sábado, 31 de janeiro de 2015

Opinião - A Retirada dos Dez Mil

Ficha Técnica:
Autor: Xenophonte
Título Original: Ἀνάβασις
Páginas: 264
Editor: Bertrand Editora
ISBN: 9789722528979
Tradutor: Aquilino Ribeiro

Sinopse:
Este livro é uma raridade, dado que é a única tradução para português do que pode ser considerado como um «antepassado distante» dos romances de cavalaria. De salientar um delicioso prefácio, que vale tanto quanto o livro, de Aquilino Ribeiro; em que explica como é que entrou em contacto com Xenofonte, aquando da sua estadia em Paris, através de um obscuro monsieur Tournier. Quanto ao livro, Xenofonte relata as aventuras e desventuras de uma expedição fracassada à Pérsia. Longe de ser um relato histórico, Xenofonte emerge como um homem encarnado na luta dos seus soldados, experienciando diversas emoções e explanando-as no pergaminho. Antevendo assim, quiçá, uma certa contemporaneidade no actual romance.
Inclui ainda uma introdução de Mário de Carvalho.

Opinião:
A Retirada dos Dez Mil é basicamente um relato detalhado da tentativa de Cyrus em usurpar o trono do irmão e o retorno do seu exército a casa depois da sua morte. É um relato que se baseará em factos reais e no qual o seu autor faz parte dos acontecimentos.

Este é um livro que logo ao início se mostra promissor. Nota-se que é um livro bem escrito, cheio de ideais que vão sendo transmitidos ao leitor durante o desenrolar dos acontecimentos. No entanto não é por ser capaz de admitir que um livro é bom que tenho obrigatoriamente que gostar dele. O livro baseia-se bastante na descrição exaustiva dos acontecimentos e das acções tomadas por cada interveniente. Além disso quando não somos confrontados com descrições exaustivas somos confrontados com diálogos exaustivos em que o personagem mais parece estar a desenvolver um monólogo.

Peço atenção para o facto de que não quero com isto dizer que o livro seja mau ou que esteja mal escrito. Muito pelo contrário. Nota-se que o autor teve cuidado com as palavras que usa e no modo como transcreve para o papel os acontecimentos que tiveram lugar durante aquela fase da sua vida. Saliento apenas estes aspectos da narrativa para mostrar que este não é um livro fácil de ler. Apesar de se poder dizer que é um livro pequeno a verdade é que é um livro que se leva bastante tempo ler, necessitando de se estar com cabeça e disposição para isso.

É um livro que recomendo, mas apenas a quem sabe para o que vai e que esteja com vontade de ler um livro de mais difícil digestão, pois sem essa noção facilmente o livro será posto de lado e o leitor irá perder acesso a uma grande obra.

(Livro lido em parceria com o Segredo dos Livros)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Opinião - Will e Will

Ficha Técnica:
Autor: John Green
Título Original: Will Grayson, Will Grayson
Páginas: 308
Editor: Asa
ISBN: 9789892328553
Tradutor: ?

Sinopse:
Evanston não fica muito longe de Naperville nos subúrbios de Chicago, mas os jovens Will Grayson e Will Grayson bem que podiam viver em planetas diferentes. Quando o destino os leva à mesma encruzilhada, os Will Graysons veem as suas vidas a sobreporem-se e a seguirem novas e inesperadas direções. Com um empurrão de amigos novos e velhos - incluindo o enorme e enormemente fabuloso Tiny Cooper, jogador ofensivo na equipa de futebol americano da escola e autor de musicais - Will e Will embarcam nas suas respetivas aventuras românticas e na produção épica do musical mais extraordinário da história.

Opinião:
Começo a pensar que a minha relação com este autor só pode ser de amor/ódio. Se por um lado adorei A Culpa Não é das Estrelas e o Teorema Katherine, por outro detestei À Procura de Alaska e Will e Will foi pelo mesmo caminho.

Tenho sérios problemas com livros com adolescentes totós, que se comportam como se tivessem 5 anos e não sabem aquilo que querem da vida. Enquanto que a história até é engraçada, e os temas até interessantes (o facto de se ser aceite ou não pela sociedade, o modo como a maneira como ela nos vê nos influência e uma série de situações mais) a concepção da mesma não me agradou de todo. Os personagens parecem exagerados ao limite, com tudo o que sentem a ser levado aos extremos, todas as suas acções parecem exageradas e cheias de fatalidades. Durante toda a história não houve uma única personagem com quem me conseguisse relacionar e sentisse ser interessante. E não falo enquanto adulta. Sinceramente não consigo ver o meu eu de 16 anos a gostar muito destes personagens visto que com essa idade já não tinha paciência para aturar a maior parte dos meus colegas.

Os Wills que nos são apresentados são bastante diferentes, mas ambos têm os seus problemas. Um deles vive com a política do não vou dizer nada, não me quero chatear, vou fazer o que me dizem porque não estou para fazer o que me apetece e ter que me chatear.  O outro vive uma vida de depressão em que só se pensa em matar e acha que ninguém o entende e que tudo e todos estão contra ele. Sei que existem adolescentes assim e até adultos que se sentem desta maneira. E por norma tenho pena deles e gostava de os poder ajudar. Mas neste caso o autor só me conseguiu mesmo dar vontade de os esganar. Se houve um personagem ainda mais ou menos aceitável foi Tiny, que acaba por ser o catalisador para as mudanças observadas em ambos os Will. de qualquer modo também o achei um personagem mediocre.

Para concluir só posso dizer que vou ter que começar a ter muito cuidado quando decidir ler alguma coisa de John Green de modo a garantir que não leio mais nada da sua vertente detestável e para poder passar a ler apenas aqueles livros dele que se assemelham mais aos que gostei. O livro é interessante e provavelmente irá a agradar a quem não se importe de lidar com protagonistas irritantes.

(Livro lido em parceria com o Segredo dos Livros)

domingo, 25 de janeiro de 2015

Sunday's Quotes (78)

“There are two ways of spreading light: to be the candle or the mirror that receives it.” ―  Edith Wharton

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Opinião - Antoine de Saint-Exupéry: Vida e Morte do Principezinho

Ficha Técnica:
Autor: Paul Webster
Título Original: The Life and Death of the Little Prince: A Biography of Antoine De St Exupery
Páginas: 320
Editor: Vogais
ISBN: 9789896682583
Tradutor: Maria do Carmo Ferreira

Sinopse:
Em Julho de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, um avião de reconhecimento da Força Aérea Francesa desapareceu no Mar Mediterrâneo.
O corpo do piloto nunca foi encontrado. A aeronave era um dos aparelhos mais rápidos e modernos da aviação aliada, um P-38 Lightning americano. Aos comandos ia Antoine de Saint-Exupéry. A sua morte, aos 44 anos, ficou assim envolta para sempre em mistério e romantismo.
Todo o percurso de Saint-Exupéry é recheado de aventuras e episódios fascinantes, até porque a sua vida abrange os mais controversos anos da história francesa. E se por um lado era um aristocrata, com o título de Conde, que representava toda uma classe em extinção, por outro lado foi um corajoso pioneiro da aviação e um aclamado romancista, que privou com as personalidades mais importantes do século XX.
Baseada numa investigação meticulosa, esta biografia relata todos esses detalhes. Com uma escrita empolgante, revela também novas informações que irão fascinar quer os leitores mais aventureiros quer os mais apaixonados. E surpreender os fãs de O Principezinho!
Poucas personalidades do século XX inspiraram tanto a investigação por parte de historiadores e biógrafos. Esta biografia traz de volta à vida um herói, um homem apaixonado que combinou a carreira perigosa de aviador com a de autor de clássicos como O Principezinho.

Opinião:
Antoine de Saint-Exupéry é alguém que me suscita curiosidade desde que entrei em contacto com a sua obra. Tenho que confessar que até à data apenas li O Principezinho, Voo Nocturno e Cidadela. Confesso que achei os dois últimos livros bastante complexos, principalmente Cidadela, que é apenas um esboço e ao qual ainda faltava muito trabalho da parte do autor aquando do seu desaparecimento.

Nesta obra ficamos a conhecer a sua vida desde tenra idade até à altura em que desapareceu. Exupéry era uma pessoa cheia de contrastes, dualidades, com algumas manias complicadas que poderiam levar qualquer pessoa "normal" à loucura. Ao mesmo tempo era alguém dotado de inteligência e um grande sentido patriótico. Não houve um único momento da sua vida em que Exupéry não lutasse pela França que julgava ser a verdadeira França.

Por si só o escritor é uma pessoa extremamente cativante, mas não é apenas isso que torna a leitura interessante. A maneira como ele se dá com as pessoas, como as interacções com elas o afectam e levam a reflexões que se traduzem nas suas obras cativa também o leitor. Sendo que ao longo do livro nos vamos apercebendo que Exupéry se rodeava de personalidades singulares, muito parecidas consigo nos mais diversos aspectos.

Achei que o autor desta Biogradia fez um excelente trabalho ao compilar toda a informação que temos acerca do autor. Dá-nos uma ideia vivida de como foi a sua infância e como isso o afectou, bem como o tempo que passou no ar e as relações com as pessoas que foram surgindo na sua vida. Paul Webster conta a história da vida de Exupéry quase como se fosse uma odisseia e não o mero relatar de factos pertencentes à vida de uma pessoas. O autor deu-se também ao trabalho de tentar explicar ao leitor a correspondência entre os acontecimentos e pessoas da obra de Exupéry e os seus correspondentes na vida real. Fiquei contente por ver de onde é que lhe surgiam as ideias e como é que ele as transpunha para o papel.

Um livro que merece ser lido pela história que conta e pelo modo como a conta.

(Livro lido em parceria com o Segredo dos Livros)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Opinião - Ligeiramente Escandalosa

Ficha Técnica:
Autor: Mary Balogh
Título Original: Slightly Scandalous
Páginas: 368
Editor: Asa
ISBN: 9789892328805
Tradutor: Ana Sofia Pereira

Sinopse:
Crescer no seio da família Bedwyn não é tarefa fácil; que o diga a jovem Freyja Bedwyn. Tendo passado a infância rodeada por quatro rapazes, habituou-se desde cedo a igualá-los em ousadia e independência. Mas o atrevimento - tolerável numa menina - é considerado inaceitável numa mulher. Quando, a meio de uma viagem a Bath, o quarto em que Freyja está hospedada é invadido por um atraente fugitivo, a jovem não tem meias- medidas e esmurra-o. Ele é Joshua Moore, o petulante marquês de Hallmere. Nessa noite mal adivinham que, dias depois, estarão... noivos. Para duas pessoas que anseiam por liberdade e parecem detestar-se, esta reviravolta é, no mínimo, inexplicável. Entre o choque e a admiração, a alta sociedade não se cansa de especular sobre a origem de uma relação tão enigmática, excessiva, e ligeiramente escandalosa...

Opinião:
Freyja é de certo modo um dos irmãos Bedwyn que mais curiosidade desperta aos leitores. Desde o início que é apresentada como uma mulher que desafia os irmãos, seja em que área for. Que não se deixa guiar pelas convenções e que faz o que quer quando quer se achar que essa é a opção certa a tomar.

É impossível deixarmos de no sentir cativados pela maneira como Freyja encara o mundo. Como se este fosse um grande desafio a ser ganho. É revigorante ver uma personagem feminina forte e determinada, que sabe o que quer e que luta por isso e que não se deixa submeter pelo que os outros pensam ser o correcto comportamento feminino. Ao mesmo tempo esta é uma personagem que apesar de tudo se demonstra feminina, inteligente e que se percebe sentir-se algo à parte, sem no entanto deixar que isso a detenha e que controle o seu humor negativamente.

Quanto ao personagem masculino, é um personagem mais típico. É o normal galã, sem preocupações, ou que parece não se preocupar com nada, mas que no fundo tem bom coração e que acaba por see aperceber que há mais na vida que farras e festas...

O que mais cativa neste livro além da personalidade de Freyja é o relacionamento desta com Joshua. É impossível não sorrir e ficar indiferente a estes dois. Estão constantemente a meter-se um com o outro desde que se conhecem. Sempre a desafiarem-se e a irritarem-se um ao outro. No entanto existe uma cumplicidade imensa pois ambos sabem o que afecta o outro seja positiva ou negativamente. E aos poucos apercebem-se que tudo aquilo porque passam os torna mais unidos. Pois todas as trabalhadas e querelas só fazem com que se fiquem a conhecer melhor e se percebam melhor.

É sempre agradável ver os personagens dos livros anteriores, ver como evoluíram, em que estado estão e como é que afectam e se posicionam no mundo dos actuais protagonistas. Foi também interessante conhecer alguns novos personagens, nomeadamente a tia de Joshua, que é a coisa mais intragável e insuportável que existe (I luv Freyja!), e Prue. Um doce de pessoa que apesar de ser considerada incapaz é a coisa mais feliz e pura em todo o livro. Capaz de amar sem preconceitos e com uma percepção alarmante para ver e sentir o que os outros parecem ignorar. Sinceramente teria gostado de ver um livro acerca desta personagem pois acho que seria um ponto de vista interessante de ser trabalhado.

Ou seja, foi uma leitura simples, mas agradável que me encheu as medidas que tinha em conta na altura e para o tipo de livro que era.

(Livro lido em parceria com o Segredo dos Livros)