ao livro e é um conto com uma vertente mais fantástica. Gostei que o autor tivesse pegado em algo extremamente "batido" e visto e lhe tivesse dado um novo fôlego, através da subversão do que associamos a ser um dragão. Alguns outros contos que gostei foram... basicamente todos. Se há algo que consigo escolher é o conto que menos gostei, ou aquele que mais confuso achei, sendo ele A Flor de Vidro. Tirando esse todos os outro contos me deixaram completamente agarrada aos mesmos desde o início até ao fim.

Um facto que constatei é que no geral esta antologia visa contos com uma vertente mais virada para a ficção científica e o terror ou thriller. No entanto não é algo de que nos apercebamos no imediato, mas sim algo que nos fica quando relembramos e analisamos a antologia.

Uma compilação de contos do Martin que merece ser lida.

domingo, 28 de setembro de 2014

Sunday's Quotes (62)

“Aqueles que matámos, por mais estranhos e inimigos que sejam, tornam-se nossos parentes para sempre. Nunca mais se retiram, permanecem mais presentes que os vivos.”― Mia Couto, A Confissão da Leoa

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Opinião - Nunca Te Apaixones por Um Highlander

Ficha Técnica:
Autor: Maya Banks
Título Original: Never Love a Highlander
Páginas: 360
Editor: Bertrand
ISBN: 9789722528665
Tradutor: Ana Cunha Ribeiro

Sinopse:
O coração jovem e rebelde de Caelen McCabe quase destruiu o seu clã. Chegou a hora de colocar a lealdade à família acima de tudo o resto e casar com a noiva abandonada pelo irmão mais velho, salvando assim a frágil aliança entre dois clãs. Mas embora a bela Rionna McDonald seja uma mulher perfeitamente aceitável para qualquer homem, a verdade é que Caelen não confia em mulher nenhuma, especialmente nesta doce sedutora que ele tanto deseja. Claro que Rionna é uma vítima nos jogos de poder do seu pai, mas ela está determinada a cumprir o seu dever, ao mesmo tempo que jura proteger o seu coração e o seu orgulho de qualquer humilhação. Mas, apesar de tudo, o calor do toque de Caelen faz com que as suas defesas derretam e ela deseja intensamente as delícias sensuais de um marido que guarda as suas emoções com a mesma ferocidade com que guarda o seu clã. Quando explode a derradeira guerra pelo legado McCabe, o verdadeiro espírito guerreiro de Rionna vem ao de cima. Ela irá arriscar a ira do seu pai, a fúria dos seus inimigos e a própria vida para provar a Caelen que o seu amor é demasiado precioso para se perder.

Opinião:
E com este livro chegamos ao final da história que a autora pretende contar. Sim, porque apesar de os livros se focarem essencialmente nos três irmãos McCabe e nas mulheres que acabam por conquistar os seus corações, a verdade é que a autora se deu ao trabalho de criar um background decente que liga todas as histórias. Sendo este background a tentativa de acabarem com a rebelião liderada por Cameron.

Quanto ao nosso casal, gostei bastante de ambos e da relação entre eles. A Rionna é uma rapariga cheia de força e de vida, que não gosta de ser dependente de ninguém e presa bastante a sua liberdade. Já o Caelen é bastante parecido aos irmãos e por tanto tem é de opinião que as mulheres é para ficarem em casa e serem protegidas por eles. como é de calcular as coisas não correm muito bem quando estes dois finalmente começam a viver juntos.

Durante grande parte da narrativa vemos Caelen a tentar lutar contra os sentimentos que tem por Rionna, tentando transformá-la em alguém diferente da pessoa que tanto o cativa. Assim pode ser que se consiga manter afastado dela. Já Rionna luta para conseguir levar Caelen a confiar nela e a deixá-la ser aquilo que é. Soube bem ver como ambos aprendem a fazer cedências e como a sua relação acaba por crescer de uma necessidade para algo verdadeiro e puro.

Quanto à parte da história que se vem a prolongar desde o início da trilogia, foi bom finalmente ver o mau a levar uma tareia. Houve ali uma parte da narrativa em que eu achava que sabia para onde a autora me estava a levar, mas ela trocou-me as voltas e eu gostei disso. Gostei ainda mais de como a autora utilizou a Rionna para acabar com o Cameron. Acaba por ser um pouco irónico, tendo em conta que os irmãos andavam sempre todos à pancada para saber quem iria matar o desgraçado.

Foi um bom final para esta trilogia, apesar de esta ter sofrido de altos e baixos. Este foi sem dúvida o melhor livro dos três.

(Livro lido em parceria com o Segredo dos Livros)

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Opinião - Flasforward

Ficha Técnica:
Autor: Robert J. Sawyery
Título Original: Flashforward
Páginas: 288
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896371913
Tradutor: Susana Serrão

Sinopse:
O que faria se tivesse um vislumbre trágico do seu próprio futuro? Tentaria mudar as coisas, ou aceitaria que o futuro é imutável? Em Flashforward - Presságio do Futuro, é iniciada uma experiência científica que conduz ao inesperado: o mundo inteiro cai inconsciente por instantes e todas as mentes são projectadas vinte anos no futuro. Quando a humanidade desperta, o caos impera por todo o lado: carros arruinados, cirurgias falhadas, quedas, destruição em massa e um elevado número de mortes. Mas esse é apenas o início. Passado o choque das visões, cada indivíduo tenta desesperadamente evitar ou assegurar o seu próprio futuro vislumbrado... Expondo as perspectivas de várias personagens, Robert J. Sawyer realiza uma brilhante reflexão filosófica sobre viagens no tempo, consciência, destino e o que significa ser humano.

Opinião:
Há livros que ficam arrumados eternidades nas estantes ou em caixas, quase esquecidos e muitas vezes ignorados. Há muitos desses livros que poderiam continuar ignorados nas estantes e depois há livros como este que merecem ser lidos. Sou muito sincera quando digo que este livro foi uma agradável surpresa. Não estava nada à espera de gostar tanto do livro como gostei.

Basicamente no livro os personagens são confrontados com uma breve visão do futuro e este conta-nos as consequências destas visões. Apesar de existir um fio condutor para as histórias dos diferentes personagens a verdade é que essa não é a mais valia do livro. Aquilo que torna a história realmente empolgante é as diferentes atitudes e reacções perante as visões do futuro que os personagens têm.

Vários temos são abordados ao longo da narrativa, como por exemplo o livre arbítrio, ou o facto de que o futuro, tal como o passado estão escritos em pedra e são impossíveis de alterar. É fantástico ver como o autor nos apresenta estas questões e lhes vai dando respostas. Ao ser revelado o futuro, muitas personagens optam por seguir as visões que tiveram, outras, extremamente decepcionadas ou desgostosas com o que o futuro lhes reserva decidem mudar a sua forma de ser numa tentativa de alterar o futuro, contudo existem aquelas que simplesmente desistem com receio de nunca conseguir mudar aquilo que viram. O autor mostra-nos que sermos capazes de saber o futuro acaba por nos impedir de viver o presente. Dois dos personagens vêm as suas visões afectar as suas vidas, impedindo-se de viver plenamente, por receio do que possa acontecer no futuro. Vivem sempre a analisar todos os passos que dão, todas as possibilidades. Não seriam muito mais felizes se pudessem viver sem que terem que estar constantemente a olhar por cima do ombro?

Além disso o ser humano é ganancioso. A visão do futuro leva a que as pessoas tentem daí tirar o maior proveito a nível monetário, e quando surge a oportunidade de revisitar o futuro, apesar de usarem o facto de poder haver mortes como impedimento, o verdadeiro problema de muitos países é o facto de que as visões podem ocorrer numa altura em que estas não lhes sejam proveitosas.

Ao fim e ao cabo é um livro que nos mostra que muitas vezes estamos melhor na ignorância pois assim não podemos ser controlados por forças exteriores a nós.

domingo, 21 de setembro de 2014

Sunday's Quotes (61)

“And day to day, life's a hard job, you get tired, you lose the pattern. You need distance, interval. The way to see how beautiful the earth is, is to see it as the moon. The way to see how beautiful life is, is from the vantage point of death.”― Ursula K. Le Guin, The Dispossessed