domingo, 30 de novembro de 2014
sábado, 29 de novembro de 2014
Opinião - A Cor da Magia
Ficha Técnica:
Autor: Terry Pratchett
Título Original: The Color of Magic
Páginas: 254
Editor: Temas e Debates
ISBN: 9789727595549
Tradutor: Mário Dias Correia
Sinopse:
Nesta primeira aventura, Twoflower, um turista ingénuo, chega ao Discworld - um estranho mundo apoiado na carapaça de uma tartaruga gigante -, com o intuito de conhecer um bárbaro autêntico. Traz consigo uma mala cheia de ouro (o ouro não tem muito valor na sua terra) que se desloca através de centenas de perninhas e tem poderes mágicos. À chegada, conhece Rincewind, um feiticeiro cobarde e desastrado que escolhe como guia e protector. Mas o resultado não podia ser pior: durante a expedição, ambos terão de enfrentar todo o tipo de perigos e criaturas mirabolantes, incluindo ladrões "sindicalizados" que tentam constantemente roubar a mala de Twoflower, trolls, dragões, a Morte, o espaço e, claro... também o bárbaro que procuravam.
"A Cor da Magia" é uma aventura psicadélica num mundo mítico, cheia de ritmo e humor, que promete conquistar muitos adeptos.
Opinião:
A Cor da Magia foi o primeiro livro escrito por Pratchett no universo Discworld. Acredito que quando o livro saiu pela primeira vez muita gente tenha estranhado a sua concepção. Afinal um mundo plano que se desloca pelo universo suportado por 4 elefantes que por sua vez se encontram sobre uma tartaruga gigante não é de todo a primeira ideia que surge ao leitor comum. No entanto todo o o mundo criado por Pratchett é baseado em factos incomuns. Normal não é, de todo, a palavra de ordem no Discworld, onde tudo aquilo que consideramos não plausível ali o é.
Em A Cor da Magia seguimos a história de Rincewind e Twoflower, o primeiro o maior cobarde de que há memória e o segundo o primeiro turista que alguma vez existiu no Discworld. Rincewind é um personagem interessante e ao mesmo tempo exasperante devido à sua cobardia. Ele sabe que o é, não tem problemas em o dizer e de fugir sempre que tem a oportunidade. No entanto quando fugir não é possível ele consegue arranjar uma maneira igualmente cobarde de se safar do problema. Isto porque apesar de Rincewind ser um feiticeiro a verdade é que só sabe um feitiço (apesar de não saber qual). Todos os outros lhe fogem da cabeça com medo. Twoflower é um personagem algo passivo e algo irritante devido ao seu optimismo. É difícil de perceber como é que alguém pode ser tão optimista e não perceber quando as coisas estão realmente mal ou são perigosas. Há alturas em que dá vontade de o abanar.
Apesar de terem tido muito pouco tempo de antena, gostei das partes em que Pratchett nos deixava ver as acções dos Deuses e como os seus jogos influenciavam as peripécias dos nossos dois personagens principais.
O humor do autor é constante ao longo de toda a narrativa, e se em determinadas alturas este é mais directo e fácil de reconhecer outras vezes é necessário estar atento para perceber a piada que o autor está a tentar fazer.
Houve essencialmente um ponto que me fez perder algum interesse no livro e que por isso tornou a sua leitura mais lenta, o facto de que muitas vezes havia saltos temporais e espaciais na linha de acontecimentos dos nossos personagens e eu deixava de perceber muito bem onde estávamos, como lá tínhamos chegado e o que estávamos lá a fazer. Eventualmente acabava por perceber, mas ao início sentia-me sempre um pouco perdida.
Quanto ao final do livro, deixa tudo um pouco em aberto e tenho curiosidade em saber como é que vão buscar o Rincewind tendo em conta que ele supostamente se perdeu no universo.
Em A Cor da Magia seguimos a história de Rincewind e Twoflower, o primeiro o maior cobarde de que há memória e o segundo o primeiro turista que alguma vez existiu no Discworld. Rincewind é um personagem interessante e ao mesmo tempo exasperante devido à sua cobardia. Ele sabe que o é, não tem problemas em o dizer e de fugir sempre que tem a oportunidade. No entanto quando fugir não é possível ele consegue arranjar uma maneira igualmente cobarde de se safar do problema. Isto porque apesar de Rincewind ser um feiticeiro a verdade é que só sabe um feitiço (apesar de não saber qual). Todos os outros lhe fogem da cabeça com medo. Twoflower é um personagem algo passivo e algo irritante devido ao seu optimismo. É difícil de perceber como é que alguém pode ser tão optimista e não perceber quando as coisas estão realmente mal ou são perigosas. Há alturas em que dá vontade de o abanar.
Apesar de terem tido muito pouco tempo de antena, gostei das partes em que Pratchett nos deixava ver as acções dos Deuses e como os seus jogos influenciavam as peripécias dos nossos dois personagens principais.
O humor do autor é constante ao longo de toda a narrativa, e se em determinadas alturas este é mais directo e fácil de reconhecer outras vezes é necessário estar atento para perceber a piada que o autor está a tentar fazer.
Houve essencialmente um ponto que me fez perder algum interesse no livro e que por isso tornou a sua leitura mais lenta, o facto de que muitas vezes havia saltos temporais e espaciais na linha de acontecimentos dos nossos personagens e eu deixava de perceber muito bem onde estávamos, como lá tínhamos chegado e o que estávamos lá a fazer. Eventualmente acabava por perceber, mas ao início sentia-me sempre um pouco perdida.
Quanto ao final do livro, deixa tudo um pouco em aberto e tenho curiosidade em saber como é que vão buscar o Rincewind tendo em conta que ele supostamente se perdeu no universo.
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
Opinião - As Raparigas Cintilantes
Ficha Técnica:
Autor: Lauren Beukes
Título Original: The Shining Girls
Páginas: 344
Editor: Porto Editora
ISBN: 9789720044969
Tradutor: Cristina Paixão
Sinopse:
Ele é o assassino perfeito. Imparável. Impossível de identificar. Pensa ele… CHICAGO, 1931: Harper Curtis,um vagabundo paranóico e violento, dá de caras com uma casa que possui um segredo tão chocante como a natureza distorcida de Curtis: permite o acesso a outras épocas. Ele usa-a para perseguir as suas raparigas cintilantes – e tirar-lhes o brilho de uma vez por todas.
CHICAGO, 1992: Diz-se que o que não nos mata nos faz mais fortes. Experimente dizê-lo a Kirby Mazrachi, cuja vida ficou devastada depois de sofrer uma brutal tentativa de assassínio. Continua a tentar encontrar o agressor, tendo como único aliado Dan, um ex-repórter de crime que cobrira o seu caso anos antes. À medida que prossegue a sua investigação, Kirby descobre as outras raparigas, as que não sobreviveram. Os indícios apontam para algo… impossível. Mas para alguém que devia estar morto, impossível não quer dizer que não aconteceu…
Opinião:
As Raparigas Cintilantes é um livro interessante na medida em que mistura policial e também fantasia ou ficção científica. O livro em si pretende ser mais um policial ou thriller, em que o vilão é um bocadinho para o alucinado e tira um prazer mórbido dos assassinatos que comete. No entanto a autora dá-lhe um twist algo diferente ao trazer para a mistura uma casa que tem a capacidade de fazer o vilão viajar no tempo, permitindo-lhe perseguir as suas raparigas cintilantes ao longo do tempo de forma a poder cometer os crimes na altura em que os mesmos são devidos.
Por um lado gostei bastante da premissa do livro. A ideia da casa que tem propriedades "mágicas", o modo como os acontecimentos se encadeiam, com os primeiros assassinatos a acontecer mais tarde no tempo e vice-versa. É um pouco assustador, no final, ver como tudo se interliga num ciclo que parece não ter fim. Gostei ainda da caracterização dos personagens, desde os heróis aos vilões. A Kirby é alguém muito especial, não só por quase ter morrido, mas também por tudo aquilo que passou e ultrapassou quando era uma criança. Gostei bastante da sua personalidade determinada e da sua língua comprida. Gostei do Dan e de como a sua relação com a Kirby o afecta e como é que ele lida com isso. Contudo o personagem que mais atenção merece é sem dúvida Harker. O homem é doentio e a autora consegue transmitir-nos essa sensação bastante bem. Além disso a sua lógica e raciocínio são assustadores, sendo que ao mesmo tempo deixam o leitor agarrado à narrativa.
No entanto houve coisas que também me desagradaram e influenciaram bastante para o facto de não ter gostado do livro tanto como poderia. Uma dessas coisas é a maneira algo confusa como nos são apresentadas as diferentes personagens as diferentes raparigas cintilantes. Além das datas na página achei que poderia ter havido um maior cuidado a ligar as histórias e em situar o leitor no tempo histórico e no tempo da narrativa. Também não gostei do facto de a autora não ter desenvolvido mais acerca da casa. O que é ela, de onde vinha, qual o seu propósito? Apenas sabemos que ela existe e trabalha de certo modo, mas isso na minha opinião não é suficiente. Por fim, o final. Se por um lado gostei por causa da ideia de ciclo que nos transmite por outro lado ficamos sem saber muito bem o que aconteceu com os personagens, É um final algo em aberto.
Este é um daqueles livros que me deixa dividida e que não sou capaz de dizer se vale a pena ser lido ou não. Acho que vai depender muito do gosto de cada pessoa e do estado de espírito.
Por um lado gostei bastante da premissa do livro. A ideia da casa que tem propriedades "mágicas", o modo como os acontecimentos se encadeiam, com os primeiros assassinatos a acontecer mais tarde no tempo e vice-versa. É um pouco assustador, no final, ver como tudo se interliga num ciclo que parece não ter fim. Gostei ainda da caracterização dos personagens, desde os heróis aos vilões. A Kirby é alguém muito especial, não só por quase ter morrido, mas também por tudo aquilo que passou e ultrapassou quando era uma criança. Gostei bastante da sua personalidade determinada e da sua língua comprida. Gostei do Dan e de como a sua relação com a Kirby o afecta e como é que ele lida com isso. Contudo o personagem que mais atenção merece é sem dúvida Harker. O homem é doentio e a autora consegue transmitir-nos essa sensação bastante bem. Além disso a sua lógica e raciocínio são assustadores, sendo que ao mesmo tempo deixam o leitor agarrado à narrativa.
No entanto houve coisas que também me desagradaram e influenciaram bastante para o facto de não ter gostado do livro tanto como poderia. Uma dessas coisas é a maneira algo confusa como nos são apresentadas as diferentes personagens as diferentes raparigas cintilantes. Além das datas na página achei que poderia ter havido um maior cuidado a ligar as histórias e em situar o leitor no tempo histórico e no tempo da narrativa. Também não gostei do facto de a autora não ter desenvolvido mais acerca da casa. O que é ela, de onde vinha, qual o seu propósito? Apenas sabemos que ela existe e trabalha de certo modo, mas isso na minha opinião não é suficiente. Por fim, o final. Se por um lado gostei por causa da ideia de ciclo que nos transmite por outro lado ficamos sem saber muito bem o que aconteceu com os personagens, É um final algo em aberto.
Este é um daqueles livros que me deixa dividida e que não sou capaz de dizer se vale a pena ser lido ou não. Acho que vai depender muito do gosto de cada pessoa e do estado de espírito.
(Livro lido em parceria com o Segredo dos Livros)
domingo, 23 de novembro de 2014
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Um Prémio Merecido e um Discurso Brilhante
Uma das minhas autoras preferidas, Ursula K. Le Guin, ganhou recentemente um prémio bastante conceituado, o Medal for Distinguished Contribution to American Letters, nos National Book Awards. Fiquei bastante contente e não posso de transcrever o discurso que a autora deu ao receber o prémio (retirado daqui):
Thank you Neil, and to the givers of this beautiful reward, my thanks from the heart. My family, my agent, editors, know that my being here is their doing as well as mine, and that the beautiful reward is theirs as much as mine. And I rejoice at accepting it for, and sharing it with, all the writers who were excluded from literature for so long, my fellow authors of fantasy and science fiction—writers of the imagination, who for the last 50 years watched the beautiful rewards go to the so-called realists.
I think hard times are coming when we will be wanting the voices of writers who can see alternatives to how we live now and can see through our fear-stricken society and its obsessive technologies to other ways of being, and even imagine some real grounds for hope. We will need writers who can remember freedom. Poets, visionaries—the realists of a larger reality.
Right now, I think we need writers who know the difference between the production of a market commodity and the practice of an art. Developing written material to suit sales strategies in order to maximize corporate profit and advertising revenue is not quite the same thing as responsible book publishing or authorship. (Thank you, brave applauders.)
Yet I see sales departments given control over editorial; I see my own publishers in a silly panic of ignorance and greed, charging public libraries for an ebook six or seven times more than they charge customers. We just saw a profiteer try to punish a publisher for disobedience and writers threatened by corporate fatwa, and I see a lot of us, the producers who write the books, and make the books, accepting this. Letting commodity profiteers sell us like deodorant, and tell us what to publish and what to write. (Well, I love you too, darling.)
Books, you know, they’re not just commodities. The profit motive often is in conflict with the aims of art. We live in capitalism. Its power seems inescapable. So did the divine right of kings. Any human power can be resisted and changed by human beings. Resistance and change often begin in art, and very often in our art—the art of words.
I have had a long career and a good one. In good company. Now here, at the end of it, I really don’t want to watch American literature get sold down the river. We who live by writing and publishing want—and should demand—our fair share of the proceeds. But the name of our beautiful reward is not profit. Its name is freedom.
Thank you.
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